SUS testa caneta emagrecedora em pacientes com obesidade grave

0 0
Read Time:3 Minute, 29 Second

Estudo acompanha 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças para avaliar se a semaglutida pode reduzir a necessidade de cirurgia e outros riscos à saúde.

Enquanto o debate sobre a chegada das chamadas “canetas emagrecedoras” ao Sistema Único de Saúde (SUS) ganha espaço, o Ministério da Saúde iniciou uma etapa que pode ser decisiva para definir como esses medicamentos serão utilizados na rede pública.

Desde junho, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, acompanha pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças que têm indicação para cirurgia bariátrica. O estudo, chamado Real-Bari, utiliza semaglutida, um dos medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, e deve acompanhar cerca de 250 pacientes.

A principal questão é saber se o tratamento medicamentoso consegue produzir uma resposta clínica suficiente para mudar a trajetória de parte desses pacientes, inclusive aqueles que estão na fila para a cirurgia bariátrica.

O estudo também pretende avaliar aspectos clínicos, operacionais e econômicos do tratamento para verificar como uma eventual utilização desses medicamentos poderia ser aplicada na realidade do SUS. Os primeiros resultados mais amplos são esperados para 2027.

Primeiro paciente perdeu 6 kg

O Ministério da Saúde apresentou o caso do primeiro paciente que recebeu a semaglutida dentro do protocolo do GHC. Segundo o ministro Alexandre Padilha, o paciente estava na fila para cirurgia bariátrica e perdeu 6 quilos, além de apresentar redução da circunferência abdominal.

O ministro também relatou que o paciente afirmou ter mudado hábitos de vida, passando a realizar mais atividades físicas. O resultado, porém, é uma observação inicial e não representa, isoladamente, a conclusão do estudo.

O acompanhamento de 250 pessoas permitirá avaliar os efeitos do tratamento de maneira mais ampla e estabelecer critérios para o acompanhamento médico dos pacientes.

O que o SUS está tentando descobrir

A estratégia não se resume à perda de peso.

Entre os pontos que serão avaliados estão a possibilidade de controlar casos graves de obesidade, reduzir a necessidade de cirurgia bariátrica e verificar eventuais impactos sobre outras condições associadas à obesidade.

O Ministério da Saúde também aponta que o estudo avaliará aspectos econômicos e operacionais. Isso é relevante porque a eventual oferta em escala nacional depende não apenas da eficácia clínica, mas também de critérios de indicação, acompanhamento e sustentabilidade para o sistema público.

Canetas ainda não são oferecidas de forma ampla pelo SUS

Apesar dos anúncios sobre a preparação da oferta, as canetas à base de GLP-1 ainda não fazem parte de uma distribuição ampla e regular pelo SUS.

Em julho, o Ministério da Saúde informou que a semaglutida ainda estava sob análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Naquele momento, a pasta destacou que os medicamentos da classe ainda não eram oferecidos pelo SUS de forma geral.

A Conitec já analisou anteriormente uma proposta específica para utilização da semaglutida em pacientes com obesidade grau II e III, sem diabetes, com 45 anos ou mais e doença cardiovascular estabelecida. A recomendação publicada em 2025 foi pela não incorporação para aquela indicação específica.

Isso significa que a experiência atualmente conduzida pelo GHC é especialmente relevante para a discussão sobre quais pacientes poderão ser beneficiados e em quais condições caso a tecnologia venha a ser incorporada ao SUS.

Produção nacional também entra na estratégia

Paralelamente ao estudo clínico, o governo federal trabalha para ampliar a oferta de medicamentos da classe GLP-1 no mercado brasileiro.

Segundo o Ministério da Saúde, a estratégia estimulou empresas a apresentar projetos para produção nacional de canetas com esses princípios ativos. A pasta afirma que a entrada de novos produtos contribuiu para aumentar a concorrência e já resultou em medicamentos registrados com preços até 70% menores.

A redução dos preços é considerada pelo governo um dos fatores necessários para ampliar o acesso e viabilizar uma eventual incorporação desses medicamentos ao sistema público.

Por enquanto, portanto, a principal notícia não é apenas que as chamadas canetas emagrecedoras poderão chegar ao SUS. O que está em teste é uma nova estratégia para tratar pacientes com obesidade grave e avaliar se, em determinados casos, o medicamento pode evitar ou adiar uma cirurgia bariátrica.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Fernando Frazão/ABR

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Câmara aprova urgência para votar quebra de patente do Mounjaro

0 0
Read Time:1 Minute, 15 Second

A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (9) requerimento de regime de urgência para apreciar o Projeto de Lei nº 68, de 2026, que declara os remédios Mounjaro e Zepbound como de interesse público e pede a quebra de patente. Ambos são medicamentos agonistas do receptor GLP‑1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

Foram registrados, ao todo, 337 votos favoráveis e 19 contrários. O texto é de autoria dos deputados federais Antonio Brito (PSD-BA) e Mário Heringer (PDT-MG). Com a aprovação do regime de urgência, o projeto pode ser votado a qualquer momento no plenário, sem necessidade de passar pelas comissões da Casa.

Alerta

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu alerta de farmacovigilância sobre os riscos do uso indevido de canetas emagrecedoras. O grupo inclui a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida.

Em nota, a Anvisa destacou que, embora o risco conste das bulas dos medicamentos aprovados no Brasil, as notificações têm aumentado tanto no cenário internacional quanto no cenário nacional, o que exige reforço das orientações de segurança.

O monitoramento médico, segundo a agência, é motivado pelo risco de eventos adversos graves, incluindo pancreatite aguda, que podem incluir formas necrotizantes e fatais.

No início do mês, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido também emitiu alerta para o risco, ainda que pequeno, de casos de pancreatite aguda grave em pacientes que utilizam canetas emagrecedoras.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Fonte: Ag. Brasil | Foto: Reprodução/FreePik

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Uso de canetas emagrecedoras sem prescrição acende alerta em estudo da USP

0 0
Read Time:2 Minute, 17 Second

Um estudo internacional liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) acendeu um sinal de alerta sobre o uso crescente de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” por pessoas sem indicação clínica. A pesquisa, publicada na revista científica Obesity, aponta a falta de evidências sobre a segurança e a eficácia desses fármacos quando utilizados por indivíduos que não têm obesidade nem diabetes tipo 2.

O trabalho foi conduzido por especialistas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e da Faculdade de Saúde Pública (FSP-USP), em parceria com universidades dos Estados Unidos, Dinamarca e Japão. A análise vai além dos efeitos biológicos e examina impactos sociais, culturais, emocionais e comportamentais associados ao uso desses medicamentos fora das recomendações médicas.

Segundo o estudo, os agonistas de GLP-1 — substâncias que atuam no controle do apetite, da saciedade e da glicose — passaram a ser vistos não apenas como tratamentos de saúde, mas também como ferramentas de modificação estética. Esse deslocamento de função tem sido impulsionado principalmente pelas redes sociais, onde influenciadores e celebridades difundem a ideia de que emagrecer é sinônimo de sucesso e autocuidado.

Os pesquisadores classificam o fenômeno como uma “medicalização da magreza”. Embora o uso off-label — emprego de medicamentos fora das indicações da bula — seja permitido em situações específicas e sob rigoroso acompanhamento médico, o estudo aponta que isso nem sempre ocorre na prática. “As narrativas digitais apresentam essas drogas como soluções rápidas, sem expor riscos ou limites, o que pressiona pessoas sem necessidade clínica a recorrerem ao medicamento”, afirma a professora Fernanda Scagliusi, da FMUSP, primeira autora do artigo.

Outro ponto de preocupação é a velocidade com que o consumo cresce em comparação à produção de evidências científicas. De acordo com o professor Bruno Gualano, presidente do Centro de Medicina do Estilo de Vida da FMUSP, ainda não há dados suficientes sobre os efeitos psicológicos e de longo prazo desse uso em pessoas sem obesidade. Entre os possíveis impactos estão alterações no comportamento alimentar, dependência emocional, medo de reganho de peso e mudanças na relação com o corpo.

O estudo também identificou diferenças culturais na adoção dessas práticas. No Brasil, o uso está fortemente ligado a padrões estéticos influenciados por gênero, raça e classe social. Nos Estados Unidos, prevalece o discurso de responsabilidade individual e produtividade. Já no Japão, o debate se aproxima mais da vigilância em saúde, enquanto na Dinamarca aparece associado a maior confiança nas instituições e no controle regulatório.

Para os autores, o fenômeno é global, mas exige respostas adaptadas a cada contexto. “Não existe uma explicação única. Cada país revela como saúde, cultura e mercado se misturam nesse novo uso das canetas emagrecedoras”, conclui Scagliusi.

O artigo completo está disponível na revista científica Obesity.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Reprodução/Freepik

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

PM prende trio em Osasco e recupera mais de R$ 77 mil em medicamentos para emagrecer roubados em SP

0 0
Read Time:1 Minute, 4 Second

A Polícia Militar prendeu dois homens, de 19 e 21 anos, e apreendeu um adolescente, de 17, envolvidos em um roubo a uma farmácia na zona oeste de São Paulo. A prisão ocorreu nesta terça-feira (28), em Osasco, na Região Metropolitana, após o trio tentar fugir em um carro furtado.

De acordo com a corporação, os policiais realizavam patrulhamento pela avenida Professor Alfonso Bovero quando desconfiaram da atitude dos ocupantes de um veículo. Ao perceber a aproximação da viatura, o motorista tentou escapar, mas acabou colidindo contra um poste.

Durante a abordagem, os agentes encontraram no interior do carro 41 caixas de medicamentos para emagrecimento, avaliadas em mais de R$ 77 mil, além de R$ 2,3 mil em espécie, um simulacro de arma de fogo e uma placa veicular. Após consulta, foi constatado que o automóvel também havia sido furtado.

Os suspeitos foram levados ao 5º Distrito Policial de Osasco, onde uma representante da farmácia reconheceu os envolvidos e confirmou o roubo. Todo o material recuperado foi devolvido ao estabelecimento.

O caso foi registrado como roubo, corrupção de menor, adulteração de sinal identificador de veículo e receptação. Os dois maiores de idade permaneceram presos, e o adolescente foi apreendido e encaminhado à Vara da Infância e Juventude.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Google Maps

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %
erro: