Precisamos de Paz

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Em outubro o país viveu um dos mais importantes momentos de sua vida democrática. Nas eleições presidenciais, a população exerceu, livremente pelo voto, seu direito de escolha. Após o resultado ser proclamado, surge um desafio ainda maior do que se eleger: promover o diálogo e restabelecer a convivência harmoniosa entre toda a sociedade. Nosso Brasil precisa de paz. Recentemente, o cenário político brasileiro tornou-se profundamente polarizado. Famílias se dividiram, amizades foram interrompidas, ambientes de trabalho e de lazer, transformaram-se em espaços de tensão por causa de diferenças políticas. Passou-se a enxergar aqueles que pensam diferente não apenas como adversários de ideias, mas como inimigos. Essa realidade enfraquece o tecido social, dificulta a construção de consensos e compromete a capacidade do país enfrentar seus verdadeiros desafios. A democracia não termina nas urnas. Pelo contrário, a democracia precisa demonstrar sua força no nosso cotidiano. Vencer ou perder faz parte do processo democrático e a vontade do povo deve ser sempre respeitada. Nenhum grupo político detém sozinho o monopólio da verdade ou do patriotismo. Todos os brasileiros, sem exceção, compartilham o mesmo território, enfrentam problemas semelhantes e desejam um futuro melhor para si e para suas famílias.

O Brasil enfrenta desafios urgentes nas áreas de educação, saúde, segurança pública, famílias endividadas, falta de moradias, combate à pobreza, desigualdade social, desenvolvimento econômico. Essas questões, para serem resolvidas, exigem cooperação entre governos, instituições, empresas e cidadãos. Nenhum problema nacional será combatido apenas por um partido político ou por um líder isolado. Não precisamos de nenhum “salvador da pátria”. Uma sociedade madura compreende que a diversidade de opiniões é uma riqueza, não uma ameaça. O Brasil é uma nação plural, e essa diversidade deve ser preservada e valorizada.

Quando a divisão domina o debate público, projetos importantes deixam de avançar. Ideias são rejeitadas não pelo seu mérito, mas pela origem política de quem as propõe. Esse ambiente dificulta reformas necessárias e reduz a confiança nas instituições democráticas. A paz social não significa ausência de divergências. Em uma democracia saudável, opiniões diferentes são naturais e até desejáveis. O problema surge quando o respeito desaparece e a intolerância e o ódio, assumem o protagonismo. O desenvolvimento de um país depende da capacidade de seus cidadãos discutirem ideias sem destruir relacionamentos. Respeitar quem pensa diferente não significa abandonar convicções pessoais. Significa reconhecer a dignidade do outro e admitir que ninguém possui todas as respostas. É possível defender ideias com firmeza sem recorrer à ofensa, à agressão verbal, ao desprezo.

É fundamental que nós, cidadãos e cidadãs do bem, retomemos a nossa capacidade de dialogar. O diálogo sincero permite reduzir preconceitos, compreender diferentes perspectivas e modos de pensar, encontrando pontos de convergência, e deixando de lado as divergências. Um cuidado mais do que especial, devemos tomar com as redes sociais. São instrumentos poderosos de comunicação, que está ao alcance de todas as pessoas, assim podem também amplificar conflitos, disseminar falsas informações, espalhando ódio criando desavenças. É responsabilidade de todos nós, o uso correto e adequado dessas plataformas visando a construção de um ambiente saudável, amigável e de paz. Parlamentares, governantes, formadores de opinião, sabem que suas palavras produzem um impacto direto sobre a sociedade. Devem estimular a paz pelo diálogo e deixar de lado o discurso odioso “de nós contra eles”. Não devemos dar audiência a quem propaga um discurso de ódio.

Passada a eleição, o Brasil precisa de paz. Devemos concentrar esforços naquilo que realmente importa: melhorar a vida das pessoas. Precisamos reencontrar o espírito de união que sempre caracterizou nosso povo e compreender que a democracia é fortalecida pelo respeito às diferenças. As disputas eleitorais são temporárias, mas a nação é permanente.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Foto: Valter Campanato/ABR

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