Defesa Civil de Franco da Rocha busca oito desaparecidos em consequência das chuvas

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A cidade de Franco da Rocha, na região metropolitana de São Paulo, continua as buscas para encontrar oito pessoas desaparecidas por causa das chuvas que atingem o município desde o último final de semana. Segundo a Defesa Civil, foram registrados oito óbitos em deslizamentos de terra e desmoronamentos na cidade. Seis pessoas feridas foram resgatadas e encaminhadas para hospitais da região.

De acordo com a prefeitura, o nível da Represa Paiva Castro, do Sistema Canteira, localizada nas proximidades do município, que chegou a 81,6% nesta manhã, está estabilizado. Se o nível continuasse aumentando, poderia ser necessário abrir as comportas para evitar o rompimento. Há uma semana, o nível da represa estava em 31,3%. Hoje, com a diminuição das chuvas, o índice caiu para 78,1% no meio da tarde.

“Na tarde desta segunda-feira (31), o nível da Represa Paiva Castro já voltou à normalidade e não está mais em situação de alerta para abertura de comportas”, informou, em nota, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que administra o Sistema Cantareira.

Desde sexta-feira passada, a Defesa Civil de Franco da Rocha atendeu mais de 200 chamados pelo plantão telefônico e interditou 61 casas. O atendimento local continua pelos números 4800-7902, 4800-7905, 4800-7907, 4800-7910 e 4800-7912.

A Defesa Civil estadual atualizou para 24 o número de  mortes em consequência das chuvas que caem no estado desde sexta-feira. Os transtornos provocados pelo mau tempo já deixaram cerca de 1.546 famílias desabrigadas ou desalojadas.


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Previsão do Tempo

Segundo a prefeitura de Franco da Rocha, foram registrados 18 milímetros (mm) de chuva em 24 horas no município. Para amanhã, a previsão é de mais 10 mm.

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) de São Paulo, uma zona de convergência de umidade do Atlântico Sul (ZCAS), associada a uma frente fria no litoral, deve manter o tempo instável e chuvoso nos próximos dias na região metropolitana. No entanto, as precipitações vão diminuir de intensidade e abrangência. 

Segundo o CGE, o solo encharcado pelas chuvas do fim de semana ainda mantém risco elevado para a formação de alagamentos e deslizamentos de terra. As condições do tempo deverão começar a melhorar gradativamente a partir de amanhã (1º), porém com ocorrência de chuvas isoladas no decorrer da semana.


Fonte/texto: Agência Brasil/Bruno Bocchini – Imagem: Reuters/Carla Carniel/Direitos Reservados

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Boate Kiss: após 9 anos, familiares de vítimas veem início de justiça

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Nove anos depois do incêndio que matou 242 jovens e deixou mais de 600 feridos na Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, familiares das vítimas consideram que a justiça começou a ser feita. No último mês de dezembro, quatro pessoas acusadas pelo Ministério Público (MP) pelos 242 homicídios e 636 tentativas de homicídio por dolo eventual, foram condenadas em júri popular a penas de 18 a 22 anos, a serem cumpridas em regime fechado, inicialmente.

“O que a gente entende é que nesse processo em que os réus responderam pelos homicídios, isso aí ficou, sem dúvida nenhuma, justiçado. Consideramos que foi feita justiça, mas sabemos que isso vai ser decidido nos tribunais superiores mais à frente, porque eles devem recorrer. A gente entende que a justiça teve seu início, a condenação deles é sinal de justiça”, destacou o presidente da Associação dos Familiares das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Flávio Silva. 

Os sócios da Boate Kiss, Elissandro Calegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, foram condenados a penas de 22 anos e 6 meses, e 19 anos e seis meses, respectivamente; o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos, que acendeu o artefato pirotécnico que causou o incêndio, foi condenado a 18 anos; e o produtor do grupo musical, Luciano Augusto Bonilha Leão, que comprou os fogos, a 18 anos também.

“Houve vitória da sociedade, nós não ganhamos nada, a sociedade conquistou sim o início da punição desse tipo de crime. [A condenação deles] prova que esse tipo de crime começa a ser punido no Brasil. Mas a gente entende que só à base de muita luta, muito esforço, que a justiça acontece”, ressaltou Flávio, pai de Andrielle Righi da Silva, que morreu no incêndio quando tinha 22 anos. 

Os quatro condenados já começaram a cumprir pena. Na Justiça Militar, dois bombeiros foram condenados a penas de reclusão, mas as punições não começaram a serem cumpridas em razão de recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

Quatro bombeiros também já haviam sido condenados anteriormente pela Justiça Comum a penas sem reclusão, em razão de irregularidades no processo de concessão de alvará da boate. “A gente não entende isso como condenação, porque as responsabilidades deles são graves, pelos crimes que cometeram. Eles foram condenados a pagar multa”, disse Flávio. De acordo com ele, os familiares já recorreram ao STJ e aguardam novo julgamento.

Tragédia 

O incêndio teve início na madrugada de domingo, 27 de janeiro de 2013, durante apresentação da banda Gurizada Fandangueira. O evento havia sido organizado por estudantes dos cursos de agronomia, medicina veterinária, zootecnia, técnico em agronegócio, técnico em alimentos e pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

O fogo teve início no teto da boate, após um dos integrantes da banda acender um artefato pirotécnico no palco. A espuma, utilizada para abafar o som do ambiente, era inapropriada para uso interno. Ao queimar, produziu substâncias tóxicas que causaram a maioria das mortes. O recinto funcionava com documentação irregular e estava superlotado.

De acordo com sobreviventes, uma fumaça preta tomou conta do local em questão de segundos, e impediu as pessoas de encontrar rota de fuga. A maior parte dos corpos foi achada em um dos banheiros da boate, confundido com a saída do local.


Fonte/texto: Agência Brasil/Bruno Bocchini – Imagem: Arquivo/Fernando Frazão/AB

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