GCM Barueri prende motorista com 273 iPhones escondidos em caminhão

0 0
Read Time:1 Minute, 24 Second

Um motorista foi preso em flagrante com 273 celulares iPhone sem documentação na noite desta segunda-feira (30), em Barueri, na Grande São Paulo. A carga ilegal estava escondida dentro de um caminhão baú e, segundo a polícia, seria levada para venda na região da Santa Ifigênia, tradicional polo de eletrônicos na capital.

A abordagem ocorreu durante patrulhamento na Avenida Gupe, no Jardim Belval — área conhecida por registros frequentes de roubo de carga. Os agentes da Guarda Civil Municipal de Barueri notaram o veículo estacionado com uma luz interna acesa, o que chamou atenção.

Ao se aproximarem, encontraram a cabine destravada e com a chave na ignição. Na sequência, ao verificarem o compartimento de carga, flagraram o motorista retirando pacotes escondidos em um compartimento lateral do baú.

Durante a vistoria, os agentes identificaram que os volumes continham diversos aparelhos celulares de alto valor, sem comprovação de origem. Questionado, o motorista admitiu que os produtos haviam sido trazidos do Paraguai e estavam misturados à carga regular. Ele afirmou ainda que faria a entrega dos aparelhos a terceiros, que seriam responsáveis pela comercialização em São Paulo.

Diante da situação, o homem recebeu voz de prisão. A ocorrência foi encaminhada inicialmente à delegacia, que orientou o encaminhamento à Polícia Federal por indícios de crime federal, como descaminho — quando há entrada de mercadorias no país sem o pagamento de tributos.

O suspeito e os aparelhos foram levados à sede da Polícia Federal, na Lapa. Após análise do caso, o delegado responsável decidiu liberar o caminhão, que foi entregue a outro condutor. Já o motorista permaneceu à disposição da Justiça Federal.

Ao todo, foram apreendidos 273 iPhones de diferentes modelos.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Divulgação

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Herança da Ditadura Militar – Mais uma vez alguns Militares querem a extinção das Guardas Municipais – por Reinaldo Monteiro

0 0
Read Time:7 Minute, 40 Second

Herança da Ditadura Militar – Mais uma vez alguns Militares querem a Extinção das Guardas Municipais, porém, o DNA da Polícia no Brasil é de caráter civil e comunitário


O Legado Ancestral e a Essência Civil das Guardas Municipais: O Pioneirismo da Segurança Pública no Brasil

As Guardas Civis Municipais não são apenas instituições contemporâneas de suporte local; elas representam, em sua gênese, o órgão policial pioneiro no Brasil, possuindo uma trajetória que se confunde com a própria construção do Estado nacional. Enquanto muitos enxergam a segurança pública como um fenômeno estritamente estadual ou federal, a história revela que a proteção do cidadão e a manutenção da ordem pública começaram no seio dos municípios, consolidando as Guardas Civis como as verdadeiras polícias de proximidade, de caráter intrinsecamente civil e comunitário.

A Primazia Histórica: As Certidões de Nascimento de uma Instituição Policial e de Caráter Civil

O marco inicial da segurança pública institucionalizada no país remonta a 14 de junho de 1831, data considerada a “primeira certidão de nascimento” das Guardas Civis Municipais, especificamente com registros em Porto Alegre e Rio de Janeiro. Pouco depois, em 10 de outubro de 1831, foi promulgada a lei de criação do corpo permanente da Guarda Municipal do Rio de Janeiro, com a missão explícita de “manter a tranquilidade e auxiliar a justiça”.

Este pioneirismo é evidenciado pelo fato de que a Guarda Municipal de São Paulo, criada em 15 de dezembro de 1831, foi a segunda do país, tendo como seu primeiro comandante e presidente da província o brigadeiro Tobias de Aguiar. É um dado histórico contundente que o atual Quartel da Rota, em São Paulo, foi originalmente construído para abrigar a Guarda Municipal Permanente, evidenciando que as raízes da segurança ostensiva no estado são municipais e civis.

Heroísmo e Soberania: O Legado Esquecido

A relevância das Guardas Civis Municipais transcende o patrulhamento local, alcançando feitos de soberania nacional. Um exemplo emblemático é o de Estevão de Almeida Chaves, Guarda Civil Municipal morto em combate em 1831 durante a retomada da Fortaleza da Ilha das Cobras, cujo ato heroico foi reconhecido por decreto imperial. No plano internacional, relatos históricos apontam que foi um Guarda Civil Municipal o responsável por ceifar a vida do ditador Solano Lopes, pondo fim à Guerra do Paraguai.

Além disso, a influência das Guardas Civis na estrutura militar brasileira é profunda: o Batalhão de Polícia do Exército (PE) foi criado a partir de 44 voluntários da Guarda Civil de São Paulo, herdando inclusive parte do seu lema, “servir e proteger”. Durante a Revolução de 1932, os guardas civis também estiveram na linha de frente, reafirmando seu compromisso com os ideais democráticos e sociais.

A influência das Guardas Civis (especificamente através da antiga Guarda Civil de São Paulo) na criação da Polícia do Exército (PE) foi direta e fundamental, manifestando-se tanto no efetivo inicial quanto na identidade institucional da corporação militar.

Os principais pontos dessa influência foram:

  • Cessão de Efetivo Pioneiro: O atual Batalhão de Polícia do Exército foi criado a partir de 44 voluntários da Guarda Civil de São Paulo. Esses homens foram a base para a estruturação do que hoje é a PE.
  • Legado do Lema Institucional: Parte expressiva do lema da Polícia do Exército, “Servir e Proteger”, é uma herança direta da Guarda Civil de São Paulo. Esse lema foi instituído originalmente por Zenóbio da Costa (patrono da Guarda Municipal do Rio de Janeiro) ao retornar da Segunda Guerra Mundial.
  • Registro Histórico: Essa colaboração e origem estão documentadas em registros oficiais, como os livros da Biblioteca do Exército (Bibliex), que narram a história dos 44 voluntários paulistas na formação da força.

É importante destacar que, embora a Guarda Civil de São Paulo fosse uma instituição estadual na época, as atuais Guardas Civis Municipais compartilham a mesma raiz histórica e identidade civil dessas corporações, que foram, em muitos casos, unificadas ou transformadas em outras polícias durante o período militar. Portanto, a raiz da Polícia do Exército está profundamente ligada ao modelo de Guarda Civil.

Outro ponto importantíssimo da história, foi a participação das Guardas Civis Municipais na Guerra do Paraguai, que é marcada por um feito histórico de grande relevância para o desfecho do conflito: o relato de que foi um Guarda Civil Municipal o responsável por ceifar a vida do ditador paraguaio Francisco Solano López, ato que efetivamente pôs fim à guerra.

Essa informação é um dos exemplos do legado e da importância das Guardas Civis Municipais para a soberania nacional, embora seja um fato frequentemente omitido ou “escondido” na historiografia tradicional brasileira, o resgate desse tipo de participação histórica é essencial para fortalecer o sentimento de pertencimento e a autoestima dos atuais integrantes das Guardas Civis Municipais do Brasil.

Ditadura Militar: A extinção das Guardas Civis Municipais

O Ato Institucional nº 5 (AI-5), que marcou o endurecimento da ditadura militar no Brasil, teve um impacto profundo e severo sobre as Guardas Civis Municipais, na tentativa de “extermínio” ou extinção dessas instituições.

Os principais efeitos e motivos de tentativa de extinção das Guardas Civis Municipais pelos militares são:

  • Temor pela Proximidade com a População: O regime militar via com desconfiança o fato de as guardas serem a força de segurança mais próxima dos cidadãos, mantendo um contato direto e comunitário. Temia-se que, devido a esse vínculo, as corporações pudessem “trocar de lado” e apoiar movimentos populares contra o governo central.
  • Percepção de Ameaça: Naquele período, as Guardas Civis Municipais eram descritas como forças bem armadas, bem preparadas e que trabalhavam em benefício do povo, o que as tornava uma ameaça potencial aos olhos de quem detinha o poder sob o AI-5.
  • Extinção e Assimilação: Em diversas capitais, o regime conseguiu efetivamente extinguir as Guardas Civis Municipais ou assimilá-las a estruturas estaduais de caráter militar. Muitas dessas antigas Guardas Civis Municipais foram unificadas a corpos policiais militares, tornando-se forças auxiliares do Exército, o que deu origem à configuração atual das Polícias Militares.
  • Estratégias de Sobrevivência: No interior do país, a extinção total foi mais difícil de implementar. Um exemplo curioso é o de Guardas em São Paulo que, para fugir da “caça às bruxas” da época e evitar o desmantelamento, transformaram-se temporariamente em bandas de música, preservando assim sua existência de forma descaracterizada.

Somente com o fim da ditadura militar em 1985 e a promulgação da Constituição Federal de 1988 é que as Guardas Civis Municipais voltaram a surgir formalmente, inicialmente com um caráter mais focado na proteção patrimonial, antes de recuperarem sua identidade como órgãos plenos de segurança pública e de policiamento ostensivo.

A Essência de Proximidade e o Reconhecimento Jurídico

As Guardas Municipais sempre foram, em sua essência, polícias de proximidade. Diferente de modelos militarizados voltados para o combate, as Guardas Civis Municipais atuam no cotidiano do munícipe, onde a “percepção de segurança” é construída pelo contato direto e comunitário. Essa natureza civil foi, inclusive, motivo de perseguição durante períodos de exceção, como no Ato Institucional nº 5, que buscou extinguir ou militarizar essas forças por sua perigosa proximidade com a população.

Atualmente, essa natureza policial foi definitivamente chancelada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Através da ADPF 995 e do Tema 656, a Suprema Corte estabeleceu que as Guardas Civis Municipais são órgãos de segurança pública parte integrante do sistema constitucional de segurança pública e com competência para realizar policiamento ostensivo, buscas pessoais, veiculares e até domiciliares, além das prisões em flagrante, como qualquer outro órgão policial do país. Com um efetivo de mais de 120 mil homens e mulheres (estimativas indicam ultrapassar 130 mil em todo o território), as Guardas Civis Municipais já são a terceira maior força de segurança do Brasil.

Resgate, Valorização e Dignidade

O Brasil não pode mais se dar ao luxo de ignorar ou “jogar no lixo” a história e o legado das suas Guardas Civis Municipais. É imperativo promover um resgate da historicidade dessas instituições, reconhecendo que o sentimento de pertencimento do agente público nasce do conhecimento de suas raízes centenárias.

Mais do que um reconhecimento histórico, é necessário um reconhecimento constitucional pleno e definitivo. Valorizar as Guardas Civis Municipais no texto da Constituição Federal não é apenas um ato de justiça histórica, mas uma medida fundamental para garantir dignidade profissional, elevar a autoestima dos milhares de agentes que, diariamente, arriscam suas vidas nas ruas do Brasil na busca de garantir o direito social do cidadão à segurança pública, além de fazer cumprir o papel dos municípios na segurança pública, qual seja, organizar e prestar diretamente serviços públicos de interesse local. O devido reconhecimento das Guardas Civis Municipais no texto constitucional como órgãos policiais, é a reparação da omissão legislativa que perdura desde a promulgação da nossa Carta Magna. O reconhecimento de que a segurança pública começa nos municípios é o caminho para um modelo de policiamento mais humano, eficiente e verdadeiramente democrático.


Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Presidente da AGM BRASIL, Bacharel em Direito com especialização em Direito Constitucional e Administrativo, Consultor em Segurança Pública, Palestrante e ex-Diretor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de São Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Elvis Cezar destaca avanço histórico na segurança e investimentos na educação em Santana de Parnaíba

0 0
Read Time:1 Minute, 14 Second

Santana de Parnaíba segue avançando no combate à criminalidade e no fortalecimento da segurança pública. Durante a inauguração da nova base da GCM, o prefeito Elvis César destacou resultados expressivos e os investimentos que vêm transformando a cidade em uma das mais seguras da Região Metropolitana de São Paulo.

Segundo o prefeito, o município registrou uma queda de quase 80% nos casos de roubos — crimes que envolvem violência ou grave ameaça — atingindo a menor marca da série histórica. O dado ganha ainda mais relevância diante do crescimento acelerado da população local nos últimos anos.

Elvis César também ressaltou o reforço no efetivo da Guarda Civil Municipal, que hoje conta com mais de 500 agentes, além da ampliação do uso de tecnologia e da duplicação da frota de viaturas de trânsito. A medida, segundo ele, contribui diretamente para reduzir acidentes e melhorar os indicadores de segurança.

Outro ponto destacado foi a importância das políticas públicas integradas, especialmente na área da educação. O prefeito citou iniciativas como a formação de jovens na área de tecnologia e o incentivo ao ensino superior, com a prefeitura custeando a universidade para estudantes da rede pública.

“Segurança também passa pela educação e pelas oportunidades”, afirmou.

A estratégia, segundo ele, busca não apenas reduzir os índices criminais, mas também fortalecer a sensação de segurança e a qualidade de vida da população.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Edson Mesquita Jr/Hora SP

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Mais de 1,5 mil policiais vão às ruas em operação contra crimes patrimoniais na Grande SP

0 0
Read Time:1 Minute, 27 Second

A Polícia Militar realiza nesta quarta-feira (11) a Operação Impacto Metropolitano, uma mobilização de grande porte voltada à prevenção de crimes patrimoniais em sete cidades da região metropolitana de São Paulo. A ação reúne mais de 1,5 mil policiais militares e mais de 400 viaturas, além da participação integrada da Polícia Civil e das Guardas Civis Municipais.

Coordenada pelo Comando de Policiamento Metropolitano, a operação conta com apoio dos comandos de área de Guarulhos, Osasco e Mogi das Cruzes, além de unidades especializadas da Polícia Militar.

Durante a mobilização, o efetivo atuará em diferentes modalidades de policiamento, com reforço de equipes do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), do Policiamento Ambiental, Rodoviário, de Trânsito e do Comando de Aviação da PM. A integração com a Polícia Civil e com as Guardas Civis Municipais amplia o alcance das ações de segurança nas cidades atendidas.

De acordo com a corporação, a operação tem como foco principal coibir crimes patrimoniais, como roubos e furtos, além de aumentar a presença policial em pontos considerados estratégicos da região metropolitana.

Segundo o coronel Carlos Sanches, comandante do Comando de Policiamento de Área Metropolitana 6, a iniciativa busca reforçar a atuação conjunta das forças de segurança.

“A operação reflete a importância estratégica dos municípios para o comando da instituição e quem ganha com isso é a população. Além disso, a operação busca reforçar o combate aos crimes patrimoniais, ampliar a proteção dos cidadãos e fortalecer a sensação de segurança na região”, afirmou o coronel.

A Operação Impacto Metropolitano ocorre com patrulhamento intensificado, bloqueios policiais e ações de fiscalização em diferentes áreas das cidades participantes, com o objetivo de ampliar a presença das forças de segurança e prevenir ocorrências criminais.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Arquivo/GESP

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Cão farejador encontra esconderijos e PM apreende quase 17 kg de drogas em Osasco

1 0
Read Time:1 Minute, 22 Second

Uma ação da Polícia Militar resultou na apreensão de quase 17 quilos de drogas na tarde de segunda-feira (9), na Avenida Transversal Sul, no bairro Conceição, em Osasco, na Grande São Paulo. O material foi localizado após a cadela farejadora Zoe, da patrulha K-9 do 5º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP), indicar diversos pontos suspeitos em uma área de mata na comunidade conhecida como “Muro do Pó”.

De acordo com a corporação, as equipes realizavam patrulhamento na região quando a cadela mudou repentinamente de comportamento e passou a conduzir os policiais até uma área próxima a prédios residenciais. No local, o animal fez indicações em seis pontos diferentes, onde havia drogas escondidas.

Durante as buscas, os policiais encontraram três tonéis enterrados contendo entorpecentes. Em outro ponto, foram localizadas sacolas plásticas enterradas sob uma árvore. Também foram encontradas bolsas escondidas sob madeiras e drogas abandonadas em sacolas próximas a uma trilha.

Ao todo, foram apreendidos 7,224 quilos de maconha, 6,048 quilos de cocaína, 720 gramas de crack, 0,22 grama de lisergida (LSD) e 2,877 quilos de lança-perfume. A soma do material apreendido chega a 16,891 quilos de entorpecentes.

Além das drogas, os policiais localizaram uma munição calibre .380, nove munições calibre .38, um coldre para arma de fogo, três rádios comunicadores e cinco bases de carregamento, materiais que também foram apreendidos durante a operação.

Todo o material foi encaminhado ao 2º Distrito Policial de Osasco, onde ficou à disposição da Polícia Judiciária. O caso será investigado para identificar os responsáveis pelos entorpecentes e pelo material encontrado no local.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Divulgação/PMESP

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

A realidade das Guardas Municipais na PEC 18/2025 – por Reinaldo Monteiro

7 0
Read Time:4 Minute, 48 Second

A semântica do poder e a realidade normativa

O cenário da segurança pública brasileira enfrenta uma encruzilhada institucional com a tramitação da PEC 18/2025. Embora o discurso político prometa uma “era de ouro” para os agentes locais, a análise técnica do texto revela que a escolha terminológica entre “transformação” e “reconhecimento” não é um preciosismo acadêmico, mas um divisor de águas jurídico.

No direito constitucional, o reconhecimento implicaria a validação de uma natureza policial já existente, garantindo a continuidade e a recepção imediata dos direitos da categoria. Contudo, o texto aprovado na Câmara optou pela transformação, o que juridicamente sinaliza a extinção do regime atual e o nascimento de um novo órgão.

Essa ruptura invalida a expectativa de ascensão automática, submetendo milhares de agentes a um limbo de eficácia limitada, onde o status policial deixa de ser um direito conquistado para se tornar uma promessa suspensa por condicionantes burocráticos.

A ilusão da Polícia Municipal: análise da estrutura da PEC 18

A estrutura organizacional proposta pela PEC 18/2025 revela que a criação das Polícias Municipais não é um processo de sucessão universal, mas sim a instituição de um novo órgão (Art. 144, VII) condicionado a filtros de seletividade.

Diferente do amadurecimento orgânico das atuais Guardas Municipais, a nova configuração impõe uma barreira de entrada rigorosa. Para que a transição ocorra, o texto estabelece critérios de elegibilidade que os municípios devem obrigatoriamente cumprir:

  • Capacidade financeira (Art. 144, § 8º-A, II, ‘a’): Exigência de demonstração de receita própria compatível com a manutenção da nova estrutura.
  • Cumprimento da legislação do § 8º (Art. 144, § 8º-A, II, ‘b’): Necessidade de que a Guarda Municipal preexistente — regida pelo atual texto constitucional — esteja em total conformidade legal antes de pleitear a mudança.
  • Formação em parâmetros nacionais (Art. 144, § 8º-A, II, ‘c’): Obediência estrita a padrões básicos nacionais de treinamento, ainda a serem definidos.
  • Pactuação de integração (Art. 144, § 8º-A, II, ‘d’): Formalização de acordos que garantam a interoperabilidade operativa.

A cláusula de “capacidade financeira” baseada em receita própria funciona como um filtro excludente para a vasta maioria das prefeituras brasileiras, que dependem visceralmente de transferências da União.

Na prática, a PEC cria uma segurança pública de duas velocidades: municípios ricos institucionalizarão suas polícias, enquanto os mais pobres permanecerão estagnados, impedindo uma mudança uniforme na categoria e aprofundando o abismo federativo.

O horizonte de 15 anos: a regulamentação como impedimento

A segurança jurídica de uma reforma constitucional depende de sua aplicabilidade. No entanto, a PEC 18 é uma norma de integração necessária, cuja eficácia está atrelada a leis futuras.

O presidente da AGM Brasil, Reinaldo Monteiro, alertou corretamente que a categoria teme um vazio legislativo superior a dez anos. Sob uma ótica jurídico-consultiva, o horizonte de 15 anos é uma projeção realista devido às etapas pós-aprovação:

  • Aprovação no Senado: Fase de possíveis alterações que podem reiniciar o rito legislativo.
  • Criação de Legislação Federal Regulamentadora: A necessidade de “normas gerais” previstas no Art. 24, XIX, para definir padrões de formação e garantias.
  • Adaptação Municipal: Necessidade de reformas em leis orgânicas e planos de carreira locais, respeitando a responsabilidade fiscal.
  • Acreditação periódica (Art. 144, § 8º-A, I): Submissão constante dos municípios ao Conselho Estadual para validar o status policial.

Este último ponto é crítico: a transformação não é definitiva. A exigência de acreditação periódica significa que o status de “Polícia Municipal” pode ser revogado se o município falhar em revisões futuras, gerando uma instabilidade institucional permanente que desencoraja o investimento em carreiras de longo prazo.

A dissociativa institucional: PEC 18 vs. jurisprudência do STF

Existe uma dissonância perigosa entre a produção legislativa da PEC 18 e o entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal (STF).

Enquanto a Suprema Corte já reconheceu as Guardas Municipais como integrantes incontroversos do sistema constitucional de segurança pública e já reconheceu a constitucionalidade da inclusão das guardas municipais no SUSP (ADPF 995) de forma incondicional —, a proposta da Câmara retrocede ao impor “barreiras de integração normativa”.

O texto legislativo ignora que o amadurecimento institucional das guardas já foi validado pelo Judiciário. Ao condicionar o exercício das atribuições policiais a um novo rito de “acreditação” e filtros financeiros, a PEC atua no sentido oposto à estabilidade desejada.

Essa barreira burocrática cria uma percepção de “não reconhecimento” entre os profissionais, pois o Congresso tenta transformar em concessão política o que a jurisprudência já trata como realidade operacional.

O hiato entre a expectativa e a norma

A análise técnica da PEC 18/2025 impõe uma conclusão honesta: o texto não reconhece as Guardas Municipais como polícias de forma automática, tratando-se de uma faculdade constitucional cercada de incertezas temporais e fiscais.

O hiato entre a promessa política e a norma aprovada sugere que a categoria poderá carregar a nomenclatura de “polícia” no texto constitucional, enquanto permanece sob a condição funcional de “apenas guarda” por mais uma década ou mais.

A manutenção deste texto no Senado Federal cristaliza o risco de estagnação e insegurança jurídica. Sem uma revisão que assegure o reconhecimento de fato e mecanismos de transição que não dependam exclusivamente de leis futuras, a PEC 18 será lembrada não como o marco da modernização, mas como uma moratória de direitos suspensa em um labirinto burocrático.

O Senado tem o dever de emendar o texto para que a segurança pública municipal deixe de ser uma promessa condicionada e passe a ser um reconhecimento de Estado.


Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Presidente da AGM BRASIL, Bacharel em Direito com especialização em Direito Constitucional e Administrativo, Consultor em Segurança Pública, Palestrante e ex-Diretor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de São Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Happy
Happy
67 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
33 %

PM prende suspeito e apreende mais de 2 mil porções de maconha em Itapevi

0 0
Read Time:1 Minute, 23 Second

Policiais militares do 5º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) prenderam, na tarde de domingo (8), um homem suspeito de tráfico de drogas no bairro Chácara Vitápolis, em Itapevi, na Região Metropolitana de São Paulo. Segundo a Polícia Militar, mais de duas mil porções de maconha foram apreendidas durante a ocorrência.

A equipe realizava patrulhamento na região quando recebeu informações de que um indivíduo estaria abastecendo pontos de venda de drogas utilizando uma motocicleta cinza. Com base nas características repassadas, os policiais iniciaram diligências nas imediações.

Durante o patrulhamento pela Rua Açaís, os agentes localizaram uma motocicleta com as mesmas características estacionada na via. Após conversarem com moradores, os policiais foram informados de que o veículo pertenceria a um homem que residia no número 8 da mesma rua.

Ao se aproximarem do imóvel indicado, os policiais perceberam que o suspeito tentou fugir pulando pela janela lateral da residência, que dava acesso a uma viela. A tentativa de fuga, no entanto, foi rapidamente frustrada pela equipe, que conseguiu detê-lo no local.

Durante a abordagem pessoal, nada de ilícito foi encontrado com o homem. No entanto, em buscas realizadas dentro da casa, os policiais localizaram uma mala contendo 2.043 porções de maconha. No imóvel também foi apreendido um caderno com anotações que, segundo a polícia, seriam relacionadas à contabilidade do tráfico de drogas.

Questionado pelos agentes, o suspeito teria admitido que atuava no abastecimento e na venda de entorpecentes em um ponto conhecido como “escadão”, localizado na mesma região.

O homem foi encaminhado ao Distrito Policial de Itapevi, onde a ocorrência foi registrada. Ele permaneceu preso e à disposição da Justiça.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Divulgação/PMESP

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Roubos caem até 23% e reforçam queda da criminalidade em Santana de Parnaíba

0 0
Read Time:1 Minute, 17 Second

Santana de Parnaíba registrou uma queda expressiva nos índices de criminalidade, especialmente nos crimes contra o patrimônio. Levantamento divulgado pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) aponta redução de 15,1% no total de ocorrências no comparativo entre os trimestres de novembro e dezembro de 2024 e janeiro de 2025 com o mesmo período de novembro e dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

O recorte considera crimes que impactam diretamente a sensação de segurança da população, como roubos e furtos, além de delitos classificados como de maior potencial ofensivo.

Entre os principais indicadores, os crimes patrimoniais apresentaram quedas significativas. O número de roubos caiu 23,08% no período analisado. Já os casos de roubo de veículos registraram redução de 25%, enquanto o furto de veículos apresentou a maior queda, com recuo de 44,12%.

A análise isolada do mês de janeiro também confirma a tendência de redução. Na comparação entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o total geral de ocorrências diminuiu 10,39%, indicando estabilidade e controle dos índices de criminalidade no município.

De acordo com a Secretaria Municipal de Segurança Urbana, os crimes contra o patrimônio costumam impactar diretamente a população por atingirem bens conquistados ao longo de anos de trabalho. A queda nesses indicadores é considerada relevante para a percepção de segurança no dia a dia da cidade.

Os dados reforçam o cenário de redução gradual das ocorrências e apontam para a continuidade das ações de prevenção e monitoramento realizadas pelas forças de segurança no município.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Fabiano Martins/PMSP

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Prisões por violência doméstica crescem 31% em SP e passam de 18 mil em 2025

1 0
Read Time:2 Minute, 36 Second

A atuação das polícias Civil e Militar de São Paulo resultou na prisão de 18,5 mil agressores por violência doméstica em 2025. O número representa aumento de 31,2% em relação a 2024, quando 14,1 mil autores foram detidos no estado.

De acordo com o governo paulista, o avanço está relacionado ao reforço na fiscalização do cumprimento de decisões judiciais e à resposta mais rápida às denúncias. A estratégia busca interromper o ciclo da violência antes que os casos evoluam para situações mais graves.

Segundo o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, a integração das forças de segurança foi fortalecida com a consolidação do sistema SP Mulher, criado em 2023 para padronizar atendimentos e integrar dados.

“Em São Paulo, essa resposta ganhou novo impulso com a consolidação do SP Mulher, que fortalece a atuação conjunta das polícias Militar, Civil e Técnico-Científica desde o primeiro contato pelo 190 até o registro nas Delegacias de Defesa da Mulher”, afirmou.

Entre os recursos do sistema estão as Cabines Lilás no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), além das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM), salas DDM 24 horas e o atendimento digital por meio da DDM Online.

Dados da Secretaria da Segurança Pública indicam que ampliar os canais de denúncia é considerado essencial. Em 2025, o estado registrou 270 vítimas de feminicídio. Destas, 72% não tinham feito boletim de ocorrência anteriormente e apenas 22% haviam solicitado medida protetiva.

Para enfrentar esse cenário, o governo também ampliou o monitoramento eletrônico de agressores. O uso de tornozeleiras eletrônicas em casos de violência contra a mulher foi instituído em setembro de 2023. Desde então, 712 agressores já utilizaram o equipamento, sendo 189 monitoramentos ainda ativos.

O sistema também permitiu a condução de 211 autores às delegacias por descumprimento de medidas protetivas, dos quais 120 permaneceram presos.

Outra ferramenta é o aplicativo SP Mulher Segura, que reúne atualmente 45,7 mil usuárias. A plataforma já registrou 9,6 mil acionamentos do botão do pânico, com envio imediato de policiais por meio de georreferenciamento.

No estado, a rede de atendimento especializado também foi ampliada. São Paulo passou a contar com 142 Delegacias de Defesa da Mulher e 173 Salas DDM 24 horas, o que representa crescimento de 54% na estrutura dedicada ao atendimento de vítimas.

No âmbito da Polícia Militar, a Cabine Lilás permite que mulheres que ligam para o 190 sejam atendidas por policiais femininas capacitadas para prestar acolhimento e orientação imediata.

“As mulheres que recebem orientação pela Cabine Lilás acabam registrando o boletim de ocorrência. Esse é o primeiro passo para interromper o ciclo da violência”, explicou o coordenador operacional da PM, coronel Carlos Henrique Lucena.

Além das ações de segurança pública, o estado também oferece suporte social às vítimas. O programa estadual de Auxílio-Aluguel para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica atendeu 5.247 mulheres entre março de 2025 e fevereiro de 2026, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social.

Atualmente, 585 municípios paulistas já aderiram ao benefício, que busca oferecer proteção e condições para que vítimas possam se afastar de situações de risco.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: SSP-SP

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Tecnologia e inteligência colocam Barueri entre as cidades mais seguras do país

0 0
Read Time:2 Minute, 31 Second

Barueri voltou a se destacar no cenário nacional de segurança pública ao figurar entre as cidades mais seguras do país. Segundo o Anuário 2025 de Cidades Mais Seguras do Brasil, o município ocupa a 5ª posição entre cidades com população entre 200 mil e 500 mil habitantes. O ranking utiliza dados oficiais do Ministério da Saúde e do IBGE.

Um caso recente ilustra a estratégia adotada pela cidade, que combina tecnologia e atuação operacional das forças de segurança. A Guarda Civil Municipal (GCM) conseguiu recuperar uma motocicleta furtada antes mesmo de o proprietário perceber o crime, após monitoramento realizado pelo Centro Integrado de Monitoramento da Secretaria de Segurança Urbana e Defesa Social (SSUDS).

A ocorrência começou no dia 27 de janeiro, quando uma motocicleta suspeita foi identificada circulando pela avenida Aníbal Correia, no bairro Votupoca. Imagens captadas pelo sistema de monitoramento passaram a ser analisadas pela equipe de Inteligência da secretaria.

Durante a observação das imagens, os agentes notaram que o condutor tentou esconder a placa do veículo com a mão ao perceber a presença de uma câmera. Apesar da tentativa, o sistema conseguiu registrar o emplacamento corretamente e passou a acompanhar o deslocamento da moto em tempo real. O monitoramento indicou que os suspeitos seguiram em direção ao município vizinho de Carapicuíba.

Dias depois, na madrugada do dia 6 de fevereiro, o sistema voltou a identificar a motocicleta, desta vez na avenida Zélia, no Parque dos Camargos. O veículo estava acompanhado por outras três motos, o que levantou suspeita de atuação em grupo.

Com as informações repassadas em tempo real, equipes de patrulhamento da GCM montaram um cerco próximo à divisa com Carapicuíba. Ao perceber a aproximação das viaturas, um dos motociclistas perdeu o controle e caiu, abandonando a motocicleta, enquanto os demais conseguiram fugir. O veículo havia sido furtado naquela mesma madrugada.

A leitura da placa permitiu identificar rapidamente o proprietário da moto, o motoboy de aplicativo Rafael Donizete Sales Rodrigues, morador da Vila Cecília, em Jandira. Ele ainda dormia quando foi avisado pela polícia e não sabia que havia sido vítima do furto. A motocicleta foi devolvida após o registro da ocorrência na delegacia.

“Eu não tinha visto que a moto tinha sido roubada. Me chamaram de madrugada e vi que o meu portão estava danificado. Foi tudo muito rápido. A moto é meu ganha-pão. A Guarda fez um excelente trabalho. Só tenho a agradecer”, relatou Rafael.

Segundo a SSUDS, o sistema de monitoramento está integrado a bases de dados estaduais e federais e permite identificar veículos envolvidos em crimes ou produtos de ilícito. Quando há alerta no sistema, as equipes de patrulhamento são acionadas imediatamente para realizar a abordagem ou interceptação.

De acordo com a prefeitura, os investimentos em tecnologia ampliam a capacidade de resposta das equipes e permitem ações preventivas. No caso da motocicleta recuperada, o histórico de movimentação dos veículos suspeitos contribuiu para direcionar o monitoramento e possibilitou a recuperação do bem antes mesmo de o crime ser comunicado pela vítima.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Ana Guice/PMB

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %
1 … 10 11 12 13 14 … 26
erro: