Divulgar muito e vender pouco, o erro que trava o crescimento de empresas – por Adriana Vasconcellos Soares

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A maior dor do empreendedor hoje não é a falta de esforço. É o excesso de esforço sem resultado. Produz conteúdo, investe em anúncios, publica com frequência e, ainda assim, as vendas não acompanham. A sensação é clara. Muito trabalho para pouco retorno.

Esse cenário é mais comum do que parece e não está ligado a um único fator. Ele surge da combinação de falhas estratégicas que comprometem a conversão.

A primeira delas é a baixa visibilidade orgânica. Redes sociais reduziram o alcance natural das publicações, tornando mais difícil ser visto sem investimento. Quando a marca não aparece, não entra no radar do cliente. Em paralelo, cresce a dependência de anúncios, muitas vezes sem segmentação adequada. O resultado é um custo de aquisição de cliente elevado. Quando esse custo se aproxima ou supera o valor gerado por cada venda, a operação perde eficiência e compromete a margem.

Outro ponto crítico está na sobrecarga. O “eu-preendedorismo” ainda domina boa parte dos negócios. O empreendedor acumula funções e o marketing perde consistência. Sem consistência, não há construção de marca, apenas ações isoladas.

A falta de direção estratégica completa o problema. É comum ver empresas dividindo esforços entre Instagram, Google, anúncios, conteúdo orgânico e outras frentes, sem clareza de papel para cada canal. O resultado é dispersão de investimento e baixa performance. O problema, portanto, não está nas ferramentas. Está na ausência de estratégia.

O primeiro ajuste é entender que visibilidade sem posicionamento não gera venda. Não basta aparecer. É preciso ser percebido como uma opção confiável. Isso exige clareza na comunicação, coerência na mensagem e alinhamento com a proposta de valor.

Nesse contexto, o marketing de conteúdo deixa de ser volume e passa a ser construção de percepção. Conteúdos bem direcionados educam, reduzem objeções e preparam o cliente antes do contato comercial.  A inteligência artificial também pode contribuir para ganho de produtividade e organização, mas não substitui estratégia. Quando usada sem critério, apenas acelera erros já existentes.

A escolha dos canais também precisa ser mais precisa. Redes sociais atraem e despertam interesse. O Google valida e reforça credibilidade. O WhatsApp facilita o fechamento. Quando esses pontos não se conectam, o processo de decisão do cliente se interrompe.

A assessoria de imprensa atua em outra camada desse processo. Ela não gera venda direta, mas constrói reputação e credibilidade. A presença em veículos de comunicação fortalece a percepção de autoridade, amplia a confiança e posiciona a marca como fonte relevante. Esse movimento impacta diretamente a forma como a empresa aparece nas buscas e nas respostas de inteligências artificiais, que tendem a priorizar fontes recorrentes, citadas e confiáveis. Na prática, isso reduz a resistência do cliente e encurta o caminho até a decisão.

Outro ponto decisivo está na relação entre marketing e comercial. Muitas empresas geram demanda, mas não convertem por falhas na abordagem, demora no atendimento, falta de acompanhamento ou dificuldade em apresentar valor com clareza. Nesses casos, o problema não está na divulgação, mas na execução da venda.

Por fim, é necessário olhar para a estrutura do negócio. Margens apertadas, precificação incorreta e dependência de descontos inviabilizam o crescimento, mesmo quando há volume de vendas.

Resolver a baixa conversão exige integração. Marketing, assessoria de imprensa e comercial precisam atuar de forma coordenada. Um atrai, outro constrói confiança e o terceiro transforma interesse em venda.

Quando essa estrutura funciona, divulgar deixa de ser tentativa e passa a ser estratégia. E é nesse momento que o resultado deixa de ser instável e começa a ganhar previsibilidade.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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