Por que algumas empresas aparecem na imprensa e outras nunca conseguem virar notícia?

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Uma empresa pode ter uma história interessante, profissionais experientes e muito conhecimento acumulado. Ainda assim, isso não significa que tenha uma pauta jornalística. Essa é uma diferença que costuma gerar confusão. O que é importante para uma empresa nem sempre desperta o interesse de um jornalista ou do público de um veículo.

Um lançamento, a abertura de uma nova unidade, uma conquista ou o aniversário da empresa podem ter grande significado para quem está dentro do negócio. Para se transformar em notícia, porém, aquela informação precisa trazer algo que interesse também a quem está do outro lado e, é aí que muitas empresas confundem divulgação comercial com pauta jornalística.

O jornalista não começa pelo que a empresa gostaria de divulgar. Ele precisa entender por que aquela informação merece ser apresentada ao público daquele veículo. Uma pauta pode ganhar relevância porque traz uma informação nova, ajuda a explicar uma mudança, apresenta dados, mostra um comportamento que está crescendo, esclarece um problema ou coloca à disposição uma fonte capaz de analisar um assunto em discussão. Essa perspectiva muda a maneira de pensar uma pauta.

Uma empresa pode ter muito a dizer sem necessariamente ter uma notícia pronta. Cabe à comunicação identificar, dentro da experiência daquele negócio, o que pode contribuir para uma discussão que ultrapasse os seus próprios interesses. Um médico, por exemplo, não precisa falar apenas sobre sua clínica ou sobre os serviços que oferece, sua experiência pode ajudá-lo a explicar uma dúvida frequente dos pacientes, um comportamento que vem observando ou uma questão que ganhou espaço na sociedade. Isso também vale para empresários, advogados, arquitetos, especialistas em tecnologia e profissionais de outras áreas.

O conhecimento acumulado dentro de uma empresa pode se tornar informação de interesse público quando consegue ultrapassar os limites da própria empresa.

O erro de confundir divulgação com pauta

Um dos erros mais comuns na assessoria de imprensa é tentar transformar uma informação comercial em notícia apenas mudando seu título. “Empresa lança novo serviço” pode ser uma informação importante para seus clientes, mas isso não significa, por si só, que seja uma pauta relevante para um veículo. O jornalista precisa encontrar naquele lançamento um elemento que justifique a publicação. Pode ser uma mudança no comportamento do consumidor, uma tendência de mercado, um dado relevante, uma inovação com impacto mais amplo ou uma questão que ajude a explicar algo que está acontecendo.

A assessoria de imprensa pode convencer o jornalista de que toda informação da empresa merece publicação. O assessor tem o papel estratégico de encontrar os pontos de contato entre o conhecimento daquele negócio e os assuntos que interessam ao público e aos veículos. É por isso que algumas empresas aparecem na imprensa diversas vezes sem necessariamente falar de seus produtos. Elas se tornam fontes.

Um empresário pode comentar uma tendência do setor, um médico pode explicar uma dúvida que ganhou repercussão, um especialista pode analisar uma mudança regulatória e uma empresa pode apresentar dados de sua própria experiência para ajudar a compreender determinado fenômeno. Nesses casos, a marca não aparece simplesmente porque quer ser divulgada, ela aparece porque tem algo relevante a acrescentar.

Grande parte das empresas possui informações que poderiam render boas pautas, mas que permanecem restritas à rotina interna. São perguntas que os clientes fazem repetidamente, problemas que a equipe aprendeu a resolver, mudanças percebidas antes de outros profissionais, comportamentos observados ao longo dos anos e experiências que influenciaram decisões importantes. O primeiro passo é identificar esse conhecimento.

O que mudou no comportamento dos clientes? Que problema passou a aparecer com mais frequência? O que os profissionais da empresa estão observando? Existe alguma tendência que pode ser compreendida a partir da experiência do negócio? Há dados internos que ajudam a explicar um fenômeno mais amplo? Perguntas assim costumam produzir pautas mais interessantes do que uma simples apresentação institucional.

Também é preciso acompanhar o calendário jornalístico. Assuntos sazonais, mudanças econômicas, acontecimentos recentes, datas relevantes e tendências podem abrir espaço para especialistas que estejam preparados para comentar determinado tema. Nesse contexto, uma boa fonte não é necessariamente a pessoa que representa a empresa mais conhecida. É aquela que tem experiência real, consegue explicar o assunto com clareza e está disponível quando o jornalista precisa. Para o jornalista, isso faz diferença.

Uma fonte precisa ser confiável e acessível, mas também deve entender que uma entrevista não é uma apresentação comercial. A lógica da imprensa é outra.

Assessoria de imprensa e construção de credibilidade

É justamente por isso que a assessoria de imprensa pode ser entendida como uma ferramenta de construção de autoridade e reputação, e não apenas como um serviço de divulgação. O trabalho começa antes do envio de um release. É preciso conhecer a empresa, entender seus profissionais, identificar os conhecimentos que podem ser relevantes para o público, acompanhar os assuntos em discussão e reconhecer as oportunidades em que aquela experiência pode contribuir de maneira legítima. Também faz parte desse trabalho preparar fontes para entrevistas, organizar informações e construir relacionamentos profissionais com jornalistas.

Quando existe consistência, a empresa começa a ocupar outra posição. Seus profissionais deixam de ser apresentados apenas como representantes de uma marca e passam a ser reconhecidos como fontes capazes de contribuir para determinados assuntos. Essa construção não acontece de uma hora para outra e tampouco depende da quantidade de matérias publicadas.

Uma entrevista pode ter grande valor quando associa um profissional a um assunto relevante. Da mesma forma, várias publicações podem contribuir pouco para a reputação se forem apenas menções comerciais sem relação com um posicionamento claro. A imprensa pode ampliar o alcance do conhecimento de uma empresa, mas seu papel não se resume à exposição.

Uma entrevista registra uma opinião, uma reportagem pode associar um profissional a determinado assunto, uma análise publicada pode se tornar uma referência que continuará sendo encontrada depois da publicação original. É assim que a experiência começa a ganhar existência pública.

Para empresários, médicos e especialistas, talvez seja mais produtivo trocar uma pergunta por outra. Em vez de pensar apenas em “como faço para sair na imprensa?”, vale perguntar “sobre quais assuntos tenho conhecimento suficiente para ser uma fonte relevante?”.

Essa mudança de perspectiva costuma levar a uma estratégia de comunicação mais consistente e ajuda a empresa a entender que notícia não é aquilo que ela simplesmente deseja divulgar.

Lembre-se: aparecer na imprensa não começa com a tentativa de divulgar uma empresa, mas com a capacidade de oferecer ao público uma informação que vale a pena conhecer.

Comunicação é um Ativo de Negócio.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Eleições 2026 têm mais de 20 mil pedidos de candidatura; empresários lideram

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Dados atualizados pelo TSE mostram redução de 8,7 mil pedidos em relação às eleições de 2022; deputado estadual concentra o maior número de registros

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 20.530 pedidos de registro de candidatura para as eleições de 2026, segundo dados atualizados na manhã desta terça-feira (18).

O número representa uma redução de 8.732 pedidos em comparação com as eleições de 2022.

As solicitações envolvem candidatos aos cargos de presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador e suplentes, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital.

Do total de pedidos registrados, 13.374, ou 65%, são de pessoas do sexo masculino, enquanto 7.156, equivalentes a 35%, são de pessoas do sexo feminino.

Deputado estadual lidera número de candidaturas

O cargo de deputado estadual concentra a maior quantidade de pedidos de registro, com 11.103 candidaturas.

Na sequência aparecem:

  • Deputado federal: 7.636 pedidos;
  • Deputado distrital: 420;
  • Governador e vice-governador: 196;
  • Senador: 315;
  • Presidência da República: 13.

Na relação entre o número de candidatos e as vagas disponíveis, o cargo de deputado distrital apresenta a maior concorrência, com 17,5 candidatos por vaga.

Para deputado federal, a média é de 14,88 candidatos por vaga.

Empresários lideram entre as ocupações

Os empresários formam o maior grupo profissional entre os candidatos que solicitaram registro, com 2.576 pessoas.

Os advogados aparecem na sequência, com 1.691 candidatos.

Também estão entre as ocupações mais frequentes:

  • Deputados: 874;
  • Vereadores: 811;
  • Policiais militares: 569;
  • Médicos: 558;
  • Servidores públicos estaduais: 541.

Outros 2.709 candidatos foram classificados pelo TSE na categoria de outras ocupações.

Maioria declarou ensino superior completo

Em relação ao grau de instrução, a maior parte dos candidatos declarou possuir ensino superior completo, representando 58,57% dos pedidos.

Em seguida aparecem os candidatos com:

  • Ensino médio completo: 21,41%;
  • Ensino superior incompleto: 10,58%;
  • Ensino médio incompleto: 3,56%;
  • Ensino fundamental incompleto: 2,94%;
  • Ensino fundamental completo: 2,58%.

Segundo os dados, 73 candidatos declararam apenas saber ler e escrever.

Faixa etária e cor ou raça

A faixa etária com o maior número de pedidos de candidatura é a de 45 a 49 anos, com 3.538 registros.

Na sequência estão os candidatos com idade entre:

  • 50 e 54 anos: 3.176;
  • 40 e 44 anos: 2.986;
  • 55 e 59 anos: 2.581.

Em relação à declaração de cor ou raça, 10.013 candidatos, ou 48,77% do total, se declararam brancos.

Outros 7.418 se declararam pardos, representando 36,13%, enquanto cerca de 2,8 mil se declararam pretos, o equivalente a 13,64%.

Também foram registrados 191 candidatos indígenas e 108 candidatos que se declararam amarelos.

Candidaturas ainda passam por análise

Os pedidos registrados pelo TSE ainda fazem parte do processo de análise da Justiça Eleitoral.

O registro formaliza as candidaturas escolhidas pelos partidos, federações e coligações durante as convenções partidárias, mas a situação de cada candidato depende da análise dos documentos apresentados e do cumprimento dos requisitos previstos na legislação eleitoral.

Os números, portanto, mostram o retrato inicial das candidaturas apresentadas para a disputa das eleições de 2026.

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Foto: Valter Campanato/Ag. Brasil

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Saúde mental nas empresas: o que o pequeno e médio empresário precisa entender de verdade

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ESPECIAL PUBLICITÁRIO | Por Pedro Celidonio

Mais do que um tema de cuidado, a saúde mental no trabalho também revela falhas de gestão, liderança e organização da rotina empresarial.

A saúde mental no ambiente de trabalho virou assunto frequente nas empresas, nas redes e nas conversas de gestão. Mas a verdade é que esse tema não surgiu agora. Ele sempre existiu. O que mudou foi o nível de atenção sobre um problema que, por muito tempo, ficou invisível, mal interpretado ou tratado apenas quando já havia sinais mais graves.

E a tendência é de aumento. Não porque as pessoas tenham mudado de uma hora para outra, mas porque o trabalho ficou mais intenso, mais acelerado, mais pressionado e, em muitos casos, mais desorganizado.

Quando o assunto é saúde mental nas empresas, muitos empresários ainda pensam que isso diz respeito apenas à vida pessoal do colaborador. Essa visão é limitada.

A empresa não é responsável por resolver toda a complexidade emocional dos colaboradores. Mas tem, sim, influência direta sobre o ambiente que cria, sobre a forma como o trabalho é organizado e sobre o impacto que isso gera nas pessoas.

Na prática, a saúde mental no trabalho não depende apenas de benefícios, palestras ou ações de bem-estar. Ela também é afetada por fatores do dia a dia, como excesso de cobrança, falta de clareza nas funções, mudanças mal comunicadas, sobrecarga, conflitos mal conduzidos e ausência de suporte da liderança.

Em empresas menores, esse cenário costuma ser ainda mais sensível. Isso porque o dono centraliza decisões, líderes acumulam funções, a operação vive no limite e quase tudo é tratado com urgência. Com o tempo, a pressão vira rotina, a desorganização se torna normal e o desgaste começa a aparecer em forma de queda de produtividade, aumento de conflitos, retrabalho, afastamentos e dificuldade de retenção.

O ponto central é entender que saúde mental também é tema de gestão. Não se trata de transformar a empresa em consultório, mas de reconhecer que uma rotina mal organizada adoece o ambiente, enfraquece a liderança e compromete o negócio.

Para o pequeno e médio empresário, o primeiro passo não é complicar o tema. É olhar com honestidade para perguntas simples: a equipe sabe exatamente o que se espera dela? As prioridades estão claras? A carga está compatível com a estrutura? Os líderes apoiam ou apenas cobram? Os problemas são tratados ou só empurrados?

Muitas vezes, melhorar a saúde mental no trabalho não começa com grandes discursos e sim com ajustes concretos na forma de liderar, distribuir demandas, comunicar mudanças e organizar a operação.

Empresas que entendem isso mais cedo tendem a construir ambientes mais saudáveis, equipes mais estáveis e negócios mais sustentáveis.

Se esse tema faz sentido para a sua empresa e você quiser entender melhor por onde começar, estamos disponíveis para contribuir com orientação e estruturação dessa jornada.

Instagram – Pedro Celidonio
Fone: (11) 99158-6537
https://revoebusiness.com.br/

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Foto de Nik Shuliahin/Unsplash

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