USP, Unicamp, Unesp e Famerp têm vestibulares abertos; veja prazos

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Inscrições para processos seletivos de 2027 seguem abertas; veja prazos, taxas, número de vagas e datas das provas

Estudantes que pretendem ingressar no ensino superior em 2027 ainda podem se inscrever nos vestibulares da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp). Juntas, as instituições oferecem mais de 16 mil vagas em cursos de graduação.

Os processos seletivos têm provas previstas entre outubro e dezembro, mas os prazos de inscrição são diferentes. O período mais próximo do fim é o da Unicamp, que recebe inscrições até esta terça-feira (8).

USP

A Fuvest oferece 8.147 vagas para ingresso na USP. Desse total, 4.888 são destinadas à ampla concorrência, 2.053 a candidatos que cursaram todo o ensino médio em escolas públicas e 1.206 a candidatos que cursaram todo o ensino médio em escolas públicas e se identificam como pretos, pardos ou indígenas.

As inscrições ficam abertas até 9 de outubro, pela área do candidato da Fuvest. A taxa é de R$ 228.

A primeira fase será realizada em 1º de novembro, com 80 questões de múltipla escolha. A segunda fase está marcada para os dias 6 e 7 de dezembro, enquanto as provas de competências específicas ocorrerão entre 8 e 11 de dezembro, conforme o curso.

A USP possui unidades em Bauru, Piracicaba, Pirassununga, Lorena, Ribeirão Preto, São Carlos e São Paulo.

Entre as leituras obrigatórias para o vestibular 2027 estão obras de Nísia Floresta, Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida, Rachel de Queiroz, Clarice Lispector, Sophia de Mello Breyner Andresen, Paulina Chiziane, Conceição Evaristo e Djaimilia Pereira de Almeida.

Unesp

A Unesp oferece 5.850 vagas distribuídas por 24 cidades do Estado. As inscrições começaram na sexta-feira (4) e seguem até 20 de outubro, pelo site da Fundação Vunesp.

A taxa é de R$ 210. Do total de vagas, 3.355 são destinadas à ampla concorrência, 867 a candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas que cursaram o ensino básico na rede pública e 761 a candidatos que fizeram o ensino básico na rede pública.

A primeira fase será aplicada em 22 de novembro, com 90 questões de múltipla escolha. A segunda fase ocorrerá nos dias 13 e 14 de dezembro, com questões discursivas e redação.

O resultado final está previsto para 29 de janeiro de 2027.

Unicamp

Na Unicamp, o prazo para inscrição termina nesta terça-feira (8). O vestibular oferece 2.523 vagas, distribuídas em 70 opções de cursos, e a taxa de inscrição é de R$ 230.

Os candidatos podem escolher até duas opções de curso, desde que pertençam à mesma área. As inscrições são realizadas pela área do candidato da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest).

A primeira fase será realizada em 18 de outubro, com 72 questões objetivas. A segunda fase está marcada para 29 e 30 de novembro, e a divulgação dos aprovados está prevista para 25 de janeiro.

A universidade possui cursos em Campinas, Limeira e Piracicaba.

Famerp

A Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto oferece 160 vagas no vestibular 2027: 80 para Medicina, 20 para Psicologia e 60 para Enfermagem.

As inscrições podem ser feitas até 5 de novembro, pelo site da Fundação Vunesp, com taxa de R$ 194.

Os candidatos também podem solicitar redução de 50% da taxa. O pedido deve ser feito até 10 de setembro, mediante comprovação dos requisitos previstos no edital.

As provas da Famerp serão realizadas nos dias 10 e 11 de dezembro, a partir das 13h. No primeiro dia, será aplicada a prova de conhecimentos gerais, com 80 questões objetivas. No segundo, os candidatos farão questões específicas de Biologia, Química e Física, além da redação.

A instituição reserva 20% das vagas para a política de cotas, destinada a candidatos que tenham cursado integralmente os ensinos Fundamental e Médio na rede pública brasileira. Dentro desse percentual, 65% são destinados a candidatos que cumpram esse requisito e 35% a candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas que também tenham estudado integralmente na rede pública.

Com prazos diferentes e provas concentradas entre outubro e dezembro, os candidatos precisam ficar atentos às datas específicas de cada instituição e aos critérios previstos nos respectivos editais.

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Foto: Divulgação/GESP

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USP cria indicador que usa desemprego para detectar recessões

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Indicador MADE acompanha o mercado de trabalho e busca identificar sinais de desaceleração econômica antes dos indicadores tradicionais.

Pesquisadores da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP (FEA-USP) desenvolveram um indicador que utiliza dados do mercado de trabalho para identificar sinais de uma possível recessão no Brasil.

Chamado de Indicador MADE, o mecanismo adapta ao cenário brasileiro a chamada Regra de Sahm, criada nos Estados Unidos para acompanhar mudanças no emprego e no desemprego e identificar sinais de desaceleração econômica.

A proposta é oferecer um alerta antecipado, permitindo que autoridades possam identificar mudanças na atividade econômica antes que uma eventual crise se consolide.

Como funciona o Indicador MADE

Segundo Guilherme Klein, pesquisador do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da FEA-USP e um dos autores da pesquisa, o indicador utiliza dados do mercado de trabalho porque essas informações são divulgadas com maior frequência.

O cálculo compara a média da taxa de emprego dos últimos três meses com o pior nível registrado nos 12 meses anteriores.

Quando a diferença ultrapassa o limite estabelecido pelos pesquisadores, o indicador sinaliza uma possível recessão.

Adaptação para o Brasil

Para aplicar a metodologia à realidade brasileira, os pesquisadores fizeram ajustes devido às características do mercado de trabalho nacional.

Um dos principais fatores considerados foi o alto nível de informalidade, que representa mais de um terço da população ocupada.

Por isso, os pesquisadores reduziram para 0,3 ponto percentual o limite necessário para que o indicador acione o alerta de recessão.

A metodologia foi aplicada a dados desde 1980. Segundo os pesquisadores, o levantamento identificou 14 recessões e dois indicativos adicionais, registrados entre 2005 e 2006 e em 2013.

Esses dois episódios não se transformaram em recessões, mas foram períodos considerados importantes de inflexão econômica.

Indicador também captou efeitos da pandemia

O Indicador MADE também identificou a recessão provocada pela pandemia de covid-19.

Segundo Guilherme Klein, o período recessivo ocorreu entre maio de 2020 e julho de 2021, com encerramento do período recessivo em agosto daquele ano.

Desde então, o indicador não registrou uma nova sinalização de recessão. Segundo os pesquisadores, esse representa o período mais longo desde 1980 sem uma nova recessão.

MADE não substitui o PIB

O Indicador MADE não foi desenvolvido para substituir o Produto Interno Bruto (PIB) ou outros mecanismos de acompanhamento da economia.

Enquanto o PIB mede o desempenho geral da economia a partir da produção de bens e serviços, o MADE acompanha o mercado de trabalho, especialmente as variações no emprego e no desemprego.

Os dois indicadores, portanto, possuem funções complementares.

A vantagem do MADE é utilizar informações do mercado de trabalho divulgadas com maior frequência, permitindo identificar mais rapidamente sinais de deterioração econômica.

A ferramenta pode, dessa forma, funcionar como um mecanismo complementar de alerta, auxiliando na análise da conjuntura econômica e na definição de possíveis políticas públicas.

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Foto: Fabio R. Pozzebom/Ag. Brasil

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Feira de Profissões da USP terá cursos, palestras e atividades gratuitas

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Evento gratuito acontece de 24 a 26 de setembro, no campus Butantã, com estandes sobre carreiras, orientação profissional, palestras e atividades interativas

Estudantes que estão em busca de informações sobre cursos, profissões e formas de ingresso no ensino superior poderão participar da edição 2026 da Feira USP e as Profissões, que acontece entre os dias 24 e 26 de setembro, no campus Butantã, em São Paulo.

A participação é gratuita, e os interessados já podem realizar o credenciamento antecipado para facilitar a entrada no evento.

A feira é voltada principalmente a estudantes do ensino médio e de cursos preparatórios para o vestibular e reúne informações sobre os cursos de graduação oferecidos pela Universidade de São Paulo.

Três pavilhões reúnem carreiras

A programação contará com três grandes pavilhões temáticos: Humanidades; Exatas e Tecnológicas; e Biológicas e Saúde.

Os espaços terão estandes com estudantes e professores da USP, que irão apresentar informações sobre as diferentes carreiras, disciplinas, formação acadêmica, mercado de trabalho e possibilidades de especialização.

Os visitantes também poderão tirar dúvidas sobre o cotidiano universitário e conhecer melhor os cursos antes de escolher uma profissão.

Orientação para quem ainda não sabe qual carreira seguir

Um dos destaques da feira será a programação de orientação profissional, promovida pelo Instituto de Psicologia da USP.

As atividades têm como objetivo ajudar estudantes que ainda estão em dúvida sobre qual área seguir e direcioná-los para carreiras que tenham maior afinidade com seus interesses.

A Fuvest também terá uma estrutura dedicada para orientar os visitantes sobre as formas de ingresso na USP e o vestibular de 2027.

Além disso, haverá informações sobre programas e bolsas voltados à permanência estudantil.

Ciência, cultura e atividades interativas

A Feira USP e as Profissões também contará com apresentações, palestras, exposições e atividades interativas.

Entre as atrações estão o Show de Física, o projeto Química em Ação, a Matemateca e o programa Giro Cultural, que realiza passeios pelo patrimônio arquitetônico, científico e cultural do campus.

A programação também inclui apresentações gratuitas da Orquestra Sinfônica da USP (Osusp) e da Orquestra de Câmara da Escola de Comunicações e Artes.

A edição de 2026 terá ainda palco central, salas de bate-papo com especialistas, praça de alimentação com food trucks e estrutura de estacionamento para ônibus.

A última edição presencial da feira, realizada em 2023, recebeu 71.967 visitantes, com participantes de 22 estados brasileiros e de outros 14 países.

Como participar da Feira USP e as Profissões

A participação no evento é gratuita. Para agilizar o acesso, os interessados podem realizar o credenciamento individual antecipado pela página oficial da Feira USP e as Profissões.

Após o cadastro, o participante recebe um QR code para facilitar a entrada na estrutura do evento.

Serviço

Feira USP e as Profissões 2026

Quando: 24, 25 e 26 de setembro de 2026, das 9h às 17h
Onde: Praça do Relógio, campus Butantã da USP, em São Paulo
Entrada: gratuita
Credenciamento: disponível no site oficial da feira

Feira USP e as Profissões — inscrições e credenciamento


Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Semáforo inteligente pode reduzir espera de pedestres em SP

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Um sistema de semaforização inteligente desenvolvido por pesquisadores da Escola Politécnica da USP (Poli-USP) pode reduzir o tempo de espera de pedestres nos cruzamentos ao identificar quando uma pessoa ainda está atravessando a faixa.

A tecnologia foi avaliada por meio de simulações em quatro cruzamentos e apresentou uma redução média de 71,42% no tempo de viagem dos pedestres, o equivalente a aproximadamente um minuto a menos de espera em algumas das situações analisadas.

O sistema também apresentou reflexos positivos para os motoristas nos modelos estudados, com redução média de 22% no tempo de espera dos veículos em dois dos locais avaliados.

A proposta parte de uma situação comum nas ruas: o sinal abre para o pedestre, mas o tempo programado pode terminar antes que ele consiga concluir a travessia. Com a nova lógica, sensores identificariam se ainda há alguém na faixa e manteriam o sinal aberto para a passagem.

Segundo Andrey Luís Barbosa Gomes, autor da pesquisa, o sistema abre o sinal para o pedestre e, caso a travessia seja concluída, libera os veículos. Se o sensor detectar que a pessoa ainda está na faixa, o sinal permanece aberto para o pedestre.

A tecnologia poderia ser especialmente útil para pessoas que precisam de mais tempo para atravessar, como idosos e pessoas com mobilidade reduzida.

Pesquisa avaliou diferentes cruzamentos de São Paulo

Os pesquisadores utilizaram dados sobre a geometria das vias, circulação de veículos e pedestres e movimentos realizados durante as travessias. Também foram considerados comportamentos como atravessar fora da faixa ou durante o sinal aberto para os veículos.

Com essas informações, foram construídas simulações de tráfego para quatro locais: dois na Cidade Universitária da USP, no Butantã, e outros dois na cidade de São Paulo.

Um dos pontos analisados fica em frente ao Hospital Universitário da USP, enquanto o outro está próximo à chamada Praça dos Bancos. Fora do campus, os pesquisadores avaliaram um cruzamento em frente ao Terminal Rodoviário Cidade Tiradentes e outro na região da Avenida Rebouças com a Rua Oscar Freire.

A escolha dos locais permitiu testar a tecnologia em ambientes urbanos diferentes, incluindo uma área de maior circulação de pessoas e outro ponto localizado em uma região periférica da capital.

No entorno do Hospital Universitário, por exemplo, circulam pessoas com diferentes níveis de mobilidade, incluindo idosos, crianças, cadeirantes e pacientes. Segundo os pesquisadores, o local serviu como uma espécie de campo de prova para verificar se o sistema conseguiria identificar os pedestres e adaptar o tempo de travessia.

Tecnologia prioriza pedestres sem aumentar significativamente a espera dos carros

Nos modelos analisados, o tempo médio de viagem dos pedestres caiu cerca de 71%, enquanto o tempo máximo de espera foi reduzido, em média, em 69%.

Em dois dos cruzamentos estudados — na Praça dos Bancos e no Terminal Rodoviário Cidade Tiradentes — também houve redução média de 22% no tempo de espera dos veículos.

O estudo identificou, por outro lado, aumento de 30,90 segundos no tempo máximo de espera dos veículos. Os pesquisadores consideraram o acréscimo aceitável diante da prioridade dada à travessia dos pedestres.

Para Claudio Luiz Marte, professor da Poli-USP e orientador do trabalho, sistemas de controle de trânsito tradicionalmente concentram atenção no fluxo de veículos motorizados e, em alguns casos, no transporte coletivo.

A pesquisa propõe inverter parte dessa lógica e considerar o pedestre como elemento central da programação semafórica.

Sistema ainda está em fase de pesquisa

A tecnologia foi desenvolvida em ambiente de simulação por meio do PTV VISSIM, software utilizado para modelar os fluxos de veículos e pedestres, e da linguagem C#, usada para desenvolver o algoritmo responsável pela identificação do pedestre e pela adaptação do sinal.

Os resultados indicaram que a lógica proposta pode melhorar a fluidez das travessias e reduzir conflitos entre pedestres e veículos sem provocar impactos negativos significativos no trânsito.

O estudo contou com apoio da Capes e do BNDES e foi desenvolvido em colaboração com o Centro Interdisciplinar de Tecnologias Interativas (Citi) da USP.

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Foto: Matheus natan/Pexels/Divulgação/GESP

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Hospital das Clínicas lidera ranking de pronto-socorro mais lembrado de SP

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O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP conquistou o primeiro lugar na categoria “Pronto-Socorro” em pesquisa realizada pelo Datafolha sobre os serviços mais lembrados da capital paulista. A instituição pública apareceu entre os destaques ao lado de hospitais privados de referência.

Segundo o levantamento, o Hospital das Clínicas recebeu 6% das menções espontâneas dos entrevistados, dentro da margem de erro em relação aos hospitais São Luiz e São Camilo, com 7%, e ao Hospital Israelita Albert Einstein, com 5%.

A pesquisa ouviu 1.008 moradores da cidade de São Paulo, com 16 anos ou mais, entre os dias 5 e 13 de fevereiro. O estudo avaliou a percepção da população sobre empresas e instituições em 39 categorias.

Em 2025, os institutos que integram o complexo do Hospital das Clínicas realizaram cerca de 140 mil atendimentos de urgência e emergência. Somente o Instituto Central respondeu por aproximadamente 45,6 mil atendimentos de alta complexidade.

De acordo com a direção da instituição, o reconhecimento reforça o papel estratégico do hospital no atendimento público de alta complexidade, aliado ao investimento em tecnologia, inovação e modernização dos fluxos assistenciais.

Entre os avanços apontados estão a integração digital entre equipes médicas, protocolos mais ágeis para casos graves e uso de tecnologias de diagnóstico e monitoramento em tempo real.

O Hospital das Clínicas é vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e é considerado uma das principais referências médicas do país.

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Foto: Divulgação/GESP

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Uma notícia. Um clone. Uma reflexão – por Celso Tracco

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Notícia recentemente divulgada por um dos principais veículos de impressa de nosso país, informava que pesquisadores do Instituto de Zootecnia da Universidade de São Paulo, sediado em Piracicaba – SP, tiveram sucesso em clonar um porco. “O porquinho nasceu saudável com 2,5 kg. Esse primeiro porco clonado no Brasil faz parte de uma pesquisa que vai ajudar a salvar 48 mil brasileiros que precisam de transplantes de órgãos. O projeto é do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da USP. Xenotransplanteé a transferência de órgãos entre espécies diferentes. E os órgãos dos suínos são muito parecidos com os dos seres humanos”. A notícia também esclarece que “os estudos começaram há mais de 30 anos. A eficácia dos laboratórios que já têm essa técnica estabelecida, é de apenas 1% a 5%. O próximo passo é clonar embriões geneticamente modificados para começar os estudos de transplantes em seres humanos e em futuro breve, os estudos pré-clínicos e clínicos para o fornecimento de órgãos. O coordenador do centro de pesquisa da USP explica que o sucesso na clonagem do porco foi um grande avanço, mas ainda existem desafios para que o xenotransplante faça parte da rotina da medicina” (cf. Portal G1; Jornal Nacional 03/04/2026).

Refletindo. Em primeiro lugar devemos aplaudir e enaltecer a pesquisa brasileira por esse feito. Isto coloca o Brasil em um estado avançado na técnica de clonagem de animais para não depender de outros países e dar soberania ao Brasil nesta área. Mais importante ainda ser feita pela USP, uma universidade pública. Sem dúvida um fato que deve ser aplaudido. Porém, independente de números, parece ser claro que o número de transplantes aumenta ano a ano no Brasil e a maioria deles é feita pelo S.U.S. o nosso sistema público de saúde. Também é fato que existe uma longa fila para transplantes. O principal impedimento para a obtenção de mais órgãos está na recusa, por parte das famílias dos falecidos, em permitir a retirada de órgãos que poderiam ser transplantados. Parece lógico que deveríamos ter mais campanhas educativas promovendo a doação de órgãos. Entendo, também, que se deve respeitar os sentimentos e desejos de cada família, mesmo sabendo que os órgãos de seu ente querido podem salvar vidas. Por último e não menos importante, penso que as questões éticas e sociais de se transplantar órgãos de outra espécie devem ser exaustivamente debatidas com a sociedade.  Sem dúvida a clonagem conseguida na USP, é um marco histórico que abre portas para uma revolução no transplante de órgãos. Porém o necessário desenvolvimento da pesquisa precisa ser equilibrado e cauteloso pois, os desafios técnicos, éticos e regulatórios são enormes. A sociedade civil deveria se mobilizar para obter políticas públicas garantindo que esse avanço tecnológico beneficie a população como um todo, de forma segura e justa. Assim sendo, a clonagem de porcos, ou de qualquer outro animal para fins de xenotransplante é um avanço promissor, louvável, podendo trazer esperança para milhares de doentes, mas na minha opinião, só deverá ser socialmente legítima se entre tantos outros pontos, respeitar limites éticos claros e bem conhecidos; garantir o bom tratamento aos animais em todos os procedimentos; a regulamentação, por parte do S.U.S., da chamada fila de transplante deve ser de amplo conhecimento da população e auditada por entidade respeitada, evitando a desigualdade social ao acesso; e o importantíssimo envolvimento de toda a sociedade no debate sobre necessidade ou não da clonagem.

Qual é a sua opinião sobre clonagem de animais? Deixe seu comentário e aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Foto destaque: Sandy Millar/Unsplash

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USP identifica medicamento promissor contra excesso de ferro

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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram que dois medicamentos usados no tratamento da osteoporose — etidronato e tiludronato — podem ajudar a combater doenças associadas ao acúmulo excessivo de ferro no organismo. Os resultados foram publicados na revista científica BioMetals.

Os testes, realizados em culturas de células humanas, mostraram que os fármacos conseguiram se ligar ao ferro em excesso, reduzir o estresse oxidativo e evitar danos celulares. A pesquisa ainda está em estágio inicial e não envolve testes clínicos em humanos.

Atualmente, existem apenas três medicamentos aprovados para tratar a sobrecarga de ferro, conhecidos como quelantes. Eles atuam se ligando ao metal para facilitar sua eliminação pelo organismo, mas podem causar efeitos colaterais relevantes, como náuseas e enjoos, o que compromete a adesão ao tratamento.

Segundo Breno Pannia Espósito, professor do Instituto de Química da USP e autor do estudo, os bisfosfonatos — classe de medicamentos que inclui etidronato e tiludronato — possuem grupos fosfato em sua estrutura química, com afinidade por íons de ferro. A partir dessa hipótese, os pesquisadores decidiram investigar o potencial dessas substâncias como agentes quelantes.

O estudo é resultado do mestrado de Julia Tiemy Leal Konno, bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), sob orientação de Espósito.

O ferro é essencial para funções como transporte de oxigênio e produção de energia nas células. A deficiência pode causar anemia ferropriva, mas o excesso torna-se tóxico, pois favorece a formação de radicais livres que danificam estruturas celulares. Esse processo está relacionado a doenças de sobrecarga de ferro, como a hemocromatose, condição genética caracterizada pela absorção excessiva do metal.

Pacientes com talassemia, por exemplo, também podem desenvolver acúmulo crônico de ferro em razão de transfusões de sangue frequentes, necessárias para o tratamento da doença.

Nos experimentos, os testes foram realizados na presença de níveis fisiológicos normais de cálcio, já que cálcio e ferro competem no organismo. A presença do mineral reduziu parcialmente a ação dos compostos, mas não anulou sua capacidade de se ligar ao ferro.

Além de etidronato e tiludronato, outros bisfosfonatos foram avaliados e demonstraram eficácia na inibição da oxidação provocada pelo ferro. No entanto, apresentaram maior toxicidade celular, o que exigiria cautela em eventual reposicionamento terapêutico. O desempenho geral foi semelhante ao de um quelante padrão.

Outro medicamento testado, o ranelato de estrôncio, não apresentou capacidade de quelação.

De acordo com Espósito, os resultados representam uma prova de conceito. Como os experimentos foram feitos apenas em culturas celulares, ainda são necessários estudos adicionais antes que os medicamentos possam ser considerados para uso clínico no tratamento da sobrecarga de ferro.

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Foto: GESP

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Uso de canetas emagrecedoras sem prescrição acende alerta em estudo da USP

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Um estudo internacional liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) acendeu um sinal de alerta sobre o uso crescente de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” por pessoas sem indicação clínica. A pesquisa, publicada na revista científica Obesity, aponta a falta de evidências sobre a segurança e a eficácia desses fármacos quando utilizados por indivíduos que não têm obesidade nem diabetes tipo 2.

O trabalho foi conduzido por especialistas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e da Faculdade de Saúde Pública (FSP-USP), em parceria com universidades dos Estados Unidos, Dinamarca e Japão. A análise vai além dos efeitos biológicos e examina impactos sociais, culturais, emocionais e comportamentais associados ao uso desses medicamentos fora das recomendações médicas.

Segundo o estudo, os agonistas de GLP-1 — substâncias que atuam no controle do apetite, da saciedade e da glicose — passaram a ser vistos não apenas como tratamentos de saúde, mas também como ferramentas de modificação estética. Esse deslocamento de função tem sido impulsionado principalmente pelas redes sociais, onde influenciadores e celebridades difundem a ideia de que emagrecer é sinônimo de sucesso e autocuidado.

Os pesquisadores classificam o fenômeno como uma “medicalização da magreza”. Embora o uso off-label — emprego de medicamentos fora das indicações da bula — seja permitido em situações específicas e sob rigoroso acompanhamento médico, o estudo aponta que isso nem sempre ocorre na prática. “As narrativas digitais apresentam essas drogas como soluções rápidas, sem expor riscos ou limites, o que pressiona pessoas sem necessidade clínica a recorrerem ao medicamento”, afirma a professora Fernanda Scagliusi, da FMUSP, primeira autora do artigo.

Outro ponto de preocupação é a velocidade com que o consumo cresce em comparação à produção de evidências científicas. De acordo com o professor Bruno Gualano, presidente do Centro de Medicina do Estilo de Vida da FMUSP, ainda não há dados suficientes sobre os efeitos psicológicos e de longo prazo desse uso em pessoas sem obesidade. Entre os possíveis impactos estão alterações no comportamento alimentar, dependência emocional, medo de reganho de peso e mudanças na relação com o corpo.

O estudo também identificou diferenças culturais na adoção dessas práticas. No Brasil, o uso está fortemente ligado a padrões estéticos influenciados por gênero, raça e classe social. Nos Estados Unidos, prevalece o discurso de responsabilidade individual e produtividade. Já no Japão, o debate se aproxima mais da vigilância em saúde, enquanto na Dinamarca aparece associado a maior confiança nas instituições e no controle regulatório.

Para os autores, o fenômeno é global, mas exige respostas adaptadas a cada contexto. “Não existe uma explicação única. Cada país revela como saúde, cultura e mercado se misturam nesse novo uso das canetas emagrecedoras”, conclui Scagliusi.

O artigo completo está disponível na revista científica Obesity.

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Foto: Reprodução/Freepik

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USP abre 27ª Festa do Livro com descontos a partir de 50% e mais de 200 editoras

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A 27ª Festa do Livro da USP começou nesta quarta-feira (26) e segue até domingo (30), oferecendo obras com no mínimo 50% de desconto. O evento, realizado em uma tenda de 5.500 m² na Travessa C da Cidade Universitária, reúne 222 editoras e tem entrada gratuita.

A feira é organizada pela Editora da USP (Edusp) e reúne desde grandes casas editoriais, como Companhia das Letras e Record, até editoras universitárias de várias regiões do país, incluindo Edunesp, Edunicamp, Edufscar e Edufba. No total, 28 editoras ligadas a universidades participam, tornando o evento o maior encontro desse segmento no Brasil.

Para garantir diversidade, cada editora pode ocupar até 12 mesas entre as 482 disponíveis. Pequenas editoras também podem alugar apenas um terço do espaço, ampliando a presença de projetos independentes. Entre os participantes estão a Selin Trovoar, voltada à produção de autores periféricos, a Seiva, do Rio Grande do Sul, e o selo infantil Caveirinha, da DarkSide.

Criada em 1999 pelo professor Plinio Martins Filho, a Festa do Livro começou no vão da FFLCH. – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Além de oferecer descontos ao público, a Festa também contribui para o acervo da USP: cada mesa resulta na doação de cinco livros para as bibliotecas da Universidade, somando cerca de 2.800 exemplares distribuídos entre unidades acadêmicas e a Creche da USP.

Criada em 1999 pelo professor Plinio Martins Filho, a Festa do Livro começou no vão da FFLCH como uma ponte entre editoras e a comunidade acadêmica. Com o crescimento contínuo, migrou para espaços maiores e hoje recebe entre 10 mil e 12 mil visitantes por dia. A edição deste ano conta ainda com praça de alimentação e banheiros instalados especialmente para o público.

Serviço

27ª Festa do Livro da USP
26 a 30 de novembro, das 9h às 21h
Travessa C da Cidade Universitária, São Paulo
Entrada gratuita.


Fotos: Marcos Santos/USP Imagens

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Evento pré-COP em SP deve reunir 10 mil pessoas e ter mais de 500 palestrantes nos dias 4 e 5 de novembro

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Nos dias 4 e 5 de novembro, o Parque Villa-Lobos, na capital paulista, se transformará no centro do debate sobre desenvolvimento sustentável com a realização do Summit Agenda SP + Verde, evento pré-COP organizado pelo Governo de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e USP. A expectativa é reunir 10 mil participantes e 500 palestrantes em dois dias de programação intensa, com entrada gratuita.

A abertura, no palco principal “Economia Verde”, patrocinado pelo grupo Cosan, contará com o governador Tarcísio de Freitas e moderação do ex-ministro do Meio Ambiente Joaquim Leite, no painel “Nova Visão da Economia Verde”. O espaço abrigará debates sobre descarbonização, infraestrutura sustentável e inteligência artificial, com a presença de CEOs de grandes empresas e prefeitos de municípios paulistas, como Ricardo Nunes (São Paulo), Dário Saadi (Campinas), Rogério Santos (Santos) e Rafael Piovezan (Santa Bárbara d’Oeste).

Entre os nomes internacionais confirmados estão Jennie Cato (TRATON/Scania), Luz Stella (Colombian Natural Gas Association), Katerina Elias-Trostmann (Salesforce), Wolfgang Dieker (SAP) e Alberto Mina (MIND Milão), que apresentarão soluções para descarbonização, inovação tecnológica e regeneração urbana.

No campo corporativo, participam Natália Resende (Secretária de Meio Ambiente e Logística de SP), Brendon Ramos (Via Appia/Rodoanel), Carlos Piani (Sabesp), João Brito Martins (EDP South America), Gustavo Estrella (CPFL), Miguel Setas (Motiva) e Gilberto Peralta (Airbus Brasil). O debate sobre infraestrutura sustentável, energia limpa e aviação verde será um dos destaques do encontro.

A agenda também trará painéis sobre financiamento climático, economia circular e indústria sustentável, com nomes como Gustavo Montezano (YvY Capital), Alvaro Lorenz (Votorantim Cimentos) e Joaquim Levy (FIESP). Representantes da indústria do cimento, vidro e papel discutirão os caminhos para a descarbonização industrial.

Entre os acadêmicos, participam Carlos Nobre, Paulo Nobre, Suely Mara Vaz Guimarães de Araújo e Alexander Turra, que abordarão temas como sustentabilidade urbana, mudanças climáticas e oceanos.

O Summit também valoriza histórias inspiradoras e diversidade social. A chef Laura Braga, liderança quilombola de Ubatuba, ministrará o workshop de culinária sustentável “Caponata do Coração da Banana”. A montanhista Aretha Duarte, primeira mulher negra brasileira a escalar o Everest, participa do painel sobre protagonismo feminino e mudanças climáticas. Já Cíntia Sanchez, chef e ativista alimentar, falará sobre segurança nutricional e combate à desigualdade.

Outras participações incluem a estilista Heloisa Faria, referência em moda sustentável, o cineasta e ambientalista David Schurmann (ONG Voz dos Oceanos) e o empreendedor social Hermes de Sousa, do Instituto Cacimba, que atua em comunidades da zona leste paulistana.

Com quatro eixos temáticos — Finanças Verdes; Resiliência e Futuro das Cidades; Justiça Climática e Sociobiodiversidade; e Transição Energética e Descarbonização —, o Summit terá ainda uma trilha de economia circular, o Hub da Circularidade e uma rodada de negócios internacional com 70 empresas de oito países.

Além dos debates, o público poderá participar de 20 workshops de gastronomia e circularidade, assistir a apresentações artísticas da OSESP, Coral Baccarelli, coral indígena e shows de Zizi Possi, Grupo Street Dance e Baile do Simonal, além de visitas guiadas a cases de economia verde e turismo sustentável.

O evento conta com patrocínio de grandes corporações, como Cosan, Sabesp, Itaú, Amazon, Toyota, EDP, CPFL e Votorantim Cimentos, e apoio institucional de mais de 40 entidades, entre elas FIESP, Senai, Pacto Global e SOS Mata Atlântica.

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Foto: Divulgação/GESP

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