RED-S e o momento em que o corpo do esportista entra em modo de emergência – por Dr. Guilherme Falótico

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No mundo do esporte, onde mais é frequentemente confundido com melhor, existe uma condição silenciosa que está minando a saúde de atletas profissionais e amadores: a Deficiência Energética Relativa no Esporte (RED-S). Esta não é simplesmente uma questão de comer pouco, mas sim de um desequilíbrio crítico entre a energia consumida e a energia gasta, um estado em que o corpo, literalmente, começa a se consumir para sobreviver.

O que é RED-S? Uma definição que vai além da nutrição

Anteriormente conhecida como a Tríade da Mulher Atleta Feminina, que englobava distúrbios alimentares, amenorreia (ausência de menstruação) e osteoporose, a RED-S representa uma evolução desse conceito. Hoje, sabemos que essa condição:

  • Afeta homens e mulheres de todas as idades e níveis esportivos
  • Impacta praticamente todos os sistemas do corpo
  • Pode ocorrer mesmo sem diagnóstico de transtorno alimentar

O núcleo do problema é simples na teoria, mas complexo na prática, pois o esportista não consome calorias suficientes para suportar seu gasto energético diário, incluindo as demandas do treino, da recuperação e das funções corporais básicas.

O efeito dominó fisiológico quando o corpo desliga sistemas para sobreviver

Imagine seu corpo como uma empresa em crise financeira. A RED-S é o momento em que o “CEO fisiológico” começa a desligar departamentos não-essenciais para manter as luzes acesas:

  1. Sistema reprodutivo: O primeiro a ser “desligado”
  1. Mulheres: irregularidade ou ausência menstrual
  2. Homens: redução significativa dos níveis de testosterona
  3. Consequência: infertilidade e alterações profundas na libido
  1. Sistema ósseo: Um silêncio perigoso
  1. Redução da densidade mineral óssea
  2. Aumento do risco de fraturas por estresse
  3. Dano que pode ser irreversível em atletas jovens
  1. Sistema endócrino em caos
  1. Cortisol elevado crônico (hormônio do estresse)
  2. Redução do hormônio do crescimento
  3. Resistência à insulina
  4. Tireoide desregulada
  1. Sistema imunológico comprometido
  1. Infecções recorrentes
  2. Resfriados constantes
  3. Recuperação lenta de lesões
  1. Impacto no desempenho: A ironia final
  1. Fadiga precoce
  2. Perda de força e potência
  3. Tempos de reação mais lentos
  4. Maior risco de lesões
  5. Recuperação inadequada entre treinos

Quem está em risco? Mitos e Verdades

Contrariamente à crença popular, a RED-S não afeta apenas:

  • Atletas de esportes estéticos (ginástica, patinação, dança)
  • Atletas de endurance (corredores, ciclistas, triatletas)
  • Atletas com distúrbios alimentares declarados

Ela também pode afetar:

  • Esportistas recreacionais com alta carga de treino
  • Homens que restringem calorias para alcançar definição muscular
  • Adolescentes em fase de crescimento com treinos intensivos
  • Qualquer pessoa com desequilíbrio energético crônico

Os Sinais de Alerta: Reconhecendo antes que seja tarde

A RED-S muitas vezes se instala gradualmente. Fique atento a:

  • Perda de peso não intencional ou dificuldade em ganhar peso
  • Preocupação excessiva com alimentação e composição corporal
  • Frequentes fraturas por estresse ou lesões recorrentes
  • Queda inexplicável no desempenho, apesar do treino consistente
  • Alterações de humor, irritabilidade ou sintomas depressivos
  • Sensação constante de frio
  • Problemas gastrointestinais frequentes

O Caminho para a recuperação: Uma jornada de respeito

Tratar a RED-S não é apenas “comer mais”. É um processo multifacetado:

  1. Ajuste energético imediato: Aumentar a ingestão calórica para atender às necessidades, frequentemente com apoio nutricional especializado.
  2. Redução do volume ou intensidade do treino: Temporariamente, para permitir que o corpo se recupere.
  3. Acompanhamento multidisciplinar: Envolvendo médico do esporte, nutricionista, psicólogo e treinador.
  4. Reparo ósseo: Monitoramento da densidade mineral óssea e possível suplementação.
  5. Retorno gradual: À plena atividade apenas quando os marcadores de saúde forem restaurados.

A mudança cultural necessária

Combater a RED-S exige uma transformação na cultura esportiva:

  • Treinadores que valorizam saúde acima de performance a qualquer custo
  • Esportistas que veem o descanso e a nutrição adequada como parte integral do treino
  • Competições que não recompensam corpos insustentavelmente magros
  • Uma compreensão de que performance ótima requer saúde ótima

Um apelo à escuta corporal

Se você é atleta, treinador, pai de um jovem esportista ou simplesmente alguém que busca excelência física, lembre-se: seu corpo não é uma máquina que pode operar sem combustível. Ele é um sistema biológico complexo que precisa de equilíbrio para prosperar. A verdadeira performance de elite não vem da exaustão, mas da energia abundante. Não da restrição, mas da nutrição estratégica. Não do desrespeito aos limites, mas da sabedoria em reconhecê-los.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Da formação do ofício: O médico como obra inacabada – por Dr. Guilherme Falótico

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Afirmam que existem instituições que produzem médicos em série, preenchendo-os de conhecimento estanque e entregando-os ao mundo com um pergaminho que tapa ausências. E questiono: que transformação é esta que converte um jovem em autoridade de avental branco, sem antes lhe revelar a humana imperfeição da matéria que tratará?

A realidade é que se formam profissionais como quem monta estruturas e, se faltar algum elemento, segue-se adiante, pois o diploma cobre todas as lacunas. E depois admira-se quando o organismo humano, esse sistema complexo e singular, recusa funcionar conforme os manuais.

Das casas de instrução vazias

Ingressa-se com ideais luminosos, egressa-se com protocolos nas mãos. A academia, essa suposta catedral do conhecimento, converteu-se frequentemente em depósito de informações transitórias. Ensina-se o corpo como mecanismo, mas omite-se que este mecanismo sofre, teme, espera, desanima. Ocupam-se mentes com dados como quem estoca volumes, mas esquecem o essencial: que a medicina é, antes de tudo, um encontro entre duas vulnerabilidades.

Comentam agora que a residência médica, esse ritual formativo, essa travessia necessária que transforma conhecimento teórico em sabedoria prática, perdeu valor. Tornou-se cerimônia acelerada, formalidade burocrática onde se trocam noites de vigília por assinaturas no currículo. Onde está o mestre que ensinava não apenas o procedimento, mas o respeito pelo mistério? Substituíram-no pelo supervisor apressado, ele mesmo cativo da produtividade.

Do aprendizado como arte esquecida

Lembro os antigos mestres, esses seres raros, para quem o ato médico era ritual, não transação. Instruíam com paciência de artesãos, demonstravam que diagnosticar é ouvir o que as palavras silenciam, que examinar é decifrar um texto escrito na linguagem íntima do corpo. Hoje, receio, muitos aprendem a observar exames e esquecem-se de ver o doente.

E assim vamos construindo médicos ruins tecnicamente e incultos humanamente.

Da correção necessária

Não será hora de repensar a formação médica? De voltar a fazer da medicina não um curso, mas um chamado cultivado? De tratar a residência não como etapa a vencer, mas como obra a esculpir?

Talvez necessitemos mais doentes reais nos corredores e menos apresentações e narrativas. Menos especialização antecipada e mais contato com o humano em sua plenitude.

Porque no final, quando todos os aparatos falharem e todos os protocolos se mostrarem insuficientes, restará apenas o médico com seu saber, sua intuição, sua humanidade. E esse médico não se forma em seis anos. Esse médico forma-se numa existência inteira de encontros, de equívocos, de aprendizados, de humildade.

O paciente, esse ser intricado que nos confia seu corpo, merece mais do que um técnico bem instruído. Merece um humanista que conheça a ciência. E forjar esse profissional exige mais do que instalações modernas ou currículos atualizados.

Que as escolas formem não médicos, mas pontes. Não técnicos, mas tradutores. E que a residência médica seja, novamente, não um suplício a suportar, mas um deserto necessário onde se perdem as certezas frágeis para encontrar a sabedoria humilde.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


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Fraturas de quadril: entender o problema para agir rapidamente – Dr. Guilherme Falótico

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As fraturas de quadril representam um dos maiores desafios de saúde pública entre os idosos. No Brasil, estima-se que mais de 100 mil pessoas sofram esse tipo de lesão todos os anos — um número que cresce conforme a população vive mais. O que muitas famílias não sabem é que, na maioria das vezes, a fratura acontece após uma queda simples, dentro de casa, durante atividades rotineiras.

Os sinais costumam ser claros: dor forte ao tentar levantar ou apoiar o pé no chão, dificuldade para caminhar e, em alguns casos, a perna pode parecer virada para o lado de fora. Esses sintomas não devem ser ignorados. A avaliação médica imediata é essencial para evitar complicações. O diagnóstico geralmente começa com um raio-X, exame rápido e acessível. Se houver dúvida, a tomografia computadoriza/ressonância magnética podem ajudar a identificar detalhes que orientam o melhor tipo de tratamento.

A abordagem varia conforme o tipo de fratura e as condições de saúde do paciente, mas, na maior parte dos casos, a cirurgia é necessária e deve ser realizada de forma precoce para minimizar os riscos decorrentes do paciente ficar imóvel na cama.

 Hoje, as técnicas cirúrgicas permitem uma recuperação mais segura e eficiente. Dependendo da fratura, podem ser usados parafusos, placas, hastes ou, em situações específicas, uma prótese no quadril. A decisão é sempre individualizada, considerando o que traz mais estabilidade e melhor retorno às atividades.

A fase após a cirurgia é tão importante quanto o procedimento. A fisioterapia precoce reduz riscos, devolve mobilidade e ajuda o paciente a recuperar a confiança para caminhar. Com bons cuidados, muitas pessoas retomam suas rotinas com segurança, porém trata-se de uma lesão grave com alta mortalidade reportada em virtude de complicações clínicas. Portanto, prevenir continua sendo o melhor caminho. Um ambiente doméstico bem iluminado, livre de obstáculos, acompanhado de exercícios regulares e tratamento adequado da osteoporose, reduz de forma significativa o risco de quedas.

Diante de uma queda com dor no quadril, agir rápido faz diferença no resultado e na qualidade de vida de quem sofre a lesão. Contar com orientação especializada ajuda a enfrentar esse momento com mais tranquilidade e melhores chances de recuperação.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


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Entre ossos, máquinas e dúvidas – por Dr. Guilherme Falótico

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Há dias em que entro no consultório e sinto que a Medicina, aquela que aprendi entre livros pesados e salas de plantão, anda perdendo algo que não sei nomear. Talvez seja gesto, talvez seja silêncio, talvez seja aquilo que só se percebe quando falta. Falta como falta cálcio na vértebra fraturada do idoso, como falta chão ao paciente diante de um diagnóstico que muda a vida. A Medicina, essa senhora antiga, parece correr atrás de uma tecnologia que lhe acena com milagres, mas cobra caro e exige a essência.

Procedimentos novos brotam como se fossem descobertas definitivas. Prometem curas rápidas, sem risco, sem esforço, quase sem verdade. A ciência, que sempre pediu calma, método e confronto com o real, passa a ser tratada como pedra no caminho. E nós, médicos, às vezes nos deixamos impressionar pelo brilho do novo, como se tradição fosse atraso, quando na verdade é estrutura.

Na Ortopedia isso se mostra com clareza. A cada ano surge um aparelho mais sofisticado, uma técnica anunciada como revolucionária, um tratamento que, dizem, fará o paciente correr antes de reaprender a andar. Mas o corpo não é máquina que aceita atualização automática. É terreno antigo, com suas marcas, desvios e memórias. E a Medicina que nele se faz precisa de fundamento, não de espetáculo.A tecnologia não é inimiga. É aliada valiosa quando usada com critério. O risco nasce da pressa, a pressa de lucrar, de aparecer, de vender esperança embalando o incerto como certeza. Parece que criamos o homem atrás do homem atrás da máquina, e nesse empilhamento o cuidado ao paciente vai desaparecendo.

Manter princípios éticos virou quase ato de resistência. Exige dizer não quando o mercado empurra o sim. Exige escolher o caminho mais lento, mais estudado, mais seguro, ainda que renda menos aplausos, menos curtidas, menos cifras. Exige lembrar que, antes da técnica, há alguém que deposita em nós uma confiança silenciosa e desarmada.

A Medicina que me formou não cabia em slogans. Era feita de escuta, prudência e dúvidas. Talvez seja justamente isso que precisemos recuperar, a coragem de duvidar. Porque é a dúvida que nos mantém humanos e é a humanidade que sustenta a Medicina, mesmo neste tempo de algoritmos apressados. Salvar um princípio é como reduzir um osso deslocado, dói, exige firmeza, mas devolve função. E a função da Medicina, ontem e hoje, não é brilhar. É orientar e cuidar.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


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Recebi a indicação de prótese do quadril. E agora? Um guia para seus próximos passos – por Dr. Guilherme Falótico

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Receber a indicação para uma prótese total do quadril costuma despertar uma mistura de alívio e apreensão. De um lado, surge a esperança de se livrar de uma dor que há tempos limita sua rotina. De outro, aparecem as dúvidas: “Será que é a hora certa?”, “A cirurgia é segura?”, “Como será minha vida depois?”.

Se você está se sentindo assim, saiba que é completamente normal. Essa é uma decisão importante, e compreender cada etapa do processo é o primeiro passo para uma recuperação bem-sucedida.

Neste guia, você vai conhecer as etapas essenciais após a indicação da prótese, transformando incertezas em confiança para tomar a melhor decisão.

Passo 1 – Entenda o motivo da indicação

A artrose avançada, que causa desgaste da cartilagem, é o principal motivo para a recomendação da prótese de quadril. A cirurgia costuma trazer grandes benefícios para quem apresenta situações como:

  • Dor persistente mesmo com uso regular de analgésicos.
  • Dificuldade para dormir por causa da dor.
  • Limitação para atividades simples, como cortar as unhas dos pés ou entrar no carro.
  • Abandono de atividades prazerosas devido à limitação física.
  • Falta de resposta satisfatória a fisioterapia e medicamentos.

Passo 2 – Faça as perguntas certas na consulta

Chegue preparado para conversar com o seu médico. Leve suas dúvidas anotadas e peça explicações detalhadas sobre o que esperar antes, durante e depois da cirurgia.

Sobre o procedimento:

  • Qual técnica cirúrgica será utilizada?
  • Que tipo de prótese será implantada e por quê?
  • Qual o risco real de desgaste ou soltura, considerando minha idade?

Sobre a recuperação:

  • Quanto tempo precisarei usar muletas?
  • Quando poderei dirigir?
  • Como será o plano de fisioterapia?
  • Quando poderei voltar ao trabalho, de acordo com minha atividade?

Sobre os riscos:

  • Quais são as complicações mais comuns e como são prevenidas?
  • Qual é a taxa de infecção?
  • Como será o controle da dor no pós-operatório?

Passo 3 – Prepare-se para a recuperação

Fortaleça o corpo antes da cirurgia:

  • Exercite os membros superiores, que serão importantes no uso das muletas.
  • Mantenha ou ganhe força na perna não operada.
  • Controle o peso corporal: cada quilo a menos representa cerca de 4 kg a menos de carga sobre o quadril.

Organize sua rede de apoio:

  • Deixe sua casa livre de obstáculos (retire tapetes e crie corredores desobstruídos).
  • Combine ajuda para compras, transporte e companhia nas primeiras semanas.

Passo 4 – Conheça os números que trazem tranquilidade

  • 95% de satisfação: a artroplastia de quadril está entre as cirurgias com maiores índices de sucesso.
  • 20 a 30 anos de duração: as próteses modernas têm longa vida útil.
  • Alta hospitalar em 1 a 3 dias: a recuperação inicial costuma ser rápida.
  • 95% dos pacientes retornam às atividades normais.

Passo 5 – O que esperar do pós-operatório

Primeiras 2 semanas: controle da dor, cuidados com o curativo e exercícios leves.
De 2 a 6 semanas: ganho de autonomia com uso das muletas e fisioterapia constante.
De 6 semanas a 3 meses: retorno gradual às atividades e possível abandono das muletas.
De 3 a 6 meses: retomada completa das atividades, incluindo esportes de baixo impacto.

Passo 6 – Verdades sobre os medos mais comuns

“E se a prótese soltar?”
As técnicas modernas de fixação são altamente seguras. A soltura asséptica é rara e tende a ocorrer apenas após muitos anos.

“Vou andar mancando para sempre?”
A melhora da marcha é um dos principais objetivos da cirurgia. Com fisioterapia adequada, a maioria dos pacientes recupera o caminhar normal.

“Nunca mais poderei me agachar ou cruzar as pernas?”
Algumas restrições de amplitude de movimento podem existir, dependendo da técnica utilizada, mas a qualidade de vida melhora significativamente após o procedimento.

A indicação da prótese não é um ponto final, mas um recomeço. Este é o momento de se informar e participar ativamente de cada decisão sobre seu tratamento.

Lembre-se: milhares de pessoas recuperam sua qualidade de vida todos os anos graças à artroplastia do quadril. Com preparo e expectativas realistas, você também pode dar esse passo em direção a uma vida sem dor.

A decisão informada é sempre a melhor decisão. Invista no seu entendimento!


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


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Artroscopia do Quadril: a cirurgia minimamente invasiva que melhorou o tratamento de lesões não degenerativas do quadril – por Dr. Guilherme Falótico

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Você sente dor no quadril ao caminhar, cruzar as pernas ou se levantar de uma cadeira? Já recebeu diagnósticos de “bursite” ou “artrose inicial”, mas a dor persiste, mesmo com fisioterapia e medicamentos? O problema pode estar em lesões específicas do quadril que, até poucos anos atrás, passavam despercebidas e não tinham tratamento adequado.

A boa notícia é que a medicina evoluiu, e hoje a artroscopia do quadril oferece uma solução precisa e minimamente invasiva para diversos problemas que antes exigiam cirurgias abertas e recuperações prolongadas.

Neste artigo, vou explicar como essa técnica revolucionária está ajudando milhares de pessoas – inclusive atletas e jovens adultos – a recuperarem sua qualidade de vida sem dor.

O que é a Artroscopia do Quadril?

A artroscopia é um procedimento cirúrgico realizado através de pequenas incisões de aproximadamente 1 centímetro. Por essas micro aberturas, o cirurgião introduz uma câmera (artroscópio) e instrumentos especiais para visualizar e tratar problemas dentro da articulação.

As principais vantagens desta técnica incluem:

  • Menor dano tecidual: Preserva músculos.
  • Visualização ampliada: Permite diagnóstico e tratamento mais preciso.
  • Recuperação mais rápida: Retorno mais breve às atividades diárias
  • Menos dor pós-operatória: comparada às cirurgias tradicionais abertas

Quais Problemas Podem Ser Tratados com a Artroscopia?

1. Impacto Fêmoro-Acetabular (IFA)

É a causa mais comum de dor no quadril em adultos jovens. Ocorre quando há um conflito mecânico entre a cabeça do fêmur e a borda do acetábulo (encaixe do quadril), causando:

  • Dor na virilha ao flexionar o quadril
  • Estalos ou sensação de travamento
  • Limitação progressiva dos movimentos

2. Lesões do Lábio Acetabular

O lábio é uma estrutura de fibrocartilagem que funciona como um “amortecedor” natural do quadril. Suas lesões causam dor e limitação, principalmente na prática esportiva.

3. Remoção de corpos livres articulares

4. Tratamento de tumores sinoviais

Quem Pode se Beneficiar Deste Tratamento?

  • Adultos jovens (20-50 anos) com dor persistente no quadril
  • Atletas que sentem dor durante ou após a prática esportiva
  • Pacientes com diagnóstico de IFA/ lesão labial
  • Pessoas que não melhoraram com tratamento conservador (fisioterapia, medicamentos)

Como é o Processo de Recuperação?

A recuperação varia conforme o procedimento realizado, mas geralmente inclui:

  • Alta hospitalar no mesmo dia ou 24 horas após a cirurgia.
  • Uso de muletas por 2 a 4 semanas.
  • Fisioterapia iniciada imediatamente.
  • Retorno às atividades leves em 4-6 semanas.
  • Retorno aos esportes entre 4 e 6 meses.

Não Aceite Conviver com a Dor no Quadril!

Muitas pessoas passam anos adaptando sua vida à dor, acreditando que não há solução ou que a única alternativa seria uma prótese total – o que não é verdade para a maioria dos casos de IFA e lesões labiais.

Agende uma consulta com um especialista em quadril e descubra se a artroscopia pode ser a solução para você voltar a se movimentar sem limitações.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


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Atividade física é o melhor remédio para prevenir dores e lesões ortopédicas – por Dr. Guilherme Falótico

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Você sabia que a chave para evitar dores nas costas, lesões no joelho e desgaste articular pode estar mais próxima do que se imagina? A resposta não está necessariamente em remédios ou procedimentos complexos, mas em um hábito simples e acessível: a prática regular de atividade física.

Embora ainda exista a ideia de que se movimentar pode “gastar” as articulações, estudos mostram justamente o contrário. O corpo humano foi feito para se movimentar e o exercício cumpre papel fundamental na manutenção da saúde musculoesquelética.

Explico abaixo por que a atividade física é a sua maior aliada na prevenção de problemas ortopédicos em todas as fases da vida.

Por que o movimento é essencial

A atividade física regular atua como uma forma de “manutenção preventiva” do sistema ortopédico:

  • Fortalece a musculatura: músculos fortes funcionam como suporte para ossos e articulações, absorvendo impactos e reduzindo a sobrecarga.
  • Melhora a densidade óssea: exercícios com carga controlada, como caminhada e musculação, estimulam a formação de massa óssea, ajudando a prevenir a osteoporose.
  • Nutre as articulações: o movimento favorece a circulação do líquido sinovial, responsável por lubrificar e nutrir as cartilagens.
  • Mantém a flexibilidade: alongamentos e exercícios de amplitude preservam a elasticidade muscular e a mobilidade articular.

Sedentarismo e seus impactos

Os efeitos da falta de movimento atingem diferentes perfis:

  • Adultos que passam muitas horas sentados: a inatividade enfraquece a musculatura lombar, aumentando os casos de dor nas costas.
  • Pessoas acima do peso: o excesso de carga sobre joelhos, quadril e tornozelos acelera o desgaste das articulações e favorece a artrose.
  • Idosos: a perda natural de massa muscular (sarcopenia) e óssea (osteoporose) torna o exercício ainda mais decisivo para manter independência e qualidade de vida.

Qual a dose ideal de exercício

A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, como caminhada rápida, natação ou ciclismo, além de duas a três sessões semanais de fortalecimento muscular, incluindo modalidades como musculação, pilates ou treino funcional. A regularidade é mais importante que a intensidade.

E quem já sente dores?

Mesmo em casos de dores ou condições ortopédicas, o movimento continua sendo aliado. A prática orientada é parte essencial do tratamento, desde que respeite os limites de cada paciente. Um ortopedista especializado pode indicar quais atividades são seguras e, muitas vezes, a fisioterapia especializada utiliza o exercício/movimento como ferramenta de reabilitação, fortalecendo a região afetada sem agravar a lesão.

A mensagem central é clara: movimentar-se é uma estratégia eficaz e acessível para preservar a saúde ortopédica em todas as fases da vida. Cada passo dado hoje representa um investimento valioso na qualidade de vida do futuro.

Consulte um ortopedista para uma avaliação personalizada e orientações sobre quais atividades são mais indicadas para o seu biotipo, idade e objetivos. Agende uma consulta e comece hoje mesmo a transformar sua saúde ortopédica. Seu futuro agradecerá por cada passo que você der agora!


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Ortopedia Regenerativa: Mitos e verdades sobre os tratamentos com ortobiológicos – por Dr. Guilherme Falótico

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Já pensou em tratar lesões em tendões, articulações e músculos com substâncias retiradas do próprio corpo? Essa é a proposta da Ortopedia Regenerativa, uma área que vem ganhando espaço principalmente entre atletas e pessoas com dores crônicas.

O tema desperta interesse, mas também levanta dúvidas e expectativas muitas vezes irreais. Afinal, o que realmente funciona quando falamos em ortobiológicos?

O que são ortobiológicos

Ortobiológicos são substâncias biológicas extraídas do próprio paciente, aplicadas para estimular e acelerar a cicatrização de tecidos lesionados. Entre os principais estão:

  • PRP (Plasma Rico em Plaquetas): concentrado obtido do sangue, rico em fatores de crescimento.
  • Células mesenquimais: células com grande capacidade de regeneração, geralmente coletadas da medula óssea ou do tecido adiposo.

Mitos e verdades

1. É uma solução para qualquer problema ortopédico – MITO
Os ortobiológicos têm indicações específicas. Mostram bons resultados em:

  • Lesões tendíneas crônicas (ombro, cotovelo e tornozelo)
  • Alívio da dor em casos leves a moderados de artrose no joelho e no quadril
  • Tratamento adjuvante na osteonecrose da cabeça femoral
    Não substituem cirurgias em casos avançados, como rupturas completas de tendão ou artrose grave.

2. O efeito é imediato – MITO
Diferente de infiltrações com corticoide, que agem rápido, os ortobiológicos estimulam a cicatrização natural do corpo. A melhora começa a ser percebida após algumas semanas e pode evoluir por meses.

3. É um procedimento perigoso e experimental – MITO
Como utilizam substâncias autólogas (do próprio paciente), o risco de reação alérgica é mínimo. O procedimento é feito em ambiente ambulatorial, com técnicas assépticas rigorosas. Embora seja uma área em constante pesquisa, diversos protocolos já são reconhecidos internacionalmente. No Brasil, a aplicação ainda está restrita a protocolos de pesquisa por questões regulatórias.

4. Substitui a fisioterapia – MITO
A fisioterapia continua sendo indispensável. Os ortobiológicos favorecem a regeneração, mas é a reabilitação que fortalece os tecidos e restaura a função plena, prevenindo novas lesões.

Avaliação individual é fundamental

A decisão pelo uso de ortobiológicos deve ser feita junto a um ortopedista especialista, que avaliará exames de imagem, histórico clínico e as características de cada paciente. Embora não sejam uma solução universal, os tratamentos regenerativos representam um avanço importante na ortopedia e oferecem novas possibilidades para quem busca alternativas menos invasivas e com potencial de recuperação funcional.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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Osteoporose: a doença silenciosa que enfraquece os ossos e aumenta o risco de fraturas do quadril – por Dr. Guilherme Falótico

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Você sabia que uma simples queda pode ser muito mais perigosa com o avanço da idade? A explicação está, muitas vezes, na osteoporose, uma doença silenciosa que fragiliza os ossos e aumenta de forma significativa o risco de fraturas, sobretudo no quadril.

Essa fratura é considerada um evento grave, capaz de transformar a rotina do paciente e da família. No entanto, existem formas eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, que ajudam a evitar complicações e preservam a qualidade de vida.

O que é a osteoporose e por que o quadril é tão vulnerável?

A osteoporose enfraquece os ossos de maneira progressiva, tornando-os porosos e quebradiços, sem causar sintomas até o momento em que ocorre a fratura. O quadril é especialmente vulnerável porque suporta grande parte do peso do corpo. Em casos avançados, não apenas quedas, mas até movimentos bruscos podem resultar em fratura.

Um problema de saúde pública

A osteoporose atinge cerca de 10 milhões de brasileiros, a maioria mulheres após a menopausa, em razão da queda dos níveis de estrogênio. Globalmente, uma fratura osteoporótica acontece a cada 3 segundos. Após os 50 anos, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens terão algum tipo de fratura relacionada à doença.

As fraturas do quadril têm impacto profundo: cerca de 40% dos pacientes não voltam a caminhar sozinhos e, infelizmente, essa condição é uma das principais causas de mortalidade em idosos.

Como identificar ossos enfraquecidos?

A principal ferramenta de diagnóstico é a densitometria óssea, exame rápido, indolor e não invasivo que avalia a densidade mineral dos ossos, especialmente da coluna e do quadril. Ele permite identificar precocemente a perda óssea e monitorar a resposta ao tratamento.

Exames laboratoriais e a análise do histórico clínico também auxiliam no diagnóstico, ajudando a descartar outras causas metabólicas de fragilidade óssea.

Estratégias de prevenção e tratamento

O cuidado com a saúde óssea tem dois objetivos principais: fortalecer os ossos e prevenir quedas.

1. Medidas não medicamentosas

  • Alimentação rica em cálcio: leite, queijos, iogurtes, vegetais verde-escuros (como couve e brócolis) e sardinha.
  • Vitamina D: obtida por meio de exposição solar segura (cerca de 15 minutos diários) e, se necessário, suplementação.
  • Atividade física regular: exercícios com impacto, como caminhada e musculação, são fundamentais para estimular a formação óssea e melhorar equilíbrio e força muscular.
  • Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool.

2. Tratamento medicamentoso
Em alguns casos, é necessário o uso de suplementação de cálcio e vitamina D, além de medicamentos modernos, que podem reduzir a perda óssea (antirreabsortivos) ou estimular a formação de osso novo.

A osteoporose é silenciosa, mas suas consequências podem ser devastadoras. Investir na saúde dos ossos é uma forma de garantir mais independência, autonomia e qualidade de vida no futuro. Não espere uma fratura para agir. A prevenção continua sendo o melhor tratamento.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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Dor no quadril pode ser sinal de osteoartrose e tem solução – por Dr. Guilherme Falótico

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Você sente dor na virilha ou na coxa ao caminhar, subir escadas ou até mesmo para levantar-se da cama? Esses sintomas podem indicar osteoartrose do quadril, uma doença degenerativa que afeta milhões de pessoas e, se não tratada adequadamente, pode limitar severamente a qualidade de vida.

A osteoartrose, também conhecida como osteoartrite degenerativa, é caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem que reveste a articulação do quadril. Essa cartilagem tem a função de proteger os ossos e permitir o movimento suave da articulação. Com o avanço da doença, o desgaste pode causar atrito direto entre os ossos, resultando em dor intensa, rigidez e perda da mobilidade.

Embora seja mais comum em pessoas acima dos 50 anos, a osteoartrose do quadril pode afetar adultos mais jovens, principalmente aqueles com fatores de risco como obesidade, síndrome metabólica, histórico de lesões articulares ou predisposição genética. As mulheres são particularmente mais suscetíveis, representando cerca de 10% da população com mais de 60 anos.

O diagnóstico correto começa pela avaliação clínica, quando o médico examina os sintomas, histórico de saúde e realiza testes físicos para identificar limitações. Exames de imagem, como o raio-X, ajudam a confirmar o diagnóstico e a avaliar a extensão do desgaste, sendo complementados por outros exames conforme necessário.

O tratamento da osteoartrose do quadril é personalizado conforme a gravidade dos sintomas e o impacto na funcionalidade do paciente. Inicialmente, adotam-se medidas conservadoras que incluem o uso de medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos para controle da dor, sessões de fisioterapia para fortalecimento muscular e melhora da mobilidade, além de infiltrações com ácido hialurônico ou corticoides para reduzir a inflamação local. Mudanças no estilo de vida, como a perda de peso e a evitar atividades que causam impacto excessivo na articulação, são fundamentais para aliviar a sobrecarga e minimizar a progressão da doença.

Quando esses tratamentos não são suficientes, a cirurgia de prótese de quadril (artroplastia) pode ser indicada. Esse procedimento consiste na substituição da articulação danificada por uma prótese e possui alta taxa de sucesso, proporcionando excelente recuperação funcional. Inclusive, em 2007, a cirurgia de artroplastia foi eleita a “cirurgia do século” em uma publicação da revista científica Lancet, destacando seu impacto positivo na qualidade de vida dos pacientes.

Se você sente dores no quadril que limitam seu dia a dia, não adie a busca por um diagnóstico especializado. O tratamento adequado pode devolver sua mobilidade e autonomia, permitindo que você viva com menos dor e mais qualidade.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


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