Quase 80% dos consumidores desconhecem que remédios têm preço máximo definido por lei, aponta Procon-SP

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Uma pesquisa realizada pelo Procon-SP revelou que quatro em cada cinco consumidores desconhecem que a maioria dos medicamentos vendidos no Brasil possui um preço máximo autorizado por lei. O levantamento, realizado entre maio e junho deste ano com 1.819 pessoas, mostra que 79,1% dos entrevistados não sabem da existência do Preço Máximo ao Consumidor (PMC), limite estabelecido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O dado chama a atenção porque o custo dos medicamentos tem impacto direto no orçamento das famílias. Entre os consumidores que compram remédios, 88,1% afirmaram já ter deixado de adquirir algum medicamento devido ao preço, enquanto 94,9% disseram pesquisar valores antes da compra.

Segundo o Procon-SP, conhecer o PMC é uma ferramenta importante para o consumidor verificar se o valor cobrado pela farmácia está dentro do limite permitido. Mesmo entre as pessoas que afirmaram conhecer a existência desse teto, quase 30% disseram não saber onde consultar essa informação.

Consumidores buscam alternativas mais baratas

O levantamento também mostra que a alta dos preços tem levado muitos consumidores a buscar opções mais econômicas. Metade dos entrevistados (50,2%) afirmou substituir o medicamento prescrito pelo médico por um genérico ou outro similar de menor custo. Apenas 31,7% disseram comprar exatamente o medicamento indicado na receita.

Nos medicamentos vendidos sem prescrição, a experiência anterior do consumidor aparece como principal critério de escolha (34,2%), seguida da orientação do farmacêutico (27,1%).

CPF para desconto preocupa consumidores

Outro ponto destacado pela pesquisa é o fornecimento do CPF nas farmácias para obtenção de descontos. Segundo o levantamento, 71,2% dos consumidores informam o documento sempre que solicitado.

Apesar disso, a maioria admite não saber como seus dados pessoais são utilizados. Mais da metade dos entrevistados (54,3%) afirmou desconhecer o tratamento dado às informações, enquanto outros 35,2% disseram ter dúvidas sobre o assunto.

Para o Procon-SP, farmácias e drogarias precisam oferecer informações mais claras sobre o uso desses dados, informando se eles são compartilhados com laboratórios, planos de saúde, hospitais ou outras empresas, conforme determina a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Mudança no comportamento dos consumidores

Na comparação com a pesquisa realizada em 2025, aumentou o número de consumidores que desconhecem a existência do teto de preços dos medicamentos, passando de 74,8% para 79,1%.

Também cresceu a percepção de que a publicidade pode incentivar a automedicação, índice que passou de 66,1% para 70,3%.

Outro destaque foi o avanço das compras realizadas de forma combinada entre lojas físicas e plataformas digitais, comportamento adotado por 39,4% dos consumidores.

Como o consumidor pode economizar

O Procon-SP orienta que, antes de comprar qualquer medicamento, o consumidor pesquise os preços em diferentes estabelecimentos, consulte o Preço Máximo ao Consumidor (PMC), solicite informações sobre o tratamento de seus dados pessoais quando o CPF for exigido para descontos e, sempre que possível, converse com o médico sobre a possibilidade de utilizar medicamentos genéricos.

Segundo o órgão, o acesso à informação é um direito do consumidor e pode contribuir para uma compra mais segura, consciente e econômica.

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Foto: Marcello Casal Jr/Ag. Brasil

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