CAOS, DOR, SOFRIMENTO – por Celso Tracco

3 0
Read Time:3 Minute, 26 Second

Dentre todas as espécies conhecidas, o ser humano foi a que melhor desenvolveu o cérebro e com isso passa a raciocinar, a prever, a ter estratégias para enfrentar e se adaptar a qualquer situação, por mais inesperada e difícil que pareça. Infelizmente, também usa suas habilidades cognitivas, para fazer o que mais aprecia: guerrear, matar, conquistar territórios, escravizar prisioneiros, expandir domínios, eliminar possíveis ameaças, destruir a natureza. Isso não é de hoje, o famoso livro A Arte da Guerra, atribuído ao estrategista Sun Tzu, foi escrito na China há 2.500 anos. Um dos mais antigos tratados sobre o tema “guerra”. A obra tem 13 capítulos e fala da estratégia militar, planejamento, conhecimento do inimigo e flexibilidade tática. A Ilíada e a Odisseia poemas escritos pelo poeta grego Homero, são ainda mais antigos. Homero viveu entre os anos de 750 e 650 a.C. Os poemas enaltecem os guerreiros e heróis gregos, reais ou imaginários, mas sempre combatentes. Essa obra é considerada fundamental para se entender a cultura ocidental. Portanto, não é de hoje que a humanidade, no ocidente ou oriente, adora, admira, e deseja guerras. A maneira de convivência das diversas culturas humanas, certamente mudou muito nos últimos 30 séculos, mas a cobiça, a arrogância, a ganância, o desejo de conquistar, de acumular poder, de ser “o rei dos reis”, a indiferença pela vida dos outros, a exploração dos inimigos, não mudou. Continuamos com o título da mais cruel, sanguinária, bárbara, impiedosa espécie que já surgiu na face da Terra. Gostamos de enaltecer aqueles ou aquelas que a sociedade atual classifica como vencedores, atribuindo-lhes o título de: “águia ou falcão, leão ou tigre, tubarão”. Não importa onde seja: no ar, terra ou água, imitamos os maiores predadores.

Certamente ficamos indignados, vendo crianças sendo mortas em salas de aula, cidades destruídas, instalações civis de infraestrutura sendo deliberadamente bombardeadas. A intenção do atacante é clara: deixar a população inimiga padecer de fome e de sede. E isso é feito em nome de Deus, matar inocentes em nome de Deus! Deixando claro que isso acontece com qualquer dos lados em litígio. O Deus pode ser Jesus Cristo, Alá ou Javé. Pode ser chamada de cruzada ou guerra santa, o importante é que a matança de inocentes, segundo os senhores da guerra, é obra de Deus. É inacreditável que uma raça conhecida pela sua capacidade cognitiva, racional, mesmo depois de 40 séculos de história, comprovadamente recheada de genocídios sangrentos, ainda cultive uma cultura de guerra, de morte e destruição, em detrimento de uma cultura de paz, de entendimento mútuo, de compreensão. A marcha da insensatez humana não tem fim.

Há 120 anos, os Estados Unidos da América, alcançaram o posto da maior potência econômica e militar do mundo, e permanecem assim até hoje. Baseado na teoria do manda quem pode, nos últimos 80 anos o Estados Unidos já interferiu militarmente em dezenas de países, sempre com o pretexto de “proteger a democracia” e seus próprios interesses. Destaco alguns: Coreia (1950-1953); Vietnã (1955-1975); Kuwait (1991); Iraque (2003-2005); Afeganistão (2001- 2022). Essas intervenções deixaram milhões de vítimas, entre civis e militares. As baixas militares americanas, são estimadas em torno de 104.000 mortos e 305.000 feridos. Vietnã, Iraque e Afeganistão, são intervenções classificadas como verdadeiros fracassos. Os Estados Unidos, apesar de todo seu poderio econômico e militar, não alcançaram os objetivos iniciais que levaram o país à guerra. Será que valeu a pena? E agora, valerá a pena? Não tenho essa resposta, o que sei é que o caos, a dor e o sofrimento, para todos os envolvidos, já estão assegurados.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Alexandre Frota retorna à sessão da Câmara Municipal de Cotia

0 0
Read Time:34 Second

O vereador Alexandre Frota (PDT) retornou as sessões na Câmara de Cotia, nesta terça-feira (3), após retomar o mandato em dezembro de 2025.

Na primeira sessão de 2026, Frota pregou harmonia na Casa de Leis e disse não guardar rancor de colegas parlamentares ou de outros políticos.

Frota havia tido o mandato de vereador cassado, em outubro de 2025, em decorrência de uma condenação judicial relacionada a acusações sem prova feitas contra o ex-deputado federal Jean Wyllys.

Qual sua opinião sobre o retorno de Frota à Câmara de Cotia? Deixe um comentário.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Reprodução/CMC

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Início do Ano Escolar e Agenda Infantil – por Dra. Vera Resende

0 0
Read Time:2 Minute, 28 Second

O início do ano escolar é um momento oportuno para refletir sobre o que está acontecendo com a infância e sobre a forma como temos conduzido a vida das crianças. Até alguns anos atrás esse questionamento seria improvável. A infância era marcada pela despreocupação e pelas brincadeiras. Hoje muitas crianças quase não têm tempo para brincar. Suas rotinas estão preenchidas por uma agenda extensa de atividades e quando conseguem um intervalo as brincadeiras se limitam aos jogos de computador, muitas vezes de modo solitário. Surge então a dúvida. Essa nova tendência realmente favorece o desenvolvimento infantil?

Vivemos em uma sociedade que parece não reservar espaço para a criança. Muitas permanecem confinadas em casas pequenas e são mantidas em excesso de compromissos na tentativa de protegê-las da violência das ruas. Em outros casos a intenção é acelerar a preparação para o futuro. Um dos reflexos mais negativos desse modelo é o prejuízo para a sociabilidade. As relações humanas hoje estão marcadas pelo medo e pela desconfiança. A tolerância, a compaixão e a solidariedade aparecem com menos frequência e isso dificulta o enfrentamento de situações que exigem diálogo e negociação.

Uma agenda programada integralmente pelos adultos compromete o desenvolvimento do senso de responsabilidade. A criança não aprende a administrar o próprio tempo porque nunca teve a oportunidade de organizá-lo. Isso gera dificuldades quando ela precisa lidar com tarefas e compromissos assumidos por iniciativa própria. A infância precisa de tempo ocioso. É nesse espaço que a imaginação se desenvolve, que surgem as brincadeiras e que a convivência entre pares se fortalece.

Além da falta de uma rede de amigos criada pelas próprias crianças, muitas têm poucos irmãos ou nenhum e poucos primos. Com isso convivem menos com outras crianças da mesma idade. Essa convivência faria diferença na troca de experiências e ajudaria no distanciamento natural dos assuntos do mundo adulto. É importante observar o contexto que sustenta esse modelo educativo e reconhecer seus efeitos no desenvolvimento da sociabilidade. Em muitas famílias as crianças se tornam depositárias das expectativas dos pais. Muitos adultos projetam nos filhos seus ideais de autorrealização e sucesso. A sociedade atual é competitiva e cria a impressão de que todos precisam demonstrar felicidade e êxito. Esse ambiente não protege as crianças. Ele se torna fonte de ansiedade e interfere no seu bem-estar.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Novo presidente do CIOESTE, Gregório Maglio comandará o maior consórcio de municípios do país

1 0
Read Time:1 Minute, 11 Second

O prefeito de Pirapora do Bom Jesus, Gregório Maglio, foi eleito nesta terça-feira (20) como novo presidente do CIOESTE (Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de São Paulo). A escolha ocorreu durante assembleia realizada na sede da entidade. O prefeito de Itapevi, Marcos Ferreira Godoy, o Teco, foi eleito vice-presidente.

Ao assumir o cargo, Maglio afirmou que a gestão terá como foco o fortalecimento da atuação regional e a manutenção do protagonismo do consórcio no cenário nacional. Já Teco destacou a importância da integração entre os municípios para enfrentar desafios comuns e ampliar a representatividade política junto aos governos estadual e federal.

A assembleia contou com a presença do secretário-executivo do consórcio, Jorge Lapas, além de diretores do CIOESTE.

Fundado em 2013, o CIOESTE começou com 13 municípios e atualmente reúne 15 cidades da Região Oeste Metropolitana de São Paulo, incluindo a capital paulista. O consórcio representa mais de 14 milhões de habitantes e é considerado o maior do Brasil em número de municípios e relevância econômica, abrangendo cidades como Osasco e Barueri e respondendo por parcela significativa do PIB estadual e nacional.

Kauãn Berto e Guto Issa estiveram na presidência do Consórcio Intermunicipal em 2025. – Foto: Reprodução/CIOESTE

Gregório Maglio e Teco sucedem Guto Issa, prefeito de São Roque, que presidiu o consórcio ao longo de 2025, ao lado do então vice-presidente Kauãn Berto, prefeito de Cajamar.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Reprodução/CIOESTE

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Polícia Civil prende 12 suspeitos por adulteração de cervejas em galpão clandestino na Grande SP

0 0
Read Time:55 Second

A Polícia Civil prendeu, na manhã desta terça-feira (23), 12 homens flagrados adulterando rótulos e tampas de cervejas em um galpão clandestino localizado no bairro Parque São Pedro, em Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo.

Segundo a corporação, após período de campana, os agentes constataram que o grupo substituía embalagens originais por rótulos de marcas superiores, com o objetivo de elevar a margem de lucro. Os produtos adulterados eram, em seguida, redistribuídos para pontos do comércio local.

No local, foram apreendidas 830 caixas de cerveja — cada uma com 24 garrafas — além de duas prensas utilizadas no processo de adulteração. Todo o material foi recolhido para perícia.

Os suspeitos que estavam no depósito foram conduzidos à delegacia, onde prestaram depoimento e acabaram indiciados por falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais, além de crime contra as relações de consumo. Todos permaneceram detidos e estão à disposição da Justiça.

Exames periciais foram solicitados para subsidiar a investigação. O caso foi registrado no 1º Distrito Policial de Itaquaquecetuba, que dará prosseguimento às apurações.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Thanh Serious/Unsplash

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Planejar agora para crescer em 2026 – por Adriana Vasconcellos Soares

0 0
Read Time:3 Minute, 59 Second

Os presentes já estão embaixo da árvore, os panetones ocupam as mesas e o ritmo do calendário começa a desacelerar. Para muitas empresas, profissionais liberais e marcas pessoais, esse período costuma ser associado à pausa. Para quem atua de forma estratégica, no entanto, é exatamente o início de um novo ciclo. Em comunicação, antecipar decisões é o que garante espaço no futuro. O próximo ano já começou agora para quem entende que visibilidade não se improvisa.

E 2026 tende a ser tudo menos silencioso. Copa do Mundo, eleições, grandes eventos nacionais e internacionais, feriados estrategicamente distribuídos e um fluxo intenso de informações disputando atenção diariamente. Em um cenário tão competitivo, apenas existir não sustenta posicionamento. É preciso ser visto, lembrado e reconhecido como referência, especialmente por empresas B2B, médicos, advogados, executivos e empreendedores que competem por credibilidade em mercados cada vez mais saturados.

É nesse contexto que a assessoria de imprensa se consolida como uma estratégia central de comunicação. Diferentemente da publicidade paga, que depende de investimentos constantes e enfrenta custos crescentes, a presença editorial oferece algo que não se compra. Credibilidade.

Quando uma marca, clínica ou especialista aparece em uma reportagem, entrevista ou matéria jornalística, não está apenas divulgando um serviço. Está sendo validado por um veículo que o público reconhece como fonte confiável.

Pesquisas recorrentes sobre consumo de informação mostram que o público tende a confiar mais em conteúdos jornalísticos do que em anúncios. Essa confiança se reflete diretamente na reputação. Empresas e profissionais que mantêm presença contínua na imprensa costumam ser mais lembrados em momentos de decisão, seja para contratar um serviço, agendar uma consulta ou escolher um fornecedor. Não se trata de exposição pontual, mas de construção consistente de imagem.

As redes sociais seguem cumprindo papel relevante ao atrair, engajar e aproximar públicos. A imprensa, por sua vez, legitima e consolida essa presença. Quando essas frentes atuam de forma integrada, os resultados se potencializam. Uma matéria publicada gera conteúdo para redes, fortalece autoridade digital, influencia buscas e sustenta narrativas institucionais.

Quando caminham separadas, perdem força e impacto. Em um ano marcado por grandes acontecimentos e excesso de informação, essa integração deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade.

Por isso, a assessoria de imprensa continua sendo uma das estratégias com melhor custo-benefício da comunicação. Com planejamento, consistência e leitura de cenário, ela transforma conhecimento técnico em pauta relevante, posiciona especialistas como fontes recorrentes e mantém marcas presentes nos veículos certos ao longo do ano. Não é sobre aparecer por aparecer. É sobre ocupar espaços estratégicos de forma contínua, coerente e alinhada aos objetivos do negócio.

Comunicação estratégica começa pela escuta

Na Six Comunicação Integrada, o trabalho começa pela escuta e pelo entendimento profundo de cada cliente, de sua atuação, desafios e metas. A partir disso, a expertise é traduzida em pautas jornalísticas, narrativas estratégicas e posicionamento editorial em portais, jornais, rádios, TVs e ambientes digitais. Sempre com responsabilidade, ética e, no caso das áreas da saúde e do direito, total alinhamento ao Código de Ética Médica e às diretrizes da OAB. Visibilidade sem estratégia gera ruído. Comunicação bem conduzida constrói autoridade.

Na prática, a era digital nivelou a disputa por atenção. Hoje, empresas de todos os portes competem pelos mesmos espaços simbólicos e informativos. Enquanto este texto é lido, é provável que um concorrente esteja investindo em comunicação para se manter presente ou conquistar novos públicos. A diferença está em quem compreende que comunicação não é custo, mas investimento direto em reputação, confiança e sustentabilidade.

Mostrar que sua empresa existe, explicar o que ela faz e deixar claro qual experiência entrega é essencial para crescer. Isso se torna mais eficiente quando assessoria de imprensa e marketing digital atuam de forma integrada. Essa combinação fortalece a imagem institucional, amplia presença online e transforma porta vozes em referências consistentes em seus setores.

Entrar em 2026 com um plano de comunicação estruturado é estar preparado para um ano intenso, competitivo e cheio de oportunidades. Em meio a agendas cheias e grandes eventos, quem constrói reputação com antecedência se destaca. Quem deixa para depois, disputa migalhas de atenção. A pergunta que fica é simples. Sua marca está construindo autoridade ou apenas reagindo ao mercado?


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Da formação do ofício: O médico como obra inacabada – por Dr. Guilherme Falótico

1 0
Read Time:2 Minute, 58 Second

Afirmam que existem instituições que produzem médicos em série, preenchendo-os de conhecimento estanque e entregando-os ao mundo com um pergaminho que tapa ausências. E questiono: que transformação é esta que converte um jovem em autoridade de avental branco, sem antes lhe revelar a humana imperfeição da matéria que tratará?

A realidade é que se formam profissionais como quem monta estruturas e, se faltar algum elemento, segue-se adiante, pois o diploma cobre todas as lacunas. E depois admira-se quando o organismo humano, esse sistema complexo e singular, recusa funcionar conforme os manuais.

Das casas de instrução vazias

Ingressa-se com ideais luminosos, egressa-se com protocolos nas mãos. A academia, essa suposta catedral do conhecimento, converteu-se frequentemente em depósito de informações transitórias. Ensina-se o corpo como mecanismo, mas omite-se que este mecanismo sofre, teme, espera, desanima. Ocupam-se mentes com dados como quem estoca volumes, mas esquecem o essencial: que a medicina é, antes de tudo, um encontro entre duas vulnerabilidades.

Comentam agora que a residência médica, esse ritual formativo, essa travessia necessária que transforma conhecimento teórico em sabedoria prática, perdeu valor. Tornou-se cerimônia acelerada, formalidade burocrática onde se trocam noites de vigília por assinaturas no currículo. Onde está o mestre que ensinava não apenas o procedimento, mas o respeito pelo mistério? Substituíram-no pelo supervisor apressado, ele mesmo cativo da produtividade.

Do aprendizado como arte esquecida

Lembro os antigos mestres, esses seres raros, para quem o ato médico era ritual, não transação. Instruíam com paciência de artesãos, demonstravam que diagnosticar é ouvir o que as palavras silenciam, que examinar é decifrar um texto escrito na linguagem íntima do corpo. Hoje, receio, muitos aprendem a observar exames e esquecem-se de ver o doente.

E assim vamos construindo médicos ruins tecnicamente e incultos humanamente.

Da correção necessária

Não será hora de repensar a formação médica? De voltar a fazer da medicina não um curso, mas um chamado cultivado? De tratar a residência não como etapa a vencer, mas como obra a esculpir?

Talvez necessitemos mais doentes reais nos corredores e menos apresentações e narrativas. Menos especialização antecipada e mais contato com o humano em sua plenitude.

Porque no final, quando todos os aparatos falharem e todos os protocolos se mostrarem insuficientes, restará apenas o médico com seu saber, sua intuição, sua humanidade. E esse médico não se forma em seis anos. Esse médico forma-se numa existência inteira de encontros, de equívocos, de aprendizados, de humildade.

O paciente, esse ser intricado que nos confia seu corpo, merece mais do que um técnico bem instruído. Merece um humanista que conheça a ciência. E forjar esse profissional exige mais do que instalações modernas ou currículos atualizados.

Que as escolas formem não médicos, mas pontes. Não técnicos, mas tradutores. E que a residência médica seja, novamente, não um suplício a suportar, mas um deserto necessário onde se perdem as certezas frágeis para encontrar a sabedoria humilde.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

De Cajamar a Guararema: Natal 2025 aquece o turismo na Grande SP com festas, luzes e apresentações gratuitas

0 0
Read Time:2 Minute, 2 Second

As cidades da Grande São Paulo prepararam uma ampla programação especial para celebrar o Natal e o Ano Novo em 2025. Com destinos a menos de 100 quilômetros da capital, a região metropolitana aposta em decoração temática, iluminação especial, espetáculos culturais, shows musicais e atrações para toda a família. A iniciativa é destacada pela Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP), que elenca ao menos seis municípios com agendas natalinas consolidadas.

Em Arujá, o “Natal Encantado” transforma a Praça do Coreto em um dos principais pontos de visitação, com cantata natalina, projeção mapeada, Casinha do Papai Noel, trenzinho, parque de diversões e decoração especial que atrai moradores e turistas.

Cajamar sedia uma das maiores celebrações da região com o “Natal Cajamar Feliz”, iniciado em 5 de dezembro no Centro de Eventos Boiódromo. Considerado um dos maiores parques natalinos do Brasil, o espaço reúne iluminação temática e atrações como roda-gigante, twister, barco viking e piscina de bolinhas. A programação inclui o auto de Natal “O Baú dos Sonhos Esquecidos”, apresentado entre 13 e 20 de dezembro, além de shows e a tradicional Casa do Papai Noel.

Em Poá, a “Vila de Natal” ocupa a Praça de Eventos, no Centro, entre os dias 13 e 23 de dezembro. O público encontra pavilhão decorado, trenzinho circulando pela cidade, espaços instagramáveis, Casa do Papai Noel e apresentações de coral, bandas locais, grupos de dança e shows musicais.

No Alto Tietê, Salesópolis realiza a 2ª edição do “Natal Luz”, iniciado em 5 de dezembro com a chegada do Papai Noel à Praça Nossa Senhora dos Remédios. A programação segue até 27 de dezembro, com desfiles, apresentações culturais e shows, incluindo a banda Versátil, no dia 20.

Em Santa Isabel, o “Natal Encantado” acontece de 6 de dezembro a 6 de janeiro de 2026. A agenda inclui recitais, cantata com a Orquestra Municipal, visitas à Casa do Papai Noel, motociata temática no dia 20 e espaço gastronômico na Praça Fernando Lopes. As comemorações se encerram com o tradicional Cortejo do Moçambique e a Missa de Reis.

Fechando o roteiro, Guararema promove o “Festival Encantado” entre 11 e 28 de dezembro, com decoração tradicional, feiras gastronômicas, shows musicais e espaços iluminados como o Museu Estação Ferroviária e o Parque de Lazer Professora Deoclésia de Almeida Mello, consolidando a cidade como um dos destinos natalinos mais procurados do estado.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Reprodução/Dep. André do Prado

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Mais um fim de ano! – por Celso Tracco

4 0
Read Time:3 Minute, 15 Second

UFA! 2025 finalmente está terminando. Depois de tantos altos e baixos, em escala planetária, tais como guerras que não terminam, tarifaços econômicos, escândalos diários proporcionados por integrantes dos mais diversos órgãos de governo, fraudes financeiras inimagináveis, eventos climáticos extremos, uma cultura de ódio e não de paz, 2025 está nos deixando. Creio que, para a maioria das pessoas, não vai deixar muitas saudades. Apesar disso, para mim particularmente um fato superpositivo transcendeu sobre todos os outros: minha estreia como colunista nesta plataforma de notícias Hora de S. Paulo (www.horasp.com.br). E quero agradecer a cada um (a) dos leitores (as) que me honraram com sua leitura e comentários. Gratidão eterna a todos vocês. Apenas por isso ter vivido 2025 já valeu muito a pena. Espero que nossa conexão fique mais forte, a cada ano, vencendo todos os possíveis obstáculos.

E o que esperar de 2026?  Sinceramente, penso que será um ano com muitos desafios, ou seja, um ano muito difícil, principalmente para a população mais necessitada, que é a imensa maioria da população brasileira. E por que eu digo isso? Porque, além de 2026 herdar todo o manancial de problemas que vem do passado, vai se defrontar com dois fatos que impactam fortemente nossa vida. O primeiro é a Copa do Mundo de Futebol, com início em 11/06/2026 e término em 19/07/2026. Futebol ainda é o esporte mais popular do mundo, e no Brasil, apesar da queda em sua popularidade, ainda arrasta multidões. A pátria de chuteiras, como dizia Nelson Rodrigues, creio que já ficou no passado, mas ainda irá movimentar a mídia, o noticiário, as conversas de botequim, o imaginário popular. Certamente, a vida, quer você seja um torcedor ou não, será afetada. Então prepare-se, da maneira mais adequada de acordo com suas atividades para esse evento. Ele é efêmero, emocional, apaixonante. Dura pouco, mas enquanto dura é intenso.  O segundo evento, são as eleições em outubro, que sem dúvida são muito mais importantes para a vida de nosso país. Não são levadas muito a sério, mas nelas deveríamos por toda a nossa racionalidade, pois efetivamente podem significar o êxito ou o fracasso de toda uma nação. Teremos a eleição para presidente da República, Governadores dos Estados, Senadores, Deputados Federais e Estaduais. Suas ações, ou a ausência delas, seu governo ou desgoverno, sua honestidade ou desonestidade, influenciarão nossas vidas, pelos próximos anos. Por isso devemos dar muito valor ao nosso voto. Temos a tendencia de sempre culpar os políticos, não que seja errado, mas esquecemos que, em uma democracia, eles estão lá porque foram legitimamente eleitos por nós. No final, a sociedade é responsável pela qualidade dos políticos que ela elege. Pense nisso quando decidir o seu voto.

Finalizando, período de festa, de alegria e confraternização. Deixe os problemas de lado, teremos 365 novos dias para resolvê-los. Desejo um Feliz e Santo Natal a todos os leitores e leitoras e suas famílias. Que seja um Natal de paz, harmonia, alegria, solidariedade. Que a boa vontade e compreensão permaneçam presentes em todas as celebrações. E que o Ano Novo nos revigore para continuarmos a construir uma sociedade que cultive a paz e não a guerra, que construa pontes e não muros, que seja mais justa, solidária, equalitária com todos os seus membros. Boas festas e, se Deus quiser, nos vemos em Janeiro.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
100 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Entender para atender – por Adriana Vasconcellos

0 0
Read Time:2 Minute, 28 Second

Na semana passada participei de dois encontros aqui em Alphaville/Barueri, o Ativa Experience e o Elevate Minds. Temas distintos, palestrantes diferentes e experiências únicas, mas um ponto central emergiu em ambos. Para que exista conexão verdadeira é preciso estabelecer um diálogo que ultrapasse a superfície. A comunicação só ganha força quando há intenção, escuta e disposição para compreender o que o outro realmente deseja transmitir.

Essa ideia não é nova, mas permanece atual. Stuart Hall, um dos principais teóricos da comunicação, já alertava que nenhuma mensagem existe sozinha. Ela depende da interpretação do receptor. Ou seja, comunicar não é apenas emitir informação, mas garantir que ela seja compreendida dentro do contexto, das expectativas e das experiências de quem a recebe.

No campo das relações humanas e profissionais essa lógica é ainda mais evidente. Entender para atender se tornou um princípio de convivência. Serve para a família, para colegas de trabalho e, acima de tudo, para a relação entre marcas e clientes. Sem proximidade e escuta ativa não existe construção de valor. Peter Drucker também reforçava que o objetivo da comunicação é gerar entendimento. Quando não há entendimento, não há impacto.

Vivemos em uma era em que a informação de qualidade se tornou um ativo estratégico. Como jornalista e assessora de imprensa vejo que ouvir continua sendo a ferramenta mais poderosa para acessar informação. É na escuta que surgem nuances, dores, necessidades e oportunidades que muitas vezes passam despercebidas no discurso unilateral. É ouvindo que conseguimos traduzir expectativas em estratégias e transformar percepção em resultado.

Essa troca não é apenas útil. É indispensável. No ambiente corporativo a escuta ativa representa uma vantagem competitiva. Philip Kotler, conhecido como o pai do marketing moderno, afirma que empresas orientadas para o cliente não partem do que querem vender, mas do que o público precisa. Para descobrir essas necessidades é preciso abrir espaço para o diálogo e cultivar relações que permitam entender tanto comportamentos quanto motivações. No fim, comunicar bem é menos sobre falar muito e mais sobre ouvir para falar certo.

O diálogo com propósito fortalece vínculos, constrói confiança e cria relevância. Quando uma empresa se dedica a compreender antes de responder, ela se torna mais eficiente, mais humana e mais presente na vida das pessoas.

A comunicação deixa de ser uma mensagem isolada e passa a ser uma experiência compartilhada. É aí que reside sua força.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %
error: