Câmeras de segurança registraram o momento em que pessoas tentam fugir segundos antes de uma avalanche de lama e água destruir construções e arrastar veículos na região do Himalaia
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que pessoas tentam escapar segundos antes de um grande deslizamento de terra atingir uma região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, nesta quarta-feira (26).
O vídeo mostra pessoas correndo enquanto uma enorme quantidade de lama e água avança rapidamente pela área, destruindo estruturas e arrastando veículos.
O desastre ocorreu na região de Gyirong, no Tibete, próxima à fronteira com o Nepal. Segundo informações das autoridades, a inundação repentina deixou ao menos 19 mortos e 384 desaparecidos, número que ainda pode aumentar.
Entre os desaparecidos, estão centenas de estrangeiros, incluindo cidadãos indianos.
Lama destruiu estradas e veículos
Além das construções atingidas, o desastre provocou danos em estradas, interrompeu comunicações e afetou o fornecimento de energia em áreas próximas à fronteira.
O transbordamento do rio Botecoche também provocou destruição em vilas e projetos hidrelétricos da região.
O administrador do distrito de Rasuwa, no Nepal, alertou para a possibilidade de um número maior de vítimas e prejuízos materiais.
As condições climáticas têm dificultado o acesso das equipes de resgate às áreas mais isoladas. Helicópteros foram mobilizados, enquanto o Exército do Nepal atua nas buscas e já conseguiu resgatar pessoas atingidas pela inundação.
As autoridades mantêm o alerta diante da previsão de novas chuvas fortes na região do Himalaia.
Familiares e amigos se despediram do jornalista Dom Phillips em um funeral realizado na manhã de domingo (26), em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. O profissional de imprensa foi assassinado no Vale do Javari, no Amazonas, onde estava a trabalho acompanhado do indigenista Bruno Pereira, que também foi morto.
A família do jornalista britânico chegou ao cemitério Parque da Colina por volta das 9h, quando começou o velório de Phillips. A cerimônia foi seguida da cremação de seus restos mortais, realizada no mesmo cemitério.
A viúva de Dom, Alessandra Sampaio, e a irmã do jornalista, Sian Phillips, leram pronunciamentos em português e inglês para a imprensa, destacando o amor do britânico pelo Brasil, seu compromisso com a conservação do meio ambiente e a necessidade de continuar sua luta.
Alessandra Sampaio agradeceu o apoio que recebeu dos povos indígenas, da imprensa, de amigos jornalistas e de todos que participaram das buscas e se solidarizaram com Dom, Bruno e suas famílias.
“Hoje, Dom será cremado no país que amava, seu lar escolhido, o Brasil”, disse. “Dom era uma pessoa muito especial, não apenas por defender aquilo que acreditava como profissional, mas também por ter um coração enorme e um grande amor pela humanidade”.
Alessandra Sampaio, mulher do correspondente, cercada de familiares, fala durante o funeral do jornalista inglês Don Phillips, no Cemitério Parque da Colina, em Niterói. – Tânia Rêgo/Agência Brasil
A viúva disse que a família seguirá atenta a todos os desdobramentos das investigações, “exigindo Justiça no significado mais abrangente do termo”, destacou. “Renovamos nossa luta para que a nossa dor e a da família de Bruno Pereira não se repitam, como também das famílias de outros jornalistas e defensores do meio ambiente, que seguem em risco”.
Casal planejava adoção
Sian Phillips contou que Alessandra e o jornalista planejavam adotar duas crianças brasileiras e lembrou que Dom era apaixonado pelo futebol, música e paisagens naturais do Brasil.
“Ao lembramos Dom como um amável, divertido e legal irmão mais velho, ficamos tristes que foi negada a ele a chance de compartilhar essas qualidades, como pai, à próxima geração.”, disse.
A irmã do jornalista destacou que ele foi um profissional que compartilhou um leque diverso de histórias sobre os brasileiros, de ricos e poderosos a moradores de favelas e povos indígenas.
“Ele foi morto porque tentou dizer ao mundo o que estava acontecendo com a floresta e seus habitantes. Sua missão confrontou os interesses de indivíduos que estão determinados a explorar a Floresta Amazônica sem se preocupar com o impacto destrutivo de suas atividades ilegais”, disse.
Sian Phillips, irmã do correspondente, cercada de familiares, fala durante o funeral do jornalista inglês Don Phillips, no Cemitério Parque da Colina, em Niterói. – Tânia Rêgo/Agência Brasil
Sian contou que Dom trabalhava no projeto de um livro sobre modelos de desenvolvimento sustentáveis que podem assegurar a preservação da Amazônia, tanto como lar dos povos tradicionais como fator estabilizante para o clima global.
“Dom entendeu a necessidade de uma mudança urgente tanto na abordagem política quanto econômica da conservação. Família e amigos estamos comprometidos a continuar este trabalho, mesmo nesse momento de tragédia. A história precisa ser contada”.
Mortos a tiros
Do lado de fora do cemitério, um grupo de manifestantes levou uma faixa que questionava: “Quem mandou matar Dom e Bruno?”. Segundo o inquérito da Polícia Federal, não há indícios de que haja mandantes na ação criminosa que matou os dois.
O jornalista e o indigenista foram vistos no Vale do Javari pela última vez no dia 5 de junho, e, após buscas, restos mortais foram encontrados no dia 15 de junho. No dia seguinte, os corpos foram levados para Brasília, onde foram periciados e identificados pelo Instituto Nacional de Criminalística.
Os restos mortais foram localizados em um local indicado pelo pescador Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como “Pelado”, que é um dos suspeitos do crime, confessou sua participação e foi preso.
Em nota divulgada no último dia 18, a Polícia Federal informou que Bruno Pereira foi morto com dois tiros na região abdominal e torácica, e um na cabeça, enquanto Dom Phillips levou um tiro no abdômen/tórax. A munição usada no assassinato foi típica de caça.
Dom Phillips era colaborador do jornal britânico The Guardian e já havia produzido reportagens sobre desmatamento na Floresta Amazônica. Bruno Pereira, por sua vez, era servidor licenciado da Funai e denunciava ameaças sofridas na região, informação confirmada pela PF. Ele atuava como colaborador da Univaja, uma entidade mantida pelos próprios indígenas da região, que tinha como foco impedir invasão da reserva por pescadores, caçadores e narcotraficantes.
Na última quinta-feira, a Polícia Federal transportou os corpos de Bruno e Dom de Brasília para os estados em que seriam realizados seus funerais. O corpo de Bruno Pereira foi velado e cremado na última sexta-feira, em Paulista, na região metropolitana do Recife (PE).
Por Vinícius Lisboa – Repórter da Agência Brasil – Foto: Tânia Rêgo/Ag. Brasil