Você domina sua profissão. Mas o mercado sabe disso? – por Adriana Vasconcellos Soares

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Durante muito tempo, ser um excelente profissional seria suficiente para conquistar reconhecimento no mercado. A lógica parecia simples. Quem tinha mais conhecimento, mais experiência e melhores resultados acabaria naturalmente sendo encontrado pelos clientes. Essa realidade mudou.

Hoje, milhares de profissionais altamente qualificados disputam atenção em um ambiente digital saturado de informações. O conhecimento continua sendo fundamental, mas deixou de ser suficiente. Se ele não for transformado em comunicação estratégica, corre o risco de permanecer invisível.

Esse desafio é especialmente evidente entre médicos, advogados, consultores, engenheiros, psicólogos e outros especialistas que dedicam grande parte do seu tempo ao exercício da profissão. Na maioria das vezes, o problema não é falta de conteúdo, pelo contrário, existe um enorme patrimônio intelectual acumulado em anos de estudo, experiência e prática profissional. A dificuldade está em transformar esse conhecimento em presença.

Muitos profissionais começam a produzir conteúdo com entusiasmo, publicam por algumas semanas, compartilham informações relevantes e tentam manter frequência nas redes sociais. Depois, a rotina se impõe, as demandas aumentam, os compromissos se acumulam e a produção perde consistência.

Outros conseguem manter uma frequência razoável, mas esbarram em outra frustração. Descobrem que alcance não significa autoridade, curtidas não representam necessariamente confiança e visualizações nem sempre se convertem em negócios. Esse é um dos principais equívocos da comunicação digital atual, confundir atividade com posicionamento.

Publicar muito não significa construir reputação, o que gera autoridade não é a quantidade de conteúdo, mas a capacidade de transformar conhecimento em narrativas relevantes, consistentes e alinhadas aos objetivos profissionais. A construção de autoridade exige estratégia e cada conteúdo precisa cumprir uma função. Alguns ajudam a educar o público, outros fortalecem credibilidade. Alguns esclarecem dúvidas recorrentes, outros demonstram experiência prática.

Quando existe planejamento, cada publicação passa a fazer parte de um sistema maior de posicionamento, além disso, cresce a importância da diversificação de canais. Muitos profissionais concentram toda sua comunicação em uma única rede social. O problema é que dependem integralmente dos algoritmos para serem vistos e uma mudança na plataforma pode reduzir drasticamente alcance, visibilidade e engajamento. Por isso, a construção de presença digital precisa ser mais ampla.

O LinkedIn fortalece posicionamento profissional. O Instagram amplia proximidade e relacionamento. O blog ou site próprio consolida autoridade e cria um patrimônio digital permanente, independente das mudanças nas redes sociais.

A inteligência artificial reforça ainda mais essa necessidade com ferramentas como ChatGPT, Gemini e Perplexity, que estão mudando a forma como as pessoas encontram informações e escolhem profissionais. Cada vez mais, sistemas de IA utilizam conteúdos publicados em diferentes fontes para construir respostas e recomendações, nesse contexto, a consistência da presença digital ganha um novo significado. Não basta apenas existir nas redes sociais, é preciso construir relevância em múltiplos canais.

O profissional que consegue transformar sua experiência em conteúdo estruturado aumenta suas chances de ser encontrado, lembrado e considerado quando uma decisão importante precisa ser tomada.

A boa notícia é que ninguém precisa produzir conteúdo todos os dias para construir autoridade. O que faz diferença é a qualidade do conteúdo, a estratégia, organização e coerência empregadas. Porque, no ambiente digital atual, o mercado não reconhece apenas quem sabe mais, ele reconhece quem consegue transformar conhecimento em presença, presença em autoridade e autoridade em confiança.

O Instagram mudou. Hoje, crescer na plataforma depende menos de “hackear algoritmo” e mais de construir relevância consistente. No fim, o algoritmo não recompensa perfis zerados. Ele recompensa conteúdo que faz sentido para pessoas reais.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Zerar seguidores não faz o Instagram entregar mais – por Adriana Vasconcellos Soares

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De tempos em tempos, uma teoria volta a circular entre criadores de conteúdo, empresas e influenciadores digitais. A ideia de que apagar seguidores ou até zerar completamente a base do Instagram faria o algoritmo “reiniciar” e voltar a entregar os conteúdos para mais pessoas.

A promessa parece tentadora. Menos seguidores ruins, mais alcance, mais crescimento. O problema é que essa lógica não funciona exatamente assim. O Instagram não possui um mecanismo de “reset” capaz de premiar perfis apenas porque removeram seguidores. O algoritmo não interpreta a exclusão da base como um sinal positivo automático. O que ele realmente observa é comportamento de audiência.

E é justamente aí que muita gente confunde causa e consequência. Perfis com muitos seguidores falsos, bots (contas automatizadas, falsas ou programadas para simular comportamento humano) ou contas inativas costumam apresentar um problema comum. Baixo engajamento proporcional. A conta até possui números altos, mas pouca interação real. Isso enfraquece sinais importantes para a plataforma, como retenção, compartilhamentos, comentários e salvamentos.

Na prática, um perfil com 100 mil seguidores e poucas interações pode parecer menos relevante para o Instagram do que outro com 10 mil seguidores altamente engajados. Por isso, quando alguém remove seguidores falsos ou inativos, algumas métricas podem melhorar naturalmente. A taxa de engajamento sobe, a audiência fica mais qualificada e o perfil passa a refletir dados mais reais. Mas isso não significa que o algoritmo resolveu entregar mais conteúdo porque o perfil “zerou”.

Existe uma diferença importante entre limpar audiência ruim e destruir completamente a base construída ao longo do tempo. Apagar todos os seguidores pode gerar efeitos negativos. O perfil perde prova social, reduz sinais históricos de relevância e enfraquece a distribuição inicial das publicações. Além disso, seguidores reais que ainda interagiam com o conteúdo também desaparecem nesse processo.

Outro ponto importante é que o Instagram vem realizando limpezas massivas de contas falsas, bots e perfis inativos desde 2025. Muitos usuários perceberam quedas bruscas no número de seguidores e passaram a associar isso a uma suposta melhora de alcance. Em alguns casos, o engajamento realmente melhora depois dessas remoções, mas não porque houve um “reset”. O que acontece é uma qualificação da audiência.

O problema central da maioria dos perfis não está apenas nos seguidores. Está no conteúdo.

Hoje, o Instagram prioriza sinais muito mais profundos do que quantidade bruta de audiência. A plataforma observa tempo de retenção, compartilhamentos, recorrência de interesse, interações reais e consistência temática. Se o conteúdo não gera interesse genuíno, zerar seguidores não resolve o problema. Muitos perfis enfrentam queda de alcance porque produzem conteúdos genéricos, sem posicionamento claro, sem narrativa e sem conexão consistente com o público. Outros sofrem com excesso de posts reaproveitados, baixa retenção nos vídeos ou frequência irregular de publicação.

O algoritmo atual favorece originalidade, relevância temática e capacidade de manter atenção. Não apenas volume de seguidores. Isso explica por que perfis menores muitas vezes conseguem crescer mais rápido do que contas enormes. O Instagram quer entregar conteúdos que façam as pessoas permanecerem na plataforma, interagirem e retornarem. É isso que define distribuição.

Nesse cenário, a estratégia mais inteligente não costuma ser radical. Em vez de apagar toda a base, o ideal é remover gradualmente seguidores claramente falsos, abandonar automações, revisar posicionamento e produzir conteúdos mais alinhados ao comportamento real da audiência. O foco precisa deixar de ser quantidade e passar a ser qualidade.

Ter menos seguidores reais e interessados tende a gerar muito mais resultado do que manter uma audiência inflada artificialmente. Afinal, bots não compram, não indicam, não comentam de verdade e não constroem reputação.

O Instagram mudou. Hoje, crescer na plataforma depende menos de “hackear algoritmo” e mais de construir relevância consistente. No fim, o algoritmo não recompensa perfis zerados. Ele recompensa conteúdo que faz sentido para pessoas reais.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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