A imprensa perdeu relevância ou a assessoria de imprensa precisa mudar?

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“Não compensa mais sair na imprensa.”

Já ouvi algumas pessoas fazendo essa afirmação que, geralmente, vem acompanhada de comparações com as redes sociais, os podcasts e outros canais que permitem às empresas falar diretamente com seus públicos, sem depender da decisão editorial de um jornalista. É verdade que a comunicação mudou. Hoje, uma empresa pode produzir conteúdo, compartilhar conhecimento e construir relacionamentos por meio de diferentes plataformas, mas isso significa que a imprensa perdeu relevância? Ou será que precisamos rever a maneira como avaliamos o trabalho de assessoria de imprensa?

Para mim, o problema começa quando o resultado desse trabalho é medido apenas pelo número de matérias publicadas. Aparecer em um veículo não é, por si só, um resultado estratégico. É preciso considerar o contexto daquela publicação, o público que ela alcança e a relação entre o assunto abordado e os objetivos da empresa. Uma reportagem em um veículo nacional pode fazer sentido para um negócio que busca investidores. Já uma publicação regional pode ser mais relevante para uma empresa que deseja ampliar sua presença em determinado mercado. Não existe uma resposta única, o que existe é a necessidade de saber por que aquela exposição importa. Antes de perguntar quantas matérias foram conquistadas, portanto, vale entender o que a empresa pretendia alcançar com o trabalho.

A assessoria de imprensa tem uma característica que a diferencia de outros canais. A empresa não decide o que será publicado, quando a matéria sairá ou qual abordagem o jornalista dará ao assunto. Cabe à assessoria identificar pautas, preparar fontes, apresentar informações relevantes e construir um relacionamento profissional com a imprensa. A decisão final é editorial.

Nas redes sociais e nos canais próprios, como sites, blogs e newsletters, a empresa tem mais autonomia para definir o que dizer e como apresentar sua história. Isso permite manter uma comunicação contínua com seus públicos, compartilhar conhecimento e aprofundar temas relacionados ao negócio. Esses canais são importantes, mas existe uma diferença entre uma organização falar de si mesma e um veículo jornalístico considerar que sua experiência, seus dados ou seus profissionais merecem espaço em uma reportagem.

Quando uma empresa aparece em uma matéria alinhada aos seus objetivos, ela passa a integrar uma narrativa editorial que não controla integralmente. Essa exposição pode contribuir para sua credibilidade, ampliar o reconhecimento de seus especialistas e aproximá-la de públicos estratégicos.

Recentemente, um cliente foi publicado no Portal Terra e na Bons Fluidos. A repercussão observada ajudou a mostrar o valor da exposição para minha cliente que busca por mais pacientes.

O ponto não está apenas no nome do veículo. Está na combinação entre a pauta, o perfil do público e o momento vivido pelo negócio. Dependendo do que o cliente/empresa procura atrair, uma reportagem com esse alinhamento pode ter mais valor estratégico do que várias publicações sem relação direta com seus objetivos. Isso não significa que uma matéria garanta novos negócios, investimentos, novos clientes ou resultados comerciais. Significa que a escolha dos assuntos e dos veículos precisa fazer sentido dentro da estratégia de comunicação.

Quando a assessoria se resume a publicar

Parte da resistência à assessoria de imprensa pode ser explicada por experiências em que o trabalho se limita ao envio de releases, à busca por espaços e à apresentação de relatórios com a quantidade de matérias conquistadas. Nesse modelo, a empresa até pode aparecer, mas nem sempre entende o que aquela exposição acrescenta à sua reputação ou ao seu posicionamento. O volume de publicações acaba ocupando o lugar da análise sobre a qualidade e a pertinência dos resultados.

Uma assessoria estratégica começa muito antes do contato com os jornalistas. É preciso conhecer o negócio, entender seus objetivos, identificar seus diferenciais e reconhecer quais conhecimentos e experiências podem contribuir para uma pauta de interesse jornalístico. Nem sempre isso significa divulgar um produto ou serviço. Muitas vezes, o caminho está em identificar um problema relevante, explicar uma tendência, analisar uma mudança no setor ou apresentar informações que ajudem o público a compreender determinado assunto.

A experiência de uma empresa pode render boas pautas, desde que seja transformada em informação relevante para além dos interesses comerciais da própria organização. É nesse trabalho que a assessoria de imprensa se conecta à comunicação estratégica. O objetivo não é apenas conquistar espaço, mas contribuir para que a empresa e seus profissionais sejam reconhecidos por conhecimentos, experiências e temas que tenham relação com aquilo que desejam construir no mercado.

Reconhecer o valor do jornalismo não significa ignorar as transformações na maneira como as pessoas consomem informação. Redes sociais, podcasts, newsletters, sites e eventos ampliaram as possibilidades de comunicação e permitem que empresas mantenham contato frequente com seus públicos.

O erro está em tratar todos esses canais como se cumprissem a mesma função. Um artigo no blog pode aprofundar um tema e demonstrar o conhecimento da empresa. As redes sociais ajudam a distribuir esse conteúdo e manter o relacionamento com a audiência. Um podcast pode ampliar a conversa com especialistas. Já uma reportagem permite que a organização participe de uma discussão conduzida por um veículo jornalístico. Essas iniciativas podem se fortalecer mutuamente. Uma entrevista pode render novos conteúdos para os canais próprios. Um artigo pode revelar uma pauta de interesse da imprensa. A produção recorrente de conteúdo técnico também pode ajudar a preparar especialistas para entrevistas e posicioná-los como fontes em suas áreas de atuação.

Para isso, porém, as ações precisam conversar entre si. Publicar em várias plataformas, sem uma direção comum, não significa necessariamente construir uma estratégia de comunicação. Também é preciso respeitar os limites de cada canal. Uma presença ativa nas redes sociais não substitui automaticamente o relacionamento com a imprensa. Da mesma forma, conquistar uma reportagem não dispensa a empresa de manter seus canais atualizados e oferecer informações que ajudem o público a conhecer seu trabalho. A escolha deve partir dos objetivos do negócio, e não da ideia de que uma ferramenta é mais moderna ou eficiente simplesmente por estar em evidência.

Afinal, compensa sair na imprensa?

Depende do que a empresa precisa construir, do momento em que se encontra e do público que deseja alcançar. Em alguns casos, o trabalho poderá priorizar o reconhecimento de especialistas. Em outros, poderá contribuir para fortalecer a reputação em determinado setor, apresentar uma análise relevante ou ampliar a presença da empresa em discussões de interesse de clientes, investidores e parceiros. Há situações, inclusive, em que a imprensa não será o canal prioritário. Uma estratégia bem planejada não precisa utilizar todas as ferramentas disponíveis, mas precisa escolher aquelas que fazem sentido e avaliar sua contribuição ao longo do tempo.

O que não faz sentido é descartar a imprensa como se a multiplicação dos canais tivesse eliminado o valor do jornalismo. Tampouco vale manter uma assessoria apenas para contabilizar publicações, sem compreender o que elas representam para a empresa. A questão, portanto, não é simplesmente aparecer ou não aparecer. É saber por que estar naquele veículo, com aquela pauta e diante daquele público pode contribuir para os objetivos do negócio.

É assim que a assessoria de imprensa deixa de ser uma atividade medida apenas pela quantidade de matérias e passa a integrar uma estratégia mais ampla de posicionamento e reputação.

Comunicação é um ativo de negócio.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Por que algumas empresas aparecem na imprensa e outras nunca conseguem virar notícia?

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Uma empresa pode ter uma história interessante, profissionais experientes e muito conhecimento acumulado. Ainda assim, isso não significa que tenha uma pauta jornalística. Essa é uma diferença que costuma gerar confusão. O que é importante para uma empresa nem sempre desperta o interesse de um jornalista ou do público de um veículo.

Um lançamento, a abertura de uma nova unidade, uma conquista ou o aniversário da empresa podem ter grande significado para quem está dentro do negócio. Para se transformar em notícia, porém, aquela informação precisa trazer algo que interesse também a quem está do outro lado e, é aí que muitas empresas confundem divulgação comercial com pauta jornalística.

O jornalista não começa pelo que a empresa gostaria de divulgar. Ele precisa entender por que aquela informação merece ser apresentada ao público daquele veículo. Uma pauta pode ganhar relevância porque traz uma informação nova, ajuda a explicar uma mudança, apresenta dados, mostra um comportamento que está crescendo, esclarece um problema ou coloca à disposição uma fonte capaz de analisar um assunto em discussão. Essa perspectiva muda a maneira de pensar uma pauta.

Uma empresa pode ter muito a dizer sem necessariamente ter uma notícia pronta. Cabe à comunicação identificar, dentro da experiência daquele negócio, o que pode contribuir para uma discussão que ultrapasse os seus próprios interesses. Um médico, por exemplo, não precisa falar apenas sobre sua clínica ou sobre os serviços que oferece, sua experiência pode ajudá-lo a explicar uma dúvida frequente dos pacientes, um comportamento que vem observando ou uma questão que ganhou espaço na sociedade. Isso também vale para empresários, advogados, arquitetos, especialistas em tecnologia e profissionais de outras áreas.

O conhecimento acumulado dentro de uma empresa pode se tornar informação de interesse público quando consegue ultrapassar os limites da própria empresa.

O erro de confundir divulgação com pauta

Um dos erros mais comuns na assessoria de imprensa é tentar transformar uma informação comercial em notícia apenas mudando seu título. “Empresa lança novo serviço” pode ser uma informação importante para seus clientes, mas isso não significa, por si só, que seja uma pauta relevante para um veículo. O jornalista precisa encontrar naquele lançamento um elemento que justifique a publicação. Pode ser uma mudança no comportamento do consumidor, uma tendência de mercado, um dado relevante, uma inovação com impacto mais amplo ou uma questão que ajude a explicar algo que está acontecendo.

A assessoria de imprensa pode convencer o jornalista de que toda informação da empresa merece publicação. O assessor tem o papel estratégico de encontrar os pontos de contato entre o conhecimento daquele negócio e os assuntos que interessam ao público e aos veículos. É por isso que algumas empresas aparecem na imprensa diversas vezes sem necessariamente falar de seus produtos. Elas se tornam fontes.

Um empresário pode comentar uma tendência do setor, um médico pode explicar uma dúvida que ganhou repercussão, um especialista pode analisar uma mudança regulatória e uma empresa pode apresentar dados de sua própria experiência para ajudar a compreender determinado fenômeno. Nesses casos, a marca não aparece simplesmente porque quer ser divulgada, ela aparece porque tem algo relevante a acrescentar.

Grande parte das empresas possui informações que poderiam render boas pautas, mas que permanecem restritas à rotina interna. São perguntas que os clientes fazem repetidamente, problemas que a equipe aprendeu a resolver, mudanças percebidas antes de outros profissionais, comportamentos observados ao longo dos anos e experiências que influenciaram decisões importantes. O primeiro passo é identificar esse conhecimento.

O que mudou no comportamento dos clientes? Que problema passou a aparecer com mais frequência? O que os profissionais da empresa estão observando? Existe alguma tendência que pode ser compreendida a partir da experiência do negócio? Há dados internos que ajudam a explicar um fenômeno mais amplo? Perguntas assim costumam produzir pautas mais interessantes do que uma simples apresentação institucional.

Também é preciso acompanhar o calendário jornalístico. Assuntos sazonais, mudanças econômicas, acontecimentos recentes, datas relevantes e tendências podem abrir espaço para especialistas que estejam preparados para comentar determinado tema. Nesse contexto, uma boa fonte não é necessariamente a pessoa que representa a empresa mais conhecida. É aquela que tem experiência real, consegue explicar o assunto com clareza e está disponível quando o jornalista precisa. Para o jornalista, isso faz diferença.

Uma fonte precisa ser confiável e acessível, mas também deve entender que uma entrevista não é uma apresentação comercial. A lógica da imprensa é outra.

Assessoria de imprensa e construção de credibilidade

É justamente por isso que a assessoria de imprensa pode ser entendida como uma ferramenta de construção de autoridade e reputação, e não apenas como um serviço de divulgação. O trabalho começa antes do envio de um release. É preciso conhecer a empresa, entender seus profissionais, identificar os conhecimentos que podem ser relevantes para o público, acompanhar os assuntos em discussão e reconhecer as oportunidades em que aquela experiência pode contribuir de maneira legítima. Também faz parte desse trabalho preparar fontes para entrevistas, organizar informações e construir relacionamentos profissionais com jornalistas.

Quando existe consistência, a empresa começa a ocupar outra posição. Seus profissionais deixam de ser apresentados apenas como representantes de uma marca e passam a ser reconhecidos como fontes capazes de contribuir para determinados assuntos. Essa construção não acontece de uma hora para outra e tampouco depende da quantidade de matérias publicadas.

Uma entrevista pode ter grande valor quando associa um profissional a um assunto relevante. Da mesma forma, várias publicações podem contribuir pouco para a reputação se forem apenas menções comerciais sem relação com um posicionamento claro. A imprensa pode ampliar o alcance do conhecimento de uma empresa, mas seu papel não se resume à exposição.

Uma entrevista registra uma opinião, uma reportagem pode associar um profissional a determinado assunto, uma análise publicada pode se tornar uma referência que continuará sendo encontrada depois da publicação original. É assim que a experiência começa a ganhar existência pública.

Para empresários, médicos e especialistas, talvez seja mais produtivo trocar uma pergunta por outra. Em vez de pensar apenas em “como faço para sair na imprensa?”, vale perguntar “sobre quais assuntos tenho conhecimento suficiente para ser uma fonte relevante?”.

Essa mudança de perspectiva costuma levar a uma estratégia de comunicação mais consistente e ajuda a empresa a entender que notícia não é aquilo que ela simplesmente deseja divulgar.

Lembre-se: aparecer na imprensa não começa com a tentativa de divulgar uma empresa, mas com a capacidade de oferecer ao público uma informação que vale a pena conhecer.

Comunicação é um Ativo de Negócio.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


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Sua empresa está preparada para ser encontrada pela Inteligência Artificial?

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Durante anos, as empresas se preocuparam em aparecer no Google, conquistar seguidores nas redes sociais e conseguir espaço na imprensa. Essas estratégias continuam relevantes, mas a maneira como as pessoas procuram informações está mudando. Hoje, alguém pode perguntar a uma ferramenta de inteligência artificial qual é a melhor empresa de determinado segmento, pedir indicação de um profissional ou buscar alternativas para resolver um problema específico. A resposta pode apresentar nomes que o usuário sequer conhecia. Isso muda uma questão importante para os negócios: não basta pensar apenas em como aparecer. É preciso pensar em como a empresa é compreendida quando alguém procura por ela ou pelo problema que ela resolve.

Essa mudança traz uma nova dimensão para a construção de autoridade. Imagine uma pequena empresa com dez anos de experiência, bons clientes e profissionais qualificados. O empresário conhece profundamente seu mercado, mas sua presença digital se resume a algumas publicações nas redes sociais. Do outro lado, existe uma concorrente mais nova, mas com site estruturado, artigos, entrevistas, conteúdos especializados e profissionais que participam de discussões relevantes do setor. Qual das duas oferece mais informações para alguém que nunca teve contato com elas? A primeira pode ter mais experiência. A segunda, porém, deixou mais evidências públicas dessa experiência.

Esse ponto merece atenção porque a inteligência artificial não sabe que uma empresa é boa simplesmente porque o empresário sabe disso. Ela precisa encontrar informações disponíveis para formar uma compreensão sobre aquela marca. Por isso, reputação, conteúdo e presença digital começam a se aproximar ainda mais. O conhecimento que antes ficava restrito à empresa precisa encontrar caminhos para se tornar público.

Isso não significa que a resposta seja produzir cada vez mais conteúdo. Quantidade, por si só, não constrói autoridade. Uma grande quantidade de textos superficiais dificilmente será mais valiosa do que conteúdos que realmente demonstrem conhecimento e ajudem o público a compreender determinado assunto. Uma clínica pode explicar dúvidas frequentes dos pacientes. Um escritório pode analisar questões que afetam seus clientes. Uma indústria pode comentar tendências do setor e mostrar como determinados processos funcionam. Um consultor pode transformar sua experiência em artigos, entrevistas e análises. Aos poucos, a empresa deixa registros públicos daquilo que sabe fazer.

Todo esse conteúdo cumpre uma função que vai além das redes sociais. Ele ajuda a construir um conjunto de informações sobre a marca, seus profissionais, sua área de atuação e o conhecimento que possui. Quanto mais clara e consistente for essa presença, mais elementos existirão para que pessoas e sistemas compreendam o negócio.

A imprensa também passa a ter um papel interessante nesse cenário, já que uma reportagem publicada em um veículo de comunicação, uma entrevista concedida por um especialista ou uma análise assinada por um profissional cria uma referência externa sobre aquela empresa ou pessoa. Isso não significa que uma publicação na imprensa garanta que uma ferramenta de IA recomendará determinada marca. Seria incorreto afirmar isso. O que muda é a quantidade e a qualidade das referências disponíveis para que pessoas e sistemas consigam compreender quem está por trás daquele negócio e qual é sua experiência.

Por isso, a assessoria de imprensa pode ser pensada dentro de uma estratégia mais ampla de construção de autoridade. Não se trata apenas de conseguir exposição, trata-se também de colocar conhecimento e experiência em circulação, criando referências que permaneçam disponíveis depois que uma determinada notícia deixa de ser assunto do dia.

Existe uma pergunta que todo empresário deveria fazer neste momento: se alguém perguntar a uma ferramenta de inteligência artificial quem é minha empresa, o que ela faz, em que área atua e por que deveria ser considerada, existem informações suficientes para construir uma resposta consistente?

E não basta olhar apenas para o nome da empresa. É preciso observar o conjunto. Existem conteúdos que demonstram conhecimento? O site explica claramente o negócio? Os profissionais estão apresentados? Há entrevistas, artigos ou reportagens? A empresa aparece em fontes externas relevantes? O posicionamento está claro ou cada canal apresenta uma versão diferente da marca?

Não é possível controlar completamente o que uma inteligência artificial responderá sobre uma empresa. Mas existe muito que pode ser feito para melhorar a qualidade das informações que estão disponíveis sobre ela. Organizar o site, esclarecer os serviços, apresentar os profissionais, produzir conteúdos úteis, responder às dúvidas do público, participar de entrevistas e transformar conhecimento interno em informação pública são algumas dessas ações.

Isso vale também para pequenos negócios. Não é necessário ter uma grande equipe de marketing ou investir em estruturas complexas para começar. Uma empresa pode começar organizando aquilo que já sabe, identificando as dúvidas mais frequentes de seus clientes e transformando sua experiência em conteúdo. Pode explicar melhor o que faz, mostrar quem está por trás da operação e participar das conversas relevantes do seu mercado.

O objetivo não é estar em todos os lugares. É construir uma presença que faça sentido.

A inteligência artificial não criou a necessidade de uma empresa ter reputação, posicionamento e autoridade. Ela apenas tornou mais evidente a importância de deixar informações claras e consistentes disponíveis no ambiente digital. Afinal, quando uma empresa não comunica seu conhecimento, quem nunca teve contato com ela não tem como saber que esse conhecimento existe.

Durante muito tempo, uma empresa precisava ser encontrada pelo consumidor. Agora, precisa também oferecer informações suficientes para ser compreendida. Essa diferença muda a maneira como pensamos autoridade e comunicação.

A empresa que deseja ser reconhecida como referência não pode depender apenas daquilo que diz sobre si mesma. Precisa construir, ao longo do tempo, um conjunto de conteúdos e referências que permita ao mercado entender quem ela é, o que sabe fazer e qual valor entrega.

Lembre-se:
Autoridade não é apenas ser conhecido. É construir referências suficientes para que o mercado reconheça quem você é, o que sabe fazer e o valor que entrega.

Comunicação é um Ativo de Negócio.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


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Por que empresas parecidas têm resultados tão diferentes? A resposta pode estar na reputação

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Dois concorrentes oferecem praticamente o mesmo produto, praticam preços semelhantes e atendem o mesmo público. Ainda assim, um deles costuma ser a primeira escolha dos clientes. O que explica essa diferença?

Nem sempre a resposta está na qualidade do produto, no preço ou no investimento em publicidade. Muitas vezes, ela está na reputação que a empresa construiu ao longo do tempo.

Esse é um aspecto que ainda recebe pouca atenção dos pequenos negócios. Boa parte dos empresários conhece profundamente seus produtos ou serviços. Explica diferenciais, fala sobre tecnologia, qualidade, atendimento e investimentos feitos para melhorar a operação. Tudo isso é importante. O problema é que, muitas vezes, a comunicação termina aí. Poucos dedicam o mesmo esforço para refletir sobre como desejam que sua empresa seja reconhecida pelo mercado.

É justamente nesse ponto que começa a diferença entre vender um produto e construir um negócio sólido.

Produtos podem ser copiados. Reputação não.

Uma empresa pode lançar um produto inovador hoje e, em pouco tempo, ver concorrentes oferecendo soluções semelhantes. O preço muda, a tecnologia evolui e os processos melhoram. O que realmente leva tempo para ser construído é a confiança.

A reputação é resultado da soma das experiências que clientes, parceiros, fornecedores, colaboradores e até pessoas que nunca compraram da empresa têm com a marca. Ela não nasce de uma campanha publicitária nem de um perfil ativo nas redes sociais. É construída diariamente, por meio da coerência entre aquilo que a empresa promete e aquilo que realmente entrega.

O maior erro de comunicação dos pequenos negócios não é divulgar pouco. É divulgar sem antes definir como desejam ser reconhecidos pelo mercado. Por isso, muitos concentram seus esforços em apresentar ofertas, lançamentos e produtos, mas quase nunca comunicam seus valores, sua história, seu propósito, seu conhecimento ou o impacto que geram na vida dos clientes.

Quando isso acontece, a empresa passa a competir apenas por preço, conveniência ou disponibilidade. E essa é uma disputa difícil de vencer.

Empresas lembradas apenas pelo produto tornam-se facilmente substituíveis. Já aquelas reconhecidas pela reputação constroem relacionamentos mais duradouros e desenvolvem uma vantagem competitiva muito mais difícil de copiar.

A reputação influencia decisões de compra

Antes de contratar um serviço ou comprar um produto, a maioria das pessoas pesquisa. Consulta avaliações, visita o site da empresa, analisa o LinkedIn dos sócios, lê comentários, procura reportagens, observa o conteúdo publicado e pede indicações. Em outras palavras, procura sinais de confiança. Essa avaliação acontece muito antes do primeiro contato comercial.

Ainda existe a ideia de que comunicar é apenas divulgar, mas a comunicação estratégica vai muito além disso. Ela ajuda a definir como a empresa deseja ser reconhecida, organiza as mensagens, fortalece o posicionamento, constrói reputação, desenvolve autoridade, aproxima públicos e contribui para que o mercado compreenda o valor do negócio. É por isso que defendo um conceito que orienta toda a minha atuação.

A comunicação deve ser tratada como um Ativo de Negócio.

Assim como uma empresa investe em pessoas, tecnologia e inovação, também precisa investir na forma como constrói sua reputação.

Hoje, esse desafio ganhou uma nova dimensão. Cada vez mais pessoas recorrem à inteligência artificial para buscar recomendações, comparar fornecedores e reunir informações antes de tomar uma decisão. Esses sistemas analisam conteúdos publicados, referências em veículos de comunicação, artigos, presença digital e diversos sinais de credibilidade. Isso significa que a reputação deixou de ser construída apenas na relação entre empresa e cliente. Ela também passa pela forma como a empresa é encontrada, interpretada e apresentada por sistemas de inteligência artificial.

Empresas que produzem conteúdo relevante, compartilham conhecimento e mantêm uma comunicação consistente tendem a construir sinais mais sólidos de credibilidade, tanto para as pessoas quanto para essas novas ferramentas.

Reputação também é estratégia

Não é necessário que o empresário se transforme em influenciador nem que publique conteúdo todos os dias. O que faz diferença é comunicar de forma coerente, explicar no que a empresa acredita, compartilhar conhecimento, mostrar como resolve problemas, valorizar sua equipe, demonstrar experiência e participar das conversas relevantes do seu mercado. Essas ações fortalecem a reputação muito mais do que uma sequência de publicações promocionais.

Neste ponto, vale fazer uma reflexão.

Se alguém pesquisar hoje pelo nome da sua empresa, encontrará apenas produtos e serviços ou encontrará também conhecimento, credibilidade, posicionamento e razões para confiar na sua marca?

A resposta ajuda a entender como sua empresa está construindo sua reputação. Empresas precisam vender, mas vendas sustentáveis são consequência da confiança. Produtos despertam interesse, promoções atraem atenção e a reputação gera preferência. Por isso, acredito que a comunicação não deve ser vista apenas como uma ferramenta de divulgação. Ela precisa fazer parte da estratégia do negócio, apoiando a construção de relacionamentos, fortalecendo a marca e criando valor ao longo do tempo.

Quando uma empresa comunica apenas o que vende, ela disputa espaço com seus concorrentes. Quando comunica o valor que entrega, a confiança que inspira e a reputação que constrói, ela passa a ocupar um lugar diferente na mente das pessoas. É essa diferença que transforma a comunicação em um verdadeiro Ativo de Negócio.

Empresas que apenas divulgam o que fazem competem por atenção. Empresas que constroem reputação criam motivos para serem escolhidas e lembradas.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


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Você domina sua profissão. Mas o mercado sabe disso? – por Adriana Vasconcellos Soares

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Durante muito tempo, ser um excelente profissional seria suficiente para conquistar reconhecimento no mercado. A lógica parecia simples. Quem tinha mais conhecimento, mais experiência e melhores resultados acabaria naturalmente sendo encontrado pelos clientes. Essa realidade mudou.

Hoje, milhares de profissionais altamente qualificados disputam atenção em um ambiente digital saturado de informações. O conhecimento continua sendo fundamental, mas deixou de ser suficiente. Se ele não for transformado em comunicação estratégica, corre o risco de permanecer invisível.

Esse desafio é especialmente evidente entre médicos, advogados, consultores, engenheiros, psicólogos e outros especialistas que dedicam grande parte do seu tempo ao exercício da profissão. Na maioria das vezes, o problema não é falta de conteúdo, pelo contrário, existe um enorme patrimônio intelectual acumulado em anos de estudo, experiência e prática profissional. A dificuldade está em transformar esse conhecimento em presença.

Muitos profissionais começam a produzir conteúdo com entusiasmo, publicam por algumas semanas, compartilham informações relevantes e tentam manter frequência nas redes sociais. Depois, a rotina se impõe, as demandas aumentam, os compromissos se acumulam e a produção perde consistência.

Outros conseguem manter uma frequência razoável, mas esbarram em outra frustração. Descobrem que alcance não significa autoridade, curtidas não representam necessariamente confiança e visualizações nem sempre se convertem em negócios. Esse é um dos principais equívocos da comunicação digital atual, confundir atividade com posicionamento.

Publicar muito não significa construir reputação, o que gera autoridade não é a quantidade de conteúdo, mas a capacidade de transformar conhecimento em narrativas relevantes, consistentes e alinhadas aos objetivos profissionais. A construção de autoridade exige estratégia e cada conteúdo precisa cumprir uma função. Alguns ajudam a educar o público, outros fortalecem credibilidade. Alguns esclarecem dúvidas recorrentes, outros demonstram experiência prática.

Quando existe planejamento, cada publicação passa a fazer parte de um sistema maior de posicionamento, além disso, cresce a importância da diversificação de canais. Muitos profissionais concentram toda sua comunicação em uma única rede social. O problema é que dependem integralmente dos algoritmos para serem vistos e uma mudança na plataforma pode reduzir drasticamente alcance, visibilidade e engajamento. Por isso, a construção de presença digital precisa ser mais ampla.

O LinkedIn fortalece posicionamento profissional. O Instagram amplia proximidade e relacionamento. O blog ou site próprio consolida autoridade e cria um patrimônio digital permanente, independente das mudanças nas redes sociais.

A inteligência artificial reforça ainda mais essa necessidade com ferramentas como ChatGPT, Gemini e Perplexity, que estão mudando a forma como as pessoas encontram informações e escolhem profissionais. Cada vez mais, sistemas de IA utilizam conteúdos publicados em diferentes fontes para construir respostas e recomendações, nesse contexto, a consistência da presença digital ganha um novo significado. Não basta apenas existir nas redes sociais, é preciso construir relevância em múltiplos canais.

O profissional que consegue transformar sua experiência em conteúdo estruturado aumenta suas chances de ser encontrado, lembrado e considerado quando uma decisão importante precisa ser tomada.

A boa notícia é que ninguém precisa produzir conteúdo todos os dias para construir autoridade. O que faz diferença é a qualidade do conteúdo, a estratégia, organização e coerência empregadas. Porque, no ambiente digital atual, o mercado não reconhece apenas quem sabe mais, ele reconhece quem consegue transformar conhecimento em presença, presença em autoridade e autoridade em confiança.

O Instagram mudou. Hoje, crescer na plataforma depende menos de “hackear algoritmo” e mais de construir relevância consistente. No fim, o algoritmo não recompensa perfis zerados. Ele recompensa conteúdo que faz sentido para pessoas reais.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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Zerar seguidores não faz o Instagram entregar mais – por Adriana Vasconcellos Soares

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De tempos em tempos, uma teoria volta a circular entre criadores de conteúdo, empresas e influenciadores digitais. A ideia de que apagar seguidores ou até zerar completamente a base do Instagram faria o algoritmo “reiniciar” e voltar a entregar os conteúdos para mais pessoas.

A promessa parece tentadora. Menos seguidores ruins, mais alcance, mais crescimento. O problema é que essa lógica não funciona exatamente assim. O Instagram não possui um mecanismo de “reset” capaz de premiar perfis apenas porque removeram seguidores. O algoritmo não interpreta a exclusão da base como um sinal positivo automático. O que ele realmente observa é comportamento de audiência.

E é justamente aí que muita gente confunde causa e consequência. Perfis com muitos seguidores falsos, bots (contas automatizadas, falsas ou programadas para simular comportamento humano) ou contas inativas costumam apresentar um problema comum. Baixo engajamento proporcional. A conta até possui números altos, mas pouca interação real. Isso enfraquece sinais importantes para a plataforma, como retenção, compartilhamentos, comentários e salvamentos.

Na prática, um perfil com 100 mil seguidores e poucas interações pode parecer menos relevante para o Instagram do que outro com 10 mil seguidores altamente engajados. Por isso, quando alguém remove seguidores falsos ou inativos, algumas métricas podem melhorar naturalmente. A taxa de engajamento sobe, a audiência fica mais qualificada e o perfil passa a refletir dados mais reais. Mas isso não significa que o algoritmo resolveu entregar mais conteúdo porque o perfil “zerou”.

Existe uma diferença importante entre limpar audiência ruim e destruir completamente a base construída ao longo do tempo. Apagar todos os seguidores pode gerar efeitos negativos. O perfil perde prova social, reduz sinais históricos de relevância e enfraquece a distribuição inicial das publicações. Além disso, seguidores reais que ainda interagiam com o conteúdo também desaparecem nesse processo.

Outro ponto importante é que o Instagram vem realizando limpezas massivas de contas falsas, bots e perfis inativos desde 2025. Muitos usuários perceberam quedas bruscas no número de seguidores e passaram a associar isso a uma suposta melhora de alcance. Em alguns casos, o engajamento realmente melhora depois dessas remoções, mas não porque houve um “reset”. O que acontece é uma qualificação da audiência.

O problema central da maioria dos perfis não está apenas nos seguidores. Está no conteúdo.

Hoje, o Instagram prioriza sinais muito mais profundos do que quantidade bruta de audiência. A plataforma observa tempo de retenção, compartilhamentos, recorrência de interesse, interações reais e consistência temática. Se o conteúdo não gera interesse genuíno, zerar seguidores não resolve o problema. Muitos perfis enfrentam queda de alcance porque produzem conteúdos genéricos, sem posicionamento claro, sem narrativa e sem conexão consistente com o público. Outros sofrem com excesso de posts reaproveitados, baixa retenção nos vídeos ou frequência irregular de publicação.

O algoritmo atual favorece originalidade, relevância temática e capacidade de manter atenção. Não apenas volume de seguidores. Isso explica por que perfis menores muitas vezes conseguem crescer mais rápido do que contas enormes. O Instagram quer entregar conteúdos que façam as pessoas permanecerem na plataforma, interagirem e retornarem. É isso que define distribuição.

Nesse cenário, a estratégia mais inteligente não costuma ser radical. Em vez de apagar toda a base, o ideal é remover gradualmente seguidores claramente falsos, abandonar automações, revisar posicionamento e produzir conteúdos mais alinhados ao comportamento real da audiência. O foco precisa deixar de ser quantidade e passar a ser qualidade.

Ter menos seguidores reais e interessados tende a gerar muito mais resultado do que manter uma audiência inflada artificialmente. Afinal, bots não compram, não indicam, não comentam de verdade e não constroem reputação.

O Instagram mudou. Hoje, crescer na plataforma depende menos de “hackear algoritmo” e mais de construir relevância consistente. No fim, o algoritmo não recompensa perfis zerados. Ele recompensa conteúdo que faz sentido para pessoas reais.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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