Descanso, lazer e saúde mental

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As discussões sobre a escala 6 x 1 levantaram questões importantes sobre o direito do ser humano de fazer uso do próprio tempo. Uma das pessoas que se posicionaram contra o direito ao descanso afirmou que esse direito se justificaria para as pessoas de maior renda, porque elas viajam nos dias de folga. Já as pessoas de baixo poder aquisitivo não deveria ter um dia a mais de descanso na semana porque, por não disporem de recursos para viajar, não teriam o que fazer com o tempo livre. Infelizmente, as redes sociais também dão espaço a esse tipo de conteúdo. Mas isso não nos impede de pensar.

Esse tipo de afirmação desconsidera que o lazer e o descanso integram o conjunto das necessidades humanas essenciais à saúde física e mental. Não são privilégios de uma classe social, pois todos necessitamos de abrigo, água, alimentação, sexo, lazer e repouso.

Inúmeras atividades, nem sempre dispendiosas, podem preencher o tempo de descanso, desde atividades culturais, esportivas e familiares até o simples ato de se permitir não fazer nada. Ler um livro, ver um filme, frequentar parques, cinemas e exposições, ir à academia, fazer exercícios ao ar livre e ter contato com a natureza são algumas possibilidades que contribuem para restaurar a saúde emocional, recuperar as forças e tornar a pessoa mais criativa e produtiva.

O domínio sobre o tempo do trabalhador pode ter uma vertente escravista, que mantinha ocupados homens, mulheres e crianças escravizados, impedindo-os de interagir com seus pares e mantendo-os afastados de qualquer forma de lazer ou diversão. Nessas condições, eles não se sentiam, nem eram, donos da própria vida. Impedidos de olhar para si mesmos e para os outros, eram privados da dimensão humana que permite refletir sobre a própria existência e sobre a vida em sociedade.

Sêneca, no livro Sobre a brevidade da vida, afirma que ninguém, em sã consciência, permite que outros invadam e roubem seus bens materiais, seu patrimônio. Em contrapartida, seu tempo, valor único que justificaria a avareza, é distribuído entre muitos e retirado de sua própria existência. Embora o filósofo se refira, nesse texto, aos excessos dos prazeres que encurtam a vida, faço aqui um destaque: o trabalho exaustivo também rouba a existência.

Fazemos campanhas para incentivar os cuidados com a saúde sem que a sociedade ofereça condições para a efetiva promoção da saúde mental. Desfrutar a vida aumenta a vontade de viver. Não há nada de errado com o ócio, tão desejado por todos. Quando ele falta, a pessoa passa a sonhar com a possibilidade de usufruir desse tempo. A pausa serve não apenas para descansar, mas também para refletir, recuperar as forças e, inclusive, tornar a pessoa mais produtiva.

Uma multidão submetida a jornadas exaustivas de trabalho fica ansiosa, perde a capacidade de se divertir, deixa de se interessar pelo próximo e compromete sua capacidade de sentir.

Viajar não é a única forma de lazer ou de aproveitar o tempo livre. A convivência familiar também pode ser uma fonte de prazer e bem-estar. Ouvir as pessoas com quem convivemos, trocar experiências, planejar a aquisição de um bem, organizar as férias da família e acompanhar a vida escolar dos filhos são experiências restauradoras, capazes de modificar a maneira como as pessoas percebem a si mesmas e seu grupo familiar.

A escala 5 x 2 não resolverá todos os problemas humanos da nossa sociedade, mas certamente poderá melhorar a qualidade dos relacionamentos.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Do mundo infantil para o universo feminino

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A mãe de uma menina se diz preocupada com alguns hábitos de sua filha, diante dos quais se sente impotente por não conseguir modificá-los. Considera-os uma evolução precoce da vaidade feminina, pois a garota se mostra “fixada” em marcas de produtos caros para pele, cabelo e unhas, prefere escolher pessoalmente suas roupas e revela preocupação excessiva com seu visual ao sair com os pais, parentes ou amigas. A menina prefere passear nos shoppings a atividades ao ar livre e frequenta salões de beleza para fazer “luzes” e esmaltar as unhas. Recentemente, provocou uma crise em seu aniversário porque desejava que a comemoração fosse realizada em um spa, tal como a colega da escola havia feito. Idade da criança: 10 anos.

Este episódio convida a refletir sobre, pelo menos, três temas que não se excluem mutuamente, porque estão interligados pela questão da educação de limites e liberdade: o lugar da infância na sociedade e a perda da autoridade parental diante das dificuldades para impor limites.

A cultura consumista sempre estimulou a precocidade da vaidade feminina. Cabe à família proteger seus filhos de um processo de adultização que se inicia de forma inocente, mas pode contribuir para estratégias de erotização da imagem.

A velocidade com a qual se difundem as informações promove transformações sociais que talvez nos façam esquecer que o desenvolvimento humano requer respeito a etapas sucessivas e preciosas, cuja ultrapassagem pode antecipar a instauração de atitudes e condutas, com prejuízo ao desenvolvimento da personalidade.

Para viver em sociedade, é necessário aprender a adiar ou sacrificar prazeres imediatos e renunciar a impulsos instantâneos. Promover essa educação não é tarefa fácil na sociedade moderna e requer o exercício da autoridade parental.

Ao retroceder no tempo, esta mãe resgata sua própria infância e seus hábitos aos 10 anos. Ela recorda que só brincava, estudava e cuidava de sua higiene corporal, vestia-se e alimentava-se de acordo com a orientação materna. Indaguei sobre eventuais atitudes de sua mãe caso exibisse os mesmos comportamentos de sua filha hoje. Ela foi categórica: jamais sua mãe concordaria.

Neste ponto, questiono: o que mudou? Há um tênue limite entre vaidade infantil e adultização, cabe aos pais proteger e orientar seus filhos


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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Bets chegam cada vez mais cedo à vida dos jovens

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Relatos de grupos de apoio incluem adolescentes de 14 anos; pesquisas apontam início precoce das apostas e impactos sobre endividamento e educação.

As apostas online estão chegando cada vez mais cedo à vida dos jovens e já levam adolescentes a procurar ajuda para tentar interromper o comportamento compulsivo. Segundo Luiz Carlos, integrante da irmandade Jogadores Anônimos, há relatos de pessoas de 14 anos que chegaram ao grupo acompanhadas por profissionais de saúde.

“Hoje quem chega à irmandade é muito jovem. Já chegou até de 14 anos acompanhado pelo psiquiatra. Mas chegam jovens de 15, 16, 19, 20 anos, até 30, 35 anos”, relata.

O avanço das apostas pelo celular facilita o acesso às plataformas e amplia a exposição de crianças e adolescentes. Dados citados pela Agência Brasil apontam que uma em cada cinco pessoas no mundo começa a apostar online até os 11 anos. A partir dos 12 anos, o percentual chega a 78%, segundo dados do Unicef de 2021.

No Brasil, uma pesquisa divulgada neste ano pela Frente Parlamentar Mista de Educação, com 1.912 estudantes dos ensinos fundamental e médio, indicou que 9,5% fizeram a primeira aposta aos 11 anos. Entre os alunos do terceiro ano do ensino médio entrevistados, quase metade afirmou já ter feito apostas.

Quando a aposta passa a controlar a rotina

A história de Gustavo Pereira mostra como o problema pode evoluir. Aos 24 anos, ele conta que começou a apostar online aos 18 e, ao longo de seis anos, perdeu cerca de R$ 500 mil.

Segundo Gustavo, houve momentos em que conseguiu transformar R$ 10 mil em centenas de milhares de reais, mas também perdeu os valores acumulados. Com o tempo, afirma que passou a perder a dimensão do dinheiro e a pensar cada vez mais nas apostas.

“Eu dormia pensando em apostar e acordava pensando em apostar”, relata.

Atualmente, Gustavo diz estar há cerca de dois meses sem apostar e tenta reconstruir a vida trabalhando com a venda de café nas ruas de Lages, em Santa Catarina. Ele também mantém um perfil nas redes sociais no qual compartilha a rotina de trabalho e a tentativa de evitar recaídas.

A psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, explica que adolescentes são mais vulneráveis a estímulos relacionados à recompensa porque as estruturas cerebrais responsáveis pelo controle dos impulsos e pela avaliação de riscos ainda estão em desenvolvimento.

“O adolescente sente intensamente o prazer de ganhar uma aposta, mas ele, em contrapartida, ainda não dispõe do aparato para frear o impulso da aposta seguinte”, afirma.

O cassino dentro do celular

Para quem acompanha o problema há décadas, a principal mudança está na facilidade de acesso.

Luiz Carlos, de 71 anos, conta que começou a jogar na década de 1980, quando frequentava estabelecimentos com máquinas de videopôquer. Segundo ele, era necessário sair de casa para jogar.

Hoje, afirma, o cenário é diferente: “Você carrega um cassino dentro do seu bolso”.

A avaliação é compartilhada por outros frequentadores dos Jogadores Anônimos. Carla Xavier, Rogério e Rodrigo relatam períodos de afastamento das apostas, mas também descrevem as consequências financeiras provocadas pela compulsão.

Carla afirma que o grupo tem recebido pessoas já profundamente endividadas e em situações de grande sofrimento. Segundo ela, o acesso permanente às plataformas fez esse tipo de situação crescer.

Apostas também afetam orçamento e estudos

O impacto das bets não aparece apenas nos relatos de dependência. Um relatório do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) citado no levantamento aponta que pelo menos 24 milhões de brasileiros apostaram em bets em 2024, e quase metade ficou endividada.

Para o diretor do IBICT, Tiago Braga, a aposta online não deve ser tratada como investimento, mas como gasto. Segundo ele, quanto mais recursos são destinados às apostas, menor é a disponibilidade de dinheiro para despesas e projetos pessoais.

Os reflexos também chegam à educação. Pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) apontou que 34% dos entrevistados disseram que precisariam deixar de gastar com apostas para conseguir iniciar uma graduação em 2026.

Entre estudantes que já estavam no ensino superior, 14% afirmaram ter atrasado mensalidades ou trancado o curso por causa dos gastos com bets. Outros 34% disseram ter deixado de investir em cursos, idiomas ou outras formas de aprendizado.

O diretor-geral da ABMES, Paulo Chanan, afirma que os dados não permitem generalizar o comportamento dos jovens, mas mostram que, para uma parcela dos entrevistados, o dinheiro destinado às apostas interfere em decisões relacionadas à educação.

Menores de 18 anos não podem apostar

O ambiente digital também passou a ter novas regras de proteção para crianças e adolescentes. O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecido como ECA Digital, entrou em vigor em março de 2026 e estabeleceu novas medidas para ampliar a proteção de menores no ambiente virtual.

Entre as regras está a proibição de apostas online para menores de 18 anos. O texto também prevê mecanismos de verificação de idade e amplia as responsabilidades relacionadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

O advogado especialista em direito digital Felipe Moreira destaca que a mudança busca superar o modelo anterior, no qual a confirmação da idade podia depender apenas da informação digitada pelo próprio usuário.

A psicóloga Mariana Kehl também chama atenção para a publicidade feita por influenciadores. Segundo ela, quando uma aposta é apresentada por uma pessoa acompanhada diariamente pelo jovem, a mensagem pode ser percebida mais como recomendação do que como publicidade tradicional.

O desafio, portanto, envolve mais do que impedir o acesso de menores às plataformas. Os relatos e pesquisas citados apontam para uma questão que envolve educação financeira, saúde, comportamento, regulação e prevenção.

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Foto: Joédson Alves/ABR

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Parnaíba Mais Leve reúne 410 mulheres em treinamento

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Atividade promovida pela Prefeitura de Santana de Parnaíba contou com exercícios, dança, palestra sobre questões emocionais e distribuição de kits

O programa Parnaíba Mais Leve (PML) reuniu 410 mulheres em um treinamento realizado no último sábado (8), na Arena de Eventos de Santana de Parnaíba. A iniciativa é promovida pela Prefeitura, por meio da Secretaria da Mulher e da Família, com foco na saúde física, mental e no bem-estar das participantes.

Com duração de duas horas, a atividade começou com exercícios de aquecimento e alongamento conduzidos pelos instrutores do programa. As participantes também fizeram duas coreografias de dança durante o treinamento.

Na sequência, o grupo participou de uma palestra no auditório sobre as chamadas seis feridas emocionais. Entre os temas abordados estavam rejeição, abandono e traição, com discussões sobre crenças limitantes e caminhos apresentados para lidar com essas questões.

Ao final da atividade, as participantes receberam uma sacochila com squeeze, camiseta e boné, além de um kit feira com alimentos considerados saudáveis.

Segundo a Prefeitura, a expectativa é que, ao longo do programa, cada participante consiga alcançar seu objetivo, que pode envolver perda de peso, cuidados com a saúde ou o desenvolvimento de uma relação mais saudável consigo mesma.

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Foto: Divulgação/PMSP

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Barueri destaca prevenção e qualidade de vida no Dia Nacional da Saúde

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Celebrado nesta quarta-feira (5), o Dia Nacional da Saúde busca conscientizar a população sobre a importância da prevenção de doenças, da promoção da qualidade de vida e da adoção de hábitos saudáveis.

A data também presta homenagem ao médico e sanitarista Oswaldo Cruz, nascido em 5 de agosto de 1872, reconhecido por sua atuação no combate às epidemias e pela contribuição para o fortalecimento da saúde pública no Brasil.

Em Barueri, a Secretaria Municipal de Saúde aproveitou a ocasião para reforçar a importância da prevenção como uma das principais estratégias para reduzir o surgimento de doenças e melhorar o bem-estar da população.

Pequenas mudanças fazem diferença

Segundo a Secretaria de Saúde, atitudes simples incorporadas ao dia a dia podem trazer benefícios duradouros para a saúde física e mental.

Entre as principais recomendações estão:

  • praticar atividades físicas regularmente;
  • manter uma alimentação equilibrada;
  • dormir bem;
  • manter a vacinação em dia;
  • realizar consultas médicas periódicas;
  • fazer exames preventivos regularmente.

Esses cuidados contribuem para o diagnóstico precoce de diversas doenças e aumentam as chances de tratamento eficaz.

Saúde mental também merece atenção

Além dos cuidados com o corpo, especialistas destacam que a saúde mental deve receber a mesma atenção.

Manter o equilíbrio emocional, controlar o estresse e buscar ajuda profissional quando necessário são medidas que contribuem para a prevenção de doenças e para uma melhor qualidade de vida.

Datas reforçam conscientização

Além do Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, o calendário também marca o Dia Mundial da Saúde, comemorado em 7 de abril por iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS).

As duas datas têm como objetivo incentivar a população a adotar hábitos saudáveis e fortalecer a conscientização sobre a importância da prevenção e do acesso aos serviços de saúde.

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Foto: Divulgação/SESP/PMB

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SUS amplia para 100 mil atendimentos mensais a pessoas viciadas em apostas

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O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou para até 100 mil teleatendimentos por mês a capacidade de atendimento a pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas online. A expansão entrou em vigor nesta terça-feira (4) e busca atender ao aumento da procura pelo serviço.

Disponível por meio do aplicativo Meu SUS Digital, o atendimento é remoto, sigiloso e oferece acolhimento profissional para pessoas que apresentam sinais de dependência em apostas. A iniciativa é realizada em parceria com o Ministério da Fazenda e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

Procura pelo serviço aumentou

O serviço começou a ser oferecido em março deste ano e realizava, em média, cerca de 600 teleatendimentos mensais.

Segundo o Ministério da Saúde, a ampliação foi necessária devido ao crescimento da demanda por apoio especializado.

Além do acolhimento inicial, o atendimento funciona como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), responsável pelo acompanhamento de pessoas com transtornos relacionados à saúde mental.

Mais de 1 milhão pediram bloqueio em sites de apostas

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que mais de 1 milhão de pessoas solicitaram a autoexclusão do CPF de plataformas de apostas por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, disponível no Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas.

Segundo a pasta, 35% dos usuários informaram que recorreram ao bloqueio por terem perdido o controle sobre as apostas.

Quais são os sinais de alerta?

O Ministério da Saúde orienta que alguns comportamentos podem indicar que o jogo deixou de ser uma forma de entretenimento e passou a representar um problema de saúde.

Entre os principais sinais estão:

  • mudanças no sono, na alimentação ou no humor;
  • mentir para familiares e amigos sobre as apostas;
  • sentimento frequente de culpa ou vergonha;
  • ansiedade, irritabilidade ou inquietação quando não consegue jogar;
  • dificuldade para reduzir ou interromper as apostas;
  • utilização dos jogos como forma de aliviar estresse ou frustrações;
  • prejuízo nas relações familiares, sociais ou profissionais;
  • aumento do consumo de álcool ou outras drogas;
  • comprometimento do orçamento pessoal ou familiar.

Fatores que aumentam o risco

O Ministério da Saúde também destaca fatores que podem favorecer o desenvolvimento da dependência em jogos de apostas.

Entre eles estão:

  • contato precoce com jogos de aposta;
  • facilidade de acesso às plataformas digitais;
  • busca por alívio emocional;
  • histórico de depressão, ansiedade ou outros transtornos mentais;
  • impulsividade;
  • influência social e cultural favorável às apostas;
  • isolamento social;
  • vulnerabilidade socioeconômica.

Como buscar ajuda

O atendimento pode ser solicitado pelo aplicativo Meu SUS Digital e é realizado de forma remota, preservando o sigilo do paciente.

Caso seja necessário, o usuário é encaminhado para acompanhamento presencial na Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que integra os serviços especializados do Sistema Único de Saúde.

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Foto: Tânia Rêgo/Ag. Brasil

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Saúde mental nas empresas: o que o pequeno e médio empresário precisa entender de verdade

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ESPECIAL PUBLICITÁRIO | Por Pedro Celidonio

Mais do que um tema de cuidado, a saúde mental no trabalho também revela falhas de gestão, liderança e organização da rotina empresarial.

A saúde mental no ambiente de trabalho virou assunto frequente nas empresas, nas redes e nas conversas de gestão. Mas a verdade é que esse tema não surgiu agora. Ele sempre existiu. O que mudou foi o nível de atenção sobre um problema que, por muito tempo, ficou invisível, mal interpretado ou tratado apenas quando já havia sinais mais graves.

E a tendência é de aumento. Não porque as pessoas tenham mudado de uma hora para outra, mas porque o trabalho ficou mais intenso, mais acelerado, mais pressionado e, em muitos casos, mais desorganizado.

Quando o assunto é saúde mental nas empresas, muitos empresários ainda pensam que isso diz respeito apenas à vida pessoal do colaborador. Essa visão é limitada.

A empresa não é responsável por resolver toda a complexidade emocional dos colaboradores. Mas tem, sim, influência direta sobre o ambiente que cria, sobre a forma como o trabalho é organizado e sobre o impacto que isso gera nas pessoas.

Na prática, a saúde mental no trabalho não depende apenas de benefícios, palestras ou ações de bem-estar. Ela também é afetada por fatores do dia a dia, como excesso de cobrança, falta de clareza nas funções, mudanças mal comunicadas, sobrecarga, conflitos mal conduzidos e ausência de suporte da liderança.

Em empresas menores, esse cenário costuma ser ainda mais sensível. Isso porque o dono centraliza decisões, líderes acumulam funções, a operação vive no limite e quase tudo é tratado com urgência. Com o tempo, a pressão vira rotina, a desorganização se torna normal e o desgaste começa a aparecer em forma de queda de produtividade, aumento de conflitos, retrabalho, afastamentos e dificuldade de retenção.

O ponto central é entender que saúde mental também é tema de gestão. Não se trata de transformar a empresa em consultório, mas de reconhecer que uma rotina mal organizada adoece o ambiente, enfraquece a liderança e compromete o negócio.

Para o pequeno e médio empresário, o primeiro passo não é complicar o tema. É olhar com honestidade para perguntas simples: a equipe sabe exatamente o que se espera dela? As prioridades estão claras? A carga está compatível com a estrutura? Os líderes apoiam ou apenas cobram? Os problemas são tratados ou só empurrados?

Muitas vezes, melhorar a saúde mental no trabalho não começa com grandes discursos e sim com ajustes concretos na forma de liderar, distribuir demandas, comunicar mudanças e organizar a operação.

Empresas que entendem isso mais cedo tendem a construir ambientes mais saudáveis, equipes mais estáveis e negócios mais sustentáveis.

Se esse tema faz sentido para a sua empresa e você quiser entender melhor por onde começar, estamos disponíveis para contribuir com orientação e estruturação dessa jornada.

Instagram – Pedro Celidonio
Fone: (11) 99158-6537
https://revoebusiness.com.br/

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Foto de Nik Shuliahin/Unsplash

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Santa Casa de SP abre inscrições para curso em neurodesenvolvimento com 100 vagas

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A Santa Casa de São Paulo abriu inscrições para um curso de formação em avaliação diagnóstica e conduta nos transtornos do neurodesenvolvimento. A capacitação, com início em 16 de maio de 2026, oferece 100 vagas para psicólogos e estudantes de neuropsicologia.

O curso tem como foco qualificar profissionais para atuar na avaliação diagnóstica e no manejo clínico desses transtornos, área que registra crescente demanda na saúde mental. A proposta é ampliar a precisão dos diagnósticos e aprimorar a condução terapêutica dos pacientes.

A formação terá duração de seis meses e carga horária total de 80 horas, com abordagem prática e aprofundada sobre protocolos utilizados na avaliação neuropsicológica.

As aulas serão ministradas pela neuropsicóloga Cleunice de Jesus Wosnes, que atua no ambulatório de neuropediatria da instituição, e por Thaís Farias da Silva Santos, especialista com experiência em epilepsia, esclerose múltipla e reabilitação.

Segundo a instituição, o conteúdo foi estruturado para atender profissionais que buscam atualização técnica e especialização em um segmento em expansão dentro da psicologia clínica.

As inscrições estão abertas até o dia 1º de maio de 2026 e devem ser realizadas pelos canais oficiais da Santa Casa.

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Foto: Reprodução/Santa Casa de São Paulo

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Barueri é premiada no COSEMS SP por projeto inovador na saúde mental

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Barueri foi reconhecida no 39º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo com um prêmio de destaque regional, reforçando o protagonismo do município na gestão do SUS. A premiação ocorreu durante o evento realizado entre os dias 8 e 10 de abril, em Santos.

O secretário da Saúde de Barueri, Milton Monti, e servidores da pasta estiveram presentes no Congresso. | Foto: Divulgação

O reconhecimento veio por meio da 22ª Mostra de Experiências Exitosas, que valoriza iniciativas municipais inovadoras na saúde pública. Barueri foi destaque dentro da RRAS 5, região que engloba a Metropolitana Oeste.

O projeto premiado foi “Auriculoterapia caseira capacitação prática e teórica oferecida aos responsáveis de pacientes CAPS II”, voltado ao cuidado em saúde mental com técnicas acessíveis e eficazes.

A iniciativa busca capacitar familiares para auxiliar no tratamento dos pacientes, fortalecendo o cuidado contínuo fora das unidades de saúde e ampliando o alcance das ações terapêuticas.

Segundo a responsável pelo projeto, Patrícia Hamelin, a prática tem apresentado resultados positivos ao longo das turmas formadas, com impacto direto na recuperação dos pacientes.

O congresso também premiou diversas experiências de municípios paulistas, destacando a diversidade e a eficiência das políticas públicas de saúde no estado.

A conquista reforça o compromisso de Barueri com a qualidade da assistência e o fortalecimento da rede de atenção à saúde, com foco em soluções humanizadas e resolutivas.

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Fotos: Divulgação

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8 sinais de que a pessoa não está bem, mesmo quando segue funcionando

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Mesmo sem sinais extremos, sintomas sutis e persistentes podem indicar adoecimento mental

Nem todo sofrimento psíquico se manifesta de forma evidente. Neste Janeiro Branco, mês de campanha de promoção da saúde mental, é preciso alertar que muitas pessoas convivem com um mal-estar emocional constante, difícil de nomear e fácil de ignorar, enquanto continuam trabalhando, cuidando da família e cumprindo compromissos diários. Esse tipo de sofrimento, menos óbvio e mais silencioso, é hoje um dos grandes desafios no cuidado com a saúde mental.

Ao contrário de quadros mais reconhecidos — como a dificuldade de sair da cama, alterações intensas de apetite ou crises emocionais —, o sofrimento psíquico silencioso não interrompe a rotina. “A pessoa segue funcionando, mas com sensação frequente de cansaço emocional, esvaziamento e desconexão”, diz Danielle Admoni, psiquiatra da infância e adolescência, supervisora na residência de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM) e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

8 sinais de que a saúde mental pode não ir bem

  1. Irritabilidade constante e baixa tolerância a frustrações, mesmo em situações simples do dia a dia.
  2. Dificuldade de concentração e esquecimentos frequentes, com sensação de mente “embaralhada” ou dispersa.
  3. Cansaço emocional persistente, que não melhora com descanso ou tempo livre.
  4. Perda de prazer em atividades antes agradáveis, mesmo continuando a realizá-las.
  5. Procrastinação acompanhada de culpa, e não de alívio.
  6. Distanciamento emocional de pessoas próximas, com menor vontade de compartilhar sentimentos.
  7. Sensação constante de estar devendo algo, mesmo quando se cumpre muitas tarefas.
  8. Funcionamento no modo automático, com pouca conexão emocional com a própria rotina.

Esses sinais costumam ser minimizados, tanto por quem sente quanto por quem observa. O mal-estar é atribuído ao estresse, à rotina corrida ou a uma “fase difícil”. A cultura da produtividade reforça essa invisibilidade: se a pessoa está dando conta de suas obrigações, entende-se que está tudo bem.

O problema é que ignorar esses sinais não os faz desaparecer. Pelo contrário: o acúmulo de sofrimento emocional não reconhecido pode evoluir para quadros mais graves, como depressão, ansiedade crônica e burnout, além de impactar relações, desempenho cognitivo e saúde física.

Reconhecer esses sintomas precocemente é uma forma de cuidado e prevenção, não de exagero. Quando o mal-estar persiste por semanas ou quando o cansaço emocional se torna constante e a vida passa a ser vivida no modo automático, sem sentido ou prazer, é hora de buscar ajuda. “Se esses sintomas trazem um prejuízo clinicamente significativo, eles precisam ser tratados, por isso é importante procurar um profissional de saúde mental para avaliar”, diz Danielle Admoni.

O Janeiro Branco propõe ampliar o olhar sobre saúde mental. Falar apenas dos quadros mais extremos deixa de fora uma parcela significativa de pessoas que sofrem em silêncio. Cuidar da mente também significa prestar atenção ao que não grita, mas insiste.

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Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Ag. Brasil

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