O que sua empresa está fazendo para ser reconhecida antes de precisar vender?

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Existe um comportamento bastante comum entre pequenas empresas. Quando precisam vender, começam a se comunicar. Surge uma campanha, uma promoção, um lançamento, uma sequência de publicações. A empresa volta a aparecer depois de algum tempo em silêncio e espera que o mercado esteja pronto para prestar atenção. Só que a decisão de compra não começa necessariamente quando a empresa apresenta sua oferta. Antes de contratar, o cliente pode pesquisar, comparar, pedir uma indicação, procurar avaliações e tentar entender quem está por trás daquele produto ou serviço. Em muitos casos, também vai procurar informações sobre a empresa ou o profissional na internet.

É nesse intervalo, antes da venda, que reputação e reconhecimento começam a fazer diferença. Uma empresa que só aparece quando precisa vender precisa conquistar atenção justamente quando tem uma necessidade imediata. Já aquela que se mantém presente de maneira coerente ao longo do tempo chega a esse momento com algo que não se constrói em uma campanha. O cliente já ouviu falar dela, já encontrou alguma informação, já teve contato com sua maneira de pensar ou de trabalhar. Não significa que será escolhida, mas a conversa começa em outro lugar.

Reputação se constrói antes da necessidade

Ser conhecido não garante uma venda. Ser desconhecido, por outro lado, pode tornar mais difícil até mesmo entrar na consideração do cliente. Quando alguém encontra uma empresa pela primeira vez, forma uma impressão a partir do que consegue descobrir. O site, os conteúdos publicados, as redes sociais, as avaliações, as entrevistas, as recomendações e a forma como o negócio se apresenta ajudam a compor essa percepção. A empresa não precisa estar em todos esses lugares. Precisa, porém, oferecer informações que permitam entender quem é, o que faz e por que pode ser relevante.

Pense em um pequeno escritório de arquitetura. Se ele só se comunica quando precisa captar novos clientes, boa parte da construção de percepção fica concentrada nesse momento. Mas, ao longo dos meses, também pode mostrar projetos, explicar escolhas, comentar tendências e apresentar seu olhar sobre questões que interessam a quem contrata seus serviços. Isso também vale para um médico, um advogado, um consultor ou um especialista.

A experiência acumulada não precisa aparecer somente quando chega a hora de fazer uma proposta. Ela pode estar em um artigo, em uma entrevista, na explicação de uma dúvida frequente, na análise de uma mudança do setor ou em um conteúdo que mostra como determinado problema costuma ser enfrentado. Esse tipo de comunicação cumpre uma função que vai além da divulgação, ela ajuda o mercado a conhecer a empresa antes de precisar dela. E isso muda a relação com o tempo.

Quando uma empresa publica apenas para vender, sua comunicação tende a acompanhar as necessidades comerciais do momento. Quando também comunica para ser reconhecida, começa a construir um conjunto de informações que permanece disponível mesmo quando não há uma campanha em andamento.

Para pequenos negócios, essa diferença é importante. Nem sempre faz sentido disputar visibilidade com grandes marcas pela quantidade de exposição. Muitas vezes, existe uma oportunidade mais interessante em transformar o conhecimento que já está dentro da empresa em conteúdo capaz de mostrar experiência, visão e domínio sobre determinado assunto. Mas isso não significa produzir conteúdo por obrigação.

A pergunta que vale fazer é mais simples: o que sua empresa gostaria que um potencial cliente já soubesse sobre ela antes de entrar em contato? A resposta pode revelar muito sobre o papel que a comunicação está desempenhando.

Se a empresa quer ser reconhecida pela experiência, essa experiência precisa aparecer. Se deseja ser lembrada pela capacidade de resolver determinado problema, precisa mostrar que entende esse problema. Se pretende ocupar um espaço específico no mercado, sua comunicação precisa ajudar a construir essa associação. É assim que conteúdo e posicionamento começam a trabalhar junto com a reputação.

Também é por isso que não basta pensar apenas na próxima publicação. Uma comunicação consistente precisa fazer sentido quando vista como um conjunto.

Quais assuntos a empresa costuma abordar? O que revela sobre sua experiência? Que tipo de conhecimento compartilha? Como apresenta seu trabalho? Pelo que pretende ser lembrada?

Essas escolhas vão formando uma imagem ao longo do tempo e existe uma diferença importante entre comunicar e simplesmente aparecer.

Uma empresa pode publicar todos os dias e ainda assim não deixar claro porque deveria ser lembrada. Pode ter bastante movimento nas redes e pouca clareza sobre seu posicionamento. Pode falar muito sobre seus produtos e quase nada sobre o conhecimento que sustenta aquilo que oferece.

Para empresários e especialistas, essa é uma questão especialmente relevante. O objetivo da comunicação não precisa ser transformar o dono da empresa em uma figura pública. Pode ser fazer com que clientes, parceiros, jornalistas e outros públicos compreendam melhor quem está por trás daquele negócio, qual experiência existe ali e em que assuntos aquela empresa pode contribuir.

A venda continua sendo importante, mas ela não deveria ser o único momento em que a empresa se preocupa em ser percebida.

Quando chega a hora da compra, o cliente já traz alguma impressão. Pode reconhecer o nome da empresa, lembrar de um conteúdo que leu, ter encontrado uma entrevista ou simplesmente entender melhor o que aquele negócio faz. Nada disso garante uma escolha. Reputação não substitui produto, serviço, atendimento ou preço, mas influencia o contexto em que a decisão acontece.

Por isso, comunicação estratégica não deveria funcionar apenas como resposta a uma necessidade comercial imediata. Ela precisa acompanhar a trajetória do negócio. A pergunta, então, talvez não seja apenas “o que vamos divulgar quando precisarmos vender?”.

Vale perguntar também: “se alguém conhecer nossa empresa hoje, encontrará informações suficientes para entender por que ela merece ser considerada?”

Essa resposta ajuda a perceber se a comunicação está sendo tratada apenas como divulgação ou se já começou a ocupar um lugar mais amplo dentro do negócio.

Lembre-se: quando a necessidade de vender aparece, a reputação que sua empresa construiu antes já está trabalhando a favor ou contra ela.

Comunicação é um Ativo de Negócio.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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A inteligência artificial também está aprendendo quem é a sua empresa

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Existe uma pergunta que poucos empresários fazem ao avaliar a presença digital da própria empresa: o que a internet consegue dizer sobre meu negócio sem que eu esteja ali para explicar? Essa questão ganhou outra dimensão com a expansão da inteligência artificial. Hoje, uma pessoa pode perguntar a uma ferramenta de IA sobre uma empresa, um profissional ou determinado segmento e receber uma resposta construída a partir de informações reunidas em diferentes fontes. A empresa não participa dessa conversa, não escolhe o que será considerado relevante nem controla completamente o contexto em que seu nome aparece.

Isso muda a forma de pensar a comunicação. Durante muito tempo, a preocupação era levar o público até a empresa. Agora, existe uma etapa anterior: construir uma presença pública capaz de explicar quem está por trás da marca, o que ela faz, em que assuntos atua e qual conhecimento está associado ao seu nome. Não é apenas uma questão de tecnologia, mas de comunicação.

Há negócios que funcionam muito bem no mundo real e são surpreendentemente difíceis de compreender no ambiente digital. O site diz pouco, as páginas são genéricas, os profissionais aparecem apenas pelo nome e os conteúdos apresentam produtos e serviços, mas quase nada revelam sobre a experiência que existe por trás deles. Quem já conhece a empresa consegue preencher essas lacunas, mas quem chega pela internet, não.

O problema é que o empresário conhece profundamente o próprio negócio. Sabe como a empresa começou, conhece sua trajetória e reconhece a experiência da equipe. Só que grande parte desse conhecimento está na cabeça das pessoas. Para fazer parte da presença digital da marca, precisa ganhar alguma forma pública, seja em um site bem estruturado, artigos, entrevistas, publicações especializadas ou páginas profissionais. É desse conjunto que começa a surgir um retrato público do negócio e, estar em vários canais, porém, não resolve a questão. Uma empresa pode manter Instagram, LinkedIn, site e YouTube e ainda transmitir uma imagem difícil de entender. Há informação, mas falta uma linha que conecte tudo.

Quando a empresa fala com regularidade sobre determinados assuntos, apresenta seus profissionais, explica sua atuação e participa de conversas relacionadas ao seu campo de conhecimento, começa a criar associações mais claras. Não se trata de repetir palavras-chave, mas de deixar evidente o que sabe, onde atua e pelo que pretende ser reconhecida.

O conhecimento que não foi registrado

Há empresas com histórias relevantes que praticamente não deixaram registro delas na internet. Profissionais com vinte ou trinta anos de experiência que nunca escreveram sobre o que aprenderam nesse período. Especialistas que respondem às mesmas perguntas dos clientes todos os dias, mas nunca transformaram essas respostas em conteúdo. Isso não representa apenas uma oportunidade perdida de comunicação, mas também um conhecimento que não foi documentado. E aquilo que não é documentado tem alcance limitado.

Quando uma experiência profissional se transforma em artigo, entrevista, análise ou outro conteúdo relevante, passa a existir também como referência pública. Pode ser lida por quem ainda não conhece a empresa, compartilhada e encontrada em uma pesquisa no futuro.

A inteligência artificial torna esse aspecto ainda mais importante. Não porque exista uma fórmula capaz de fazer um sistema citar determinada empresa, mas porque as respostas são construídas a partir de informações que podem ser encontradas, interpretadas e relacionadas. Quanto menos uma empresa registra publicamente sobre o que sabe, menos elementos estarão disponíveis para contextualizar sua atuação.

É nesse cenário que o GEO, Generative Engine Optimization, ganha espaço. Mas tratá-lo apenas como uma técnica para fazer uma empresa aparecer na IA simplifica demais a questão. O trabalho começa antes. Uma empresa precisa ter informação relevante, saber como deseja se posicionar e organizar o conhecimento que já possui. Não adianta construir uma presença digital sofisticada se a marca ainda não consegue explicar claramente o que faz, para quem trabalha e quais assuntos domina. A tecnologia pode ajudar a distribuir e interpretar informações, mas não pode substituir a necessidade de produzi-las.

Vejo o GEO como uma extensão de uma boa estratégia de comunicação, e não como uma atividade isolada.

Reputação também deixa rastros

A empresa não é formada apenas pelo que publica sobre si mesma. Uma entrevista em um veículo de comunicação, uma reportagem que a menciona, a participação de um profissional em uma discussão relevante ou uma análise assinada por um especialista acrescentam informações que não partiram diretamente da marca e isso cria contexto.

Existe uma distância considerável entre afirmar que possui determinada experiência e aparecer associada a esse assunto em diferentes fontes e situações. Autoridade de marca não nasce somente do discurso institucional, ela também se constrói nas referências que existem ao redor dele. Por isso, imprensa e conteúdo próprio não deveriam ser tratados como trabalhos independentes. Uma entrevista pode aprofundar um tema desenvolvido em um artigo, uma pauta pode nascer de uma análise publicada pela empresa e uma participação em podcast pode gerar novos conteúdos para os canais digitais.

Quando essas iniciativas conversam entre si, o conhecimento deixa de aparecer de forma fragmentada.

Para um pequeno negócio, esse trabalho pode começar pelo conhecimento que já existe dentro da empresa. Quais assuntos os profissionais dominam? Que perguntas os clientes fazem repetidamente? Que problemas aparecem com frequência? Que experiências da equipe ainda não aparecem em nenhum canal público?

As respostas ajudam a identificar os territórios de conhecimento da marca e a decidir o que merece virar artigo, vídeo, entrevista, página do site ou conteúdo para as redes sociais. Não é preciso estar em todas as plataformas. Tentar ocupar todos os espaços antes de definir o que a empresa quer dizer costuma produzir uma comunicação dispersa. Uma presença menor e coerente pode ser muito mais útil do que uma presença ampla, mas sem identidade.

A empresa que você conhece não é a que a internet conhece

Você conhece sua empresa, seus clientes antigos conhecem, sua equipe conhece, mas isso não significa que o ambiente digital consiga reconhecê-la da mesma maneira. Essa diferença tende a ganhar importância à medida que a inteligência artificial participa de pesquisas, comparações e processos de descoberta. A comunicação estratégica, portanto, precisa olhar além da próxima publicação ou campanha e considerar o patrimônio de informação que a empresa está construindo.

Um conteúdo relevante registra uma parte do conhecimento do negócio, uma entrevista acrescenta uma referência, uma página bem estruturada esclarece uma informação e um posicionamento consistente reforça determinada associação. Nada disso, isoladamente, transforma uma empresa em autoridade. O valor está no conjunto.

A inteligência artificial está mudando a maneira como encontramos e organizamos informações, mas não eliminou uma necessidade que já existia antes dela. Para ser reconhecida pelo que sabe, uma empresa precisa comunicar o que sabe. A diferença é que essa comunicação agora precisa considerar ambientes nos quais a resposta não aparece como uma lista de links, mas como uma síntese produzida a partir de diferentes informações. Posicionamento, reputação e conteúdo estratégico passam a fazer parte da mesma conversa.

Por isso, vale fazer uma pergunta antes de pensar na próxima ferramenta de IA: se alguém que nunca ouviu falar da minha empresa fizer uma pergunta sobre o assunto que domino, encontrará informações suficientes para entender por que minha empresa pode ser considerada?

Não há como controlar completamente a resposta de uma inteligência artificial. Há, porém, muito a fazer sobre a qualidade da informação pública existente a respeito da empresa. Uma empresa pode saber muito e continuar pouco representada no ambiente digital. Nesse cenário, o desafio não é apenas ser encontrado. É ter algo consistente para ser encontrado e, principalmente, relevante para ser compreendido.

Lembre-se: Autoridade não se constrói apenas pelo conhecimento que uma empresa possui, mas pelas referências que cria para que esse conhecimento seja reconhecido pelo mercado.

Comunicação é um Ativo de Negócio.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Sua comunicação nas redes sociais pode estar afastando clientes – por Adriana Vasconcellos Soares

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“Eu publico com frequência, mas quase ninguém entra em contato.” Essa é uma das reclamações mais comuns entre pequenos empresários, médicos, advogados, consultores e profissionais liberais. Em muitos casos, o problema não está na qualidade do serviço oferecido, nem na falta de competência. O que falha é a comunicação.

As redes sociais deixaram de ser apenas um espaço para divulgar produtos ou compartilhar o dia a dia. Hoje, elas fazem parte do processo de decisão de compra. Antes de contratar um profissional, é comum que o cliente visite o Instagram, pesquise no Google, procure avaliações e tente entender se aquela pessoa transmite confiança. Se a comunicação não responde às principais dúvidas do público, dificilmente ela ajudará a gerar negócios.

O primeiro erro costuma aparecer logo na apresentação. Muitos perfis não deixam claro o que fazem, para quem trabalham ou qual problema ajudam a resolver. A bio é genérica, faltam informações de contato, os destaques estão desorganizados e o visitante precisa fazer esforço para entender os serviços oferecidos. Em poucos segundos, ele perde o interesse e procura outra opção.

Outro problema frequente é produzir conteúdo pensando apenas no algoritmo. Há quem publique frases motivacionais, datas comemorativas ou imagens bonitas todos os dias, mas raramente responde às dúvidas reais dos clientes. Curtidas podem aumentar a sensação de que a estratégia está funcionando, mas nem sempre representam geração de oportunidades.

O conteúdo precisa responder perguntas, explicar processos, esclarecer objeções e demonstrar conhecimento. Quando um empresário compartilha sua experiência, comenta situações do mercado, publica artigos, participa de entrevistas com a imprensa ou apresenta bastidores do trabalho, ele deixa de apenas aparecer e começa a construir autoridade.

A falta de consistência também prejudica os resultados. É comum encontrar perfis que publicam diariamente durante algumas semanas e depois passam meses sem qualquer atualização. Para quem visita a página, essa ausência pode transmitir a impressão de abandono ou falta de organização. Mais importante do que publicar todos os dias é manter uma frequência compatível com a rotina da empresa. Um calendário de conteúdo bem planejado costuma gerar resultados melhores do que ações intensas seguidas de longos períodos de silêncio.

Outro aspecto pouco valorizado é a reputação. Muitos empresários concentram todos os esforços apenas nas redes sociais e deixam de investir na construção de credibilidade. Reportagens, entrevistas, artigos publicados, participação em eventos, prêmios e depoimentos de clientes funcionam como importantes sinais de confiança para quem está pesquisando antes de contratar um serviço. Além de influenciar pessoas, esses conteúdos também fortalecem a presença digital da marca perante buscadores e sistemas de inteligência artificial.

O site também continua desempenhando um papel importante. Apesar do crescimento das redes sociais, muitos consumidores ainda procuram informações mais completas antes de tomar uma decisão. Um site desatualizado, lento ou com informações incompletas pode comprometer a imagem construída em outros canais. Ele deve explicar claramente quem é a empresa, quais serviços oferece e por que merece a confiança do cliente.

Um outro erro está na linguagem está em profissionais que utilizam termos excessivamente técnicos, enquanto outros adotam uma comunicação informal que não transmite segurança. O equilíbrio está em falar de forma simples, acessível e profissional, permitindo que qualquer pessoa compreenda o valor do serviço oferecido.

Existe ainda um detalhe que costuma passar despercebido. Muitas empresas produzem bons conteúdos, mas esquecem de orientar o próximo passo. O visitante lê o texto, concorda com a informação e simplesmente vai embora porque não sabe como entrar em contato, solicitar um orçamento ou agendar uma consulta. Uma comunicação eficiente facilita esse caminho e convida o público a continuar a conversa.

No cenário atual, marcado pelo crescimento da inteligência artificial e pela mudança no comportamento dos consumidores, estar presente nas redes sociais já não é suficiente. É preciso comunicar de forma estratégica. Isso significa integrar Instagram, LinkedIn, site, blog, assessoria de imprensa e outros canais para construir uma presença consistente, capaz de gerar reconhecimento e confiança ao longo do tempo.

No fim das contas, clientes não contratam apenas quem publica mais. Eles escolhem quem transmite segurança, demonstra conhecimento e consegue mostrar, por meio da comunicação, que é a pessoa certa para resolver determinado problema.

Se, ao analisar sua presença digital, você percebe que sua comunicação não responde às dúvidas do público, não demonstra autoridade ou não facilita o contato, talvez o problema não seja a falta de clientes. Talvez seja a forma como sua empresa está se apresentando ao mercado.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


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Você domina sua profissão. Mas o mercado sabe disso? – por Adriana Vasconcellos Soares

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Durante muito tempo, ser um excelente profissional seria suficiente para conquistar reconhecimento no mercado. A lógica parecia simples. Quem tinha mais conhecimento, mais experiência e melhores resultados acabaria naturalmente sendo encontrado pelos clientes. Essa realidade mudou.

Hoje, milhares de profissionais altamente qualificados disputam atenção em um ambiente digital saturado de informações. O conhecimento continua sendo fundamental, mas deixou de ser suficiente. Se ele não for transformado em comunicação estratégica, corre o risco de permanecer invisível.

Esse desafio é especialmente evidente entre médicos, advogados, consultores, engenheiros, psicólogos e outros especialistas que dedicam grande parte do seu tempo ao exercício da profissão. Na maioria das vezes, o problema não é falta de conteúdo, pelo contrário, existe um enorme patrimônio intelectual acumulado em anos de estudo, experiência e prática profissional. A dificuldade está em transformar esse conhecimento em presença.

Muitos profissionais começam a produzir conteúdo com entusiasmo, publicam por algumas semanas, compartilham informações relevantes e tentam manter frequência nas redes sociais. Depois, a rotina se impõe, as demandas aumentam, os compromissos se acumulam e a produção perde consistência.

Outros conseguem manter uma frequência razoável, mas esbarram em outra frustração. Descobrem que alcance não significa autoridade, curtidas não representam necessariamente confiança e visualizações nem sempre se convertem em negócios. Esse é um dos principais equívocos da comunicação digital atual, confundir atividade com posicionamento.

Publicar muito não significa construir reputação, o que gera autoridade não é a quantidade de conteúdo, mas a capacidade de transformar conhecimento em narrativas relevantes, consistentes e alinhadas aos objetivos profissionais. A construção de autoridade exige estratégia e cada conteúdo precisa cumprir uma função. Alguns ajudam a educar o público, outros fortalecem credibilidade. Alguns esclarecem dúvidas recorrentes, outros demonstram experiência prática.

Quando existe planejamento, cada publicação passa a fazer parte de um sistema maior de posicionamento, além disso, cresce a importância da diversificação de canais. Muitos profissionais concentram toda sua comunicação em uma única rede social. O problema é que dependem integralmente dos algoritmos para serem vistos e uma mudança na plataforma pode reduzir drasticamente alcance, visibilidade e engajamento. Por isso, a construção de presença digital precisa ser mais ampla.

O LinkedIn fortalece posicionamento profissional. O Instagram amplia proximidade e relacionamento. O blog ou site próprio consolida autoridade e cria um patrimônio digital permanente, independente das mudanças nas redes sociais.

A inteligência artificial reforça ainda mais essa necessidade com ferramentas como ChatGPT, Gemini e Perplexity, que estão mudando a forma como as pessoas encontram informações e escolhem profissionais. Cada vez mais, sistemas de IA utilizam conteúdos publicados em diferentes fontes para construir respostas e recomendações, nesse contexto, a consistência da presença digital ganha um novo significado. Não basta apenas existir nas redes sociais, é preciso construir relevância em múltiplos canais.

O profissional que consegue transformar sua experiência em conteúdo estruturado aumenta suas chances de ser encontrado, lembrado e considerado quando uma decisão importante precisa ser tomada.

A boa notícia é que ninguém precisa produzir conteúdo todos os dias para construir autoridade. O que faz diferença é a qualidade do conteúdo, a estratégia, organização e coerência empregadas. Porque, no ambiente digital atual, o mercado não reconhece apenas quem sabe mais, ele reconhece quem consegue transformar conhecimento em presença, presença em autoridade e autoridade em confiança.

O Instagram mudou. Hoje, crescer na plataforma depende menos de “hackear algoritmo” e mais de construir relevância consistente. No fim, o algoritmo não recompensa perfis zerados. Ele recompensa conteúdo que faz sentido para pessoas reais.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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