O resultado das eleições de 2026, que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato na Presidência da República, representou mais uma derrota para a família Bolsonaro. Mas o resultado das urnas não foi o único episódio que colocou em xeque a força política do clã. A saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, poucas horas depois de ser derrotado, abriu uma nova discussão: até que ponto a família ainda conta com o apoio da direita brasileira?
A reação dos Bolsonaro diante de mais uma derrota eleitoral também merece reflexão. Em vez de reconhecer possíveis erros e avaliar o que não funcionou durante a campanha, integrantes da família voltaram a direcionar suas críticas ao sistema eleitoral e a adversários políticos.
Esse comportamento não é novo. Em 2022, após a derrota de Jair Bolsonaro, o ex-presidente permaneceu em silêncio por dias, viajou para os Estados Unidos e não reconheceu publicamente o resultado da eleição naquele momento. O período também foi marcado por manifestações de apoiadores em frente aos quartéis, questionamentos ao resultado das urnas e, posteriormente, pelos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Em 2026, a história ganhou novos contornos. Após a derrota, Flávio Bolsonaro concedeu entrevista acusando o sistema eleitoral de ter prejudicado sua candidatura. Na sequência, afirmou que permaneceria no Brasil para representar os quase 60 milhões de eleitores que votaram nele no segundo turno. Poucas horas depois, porém, seguiu para os Estados Unidos.
A decisão levantou questionamentos sobre suas reais intenções, especialmente diante das investigações em andamento e da perspectiva de perder o foro privilegiado com o encerramento de seu mandato no Senado.
A direita vai continuar ao lado dos Bolsonaro?
É justamente nesse cenário que surge a principal pergunta: o que será de Jair, Flávio e Eduardo Bolsonaro sem o apoio de parte expressiva da direita?
Os sinais de distanciamento merecem atenção. A saída de Flávio do país não parece ter encontrado respaldo unânime entre lideranças importantes do campo conservador, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho (PL), que coordenou a campanha presidencial de Flávio.
A direita brasileira pode estar diante de uma mudança de cenário. Depois de anos em que a família Bolsonaro concentrou boa parte da representação política desse campo, começam a surgir questionamentos sobre quem terá condições de ocupar esse espaço.
Será o início do fim da força política dos Bolsonaro? As derrotas eleitorais, os episódios envolvendo a Justiça e o possível afastamento de aliados podem representar o começo de uma nova fase. Mas ainda é cedo para afirmar que a família perdeu sua influência sobre uma parcela significativa do eleitorado.
O início do fim de uma era?
Na minha avaliação, a prisão de Jair Bolsonaro marcou o início de um processo de enfraquecimento da força política da família. A saída de Flávio do Brasil acelerou esse movimento, enquanto a derrota nas urnas acrescentou mais um elemento a uma sequência de acontecimentos que pode comprometer a capacidade de articulação do clã.
Outro episódio que merece destaque foi a carta divulgada por Flávio após chegar aos Estados Unidos. O documento, com questionamentos ao resultado eleitoral e críticas às instituições brasileiras, reforçou a percepção de que a família continua concentrando seus esforços na contestação do processo político e judicial, em vez de apresentar uma agenda capaz de ampliar seu diálogo com o país.
A política exige mais do que mobilizar eleitores e manter uma base fiel. Exige capacidade de articulação, construção de alianças, reconhecimento de erros e apresentação de propostas para o futuro. Sem isso, até mesmo lideranças que já tiveram grande influência podem perder espaço.
A pergunta que fica é: a direita continuará caminhando ao lado dos Bolsonaro ou começará a construir novas lideranças para ocupar esse espaço?
Na minha avaliação, estamos assistindo ao possível início da queda da era Bolsonaro. Mas o desfecho dessa história dependerá não apenas dos próximos movimentos da família, mas também das escolhas daqueles que, até aqui, caminharam ao seu lado.
E você, acredita que estamos diante do fim da força política dos Bolsonaro ou a família ainda conseguirá se manter como protagonista da direita brasileira? Deixe sua opinião nos comentários.
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Foto: Reprodução/Agência Senado
