Saúde mental feminina e sobrecarga emocional de mulheres – por Dra. Vera Resende

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Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que mais da metade dos brasileiros considera a saúde mental o principal problema de saúde do país. Entre as mulheres, esse número é ainda maior. Esses índices convidam a refletir sobre os fatores que contribuem para tamanha vulnerabilidade emocional.

A saúde mental feminina é atravessada por múltiplos elementos. Há uma articulação complexa entre aspectos biológicos, papéis sociais e experiências de vida. Mesmo com transformações significativas na sociedade, a mulher permanece submetida à chamada tripla jornada. A rotina envolve responsabilidades profissionais, cuidados com os filhos, gestão da casa e, muitas vezes, a função de apoio emocional da família. Essa sobrecarga não é apenas física. É psíquica.

Além disso, é frequente que essas exigências venham acompanhadas de situações de violência de gênero em suas diversas formas, como críticas recorrentes, desqualificação, desrespeito e pressões que fragilizam sua autoestima. A expectativa social de que a mulher consiga manter o controle de tudo, de maneira impecável, apenas intensifica seu sofrimento.

Cuidar da saúde mental das mulheres exige reconhecer suas especificidades e promover ações que favoreçam acolhimento, acesso a serviços qualificados e políticas públicas que sustentem essa demanda. Também é necessário desconstruir a ideia de que a mulher precisa corresponder a padrões irreais de desempenho, estabilidade emocional e disponibilidade constante.

A construção de um ambiente mais saudável passa pela mudança cultural e pela consciência coletiva de que nenhuma mulher deve carregar sozinha aquilo que pertence a toda a sociedade.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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Comissão de Saúde da Alesp aprova projetos voltados à saúde feminina e atenção a neurodivergentes

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A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou, nesta quarta-feira (12), oito projetos de lei que avançam em políticas públicas voltadas à saúde feminina, ao atendimento de pessoas neurodivergentes e ao fornecimento de insumos essenciais para tratamentos. As propostas incluem desde a distribuição gratuita de contraceptivos reversíveis de longa duração até a oferta de medidores de glicose para crianças com diabetes.

Entre as iniciativas com parecer favorável, destaca-se o PL 731/2021, de autoria do deputado Rafa Zimbaldi (Cidadania), que institui o Programa de Conscientização e Prevenção à Endometriose, condição que afeta milhões de mulheres. O texto foi analisado em conjunto com outros dois projetos semelhantes, incluindo o da deputada Beth Sahão (PT), que prevê atendimento especializado. Segundo o relator, Alex Madureira (PL), as três propostas convergem ao reforçar o diagnóstico precoce, o tratamento multidisciplinar e o acesso ampliado aos serviços de saúde.

Outro projeto aprovado foi o PL 1728/2023, apresentado pelo deputado Tomé Abduch (Republicanos) e relatado por Edna Macedo (Republicanos), que cria a “Lei Anthony Daher”. A medida estabelece prazo máximo para que pacientes com suspeita de doenças raras sejam encaminhados a especialistas, buscando reduzir a demora no diagnóstico.

Dos textos analisados, apenas o PL 589/2023, do deputado Marcos Damásio (PL), teve aprovação conclusiva. A proposta dá ao Hospital Regional de Cruzeiro o nome de “Prefeito João Bastos”, em homenagem ao político que ocupou cargos nos âmbitos municipal, estadual e federal.

A reunião também aprovou seis requerimentos. Três deles, apresentados pela presidente da Comissão, deputada Bruna Furlan (PSDB), tratam da realização de audiências públicas sobre judicialização da saúde e a atuação do Legislativo na área. Já a deputada Ana Perugini (PT) solicitou fiscalização presencial na unidade da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), na capital paulista.

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Foto: Bruna Sampaio/Alesp

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