Os planos de saúde coletivos registraram reajuste médio de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Embora seja o menor aumento médio dos últimos cinco anos, o índice ainda supera com folga a inflação oficial do país, que ficou em 3,81% no período.
O aumento atinge contratos coletivos empresariais e por adesão, modalidade que concentra a maior parte dos beneficiários no Brasil. Atualmente, cerca de 84% dos usuários de planos de saúde estão vinculados a contratos desse tipo.
Os dados divulgados pela ANS mostram que os reajustes seguem em patamares elevados há mais de uma década. Mesmo com a desaceleração registrada em 2026, os aumentos continuam pressionando empresas, trabalhadores e famílias que dependem da saúde suplementar.
Veja a evolução média dos reajustes dos planos coletivos nos últimos anos:
- 2016 — 15,74%
- 2017 — 14,24%
- 2018 — 11,96%
- 2019 — 10,55%
- 2020 — 7,71%
- 2021 — 6,43%
- 2022 — 11,48%
- 2023 — 14,13%
- 2024 — 13,18%
- 2025 — 10,76%
- 2026 — 9,90%
A última vez em que os reajustes ficaram abaixo do percentual atual foi em 2021, durante a pandemia da covid-19. Naquele período, o isolamento social provocou redução significativa na realização de consultas, exames e cirurgias eletivas, diminuindo os custos das operadoras.
Apesar da queda em relação aos últimos anos, entidades de defesa do consumidor seguem criticando os reajustes acima da inflação. O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), por exemplo, costuma questionar os aumentos praticados pelas operadoras em contratos coletivos.
A ANS, no entanto, afirma que a comparação direta com o IPCA não é adequada. Segundo a agência, o cálculo considera fatores específicos do setor de saúde, como aumento nos custos médicos, procedimentos, internações e frequência de utilização dos serviços pelos beneficiários.
Outra diferença importante está na forma como os reajustes são definidos. Nos planos individuais e familiares, o percentual máximo é determinado pela própria ANS. Já nos contratos coletivos, os aumentos são negociados diretamente entre empresas, associações ou administradoras e as operadoras de saúde.
Os dados da agência também mostram diferenças relevantes entre os tipos de contratos coletivos. Nos dois primeiros meses de 2026, os planos com 30 ou mais beneficiários tiveram reajuste médio de 8,71%. Já os contratos menores, com até 29 vidas, registraram aumento médio de 13,48%.
Segundo a ANS, cerca de 77% dos consumidores estão nos planos com mais de 30 usuários, geralmente contratados por empresas de médio e grande porte.
O setor de saúde suplementar segue em expansão no país. Dados de março de 2026 apontam que o Brasil alcançou 53 milhões de vínculos em planos de saúde, crescimento de 906 mil contratos em relação ao ano anterior.
Além do aumento no número de beneficiários, as operadoras também registraram lucro recorde. Em 2025, o setor acumulou receitas de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido de R$ 24,4 bilhões, o maior já registrado pela saúde suplementar no país.
Na prática, isso significa que as empresas obtiveram cerca de R$ 6,20 de lucro a cada R$ 100 arrecadados.
O avanço dos reajustes em ritmo superior à inflação mantém o debate sobre custos da saúde suplementar e o peso crescente dos planos no orçamento das famílias brasileiras, principalmente entre trabalhadores vinculados a contratos empresariais.
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