Nos últimos anos, passaram a circular informações sugerindo que a hepcidina seria a causa da psoríase ou até mesmo a chave para resolver a doença. Essa interpretação simplifica um processo imunológico complexo e pode gerar confusões. Para compreender o tema, é importante analisar o papel real desse hormônio e sua relação com a inflamação.
Produzida principalmente pelo fígado, a hepcidina regula o metabolismo do ferro. Em estados inflamatórios, sua produção aumenta como mecanismo de defesa: ao reduzir o ferro circulante, o corpo dificulta a proliferação de microrganismos (arresto do ferro). Esse aumento ocorre em diversas condições e não indica que o hormônio seja o gatilho da doença.
A psoríase é uma doença inflamatória crônica e sistêmica que afeta de 2% a 3% da população mundial. Seu eixo central envolve as interleucinas 17 e 23, além da ativação inadequada das células T. Essa desregulação acelera a renovação da pele: o ciclo que levaria um mês ocorre em poucos dias, gerando as placas descamativas características.
Embora a inflamação sistêmica da psoríase possa estimular a hepcidina, esse aumento é uma consequência, e não a origem do problema. Na medicina, é vital não confundir associação com causalidade. Como os bombeiros em um incêndio, a hepcidina está presente no local, mas não é quem inicia o fogo.
Além do fígado, a hepcidina é produzida em tecidos como macrófagos e queratinócitos, exercendo funções locais sem protagonismo na regulação da doença. O avanço científico mostra que a psoríase resulta de uma interação entre genética, imunidade e ambiente (estresse, infecções e metabolismo).
O caráter sistêmico é reforçado pelo fato de que até 30% dos pacientes desenvolvem artrite psoriásica. Além disso, alterações imunológicas associadas, como deficiências de anticorpos, mostram que a patologia vai além da pele.
O tratamento evoluiu drasticamente. Além de fototerapia e imunossupressores, os medicamentos biológicos hoje focam em alvos específicos (IL-17 e IL-23). Como a resposta varia entre indivíduos, a compreensão do perfil imunológico de cada paciente é fundamental para personalizar a estratégia médica.
Informação de qualidade é essencial para evitar interpretações simplistas. A psoríase não pode ser explicada por um único marcador. Trata-se de uma doença imunomediada complexa, que exige avaliação médica criteriosa e abordagem individualizada. Esse entendimento permite direcionar melhor o tratamento e contribuir para a qualidade de vida dos pacientes.

Dr. Javier Ricardo Carbajal Lizárraga – IMUNOLOGISTA – RQE 21798 – CRM-SP 92607 – Formado pela USP e Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia. Médico Consultor em Imunologia e Alergia de Crianças e Adultos na Rede de Hospitais São Camilo; Diretor da Clínica de Alergia e Imunologia – Dr. Javier Carbajal; Membro da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia ASBAI; Membro da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica EAACI; Membro da Sociedad Latinoamericana de Immunodeficiencias LASID; Membro da Clinical Immunology Society CIS. – A Clínica de Alergia e Imunologia Dr. Javier Carbajal é referência em São Paulo por sua orientação voltada ao diagnóstico e tratamento de Doenças Imunológicas Complexas, como Imunodeficiências Primárias, Alergias de difícil controle, Dermatite Atópica Severa, Urticária e Angioedema, Reações Adversas a Fármacos, Doenças Autoimunes e Autoinflamatórias
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