Email marketing não morreu – por Adriana Vasconcellos Soares

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O e-mail marketing segue relevante em 2026, com alto alcance, engajamento consistente e retorno sobre investimento superior à maioria dos canais digitais. Longe de desaparecer, ele se consolida como um dos ativos mais estáveis da comunicação. Apesar da percepção de que as redes sociais dominam o ambiente digital, os dados mostram outro cenário. Estimativas da Statista e do The Radicati Group indicam que cerca de 4,73 bilhões de pessoas utilizam e-mail no mundo em 2026, com aproximadamente 392 bilhões de mensagens enviadas todos os dias. Trata-se de um dos maiores ecossistemas de comunicação digital em operação.

A ideia de que o e-mail perdeu relevância costuma estar associada ao uso pouco estratégico. Quando mal aplicado, o canal perde eficiência. Quando bem estruturado, continua sendo um dos mais consistentes em alcance, relacionamento e conversão. Outro mito recorrente envolve o comportamento dos jovens. Existe a percepção de que novas gerações não utilizam e-mail, mas os dados indicam o contrário. Levantamentos de mercado apontam alta adesão entre a geração Z, além de uma preferência clara pelo canal para comunicação com marcas. Segundo a HubSpot e a Mailjet, 57% da geração Z e 79% dos millennials preferem receber comunicações por e-mail, e não por mensagens diretas em redes sociais.

Entre públicos mais maduros, o desempenho é ainda mais relevante. Estudos compilados por plataformas como Campaign Monitor e Mailchimp mostram que faixas etárias mais altas apresentam taxas de abertura superiores à média, além de maior propensão à leitura completa e à conversão.

No comportamento diário, o e-mail segue integrado à rotina. Dados da OptinMonster indicam que 99% dos usuários verificam a caixa de entrada pelo menos uma vez ao dia, e mais da metade faz isso antes de acessar redes sociais ou portais de notícia. Isso mostra que o canal continua sendo um dos primeiros pontos de contato digital do dia.

A relação com marcas também é mais positiva do que se imagina. Pesquisas de mercado apontam que mais de 60% dos consumidores gostam de receber e-mails promocionais com frequência semanal. O problema raramente está no canal, mas na relevância da mensagem.

Do ponto de vista de resultado, o e-mail marketing segue liderando. Relatórios da Litmus e da HubSpot indicam retorno médio de até US$36 para cada US$1 investido, podendo variar conforme o setor. Em alguns cenários, esse desempenho supera com folga campanhas pagas, especialmente quando há segmentação e personalização.

A frequência, outro ponto frequentemente criticado, também depende de estratégia. Usuários não cancelam inscrições apenas por volume de envios, mas principalmente por falta de relevância. Conteúdos bem direcionados mantêm o engajamento mesmo com maior frequência. O formato também influencia. E-mails em texto simples frequentemente apresentam desempenho igual ou superior a layouts complexos, justamente por se aproximarem de uma comunicação mais direta e pessoal. Essa característica reduz a percepção de publicidade e aumenta a taxa de resposta.

O comportamento mobile reforça essa tendência. Dados da Campaign Monitor mostram que a maior parte dos acessos ocorre via smartphone, com taxas de clique significativamente superiores às registradas em desktop. O e-mail acompanha, portanto, o padrão atual de consumo digital.

Outro fator estratégico diferencia o canal de qualquer outro. A base de e-mails é um ativo próprio. E creio que atualmente, este seja o ponto mais importante sobre o e-mail marketing.

Diferentemente das redes sociais, onde o alcance e a visibilidade dependem de algoritmos e mudanças nas plataformas, a lista de contatos de e-mail marketing permanece sob controle da empresa. Alterações nas redes podem reduzir o alcance de forma imediata, enquanto o e-mail mantém previsibilidade. Casos recentes reforçam esse cenário. Mudanças de algoritmo, instabilidades e até o encerramento de plataformas ao longo dos anos mostram que a audiência nas redes sociais é um ativo condicionado. Já o e-mail segue como um canal direto e próprio.

O crescimento das newsletters ilustra esse movimento. Relatórios como o State of Newsletters 2026, da plataforma beehiiv, mostram aumento consistente nas taxas de abertura, crescimento acelerado de audiências e expansão de modelos de assinatura. Em muitos casos, a primeira conversão ocorre em poucas semanas, demonstrando o potencial do canal como ativo de longo prazo. A percepção de que o e-mail marketing não funciona está menos ligada ao canal e mais à forma como ele é utilizado. Listas desqualificadas, mensagens genéricas e falta de estratégia comprometem resultados. Por outro lado, quando há segmentação, consistência e entrega de valor, o e-mail se mantém como uma das ferramentas mais eficientes do marketing digital. A conclusão é objetiva. O e-mail marketing não morreu. Ele evoluiu, se adaptou ao comportamento mobile, incorporou automação e inteligência de dados e segue como um dos poucos canais que oferecem alcance, controle e previsibilidade em um ambiente digital cada vez mais instável.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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