Motoristas de app convocam paralisação e carreata em SP contra projeto de lei

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Motoristas de aplicativo e entregadores organizam uma paralisação nacional nesta terça-feira (14), com protestos em São Paulo contra o Projeto de Lei Complementar 152/2025, que trata da regulamentação do setor.

A mobilização inclui uma carreata na capital paulista, com concentração a partir das 10h na Praça Charles Miller, seguindo em direção à sede da Uber, na zona oeste.

O movimento pressiona contra pontos do projeto que classificam as plataformas como intermediadoras e permitem a cobrança de até 30% sobre o valor das corridas.

Outro ponto criticado pela categoria é a definição dos trabalhadores como autônomos, o que, segundo os manifestantes, transfere responsabilidades aos motoristas em situações envolvendo passageiros.

A paralisação ocorre em meio à tramitação do projeto na Câmara dos Deputados, em Brasília, e busca chamar atenção para demandas por melhores condições de trabalho.

Além dos atos em São Paulo, o grupo também organiza uma mobilização nacional com deslocamento até a capital federal.

A expectativa é de impacto parcial nos serviços de transporte por aplicativo ao longo do dia.

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Foto: Rovena Rosa/Ag. Brasil

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Governo exige transparência de apps e quer revelar quanto motorista e entregador realmente recebem

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O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) determinou que empresas de aplicativos de transporte e entrega passem a informar, de forma clara, quanto do valor pago pelo consumidor fica com a plataforma e quanto é destinado a motoristas e entregadores. A medida será oficializada em portaria publicada nesta quarta-feira (25) no Diário Oficial da União.

Segundo o secretário Nacional do Consumidor, Ricardo Morishita Wada, a iniciativa busca garantir um direito básico previsto no Código de Defesa do Consumidor. “Sem transparência, o consumidor não pode escolher”, afirmou. O descumprimento poderá resultar em sanções administrativas, com multas que variam de R$ 500 a R$ 13 milhões.

A medida foi apresentada durante a divulgação do relatório final do Grupo de Trabalho Técnico (GTT) Interministerial de Entregadores por Aplicativo, em Brasília. O documento reúne ações que podem ser implementadas imediatamente pelo governo federal, sem necessidade de aprovação do Congresso.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu a iniciativa e criticou o modelo atual das plataformas. Segundo ele, a transparência permitirá expor quanto os trabalhadores recebem e o nível de lucro das empresas. “Nada como a transparência para mostrar quanto o trabalhador recebe”, declarou.

Além da nova regra, o governo também anunciou mudanças na área de saúde e segurança. Uma delas é a inclusão da categoria “trabalhador de plataforma digital” nas fichas do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), utilizadas por hospitais e unidades de saúde para registrar atendimentos.

Com isso, casos de acidentes envolvendo motoristas e entregadores poderão ser formalmente registrados como ocorrências relacionadas ao trabalho, o que pode facilitar o acesso à Justiça do Trabalho e a eventuais direitos trabalhistas.

A proposta foi bem recebida por representantes da categoria. Edgar Francisco da Silva, conhecido como Gringo Motoka e presidente da Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil (AmaBRA), afirmou que os profissionais enfrentam jornadas extensas e riscos constantes, sem apoio adequado das plataformas.

Outra medida anunciada prevê a criação de 100 pontos de apoio em capitais e regiões metropolitanas. Os espaços devem oferecer estrutura básica, como banheiro, água, vestiário, área de descanso e acesso à internet.

Para lideranças do setor, a iniciativa atende a uma demanda antiga. Junior Freitas, do Movimento dos Trabalhadores sem Direitos, destacou que os pontos de apoio representam condições mínimas de dignidade. Ele também defendeu a revisão da chamada “taxa mínima” das corridas, hoje estimada em R$ 7,50, com expectativa de aumento para R$ 10.

A remuneração, segundo ele, está diretamente ligada à segurança dos trabalhadores. “Quanto menos a gente ganha, mais fica exposto ao risco”, afirmou.

O tema deve seguir em debate no Comitê Interministerial responsável por monitorar e implementar políticas para trabalhadores por aplicativos, com participação do Ministério do Trabalho e Emprego e diálogo contínuo com a categoria.

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Foto: Fernando Frazão/Ag. Brasil

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