Inteligência Artificial e a Desinteligência Natural

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A ministra Carmen Lúcia do STF, durante um debate na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) disse a seguinte frase: “Eu não tenho medo da inteligência artificial. Mas da desinteligência natural”. O debate sobre o acesso e uso da tecnologia digital está em alta em vários países do mundo. No Brasil não podia ser diferente. As plataformas digitais, que estão entre as empresas mais valiosas do planeta, obviamente querem o menor número de restrições possíveis. Para as “big-techs”, tudo o que é publicado pelas plataformas, caem na vala comum da “liberdade de expressão”. Para elas quem deve restringir os conteúdos é o próprio usuário. Mas, isto está mudando. Recentemente a Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, foi condenada, nos Estados Unidos, a pagar 17 bilhões de dólares, para encerrar um processo movido por dezenas de estados americanos. Uma das acusações foi que o Facebook e o Instagram viciavam crianças e adolescentes. A Meta também se comprometeu a desenvolver e implementar uma serie de restrições ao uso de suas plataformas, por faixa de idade. Outros processos contra as empresas de tecnologia continuam a correr em outros países. Por outro lado, o relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025, revelou que cerca de 48% dos alunos brasileiros usam Inteligência Artificial (IA) pelo menos uma vez por semana para estudar. O Pisa é realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Pessoalmente penso que a IA veio para ficar, não tem volta. E “muita água ainda vai passar por debaixo da ponte”, até que se chegue a regras que sejam aceitas e aplicáveis para todos e por todos. É inegável que a IA democratiza e facilita o acesso à informação. As ferramentas inteligentes oferecem explicações rápidas, resumos e exemplos que ajudam os estudantes a revisar conteúdos complexos. Em determinadas situações, como por exemplo, a pressão por bons resultados nos vestibulares, essa agilidade se torna um diferencial. Outro ponto que pode ser destacado é a personalização. A IA ajuda a aclarar lacunas de conhecimento e sugerem exercícios sob medida. Para alunos com dificuldades específicas, isso representa uma oportunidade de avançar no próprio ritmo, sem depender exclusivamente do tempo disponível em sala de aula. Além disso, o contato frequente com IA estimula habilidades valorizadas no mercado de trabalho, como pensamento crítico, criatividade e domínio de ferramentas digitais, competências cada vez mais valorizadas em carreiras tecnológicas e científicas.

Apesar dos benefícios, o uso indiscriminado da IA acende alertas. Professores relatam que alguns estudantes passaram a depender das ferramentas para produzir redações, resolver problemas matemáticos ou elaborar trabalhos escolares. A consequência é direta: perda de autonomia e dificuldade em desenvolver raciocínio próprio. Outro risco é a desinformação. Modelos de IA podem apresentar erros, dados desatualizados ou interpretações equivocadas. Sem checagem em fontes confiáveis, estudantes podem reproduzir informações incorretas em provas e trabalhos. A ética acadêmica também entra em pauta. O plágio, agora facilitado por textos gerados automaticamente, preocupa escolas. Muitas instituições já discutem políticas específicas para orientar o uso da tecnologia e preservar a autoria dos estudantes.

Como tudo na vida, o desejável equilíbrio, deve ser o futuro do uso da IA por todos. Educadores defendem que a IA deve ser vista com uma ferramenta de auxilio ao estudante. Ele ou ela devem usar a IA para revisar conteúdos, para pesquisas, para enriquecer seu conhecimento sobre determinado tema. Mas a leitura, a prática da escrita redacional, e o esforço intelectual continuam indispensáveis. Este artigo foi escrito com a ajuda da Inteligência Artificial. Gostou? Escreva para nós, não precisa de IA.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Imagem: Gerada por IA/Freepik

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Sua empresa está preparada para ser encontrada pela Inteligência Artificial?

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Durante anos, as empresas se preocuparam em aparecer no Google, conquistar seguidores nas redes sociais e conseguir espaço na imprensa. Essas estratégias continuam relevantes, mas a maneira como as pessoas procuram informações está mudando. Hoje, alguém pode perguntar a uma ferramenta de inteligência artificial qual é a melhor empresa de determinado segmento, pedir indicação de um profissional ou buscar alternativas para resolver um problema específico. A resposta pode apresentar nomes que o usuário sequer conhecia. Isso muda uma questão importante para os negócios: não basta pensar apenas em como aparecer. É preciso pensar em como a empresa é compreendida quando alguém procura por ela ou pelo problema que ela resolve.

Essa mudança traz uma nova dimensão para a construção de autoridade. Imagine uma pequena empresa com dez anos de experiência, bons clientes e profissionais qualificados. O empresário conhece profundamente seu mercado, mas sua presença digital se resume a algumas publicações nas redes sociais. Do outro lado, existe uma concorrente mais nova, mas com site estruturado, artigos, entrevistas, conteúdos especializados e profissionais que participam de discussões relevantes do setor. Qual das duas oferece mais informações para alguém que nunca teve contato com elas? A primeira pode ter mais experiência. A segunda, porém, deixou mais evidências públicas dessa experiência.

Esse ponto merece atenção porque a inteligência artificial não sabe que uma empresa é boa simplesmente porque o empresário sabe disso. Ela precisa encontrar informações disponíveis para formar uma compreensão sobre aquela marca. Por isso, reputação, conteúdo e presença digital começam a se aproximar ainda mais. O conhecimento que antes ficava restrito à empresa precisa encontrar caminhos para se tornar público.

Isso não significa que a resposta seja produzir cada vez mais conteúdo. Quantidade, por si só, não constrói autoridade. Uma grande quantidade de textos superficiais dificilmente será mais valiosa do que conteúdos que realmente demonstrem conhecimento e ajudem o público a compreender determinado assunto. Uma clínica pode explicar dúvidas frequentes dos pacientes. Um escritório pode analisar questões que afetam seus clientes. Uma indústria pode comentar tendências do setor e mostrar como determinados processos funcionam. Um consultor pode transformar sua experiência em artigos, entrevistas e análises. Aos poucos, a empresa deixa registros públicos daquilo que sabe fazer.

Todo esse conteúdo cumpre uma função que vai além das redes sociais. Ele ajuda a construir um conjunto de informações sobre a marca, seus profissionais, sua área de atuação e o conhecimento que possui. Quanto mais clara e consistente for essa presença, mais elementos existirão para que pessoas e sistemas compreendam o negócio.

A imprensa também passa a ter um papel interessante nesse cenário, já que uma reportagem publicada em um veículo de comunicação, uma entrevista concedida por um especialista ou uma análise assinada por um profissional cria uma referência externa sobre aquela empresa ou pessoa. Isso não significa que uma publicação na imprensa garanta que uma ferramenta de IA recomendará determinada marca. Seria incorreto afirmar isso. O que muda é a quantidade e a qualidade das referências disponíveis para que pessoas e sistemas consigam compreender quem está por trás daquele negócio e qual é sua experiência.

Por isso, a assessoria de imprensa pode ser pensada dentro de uma estratégia mais ampla de construção de autoridade. Não se trata apenas de conseguir exposição, trata-se também de colocar conhecimento e experiência em circulação, criando referências que permaneçam disponíveis depois que uma determinada notícia deixa de ser assunto do dia.

Existe uma pergunta que todo empresário deveria fazer neste momento: se alguém perguntar a uma ferramenta de inteligência artificial quem é minha empresa, o que ela faz, em que área atua e por que deveria ser considerada, existem informações suficientes para construir uma resposta consistente?

E não basta olhar apenas para o nome da empresa. É preciso observar o conjunto. Existem conteúdos que demonstram conhecimento? O site explica claramente o negócio? Os profissionais estão apresentados? Há entrevistas, artigos ou reportagens? A empresa aparece em fontes externas relevantes? O posicionamento está claro ou cada canal apresenta uma versão diferente da marca?

Não é possível controlar completamente o que uma inteligência artificial responderá sobre uma empresa. Mas existe muito que pode ser feito para melhorar a qualidade das informações que estão disponíveis sobre ela. Organizar o site, esclarecer os serviços, apresentar os profissionais, produzir conteúdos úteis, responder às dúvidas do público, participar de entrevistas e transformar conhecimento interno em informação pública são algumas dessas ações.

Isso vale também para pequenos negócios. Não é necessário ter uma grande equipe de marketing ou investir em estruturas complexas para começar. Uma empresa pode começar organizando aquilo que já sabe, identificando as dúvidas mais frequentes de seus clientes e transformando sua experiência em conteúdo. Pode explicar melhor o que faz, mostrar quem está por trás da operação e participar das conversas relevantes do seu mercado.

O objetivo não é estar em todos os lugares. É construir uma presença que faça sentido.

A inteligência artificial não criou a necessidade de uma empresa ter reputação, posicionamento e autoridade. Ela apenas tornou mais evidente a importância de deixar informações claras e consistentes disponíveis no ambiente digital. Afinal, quando uma empresa não comunica seu conhecimento, quem nunca teve contato com ela não tem como saber que esse conhecimento existe.

Durante muito tempo, uma empresa precisava ser encontrada pelo consumidor. Agora, precisa também oferecer informações suficientes para ser compreendida. Essa diferença muda a maneira como pensamos autoridade e comunicação.

A empresa que deseja ser reconhecida como referência não pode depender apenas daquilo que diz sobre si mesma. Precisa construir, ao longo do tempo, um conjunto de conteúdos e referências que permita ao mercado entender quem ela é, o que sabe fazer e qual valor entrega.

Lembre-se:
Autoridade não é apenas ser conhecido. É construir referências suficientes para que o mercado reconheça quem você é, o que sabe fazer e o valor que entrega.

Comunicação é um Ativo de Negócio.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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A nova disputa das marcas não é apenas por atenção. É por distribuição

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Durante muito tempo, a lógica da comunicação empresarial foi relativamente simples. A marca tinha algo para vender, definia uma campanha, comprava espaço na mídia e esperava alcançar o público. Esse modelo continua existindo, a publicidade não desapareceu e os meios tradicionais continuam relevantes. O que mudou foi a relação entre marca, conteúdo e audiência.

Hoje, chamar atenção uma vez já não é suficiente. A empresa precisa encontrar maneiras de continuar presente na vida das pessoas depois que a campanha termina. Parece uma mudança pequena, mas ela altera a forma como as marcas precisam pensar sua comunicação.

Imagine duas empresas com produtos semelhantes, as duas investem em publicidade e conseguem aparecer para o consumidor durante uma campanha. Quando o investimento termina, porém, a exposição diminui. Agora imagine uma terceira empresa que, além das campanhas, constrói uma presença contínua. Publica conteúdos úteis, compartilha conhecimento, mostra bastidores, apresenta pessoas, comenta assuntos relevantes para seu mercado e mantém canais próprios de relacionamento. Ela não precisa começar do zero a cada campanha porque ao longo do tempo, acumulou conteúdo, reconhecimento e uma audiência que já conhece sua voz.

É aí que entra uma palavra que merece mais atenção dos empresários.

Distribuição.

Não basta produzir um bom conteúdo se ninguém o encontra. Da mesma forma, não adianta investir continuamente para ser visto sem construir uma relação que permaneça depois que o anúncio desaparece. A nova disputa das marcas também acontece nos canais de distribuição. Isso não significa abandonar a mídia paga, mas deixar de depender exclusivamente dela.

Uma empresa pode combinar publicidade, imprensa, redes sociais, site, newsletter, eventos, vídeos, podcasts e outros canais. O ponto estratégico é fazer com que esses esforços não funcionem como ações isoladas, mas como partes de uma mesma estrutura de comunicação. A Red Bull oferece um dos exemplos mais conhecidos dessa lógica. A empresa construiu uma operação de mídia que vai muito além da divulgação da bebida.

A Red Bull Media House mantém plataformas próprias e produz conteúdos relacionados a esportes, cultura e estilo de vida. A estrutura inclui televisão, mídia digital, áudio, publicações e produção audiovisual. A empresa também mantém uma rede de parceiros de distribuição em diferentes mercados. A lição para uma pequena empresa não é criar uma estrutura semelhante. Isso seria inviável e desnecessário. O ponto é entender que conteúdo também pode fazer parte da estratégia de distribuição de uma marca.

Uma clínica pode produzir conteúdos que esclarecem dúvidas frequentes dos pacientes. Um escritório especializado pode transformar conhecimento técnico em artigos e vídeos. Uma pequena indústria pode mostrar processos, explicar tendências do setor e apresentar as pessoas que estão por trás da operação. Um restaurante pode falar de ingredientes, fornecedores, gastronomia e experiências, e não apenas divulgar o cardápio.

Em todos esses casos, a empresa deixa de usar o conteúdo somente para anunciar alguma coisa e passa a utilizá-lo para permanecer na conversa. Esse é um ponto especialmente importante para pequenos negócios. Muitas empresas acreditam que precisam publicar todos os dias para competir no ambiente digital. Não é necessariamente assim.

Mais importante do que produzir muito é construir uma linha editorial que tenha sentido para o negócio e possa ser sustentada ao longo do tempo. Um conteúdo pode apresentar uma solução, outro responder a uma dúvida, um terceiro mostrar conhecimento e outro contar uma história. Aos poucos, essas peças formam uma percepção mais ampla sobre a empresa.

É assim que o conteúdo deixa de ser apenas uma despesa de comunicação e começa a funcionar como um ativo de negócio.

Existe ainda uma mudança importante provocada pela inteligência artificial. Hoje, as pessoas já utilizam ferramentas de IA para pesquisar informações, comparar alternativas e encontrar respostas. Nesse ambiente, a empresa não controla exatamente quando ou onde será mencionada. Por isso, sua presença digital precisa oferecer informações consistentes, relevantes e suficientemente claras para serem encontradas e compreendidas pelas IAs.

Não se trata de produzir conteúdo para agradar máquinas. Trata-se de construir uma presença que faça sentido para as pessoas e que, ao mesmo tempo, possa ser interpretada pelos novos mecanismos de descoberta. No fim, a questão não é escolher entre publicidade, redes sociais, imprensa ou conteúdo próprio. A comunicação estratégica trabalha justamente na integração desses canais. A publicidade pode gerar alcance, a imprensa ampliar a credibilidade e reputação e as redes sociais aproximar a marca do público. Já o conteúdo próprio aprofunda o relacionamento, a newsletter cria recorrência e o site concentra conhecimento. Cada canal cumpre uma função diferente.

O problema começa quando a empresa precisa investir continuamente para continuar sendo vista. Sem uma estrutura própria de comunicação, cada nova campanha precisa reconquistar o público. Já uma audiência construída ao longo do tempo pode continuar acompanhando a marca.

Essa é uma mudança importante na forma de pensar comunicação. As empresas não precisam apenas disputar alguns segundos da atenção do consumidor. Precisam construir motivos para que ele queira continuar ouvindo.

A nova vantagem não está apenas em aparecer, mas está em ter algo relevante para dizer, um canal para dizer e uma audiência que reconheça valor no que a empresa tem a oferecer.

No mercado atual, quem depende exclusivamente de campanhas precisa comprar visibilidade repetidamente e quem constrói distribuição própria começa a construir presença. E presença, quando sustentada por conteúdo relevante e coerência, pode se transformar em um dos ativos mais valiosos de uma marca.

Lembre-se: Marcas que apenas compram visibilidade precisam disputar atenção continuamente. Marcas que constroem distribuição própria criam presença que permanece.

Comunicação é um Ativo de Negócio.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Por que empresas parecidas têm resultados tão diferentes? A resposta pode estar na reputação

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Dois concorrentes oferecem praticamente o mesmo produto, praticam preços semelhantes e atendem o mesmo público. Ainda assim, um deles costuma ser a primeira escolha dos clientes. O que explica essa diferença?

Nem sempre a resposta está na qualidade do produto, no preço ou no investimento em publicidade. Muitas vezes, ela está na reputação que a empresa construiu ao longo do tempo.

Esse é um aspecto que ainda recebe pouca atenção dos pequenos negócios. Boa parte dos empresários conhece profundamente seus produtos ou serviços. Explica diferenciais, fala sobre tecnologia, qualidade, atendimento e investimentos feitos para melhorar a operação. Tudo isso é importante. O problema é que, muitas vezes, a comunicação termina aí. Poucos dedicam o mesmo esforço para refletir sobre como desejam que sua empresa seja reconhecida pelo mercado.

É justamente nesse ponto que começa a diferença entre vender um produto e construir um negócio sólido.

Produtos podem ser copiados. Reputação não.

Uma empresa pode lançar um produto inovador hoje e, em pouco tempo, ver concorrentes oferecendo soluções semelhantes. O preço muda, a tecnologia evolui e os processos melhoram. O que realmente leva tempo para ser construído é a confiança.

A reputação é resultado da soma das experiências que clientes, parceiros, fornecedores, colaboradores e até pessoas que nunca compraram da empresa têm com a marca. Ela não nasce de uma campanha publicitária nem de um perfil ativo nas redes sociais. É construída diariamente, por meio da coerência entre aquilo que a empresa promete e aquilo que realmente entrega.

O maior erro de comunicação dos pequenos negócios não é divulgar pouco. É divulgar sem antes definir como desejam ser reconhecidos pelo mercado. Por isso, muitos concentram seus esforços em apresentar ofertas, lançamentos e produtos, mas quase nunca comunicam seus valores, sua história, seu propósito, seu conhecimento ou o impacto que geram na vida dos clientes.

Quando isso acontece, a empresa passa a competir apenas por preço, conveniência ou disponibilidade. E essa é uma disputa difícil de vencer.

Empresas lembradas apenas pelo produto tornam-se facilmente substituíveis. Já aquelas reconhecidas pela reputação constroem relacionamentos mais duradouros e desenvolvem uma vantagem competitiva muito mais difícil de copiar.

A reputação influencia decisões de compra

Antes de contratar um serviço ou comprar um produto, a maioria das pessoas pesquisa. Consulta avaliações, visita o site da empresa, analisa o LinkedIn dos sócios, lê comentários, procura reportagens, observa o conteúdo publicado e pede indicações. Em outras palavras, procura sinais de confiança. Essa avaliação acontece muito antes do primeiro contato comercial.

Ainda existe a ideia de que comunicar é apenas divulgar, mas a comunicação estratégica vai muito além disso. Ela ajuda a definir como a empresa deseja ser reconhecida, organiza as mensagens, fortalece o posicionamento, constrói reputação, desenvolve autoridade, aproxima públicos e contribui para que o mercado compreenda o valor do negócio. É por isso que defendo um conceito que orienta toda a minha atuação.

A comunicação deve ser tratada como um Ativo de Negócio.

Assim como uma empresa investe em pessoas, tecnologia e inovação, também precisa investir na forma como constrói sua reputação.

Hoje, esse desafio ganhou uma nova dimensão. Cada vez mais pessoas recorrem à inteligência artificial para buscar recomendações, comparar fornecedores e reunir informações antes de tomar uma decisão. Esses sistemas analisam conteúdos publicados, referências em veículos de comunicação, artigos, presença digital e diversos sinais de credibilidade. Isso significa que a reputação deixou de ser construída apenas na relação entre empresa e cliente. Ela também passa pela forma como a empresa é encontrada, interpretada e apresentada por sistemas de inteligência artificial.

Empresas que produzem conteúdo relevante, compartilham conhecimento e mantêm uma comunicação consistente tendem a construir sinais mais sólidos de credibilidade, tanto para as pessoas quanto para essas novas ferramentas.

Reputação também é estratégia

Não é necessário que o empresário se transforme em influenciador nem que publique conteúdo todos os dias. O que faz diferença é comunicar de forma coerente, explicar no que a empresa acredita, compartilhar conhecimento, mostrar como resolve problemas, valorizar sua equipe, demonstrar experiência e participar das conversas relevantes do seu mercado. Essas ações fortalecem a reputação muito mais do que uma sequência de publicações promocionais.

Neste ponto, vale fazer uma reflexão.

Se alguém pesquisar hoje pelo nome da sua empresa, encontrará apenas produtos e serviços ou encontrará também conhecimento, credibilidade, posicionamento e razões para confiar na sua marca?

A resposta ajuda a entender como sua empresa está construindo sua reputação. Empresas precisam vender, mas vendas sustentáveis são consequência da confiança. Produtos despertam interesse, promoções atraem atenção e a reputação gera preferência. Por isso, acredito que a comunicação não deve ser vista apenas como uma ferramenta de divulgação. Ela precisa fazer parte da estratégia do negócio, apoiando a construção de relacionamentos, fortalecendo a marca e criando valor ao longo do tempo.

Quando uma empresa comunica apenas o que vende, ela disputa espaço com seus concorrentes. Quando comunica o valor que entrega, a confiança que inspira e a reputação que constrói, ela passa a ocupar um lugar diferente na mente das pessoas. É essa diferença que transforma a comunicação em um verdadeiro Ativo de Negócio.

Empresas que apenas divulgam o que fazem competem por atenção. Empresas que constroem reputação criam motivos para serem escolhidas e lembradas.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


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Castello, Raposo e Rodoanel ampliam uso de inteligência artificial nas rodovias

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Castello Branco, Raposo Tavares, Rodoanel e outras rodovias recebem tecnologias capazes de identificar acidentes, veículos suspeitos e situações de risco em tempo real

O Governo de São Paulo está ampliando o uso de inteligência artificial nas rodovias concedidas do estado para fortalecer a segurança viária, agilizar o atendimento de ocorrências e integrar o monitoramento ao Programa Muralha Paulista.

As medidas envolvem a instalação de milhares de câmeras inteligentes, leitores automáticos de placas, sistemas de análise de tráfego e centros operacionais conectados 24 horas por dia às forças de segurança.

Segundo o governo, a iniciativa faz parte da estratégia de transformação digital da malha rodoviária paulista.

Mais de 4 mil câmeras integradas à segurança pública

Um dos principais projetos prevê a integração entre a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), a Artesp e a Arsesp.

Por meio da parceria, mais de 4 mil câmeras de monitoramento e cerca de 350 equipamentos de leitura automática de placas (OCR) passarão a fornecer informações em tempo real para o Programa Muralha Paulista, ampliando a capacidade de identificação de veículos roubados, foragidos da Justiça e outras ocorrências.

Rodoanel terá monitoramento inteligente

No Rodoanel Mário Covas, o Governo do Estado autorizou um investimento inicial superior a R$ 284 milhões para implantação do programa Rodoanel Seguro.

O projeto prevê monitoramento dos 174 quilômetros da via durante 24 horas por dia, utilizando:

  • câmeras 4K;
  • reconhecimento facial;
  • leitura automática de placas;
  • sensores para detectar invasões;
  • iluminação inteligente;
  • rede de fibra óptica em toda a extensão.

A inteligência artificial permitirá identificar acidentes, veículos parados, pedestres na pista e tentativas de invasão, reduzindo o tempo de resposta das equipes operacionais e da Polícia Militar Rodoviária.

Raposo e Castello recebem novas câmeras

Nos cerca de 75 quilômetros concedidos das rodovias Castello Branco (SP-280) e Raposo Tavares (SP-270) já operam 48 câmeras inteligentes, enquanto outras 177 estão sendo instaladas para ampliar a cobertura do monitoramento.

As rodovias também recebem o Sistema Analisador de Tráfego (SAT), tecnologia capaz de contar, pesar e classificar veículos, além de registrar velocidades médias e fornecer dados para a gestão do tráfego.

Outro recurso disponível aos usuários é o sistema digital de solicitação de ajuda, que permite acionar as equipes de atendimento mesmo sem consumo de dados móveis.

Inteligência artificial identifica situações de risco

As novas câmeras utilizam inteligência artificial para detectar automaticamente diferentes situações, entre elas:

  • acidentes;
  • veículos parados;
  • circulação na contramão;
  • pedestres na pista;
  • objetos sobre a via;
  • uso de celular ao volante;
  • motoristas sem cinto de segurança (em alguns corredores rodoviários).

Os alertas são enviados automaticamente aos Centros de Controle Operacional (CCOs), permitindo respostas mais rápidas.

Atendimento digital e integração com aplicativos

Além do monitoramento, o Governo de São Paulo também amplia os serviços digitais nas rodovias.

Entre as novidades estão:

  • totens de autoatendimento com chamada de vídeo;
  • atendimento por WhatsApp;
  • assistente virtual para usuários dos pórticos eletrônicos;
  • cobertura 4G em novos trechos;
  • integração entre os Centros de Controle Operacional e aplicativos como o Waze, permitindo o compartilhamento de informações sobre acidentes, congestionamentos e ocorrências em tempo real.

Segundo o Governo do Estado, o objetivo das novas tecnologias é reduzir acidentes, melhorar a fluidez do trânsito, aumentar a segurança dos usuários e tornar a operação das rodovias paulistas mais eficiente.

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Foto: Divulgação/Ecovias Raposo Castello

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Castello Branco terá câmeras com IA para flagrar uso de celular e falta de cinto

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Tecnologia será expandida para a rodovia após testes na Raposo Tavares; autuações só acontecem após validação da Polícia Militar Rodoviária

Motoristas que utilizam a Rodovia Castello Branco (SP-280) passarão a contar com um novo sistema de fiscalização baseado em inteligência artificial. A tecnologia, desenvolvida pela Ecovias Raposo Castello, será utilizada para identificar comportamentos de risco, como o uso de celular ao volante e a falta do cinto de segurança.

Diferentemente dos radares de velocidade, as câmeras inteligentes não aplicam multas automaticamente. O sistema apenas identifica possíveis infrações e encaminha as imagens para análise da Polícia Militar Rodoviária. Somente após a confirmação visual feita por um policial é que uma autuação poderá ser emitida, conforme prevê a legislação brasileira.

Como funciona a fiscalização com inteligência artificial

Os equipamentos utilizam algoritmos de visão computacional capazes de monitorar veículos em movimento durante o dia e também à noite.

O processo acontece em três etapas:

  • A inteligência artificial identifica indícios de infrações, como uso do celular ou ausência do cinto de segurança;
  • As imagens são encaminhadas para análise da Polícia Militar Rodoviária;
  • Apenas após a validação humana a infração pode resultar em multa. Caso não seja possível confirmar a irregularidade, o registro é descartado.

Segundo a concessionária, a tecnologia atua como ferramenta de apoio à fiscalização e não substitui o trabalho dos policiais.

Testes já apontam mais de mil possíveis infrações

O sistema já está em operação experimental na Rodovia Raposo Tavares (SP-270), nos quilômetros 19 e 28.

De acordo com a Ecovias Raposo Castello, em apenas 72 horas de funcionamento, os equipamentos registraram mais de mil indícios de infrações.

As ocorrências mais frequentes foram:

  • motoristas dirigindo sem o cinto de segurança;
  • passageiros sem o cinto;
  • uso de telefone celular durante a condução.

A concessionária afirma que os resultados reforçam o potencial da tecnologia para reduzir comportamentos que aumentam o risco de acidentes.

Velocidade média ainda depende de regulamentação

Outro projeto em estudo é a implantação da fiscalização por velocidade média.

Nesse modelo, o sistema calcula o tempo gasto pelo veículo entre dois pontos da rodovia para verificar se a velocidade média ultrapassou o limite permitido.

Segundo a concessionária, a tecnologia já existe, mas sua utilização ainda depende de regulamentação e debates sobre a legislação brasileira.

Celular e falta de cinto aumentam o risco de acidentes

Dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) mostram que o uso do cinto de segurança reduz o risco de morte em cerca de 60% para ocupantes dos bancos dianteiros e 44% para passageiros do banco traseiro.

Já o uso do celular ao volante pode aumentar em até 400% o risco de acidentes. Durante a digitação de mensagens, esse risco pode ser até 23 vezes maior, segundo a entidade.

A expectativa é que a expansão do sistema para a Castello Branco contribua para reduzir essas infrações e aumentar a segurança viária.

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Foto: Edson Mesquita Jr/Hora SP

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O mercado que muitos pequenos negócios ainda ignoram – por Adriana Vasconcellos Soares

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Durante muito tempo, boa parte das estratégias de marketing concentrou seus esforços em conquistar consumidores mais jovens. Afinal, acreditava-se que inovação, consumo e crescimento estavam diretamente ligados às novas gerações. Mas os números mostram que essa lógica já não explica completamente o mercado brasileiro. Uma parcela cada vez mais ativa da economia é formada por pessoas com mais de 50 anos. Conhecida como “geração prateada” ou “economia prateada”, essa população reúne profissionais experientes, consumidores com maior poder aquisitivo e pessoas que permanecem economicamente ativas por muito mais tempo do que ocorria décadas atrás.

Dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que, somente em 2024, brasileiros entre 50 e 79 anos produziram cerca de R$ 89 bilhões por mês em renda do trabalho, o equivalente a 20% de toda a renda do trabalho do país. Além disso, essa parcela da população movimenta outros R$ 12 bilhões mensais provenientes de aposentadorias e pensões, ampliando significativamente sua capacidade de consumo.

Mais do que números, esse cenário revela uma mudança de comportamento. A ideia de que pessoas acima dos 50 anos estão encerrando a vida profissional já não reflete a realidade de uma parcela significativa da população. Muitos permanecem no mercado por escolha, ocupando cargos de liderança, atuando como consultores, empreendedores, professores e profissionais liberais. Outros iniciam uma segunda ou até uma terceira carreira, expressão utilizada para descrever profissionais que, após anos de experiência em uma área, decidem empreender ou seguir um novo caminho profissional. Há ainda quem permaneça trabalhando simplesmente porque deseja continuar produzindo, aprendendo e participando da vida econômica e social.

Ao mesmo tempo, trata-se de um público mais escolarizado, com maior expectativa de vida, mais autonomia financeira e disposição para investir em qualidade de vida, viagens, saúde, educação, tecnologia, lazer e experiências. Apesar disso, muitas pequenas empresas continuam direcionando praticamente toda sua comunicação para públicos mais jovens. Esse talvez seja um dos maiores erros estratégicos de posicionamento.

Quem conversa apenas com um perfil de consumidor pode deixar de enxergar um mercado altamente qualificado, fiel e disposto a consumir produtos e serviços que atendam suas necessidades reais.

Mas conquistar esse público não depende apenas de adaptar campanhas publicitárias, o maior desafio é construir confiança. É justamente nesse contexto que a comunicação estratégica e a assessoria de imprensa assumem um papel fundamental.

Consumidores mais maduros costumam valorizar reputação, credibilidade e histórico antes de tomar decisões. Eles pesquisam, comparam informações, procuram referências e tendem a confiar mais em empresas que demonstram autoridade no mercado.

Nesse contexto, entrevistas, reportagens, artigos assinados e presença recorrente na imprensa funcionam como importantes elementos de validação. Quando uma empresa aparece em veículos de comunicação explicando tendências, compartilhando conhecimento ou oferecendo orientações ao mercado, ela deixa de ser apenas mais uma opção comercial e passa a ser percebida como referência.

Esse movimento ganha ainda mais importância com o avanço da inteligência artificial. Ferramentas como Google AI Overviews, ChatGPT, Gemini e Perplexity passaram a utilizar conteúdos publicados em fontes confiáveis para construir respostas aos usuários. Isso significa que uma estratégia consistente de assessoria de imprensa fortalece não apenas a reputação perante as pessoas, mas também aumenta a presença digital em ambientes utilizados pelas inteligências artificiais.

Para pequenos negócios, essa pode ser uma oportunidade importante. Enquanto grandes empresas disputam investimentos elevados em mídia paga, negócios locais podem conquistar espaço produzindo conteúdo útil, compartilhando conhecimento especializado e construindo autoridade por meio da imprensa. Mais do que vender produtos, trata-se de construir relacionamento com um público que valoriza experiência, consistência e confiança.

O envelhecimento da população brasileira costuma ser apresentado como um desafio econômico. No entanto, especialistas defendem que ele também representa uma oportunidade de desenvolvimento, desde que empresas e governos saibam aproveitar o potencial produtivo e consumidor dessa geração.

Para quem atua com pequenos negócios, a mensagem é clara, talvez o próximo grande mercado para sua empresa não esteja nas novas gerações. Ele pode estar justamente entre consumidores que acumulam experiência, renda, tempo e disposição para continuar investindo em qualidade de vida. A diferença é que essas pessoas não procuram apenas preço. Elas procuram confiança. E a confiança continua sendo construída por meio de comunicação, reputação e autoridade.

A disputa não acontece apenas por visibilidade, ela acontece por confiança. E confiança continua sendo um dos ativos mais valiosos para qualquer negócio. No ambiente digital atual, ser encontrado é importante, mas ser reconhecido como uma fonte confiável pode fazer toda a diferença quando um cliente, um parceiro ou até mesmo uma inteligência artificial precisa escolher quem merece ser lembrado.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Câmeras com IA flagram mais de mil infrações em três dias na Raposo Tavares

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A Ecovias Raposo Castello registrou mais de mil indícios de infrações de trânsito em apenas 72 horas após iniciar a operação de câmeras equipadas com inteligência artificial (IA) na Rodovia Raposo Tavares. A tecnologia foi implantada com o objetivo de reforçar a segurança viária e deverá ser ampliada para outros trechos da Raposo Tavares e da Castello Branco nos próximos meses.

Segundo a concessionária, a maior parte das ocorrências está relacionada à falta do uso do cinto de segurança. Do total de registros, 40% envolvem passageiros sem o equipamento de proteção, 30% motoristas sem cinto e outros 30% flagraram condutores utilizando o celular ao volante.

A tecnologia foi implantada com o objetivo de reforçar a segurança viária. | Imagem: Divulgação/Ecovias Raposo Castello

As câmeras operam de forma ininterrupta, captando imagens de alta resolução durante o dia e à noite, mesmo com veículos em alta velocidade. O sistema identifica possíveis infrações, registra as evidências e encaminha as imagens aos órgãos competentes, responsáveis pela análise e eventual aplicação das penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro. A Ecovias destaca que não possui poder para autuar motoristas.

Imagem: Divulgação/Ecovias Raposo Castello

De acordo com o gerente de Operações da concessionária, Vinícius Antonioli, os comportamentos identificados representam riscos elevados para todos os usuários da rodovia.

Dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) mostram que o uso do cinto de segurança reduz em pelo menos 60% o risco de morte para ocupantes do banco dianteiro e em 44% para quem viaja no banco traseiro. Já o uso do celular ao volante pode aumentar em até 400% o risco de acidentes e em até 23 vezes a chance de envolvimento em sinistros durante a digitação de mensagens.

Segundo a Ecovias, novas câmeras com inteligência artificial deverão ser instaladas em pontos estratégicos das rodovias Raposo Tavares e Castello Branco, ampliando o monitoramento e o apoio às ações de segurança viária.

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Fotos: Divulgação/Ecovias Raposo Castello

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Como pequenos negócios podem ganhar autoridade em um mundo dominado pela inteligência artificial – por Adriana Vasconcellos Soares

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Durante muitos anos, a visibilidade de pequenas empresas dependia principalmente de publicidade, indicação de clientes e presença nas redes sociais. Hoje, a lógica da comunicação está mudando rapidamente. A inteligência artificial está transformando a forma como as pessoas pesquisam informações, escolhem fornecedores e tomam decisões de compra.

Nesse novo cenário, a assessoria de imprensa deixa de ser uma ferramenta utilizada apenas por grandes empresas e passa a ocupar um papel estratégico também para pequenos negócios. A mudança acontece porque a inteligência artificial alterou o caminho da informação.

Ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity e os próprios resumos gerados pelo Google passaram a responder perguntas dos usuários antes mesmo que eles visitem um site. Quando alguém procura por um profissional, uma empresa ou uma solução para determinado problema, muitas vezes recebe uma resposta pronta, baseada em conteúdos considerados confiáveis pelos sistemas de inteligência artificial. E é justamente nesse ponto que a imprensa ganha relevância.

Credibilidade passa a valer mais do que alcance

As redes sociais continuam importantes, mas enfrentam um desafio crescente. O volume de conteúdo produzido diariamente é tão grande que conquistar atenção se tornou cada vez mais difícil. Além disso, alcance não significa necessariamente confiança. Uma publicação pode alcançar milhares de pessoas e ainda assim gerar pouco impacto na percepção do público. Já uma reportagem, uma entrevista ou um artigo publicado em um veículo de comunicação costuma carregar um elemento que nenhuma rede social consegue reproduzir integralmente, a credibilidade editorial.

Quando uma empresa é citada por um veículo de imprensa, ela passa por um processo de validação que fortalece sua reputação perante clientes, parceiros e mercado. Na era da inteligência artificial, esse reconhecimento ganha uma dimensão adicional, já que as IAs tendem a utilizar fontes consideradas confiáveis para construir respostas e recomendações. Isso significa que a presença em veículos de comunicação pode contribuir para aumentar a autoridade digital de uma marca.

Pequenas empresas também podem ser referência

Existe uma percepção equivocada de que assessoria de imprensa é um recurso exclusivo para grandes corporações. Na prática, pequenos negócios possuem algo extremamente valioso para a imprensa, que são histórias reais, conhecimento especializado e conexão direta com problemas que afetam a vida das pessoas.

Empresas familiares, profissionais liberais, clínicas, escritórios, consultorias e prestadores de serviço acumulam experiências que podem gerar pautas relevantes para veículos locais, regionais e até nacionais. O desafio não está na falta de conteúdo, mas na capacidade de transformar conhecimento em informação de interesse público.

É exatamente esse o papel da assessoria de imprensa.

Mais do que divulgar produtos ou serviços, ela identifica oportunidades de posicionamento, constrói narrativas relevantes e conecta especialistas aos temas que estão em discussão na sociedade.

Autoridade digital não se constrói apenas com algoritmos

Muitas empresas concentram seus esforços exclusivamente nas redes sociais. Embora essas plataformas sejam importantes, elas estão sujeitas a mudanças constantes de algoritmo, alcance e comportamento do usuário. Por isso, uma estratégia baseada apenas em redes sociais cria dependência de plataformas que a empresa não controla.

A assessoria de imprensa ajuda a diversificar essa presença.

Entrevistas, reportagens, artigos de opinião e participações em pautas jornalísticas geram ativos de reputação que permanecem disponíveis por muito mais tempo. Além disso, fortalecem a presença da marca em ambientes que podem ser utilizados como referência por buscadores e sistemas de inteligência artificial. Em outras palavras, a empresa deixa de depender apenas da própria comunicação e passa a contar também com reconhecimento externo.

A nova disputa é por confiança

A inteligência artificial está tornando a informação mais acessível, mas também está ampliando a necessidade de fontes confiáveis. Quanto maior o volume de conteúdo disponível, maior a importância da credibilidade. Nesse contexto, pequenas empresas que investem em reputação, relacionamento com a imprensa e construção de autoridade tendem a ganhar vantagem competitiva.

A disputa não acontece apenas por visibilidade, ela acontece por confiança. E confiança continua sendo um dos ativos mais valiosos para qualquer negócio. No ambiente digital atual, ser encontrado é importante, mas ser reconhecido como uma fonte confiável pode fazer toda a diferença quando um cliente, um parceiro ou até mesmo uma inteligência artificial precisa escolher quem merece ser lembrado.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Smart+ de Santana de Parnaíba identifica veículo dublê e ajuda a recuperar carro furtado

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O sistema Smart+, utilizado pela Prefeitura de Santana de Parnaíba, identificou mais um veículo dublê e contribuiu para a recuperação de um automóvel furtado na capital paulista. A irregularidade foi detectada por meio da inteligência artificial integrada ao sistema de monitoramento, que apontou a circulação simultânea do mesmo veículo em Santana de Parnaíba e na cidade de Colombo, no Paraná.

Após o alerta, os operadores do sistema acionaram a Guarda Civil Municipal (GCM), que iniciou diligências e localizou o veículo estacionado nas proximidades da região central da cidade. A abordagem foi realizada quando a condutora retornou ao automóvel.

Durante a vistoria, os agentes constataram indícios de adulteração nos sinais identificadores do veículo, incluindo divergências no chassi gravado nos vidros, etiquetas de identificação e falhas na leitura dos QR Codes das placas.

Com o auxílio de um scanner OBD, equipamento capaz de acessar informações diretamente do módulo eletrônico do veículo, os agentes identificaram o chassi original e verificaram que o automóvel havia sido furtado em 4 de maio de 2026, na cidade de São Paulo.

A condutora informou que havia adquirido o veículo recentemente e apresentou documentos da negociação. As investigações apontaram ainda que o vendedor possuía diversas ocorrências relacionadas ao crime de receptação e, na mesma data, estava sendo preso em flagrante pelo mesmo delito no município de Barueri.

A ocorrência foi apresentada na Delegacia de Polícia, onde foram registrados os procedimentos de localização e apreensão do veículo, além do crime de adulteração de sinais identificadores de veículo automotor.

Segundo a administração municipal, a atuação reforça a importância da integração entre tecnologia, inteligência artificial e forças de segurança para ampliar a proteção da população e combater crimes relacionados a furtos e clonagem de veículos.

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Fotos: Reprodução/Redes Sociais/PMSP

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