Indicador MADE acompanha o mercado de trabalho e busca identificar sinais de desaceleração econômica antes dos indicadores tradicionais.
Pesquisadores da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP (FEA-USP) desenvolveram um indicador que utiliza dados do mercado de trabalho para identificar sinais de uma possível recessão no Brasil.
Chamado de Indicador MADE, o mecanismo adapta ao cenário brasileiro a chamada Regra de Sahm, criada nos Estados Unidos para acompanhar mudanças no emprego e no desemprego e identificar sinais de desaceleração econômica.
A proposta é oferecer um alerta antecipado, permitindo que autoridades possam identificar mudanças na atividade econômica antes que uma eventual crise se consolide.
Como funciona o Indicador MADE
Segundo Guilherme Klein, pesquisador do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da FEA-USP e um dos autores da pesquisa, o indicador utiliza dados do mercado de trabalho porque essas informações são divulgadas com maior frequência.
O cálculo compara a média da taxa de emprego dos últimos três meses com o pior nível registrado nos 12 meses anteriores.
Quando a diferença ultrapassa o limite estabelecido pelos pesquisadores, o indicador sinaliza uma possível recessão.
Adaptação para o Brasil
Para aplicar a metodologia à realidade brasileira, os pesquisadores fizeram ajustes devido às características do mercado de trabalho nacional.
Um dos principais fatores considerados foi o alto nível de informalidade, que representa mais de um terço da população ocupada.
Por isso, os pesquisadores reduziram para 0,3 ponto percentual o limite necessário para que o indicador acione o alerta de recessão.
A metodologia foi aplicada a dados desde 1980. Segundo os pesquisadores, o levantamento identificou 14 recessões e dois indicativos adicionais, registrados entre 2005 e 2006 e em 2013.
Esses dois episódios não se transformaram em recessões, mas foram períodos considerados importantes de inflexão econômica.
Indicador também captou efeitos da pandemia
O Indicador MADE também identificou a recessão provocada pela pandemia de covid-19.
Segundo Guilherme Klein, o período recessivo ocorreu entre maio de 2020 e julho de 2021, com encerramento do período recessivo em agosto daquele ano.
Desde então, o indicador não registrou uma nova sinalização de recessão. Segundo os pesquisadores, esse representa o período mais longo desde 1980 sem uma nova recessão.
MADE não substitui o PIB
O Indicador MADE não foi desenvolvido para substituir o Produto Interno Bruto (PIB) ou outros mecanismos de acompanhamento da economia.
Enquanto o PIB mede o desempenho geral da economia a partir da produção de bens e serviços, o MADE acompanha o mercado de trabalho, especialmente as variações no emprego e no desemprego.
Os dois indicadores, portanto, possuem funções complementares.
A vantagem do MADE é utilizar informações do mercado de trabalho divulgadas com maior frequência, permitindo identificar mais rapidamente sinais de deterioração econômica.
A ferramenta pode, dessa forma, funcionar como um mecanismo complementar de alerta, auxiliando na análise da conjuntura econômica e na definição de possíveis políticas públicas.
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Foto: Fabio R. Pozzebom/Ag. Brasil

