Voto Consciente – Sociedade Mais Justa

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O voto é a ferramenta mais importante da democracia. Por meio dele, cidadãs e cidadãos escolhem seus representantes e influenciam diretamente os rumos do país, do estado e do município. No entanto, votar não é apenas cumprir uma obrigação jurídica. Votar é exercer a cidadania de forma responsável. A sociedade brasileira lutou muito, e de várias formas, para chegar ao atual sistema democrático. Ele certamente não é perfeito, mas é muito melhor que qualquer outro tipo de governo. A democracia precisa, e deve, ser preservada. Votar consciente é basear-se na análise das propostas, da trajetória e do compromisso dos candidatos com as reais necessidades da população. Também deve ser avaliado o inegociável apreço com a democracia e com a soberania nacional.  Ao votar de forma consciente, o eleitor e eleitora, contribuem para a escolha de governantes preparados para enfrentar os principais desafios sociais de nosso povo, que são muitos. Entre outros, destaco: o combate à fome, o investimento na educação e na saúde, a melhoria urgente no transporte público, o enfrentamento ao crime organizado com uma política eficaz de segurança pública, o acesso à uma moradia digna para milhões de famílias.

Além das questões sociais que são urgentíssimas, pois apesar de sua imensa riqueza o Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo, os candidatos devem manter o compromisso de exercer seu mandato de acordo com a legislação vigente, procurando sempre atuar dentro da Constituição. É fundamental respeitar a dignidade de todos e todas, independente de raça, credo, gênero, condição social. Deve, igualmente, se orientar pelo bem comum, e não apenas para beneficiar grupos específicos, ouvindo as necessidades da população, trabalhando por uma sociedade mais justa, solidária, participativa, igualitária.

As linhas acima podem parecer estranhas, utópicas, dentro de tantos escândalos públicos que lemos e ouvimos todos os dias. Sem dúvida, não é animador saber que a população brasileira vem aumentado o descrédito a respeito de suas Instituições Públicas. Mas, devemos lembrar que a democracia, em todos os países, é um sistema político em contínua construção. Não é uma fórmula acabada, ela admite e até estimula pensamentos e visões diferentes de como se pode viver, visões essas que podem ser contraditórias. A democracia não é apenas o governo da maioria, mas também um governo onde as minorias devem ser representadas e terem voz. A convivência precisa e deve ser fraterna, operativa e respeitosa entre toda a população. O atual clima de polarização política é um desserviço à sociedade brasileira. Não devemos estimular esse imbróglio.  Afinal, de acordo com normas do Estado Democrático de Direito, os eleitos devem governar para todos, e não apenas para aqueles que o elegeram. Todos os brasileiros e brasileiras aptos a votar devem exercer seu direito constitucional, em especial os idosos acima de 70 anos, para quem o voto é facultativo. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgou recentemente que o Brasil tem cerca de 17 milhões de eleitores nesta faixa etária. É uma parcela expressiva da população, com muita vivência, que deve ser ouvida.

Eleitores e eleitoras devem se manifestar através do voto. Depois não adianta reclamar de quem foi eleito ou eleita. É preciso participar e lutar para modificar o que você pensa que está ruim e pode ser melhorado. Se nós, eleitores conscientes, não participarmos e não lutarmos por aquilo em que acreditamos, outros tomarão nossos lugares e decidirão por nós. Apenas reclamar não vai adiantar.  Pratique sua cidadania, vote consciente, escolha quem você acha que pode contribuir para melhorar o futuro da sociedade brasileira. A democracia agradece. Que a eleição seja, realmente, uma festa democrática.

Evidentemente não há correlação entre o resultado da seleção brasileira e as eleições. Se aprofundarmos a pesquisa veremos que os estelionatos eleitorais, falcatruas e desmandos praticados por políticos de qualquer espectro ideológico, influenciaram muito mais as eleições do que o futebol. Até porque, há muito tempo não somos o país do futebol, já não há mais comoção quando o Brasil perde, a não ser o falso choro de jogadores multimilionários que são mais celebridades do que atletas. Também não somos mais o país do futuro. Mas somos o campeão mundial da corrupção, dos altos impostos, da desigualdade social, dos privilégios da máquina pública, dos escândalos financeiros. Isto sim é a verdadeira vergonha nacional, E somente pelo voto consciente de toda a população, poderemos expulsar esses políticos lesa-pátria de campo. Aqueles que primeiro jogam pelos seus interesses pessoais, antes dos interesses da população. E nem vai precisar do árbitro de vídeo. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Dia da Árvore – 21 de setembro

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O Dia da Árvore no Brasil marca o início da primavera, a mais linda das estações do ano. Porém, o Dia da Árvore, também pode ser marcado por um grande desafio de consciência e responsabilidade. Sem dúvida é um momento para refletirmos sobre a relação entre a sociedade brasileira e o meio ambiente. Em um país que abriga a maior floresta tropical do planeta, extensas áreas nos biomas do Cerrado, Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa, com um dos maiores volumes de água doce do mundo, a preservação da natureza deveria ser uma prioridade permanente. No entanto, a realidade mostra que ainda estamos distantes de desenvolver uma verdadeira cultura ecológica.

O Brasil, ainda enfrenta sérios desafios relacionados ao desmatamento, às queimadas, à poluição dos rios e à degradação de áreas naturais. Todos os anos, apesar de algumas melhorias ocorridas recentemente, milhares de hectares de vegetação nativa são destruídos comprometendo a biodiversidade, alterando o regime de chuvas e contribuindo para o aumento das mudanças climáticas. A perda das florestas não afeta apenas os animais e as plantas; ela ameaça diretamente a qualidade de vida e a sobrevivência da população. As árvores desempenham funções essenciais na manutenção do equilíbrio climático, na proteção dos solos e na formação dos chamados “rios voadores”, responsáveis por transportar umidade da Amazônia para diversas regiões do país. Sem a cobertura florestal, as secas tornam-se mais frequentes, a produção agrícola é prejudicada e o abastecimento de água fica comprometido.

A preservação das fontes de água doce é fundamental. O Brasil possui uma das maiores reservas de água doce do mundo, mas não é inesgotável. A destruição das matas ciliares, o assoreamento dos rios, a ocupação irregular das nascentes e a poluição causada pelo descarte inadequado de resíduos ameaçam a qualidade e a disponibilidade da água. Recuperar as áreas degradadas ao redor de rios e nascentes é um investimento no futuro, garantindo segurança hídrica para as próximas gerações.

Apesar da preocupação ambiental observada nos debates públicos, a cultura ecológica ainda não faz parte do cotidiano dos brasileiros. A preservação é vista como responsabilidade exclusiva do governo ou das organizações ambientais. Entretanto, a construção de uma consciência ecológica depende da participação de todos. Economizar água, separar resíduos para reciclagem, evitar desperdícios, preservar áreas verdes e plantar árvores são atitudes simples que podem gerar impactos significativos quando adotadas coletivamente. Embora governos e empresas possuam grandes responsabilidades, a participação da população é indispensável para promover mudanças reais e duradouras. Pequenas atitudes, como evitar o desperdício de água, economizar energia elétrica, reduzir o consumo de plásticos descartáveis e realizar a separação correta dos resíduos para reciclagem, contribuem significativamente para a proteção dos recursos naturais. O plantio de árvores e a participação em recuperação de áreas degradadas é outro fator fundamental. Árvores ajudam a melhorar a qualidade do ar, protegem os solos e contribuem para a preservação das nascentes e dos rios.

A educação ambiental é uma ferramenta essencial. Pais, professores e líderes comunitários podem incentivar crianças e jovens a compreender a importância da natureza e a adotar hábitos sustentáveis. Uma sociedade bem-informada tende a cobrar políticas públicas mais eficientes e a valorizar práticas de desenvolvimento sustentável. A participação cidadã é indispensável.

A preservação ambiental não depende apenas de grandes decisões políticas. Ela começa nas escolhas individuais e se fortalece por meio das ações coletivas. Somente com o compromisso de toda a sociedade será possível garantir a conservação dos biomas brasileiros, a recuperação dos recursos hídricos e um futuro mais equilibrado para as próximas gerações. Afinal, cuidar da natureza é cuidar da própria vida.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Eventos climáticos extremos. Tragédia anunciada

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As previsões climáticas, feitas por cientistas há alguns anos, muitas vezes foram consideradas alarmistas por governantes negacionistas, autoritários e desinteressados no bem-estar de suas populações. No entanto, aquelas previsões, deixaram de ser um alerta distante para se tornarem uma realidade concreta que aterroriza o cotidiano das sociedades contemporâneas. O aumento da temperatura média global, impulsionado principalmente pela emissão de gases de efeito estufa, a queima de combustíveis fósseis, o aumento da temperatura da superfície dos oceanos, intensificam a frequência e a severidade de eventos climáticos extremos. Ondas de calor, rios outrora caudalosos secando, incêndios florestais sem controle, enchentes devastadoras, ciclones, tornados, tufões, fortes tempestades com vendavais de alto poder de destruição, são cada vez mais frequentes em todos os continentes. Estes eventos estão se tornando parte de um novo padrão climático que destrói infraestruturas, urbanas e rurais, desaloja milhares de pessoas e mostra o despreparo de muitos países para enfrentar as variações climáticas.

As consequências dessa tragédia anunciada são muitas:

– Na Europa estamos vendo que cidades densamente povoadas enfrentam temperaturas altíssimas, ampliando riscos de mortalidade, sobrecarga energética, colapso nos serviços de saúde. As construções não estão preparadas para enfrentar um calor intenso e contínuo.

– Secas prolongadas produzem uma escassez hídrica que afeta diretamente a produção agrícola, a segurança alimentar e o abastecimento de água, especialmente em países com infraestrutura limitada.

– Chuvas intensas e localizadas provocam inundações que devastam comunidades, destruindo moradias, estradas, infraestrutura urbana, hospitais, aeroportos, como aconteceu no Rio Grande do Sul, em 2024.

– Incêndios florestais em todos os continentes são a cada ano mais frequentes, intensos e devastadores com impactos ambientais e sociais profundos.

Recordes de temperatura são superados, constantemente, em várias partes da Europa. Tornados ou ciclones já são comuns no sul e sudeste do Brasil. O grau de devastação desses fenômenos é cada vez mais devastador.

As mudanças climáticas, não se restringem apenas ao clima, pois trazem profundas consequências socioeconômicas, que só tendem, infelizmente, a piorar as desigualdades sociais que o mundo já conhece. Algumas consequências socioeconômicas, derivadas das mudanças climáticas:

– As populações vulneráveis tendem a ser as mais atingidas. Comunidades pobres, moradores de áreas periféricas, de encosta, ribeirinhas, povos indígenas e populações rurais enfrentam maior exposição aos riscos e menor capacidade de adaptação. A falta de infraestrutura adequada, como saneamento, moradia segura, acesso à saúde, transforma os eventos extremos em tragédias humanitárias.

– A perda de terras agricultáveis, enchentes recorrentes e desastres naturais forçam deslocamentos internos da população. Estima-se que milhões de pessoas se tornarão refugiadas climáticas nas próximas décadas, pressionando sistemas urbanos e políticas públicas.

– Impactos na saúde pública, pois ondas de calor aumentam casos de desidratação e doenças cardiovasculares; enchentes ampliam a proliferação de doenças transmitidas pela água; queimadas afetam a qualidade do ar e elevam problemas respiratórios.

– Prováveis desafios econômicos, podem acontecer em setores como agricultura, pesca, turismo e energia.

Caso nada seja feito, a instabilidade climática pode gerar perdas financeiras, desemprego e aumento do custo de vida, perda de qualidade de vida, e que certamente atingirá a população mais vulnerável. A resposta aos eventos extremos exige planejamento, investimento e coordenação entre governos, empresas e sociedade civil.

As mudanças climáticas representam um dos maiores desafios da humanidade. Podemos imaginar que os eventos extremos fazem parte de um processo complexo que redefine relações sociais, econômicas e ambientais. A forma como as políticas públicas responderão a essa crise climática determinará não apenas a qualidade de vida das gerações atuais, mas também o futuro das próximas. A crise climática já está instalada. Ela não é apenas ambiental, é social, econômica e ética. E exige ação imediata.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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A Copa do Mundo de futebol e as eleições – por Celso Tracco

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Mais uma vez, a seleção brasileira foi eliminada em uma Copa do Mundo. Caímos nas 8as. de final, perdendo para a Noruega, país sem tradição no futebol internacional. Nas redes sociais, muito se vê e ouve que o resultado do torneio pode ou irá influenciar o resultado das eleições. Mas, a história não diz isso. Desde 1994, quando começou a coincidência de eleições diretas para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, com a realização da Copa do Mundo os resultados não justificam que o eleitor(a) carrega para as urnas a emoção da vitória ou da derrota da seleção.

 – 1994, o Brasil conquistou sua 4ª. Copa, vencendo a Itália nos pênaltis, após agoniantes 0x0 nos 120 minutos de jogo. A situação, governo FHC, obteve 54% dos votos contra 27% dados a Lula. A eleição foi resolvida no 1º turno. Influência do sucesso do Plano Real e não do futebol.

– 1998, perdemos da França, na final, por incontestáveis 3×0. “Vergonha nacional”. FHC, que havia proposto a emenda da reeleição, venceu no 1º turno novamente contra Lula, 53% a 31%. Após a reeleição, houve uma maxidesvalorização do real.

– 2002, Brasil penta campeão, venceu a Alemanha na final por 2×0. A oposição, Lula, venceu o candidato da situação, José Serra, no 2º turno obtendo 61% dos votos contra 39%.

 – 2006, Brasil eliminado pela França nas 4as. de final. “Vergonha nacional”. Lula é reeleito no 2º turno com 61% dos votos contra 39% dados a Geraldo Alckmin.

– 2010 – Brasil eliminado pela Holanda nas 4as. de final. “Vergonha nacional”, agora perdemos de quem nunca foi campeão mundial. A situação, PT, elege o sucessor de Lula – Dilma Rousseff com 56% dos votos contra 44% de José Serra, no 2º turno.

– 2014, o Brasil passa pela maior vergonha futebolística da história: é eliminado, na semifinal, por acachapantes 7×1 para a Alemanha em pleno Mineirão. Dilma é reeleita, 2º turno, com 52% contra 48% dados a Aécio Neves. Após as eleições o Brasil mergulhou na maior crise econômica de sua história.

– 2018, o Brasil foi eliminado pela Bélgica, nas 4as. de final. “Vergonha nacional”, perdemos de qualquer um. Jair Bolsonaro é eleito no 2. ° turno com 55% dos votos contra 45% de Fernando Haddad (PT). O eleitor puniu quem provocou a crise econômica de 2015 e 2016.

– 2022, o Brasil foi eliminado pela Croácia, nas 4as. de final. “Vergonha nacional?”. Já nos acostumamos a perder para qualquer um. Jair Bolsonaro não consegue se reeleger. Obtém 49% dos votos no 2° turno contra 51% dados a Lula, que volta ao poder.

Evidentemente não há correlação entre o resultado da seleção brasileira e as eleições. Se aprofundarmos a pesquisa veremos que os estelionatos eleitorais, falcatruas e desmandos praticados por políticos de qualquer espectro ideológico, influenciaram muito mais as eleições do que o futebol. Até porque, há muito tempo não somos o país do futebol, já não há mais comoção quando o Brasil perde, a não ser o falso choro de jogadores multimilionários que são mais celebridades do que atletas. Também não somos mais o país do futuro. Mas somos o campeão mundial da corrupção, dos altos impostos, da desigualdade social, dos privilégios da máquina pública, dos escândalos financeiros. Isto sim é a verdadeira vergonha nacional, E somente pelo voto consciente de toda a população, poderemos expulsar esses políticos lesa-pátria de campo. Aqueles que primeiro jogam pelos seus interesses pessoais, antes dos interesses da população. E nem vai precisar do árbitro de vídeo. Aproveite seu dia.


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A escada se lava de cima para baixo – por Celso Tracco

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A expressão “a escada se lava de cima para baixo” sintetiza uma verdade universal sobre responsabilidade, atitude e comportamentos. Significa que qualquer processo de mudança, seja ele de estrutura empresarial, política ou familiar, começa pela liderança. Assim como a água escorre naturalmente do topo para os degraus inferiores, a cultura, os valores e as práticas sejam de uma entidade pública ou privada, são moldados, antes de tudo, por quem ocupa as posições do alto escalão.

No mundo dos negócios, quando uma determinada empresa precisa de uma real transformação para sobreviver, pois seu modelo de negócio está se deteriorando e ela não consegue, sozinha, se reerguer, em geral busca ajuda de alguma consultoria. E, geralmente, a “limpeza/ mudança” tem de começar pela diretoria e ir descendo até chegar à base, degrau por degrau. Muitas vezes, o gestor da empresa, que teve sucesso no passado, não percebe que o seu tempo passou, que seus métodos são ultrapassados, que o mundo mudou. Continua se agarrando a seu posto de maneira monolítica. O gesto pode até ser nobre, poético, heroico, mas é ineficaz e provavelmente egocêntrico. Pensa em si, mas não no bem comum de sua própria empresa.

No contexto social, essa máxima mostra que comportamentos éticos, respeito às leis e compromisso com o bem comum, precisam ser cultivados primeiramente por aqueles que detêm poder e influência. Quando líderes agem com transparência, justiça e coerência, criam um ambiente onde tais valores se tornam referência. Por outro lado, quando o topo se corrompe, o restante da estrutura tende a seguir o mesmo caminho, seja por conveniência, medo ou simples reprodução do exemplo recebido. Nas entidades públicas, este processo é bem evidente. A população observa seus governantes como modelos de conduta. Se eles demonstram responsabilidade, zelo pelo patrimônio coletivo e respeito às regras, fortalecem a confiança social e incentivam comportamentos socialmente elevados. Porém, quando eles caem no descrédito popular, fica muito difícil recuperarem a credibilidade.

No ambiente familiar e escolar, o princípio se repete. Pais, professores e responsáveis transmitem os primeiros parâmetros de comportamento e de relacionamentos humanos. Eles são as principais referências para aqueles que dependem de sua atuação. Caso os responsáveis agirem com honradez, respeito, de maneira integra, respeitando a coletividade, seus exemplos são seguidos e enaltecidos. Porém, quando o oposto ocorre, instala-se um ciclo de descrença e permissividade que contamina toda a escala de valores inerentes à formação das crianças e jovens. As atitudes dos responsáveis, mais do que suas palavras, moldam o caráter e as escolhas daqueles que ainda estão em formação. Não é possível exigir honestidade, disciplina, respeito ou empatia quando o exemplo oferecido contradiz esses valores. O antigo ditado “faça o que eu digo e não faça o que eu faço” está fora de moda, é como falar para as paredes, não tem aceitação nem repercussão.

Portanto, “lavar a escada de cima para baixo” significa reconhecer que toda transformação começa pelo exemplo daqueles que dirigem, comandam, ensinam, orientam e conduzem a vida de seus agregados. Não adianta cobrar ou impor mudanças e novas atitudes dos níveis inferiores, se nos níveis superiores nada muda, permanecendo com os descaminhos de sempre. A verdadeira liderança não se impõe; ela orienta, ensina, mostra novos rumos, inspira, é generosa e visivelmente enaltecida. Portanto, somente quando os degraus superiores assumem sua responsabilidade e uma atitude de mudança, a escada inteira pode, enfim, ficar limpa. Precisamos, sempre, cuidar de nossa “escada”. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Liberdade! Liberdade! – por Celso Tracco

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A proclamação da “Lei Áurea” em 13 de maio de 1888, nos estimula a refletir sobre a prática do racismo que segue existindo não só no Brasil, como em muitas partes do mundo. Basta ver as campanhas de “Racismo Não” que, por exemplo, se propagam pelas entidades esportivas internacionais. Infelizmente as campanhas têm baixa efetividade. No caso brasileiro vivemos o racismo estrutural, enraizado na nossa sociedade. De fato, não basta dizer que se é antirracista, precisamos e devemos combater de modo exemplar os atos racistas que são praticados quase todos os dias. Atos que não devem ser tolerados ou mitigados, até porque são considerados crimes. Um breve histórico ajuda a entender por que o racismo estrutural ainda persiste entre nós.

O Brasil viveu durante 350 anos do trabalho escravo. Como a tentativa de escravizar os indígenas não deu certo, a Coroa Portuguesa empreendeu, com enorme sucesso, o tráfico de povos africanos escravizados para serem mão de obra em sua promissora colônia. É importante ressaltar que o tráfico de africanos (as), foi um sistema político e econômico multinacional, extremamente lucrativo e que durou séculos. As nefastas viagens que cruzavam o Atlântico, eram financiadas por banqueiros ou mercadores europeus, os donos do sistema financeiro da época. Os africanos, homens e mulheres, eram comprados a “troco de nada” pelos capitães dos navios e vendidos por um alto preço nos mercados de escravizados no Brasil. Fechando a operação econômica, as mercadorias produzidas pela mão de obra escravizada eram exportadas para a Europa. Essa “roda da fortuna”, enriquecia poucos e empobrecia milhões. Assim foi o processo produtivo da economia brasileira entre os séculos XVI e XIX. Os chamados ciclos da cana-de-açúcar, do ouro, do café, e os menos famosos ciclos do tabaco e algodão, foram todos baseados em trabalho de escravizados. A economia brasileira não produzia internamente nem os mais básicos utensílios usados para o dia a dia. Tudo era importado. As tarifas alfandegarias sempre foram uma boa fonte de renda para os governos português e brasileiro. Finalmente, depois de longas décadas de debates, “o fim da escravidão iria “quebrar” o Brasil”, a escravidão foi abolida. Nota: o Brasil foi o último país do Ocidente a abolir a escravidão.

Estima-se que cerca de 700.000 pessoas escravizadas ficaram livres a partir de 13 de maio de 1888. Na enorme maioria dos casos isto significou que eles estavam na rua apenas com a roupa do corpo, sem ter o que comer e sem saber para onde ir. A famosa Lei Aurea não previu nenhum tipo de ajuda, de indenização, de orientação, para os agora negros libertos. Foi um gigantesco “vire-se”. Além de não serem tratados como seres humanos, não possuíam documentos não tendo qualquer direito. A enorme maioria era analfabeta, e só sabiam fazer trabalhos de roça e domésticos. Para tentar viver, continuaram na condição de escravizados em troca de um prato de comida e de um monte de palha para dormir. Os que nem isso tiveram, iriam se unir em malocas, favelas, palafitas, em áreas de risco e viver de trabalhos eventuais, subemprego. De uma maneira ou de outra a população negra ou mestiça oriunda da escravidão, não teve nenhum plano governamental, organizado para ser incluída na sociedade brasileira. O estigma da cor da pele, da pobreza, da precariedade social com a população afrodescendente, infelizmente, persiste até hoje.

A escravidão, que existe desde a antiguidade, não é oriunda do racismo. Mas no Brasil a escravidão originou o racismo. Oxalá um dia a liberdade seja realmente igual para todos e a igualdade seja a tônica da sociedade brasileira. Aproveite seu dia.


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MÃE – por Celso Tracco

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Mãe, mamãe, mainha, manhê. Vários vocábulos para a mesma criatura. Ser mãe é carregar no coração um amor intenso. É transformar noites mal dormidas em dias cheios de esperança, é encontrar forças onde ninguém mais encontraria, é amar antes mesmo de conhecer o rosto, a voz, o gênero. Mãe é ação contínua, é presença que permanece mesmo quando a distância insiste em se impor. O amor materno está nos detalhes: a comida que o filho(a) mais gosta, ainda que preparada às pressas, o conselho repetido mil vezes, o olhar luminoso no encontro e saudoso na despedida. É um amor que educa, orienta, critica, mas é sempre acolhedor, chamando de meu menino ou minha menina quem já passou dos 50 anos. Mãe se reinventa quando percebe que a vida mudou de ritmo ou de rumo. Seu coração se expande de maneiras inesperadas. Passa a enfrentar os novos desafios diários com uma força silenciosa, muitas vezes invisível, mas essencial e amorosa. Mãe é mãe 24 horas, todos os dias de sua nobre vida.

Neste Dia das Mães, queremos homenagear não apenas a figura materna idealizada, mas todas as formas reais, diversas e possíveis de ser mãe. Celebramos as mães biológicas, adotivas, de coração, as avós que viram mães novamente, as tias que acolhem, as madrastas que edificam novas famílias, as mulheres que criam, educam, inspiram e protegem. Cada uma delas carrega uma história única, marcada por coragem, entrega e uma capacidade extraordinária de transformar vidas, através do amor. No coração dos filhos, mãe não morre nunca.  Com alegria, todos os dias, lembro de minha adorável mãe, a incansável D. Helena, que apesar de todos os seus afazeres, nunca me recusou ajuda nas redações escolares. Gratidão eterna. Tenham um feliz Dia das Mães.

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade, in ‘Lição de Coisas’


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Autismo. A importância da conscientização – por Celso Tracco

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Abril é reconhecido como o mês de conscientização do autismo. Mais do que uma campanha, é também um alerta para que a sociedade reflita e discuta sobre a diversidade, equidade e inclusão.  Podemos e devemos ampliar o debate refletindo sobre o respeito aos direitos humanos, para todos os cidadãos brasileiros. A chamada à conscientização do autismo, também representa um movimento global que busca alargar o entendimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), combater estigmas e promover uma convivência mais justa e acolhedora para todas as pessoas autistas. A data foi instituída pela ONU em 2007 e, desde então, tornou-se um marco anual de mobilização social. No Brasil, o mês é marcado por ações educativas, debates públicos, eventos culturais e iniciativas governamentais que reforçam a importância de enxergar o autismo como parte da diversidade humana. É muito necessário promover estas iniciativas todos os meses do ano e não apenas em abril.

O Transtorno do Espectro Autista é uma condição da neurodiversidade, caracterizada por diferenças na comunicação, na interação social e na forma como a pessoa percebe e processa estímulos. O termo “espectro” é essencial: ele reconhece que cada pessoa autista é única, com habilidades, desafios e necessidades específicas. Segundo especialistas no tema, o foco deve ser no suporte adequado, no acolhimento e no desenvolvimento do potencial individual da pessoa autista, não na “cura”. As necessidades de cada pessoa, podem variar amplamente, algumas precisam de suporte intenso, outras de apoio simples. Compreender e aceitar a neurodiversidade, é reconhecer que a diferença não é um problema, mas um grande potencial de crescimento para todos. Todos os seres humanos merecem respeito, acessibilidade, compreensão, principalmente em uma sociedade que pretende ser diversa, equitativa e inclusiva, facilitando a convivência e não a invisibilidade, a injustiça e a exclusão social de qualquer grupo que tenha habilidades diferentes da maioria.

Felizmente, várias cidades brasileiras têm avançado na criação de centros especializados, capacitação de profissionais e campanhas de conscientização. O principal fundamento é a humanização. Toda vida tem valor, este lema sintetiza e ganha força nas campanhas, lembrando que as pessoas autistas não precisam ser “consertadas”, mas compreendidas; que a comunicação pode acontecer de muitas formas; diferenças não são defeitos. O principal recado para todos é: a dignidade humana é inegociável. Humanizar o olhar sobre o autismo significa abandonar estereótipos e ouvir as próprias pessoas autistas, que têm reivindicado protagonismo nas discussões sobre suas vidas. Significa também reconhecer que inclusão não é um favor, mas um direito.

A conscientização precisa ser contínua e isto significa: buscar informação de qualidade; apoiar famílias e cuidadores; promover ambientes acolhedores; combater preconceitos diariamente; ouvir e amplificar vozes das pessoas altistas, elas têm muito a colaborar com o restante da sociedade, pois elas sabem suas verdadeiras necessidades. A inclusão efetiva acontece nos gestos simples, comuns e no cotidiano, nas políticas públicas consistentes e na disposição de aprender com a diversidade.

A conscientização do TEA deve ser vista como um movimento de transformação social. Ele nos convida a repensar nossas práticas, ampliar nosso entendimento e construir uma sociedade onde todas as pessoas, autistas ou não, possam viver com dignidade, respeito e oportunidades. Conscientizar é humanizar. E humanizar é reconhecer que toda vida tem valor. Aproveite seu dia.

Para informações complementares sobre autismo acesse:  www.autistas.org.br


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Foto destaque: Joédson Alves/Ag. Brasil

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CAOS, DOR, SOFRIMENTO – por Celso Tracco

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Dentre todas as espécies conhecidas, o ser humano foi a que melhor desenvolveu o cérebro e com isso passa a raciocinar, a prever, a ter estratégias para enfrentar e se adaptar a qualquer situação, por mais inesperada e difícil que pareça. Infelizmente, também usa suas habilidades cognitivas, para fazer o que mais aprecia: guerrear, matar, conquistar territórios, escravizar prisioneiros, expandir domínios, eliminar possíveis ameaças, destruir a natureza. Isso não é de hoje, o famoso livro A Arte da Guerra, atribuído ao estrategista Sun Tzu, foi escrito na China há 2.500 anos. Um dos mais antigos tratados sobre o tema “guerra”. A obra tem 13 capítulos e fala da estratégia militar, planejamento, conhecimento do inimigo e flexibilidade tática. A Ilíada e a Odisseia poemas escritos pelo poeta grego Homero, são ainda mais antigos. Homero viveu entre os anos de 750 e 650 a.C. Os poemas enaltecem os guerreiros e heróis gregos, reais ou imaginários, mas sempre combatentes. Essa obra é considerada fundamental para se entender a cultura ocidental. Portanto, não é de hoje que a humanidade, no ocidente ou oriente, adora, admira, e deseja guerras. A maneira de convivência das diversas culturas humanas, certamente mudou muito nos últimos 30 séculos, mas a cobiça, a arrogância, a ganância, o desejo de conquistar, de acumular poder, de ser “o rei dos reis”, a indiferença pela vida dos outros, a exploração dos inimigos, não mudou. Continuamos com o título da mais cruel, sanguinária, bárbara, impiedosa espécie que já surgiu na face da Terra. Gostamos de enaltecer aqueles ou aquelas que a sociedade atual classifica como vencedores, atribuindo-lhes o título de: “águia ou falcão, leão ou tigre, tubarão”. Não importa onde seja: no ar, terra ou água, imitamos os maiores predadores.

Certamente ficamos indignados, vendo crianças sendo mortas em salas de aula, cidades destruídas, instalações civis de infraestrutura sendo deliberadamente bombardeadas. A intenção do atacante é clara: deixar a população inimiga padecer de fome e de sede. E isso é feito em nome de Deus, matar inocentes em nome de Deus! Deixando claro que isso acontece com qualquer dos lados em litígio. O Deus pode ser Jesus Cristo, Alá ou Javé. Pode ser chamada de cruzada ou guerra santa, o importante é que a matança de inocentes, segundo os senhores da guerra, é obra de Deus. É inacreditável que uma raça conhecida pela sua capacidade cognitiva, racional, mesmo depois de 40 séculos de história, comprovadamente recheada de genocídios sangrentos, ainda cultive uma cultura de guerra, de morte e destruição, em detrimento de uma cultura de paz, de entendimento mútuo, de compreensão. A marcha da insensatez humana não tem fim.

Há 120 anos, os Estados Unidos da América, alcançaram o posto da maior potência econômica e militar do mundo, e permanecem assim até hoje. Baseado na teoria do manda quem pode, nos últimos 80 anos o Estados Unidos já interferiu militarmente em dezenas de países, sempre com o pretexto de “proteger a democracia” e seus próprios interesses. Destaco alguns: Coreia (1950-1953); Vietnã (1955-1975); Kuwait (1991); Iraque (2003-2005); Afeganistão (2001- 2022). Essas intervenções deixaram milhões de vítimas, entre civis e militares. As baixas militares americanas, são estimadas em torno de 104.000 mortos e 305.000 feridos. Vietnã, Iraque e Afeganistão, são intervenções classificadas como verdadeiros fracassos. Os Estados Unidos, apesar de todo seu poderio econômico e militar, não alcançaram os objetivos iniciais que levaram o país à guerra. Será que valeu a pena? E agora, valerá a pena? Não tenho essa resposta, o que sei é que o caos, a dor e o sofrimento, para todos os envolvidos, já estão assegurados.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Mulheres e a estúpida hostilidade masculina

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Dia 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. A data lembra 08/03/1857, quando 129 mulheres operárias em uma tecelagem de Nova York entraram em greve exigindo melhores condições de trabalho e a redução da jornada de 16 horas diárias para “apenas” 10 horas. Elas não conseguiram êxito em suas reivindicações. A sociedade altamente machista e misógina daquela época, considerava a mulher um ser humano de segunda categoria, descartável. O tempo passou, novas mulheres que não se conformaram em serem apenas observadoras e seguidoras das vontades masculinas, persistiram batalhando pela causa. Perceberam que uma causa dessa magnitude, ainda que seja meritória, se vence a longo prazo. Principalmente quando a causa implica na mudança de uma cultura milenar, onde a mulher era vista como um objeto, como uma “máquina” reprodutora da espécie e cuidadora de suas crias, de seu lar, de sua família e agregados.

A Revolução Industrial, acrescentou mais um fardo para a mulher, pois ela passa a ter um valor econômico, é mão de obra barata para as fábricas em expansão. Agora, além de ser reprodutora, cuidar da casa e de seus filhos, era explorada pelo novo sistema econômico. Mostrando a resiliência e a perseverança das mulheres pela sua causa, apenas em 1910, 63 anos após aquela greve em Nova York, em um congresso feminista na Dinamarca o dia 08/03 foi escolhido como o Dia Internacional da Mulher e somente em 1975 a data foi oficializada pela ONU. Neste período, milhares de mulheres pelo mundo pagaram com suas vidas na luta pela melhoria das condições de trabalho, pela igualdade salarial, pela adoção de creches, contra abusos sexuais e psicológicos, entre outras reivindicações sociais e econômicas que hoje são leis em muitos países.

No Brasil, as mulheres também lutam pelos seus direitos cívicos e sociais há muito tempo. Cá como lá a resistência é forte por parte da sociedade machista. Algumas conquistas: apenas em 1932 foi aceito o voto feminino; em 1962, pasmem, a mulher casada deixou de ser considerada incapaz pelo Código Civil Brasileiro. Antes disso precisava da autorização expressa do marido para alienar seus próprios bens e exercer determinadas profissões. Em 2006, foi promulgada a lei Maria da Penha que defende a mulher contra a violência doméstica e em 2015 a lei do feminicídio (homicídio das mulheres em contexto de violência familiar ou de gênero).

Mas a desigualdade persiste entre homens e mulheres: a renda média das mulheres é menor que a dos homens, em praticamente todas as atividades econômicas. Cada vez mais mulheres alcançam graduações e pós-graduações universitárias, são empreendedoras e criativas, mas raras vezes atingem os mais altos níveis da administração privada ou pública. A plena igualdade de oportunidades ainda é uma utopia. Elas representam 52% da população, mas ocupam menos de 20% dos cargos públicos eletivos. Apesar dos partidos políticos serem obrigados a ter uma cota mínima de candidatas mulheres, procuram cumprir a norma, mas raramente apoiam as candidaturas femininas. Finalizando, em 2025 quatro mulheres foram assassinadas por dia no Brasil, pelo crime de feminicídio.

A sociedade seria muito mais humanizada, se homens e mulheres, pudessem viver de acordo com sua capacidade financeira, física, emocional, comportamental, exercendo a atividade que desejam de forma digna e respeitosa com todos os demais. Infelizmente a luta que começou há 170 anos, com uma greve ainda não terminou. A causa continua justa e civilizatória, e apenas com uma vida plena para todos, independente do gênero, cor, etnia, crença teremos uma sociedade pacificada. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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