Voto Consciente – Sociedade Mais Justa

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O voto é a ferramenta mais importante da democracia. Por meio dele, cidadãs e cidadãos escolhem seus representantes e influenciam diretamente os rumos do país, do estado e do município. No entanto, votar não é apenas cumprir uma obrigação jurídica. Votar é exercer a cidadania de forma responsável. A sociedade brasileira lutou muito, e de várias formas, para chegar ao atual sistema democrático. Ele certamente não é perfeito, mas é muito melhor que qualquer outro tipo de governo. A democracia precisa, e deve, ser preservada. Votar consciente é basear-se na análise das propostas, da trajetória e do compromisso dos candidatos com as reais necessidades da população. Também deve ser avaliado o inegociável apreço com a democracia e com a soberania nacional.  Ao votar de forma consciente, o eleitor e eleitora, contribuem para a escolha de governantes preparados para enfrentar os principais desafios sociais de nosso povo, que são muitos. Entre outros, destaco: o combate à fome, o investimento na educação e na saúde, a melhoria urgente no transporte público, o enfrentamento ao crime organizado com uma política eficaz de segurança pública, o acesso à uma moradia digna para milhões de famílias.

Além das questões sociais que são urgentíssimas, pois apesar de sua imensa riqueza o Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo, os candidatos devem manter o compromisso de exercer seu mandato de acordo com a legislação vigente, procurando sempre atuar dentro da Constituição. É fundamental respeitar a dignidade de todos e todas, independente de raça, credo, gênero, condição social. Deve, igualmente, se orientar pelo bem comum, e não apenas para beneficiar grupos específicos, ouvindo as necessidades da população, trabalhando por uma sociedade mais justa, solidária, participativa, igualitária.

As linhas acima podem parecer estranhas, utópicas, dentro de tantos escândalos públicos que lemos e ouvimos todos os dias. Sem dúvida, não é animador saber que a população brasileira vem aumentado o descrédito a respeito de suas Instituições Públicas. Mas, devemos lembrar que a democracia, em todos os países, é um sistema político em contínua construção. Não é uma fórmula acabada, ela admite e até estimula pensamentos e visões diferentes de como se pode viver, visões essas que podem ser contraditórias. A democracia não é apenas o governo da maioria, mas também um governo onde as minorias devem ser representadas e terem voz. A convivência precisa e deve ser fraterna, operativa e respeitosa entre toda a população. O atual clima de polarização política é um desserviço à sociedade brasileira. Não devemos estimular esse imbróglio.  Afinal, de acordo com normas do Estado Democrático de Direito, os eleitos devem governar para todos, e não apenas para aqueles que o elegeram. Todos os brasileiros e brasileiras aptos a votar devem exercer seu direito constitucional, em especial os idosos acima de 70 anos, para quem o voto é facultativo. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgou recentemente que o Brasil tem cerca de 17 milhões de eleitores nesta faixa etária. É uma parcela expressiva da população, com muita vivência, que deve ser ouvida.

Eleitores e eleitoras devem se manifestar através do voto. Depois não adianta reclamar de quem foi eleito ou eleita. É preciso participar e lutar para modificar o que você pensa que está ruim e pode ser melhorado. Se nós, eleitores conscientes, não participarmos e não lutarmos por aquilo em que acreditamos, outros tomarão nossos lugares e decidirão por nós. Apenas reclamar não vai adiantar.  Pratique sua cidadania, vote consciente, escolha quem você acha que pode contribuir para melhorar o futuro da sociedade brasileira. A democracia agradece. Que a eleição seja, realmente, uma festa democrática.

Evidentemente não há correlação entre o resultado da seleção brasileira e as eleições. Se aprofundarmos a pesquisa veremos que os estelionatos eleitorais, falcatruas e desmandos praticados por políticos de qualquer espectro ideológico, influenciaram muito mais as eleições do que o futebol. Até porque, há muito tempo não somos o país do futebol, já não há mais comoção quando o Brasil perde, a não ser o falso choro de jogadores multimilionários que são mais celebridades do que atletas. Também não somos mais o país do futuro. Mas somos o campeão mundial da corrupção, dos altos impostos, da desigualdade social, dos privilégios da máquina pública, dos escândalos financeiros. Isto sim é a verdadeira vergonha nacional, E somente pelo voto consciente de toda a população, poderemos expulsar esses políticos lesa-pátria de campo. Aqueles que primeiro jogam pelos seus interesses pessoais, antes dos interesses da população. E nem vai precisar do árbitro de vídeo. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Foto: Alejandro Zambrana/TSE

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Sociedade solidária. Uma utopia? – por Celso Tracco

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A sociedade atual se caracteriza pela cultura do individualismo, do ódio, da exclusão social, da agressividade cotidiana, da sensação de insegurança, da falência das instituições. Uma sociedade onde os meios justificam os fins e os valores morais e éticos cedem espaços ao monetário. O que vale é ter dinheiro. Talvez, se possa argumentar que desde que o mundo é mundo isto sempre foi assim. Concordo. Porém hoje existe um agravante: a comunicação digital, ela amplifica em escala exponencial as atitudes da sociedade.

Parece claro que há uma tendência a um isolacionismo, cada um se fechar em seu mundo particular. E isto é péssimo. O ser humano é um ser gregário, precisa dos outros para viver e conviver. Precisa trocar ideias e experiências, angústias e alegrias, êxitos e fracassos, precisa ouvir e ser ouvido. É a essência da humanidade, precisamos uns dos outros, em um intercâmbio de opiniões, ajuda, amor, carinho, compaixão, enfim solidariedade.

A proposta para uma sociedade mais humanizada, passa pela prática da solidariedade como uma atitude de vida. Devemos e necessitamos ser solidários em nosso dia a dia. Solidariedade significa, por exemplo, dar atenção aos filhos, não apenas dar conforto material, mas proporcionar a eles uma estabilidade emocional. Perguntar e ajudar nas tarefas escolares, informar que a internet pode ser muito boa, mas também é perigosa. Os filhos e filhas devem ter a liberdade para falar qualquer assunto com o pai ou mãe.

A solidariedade, também, deve extrapolar os limites do lar. Precisamos nos preocupar com quem mais precisa, com os idosos, ou com quem necessita de cuidados especiais. Além das pessoas, devemos ser solidários com a natureza, fauna e flora. Nossa casa comum, o planeta Terra, está pedindo ajuda, está dando sinais de doença. Uma boa prática é não desperdiçar alimentos, não apenas por economia, mas porque os recursos naturais estão se esgotando.

Pode parecer utópico em uma sociedade que tem uma cultura de agressividade, de radicalização, de antagonismo, pregar a solidariedade e a boa vontade com quem quer que seja. Porém, creio que é mais agradável, além de mais barato nos ajudarmos mutuamente do que devotar a vida na luta constante contra “inimigos” imagináveis. Um simples cumprimento afetuoso, pode fazer uma enorme diferença para alguém.

Um excelente dia a todos e todas.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante. Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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