Violência contra crianças – por Dra. Vera Resende

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A sociedade está profundamente impactada pela absolvição de um homem de 35 anos que transformou em “esposa” uma criança de 12 anos. Os argumentos utilizados pelos juízes que o inocentaram chamam atenção para o risco de se normalizar o inaceitável. Quando a violência contra crianças é relativizada, os limites entre o permitido e o abominável começam a desaparecer. Trata-se de uma forma brutal de destruir a infância e de impor a adultização precoce de meninas.

Diante desse cenário, é fundamental revisar o que entendemos como violência doméstica contra crianças e adolescentes à luz de estudos recentes sobre o tema.

Qualquer ato ou omissão praticado por pais, parentes ou responsáveis que cause danos físico, moral ou psicológico caracteriza violência. Esse tipo de conduta fere o dever de proteção que cabe ao adulto. A criança deixa de ser reconhecida como sujeito em desenvolvimento e passa a ser tratada como objeto.

A violência doméstica pode atingir crianças de qualquer faixa etária e costuma ser praticada por pessoas do próprio círculo familiar, como pais biológicos ou adotivos, parentes, vizinhos e conhecidos. Quatro formas são mais frequentemente identificadas: negligência, violência física, violência sexual e violência psicológica.

Negligência é o descuido grave e persistente no atendimento das necessidades básicas de abrigo, sono, higiene e alimentação. Esse contexto compromete a saúde e afeta o desenvolvimento global da criança.

A violência física permanece amplamente tolerada, muitas vezes confundida com métodos de educação. Inclui danos com ou sem objetos, espancamentos, beliscões, empurrões e outras agressões. A violência sexual consiste no envolvimento forçado de crianças e adolescentes em práticas que atendem aos desejos de adultos. É uma violência silenciosa, pois a vítima é coagida a ocultar o que viveu. Em alguns casos, os responsáveis também silenciam e não denunciam por medo, vergonha ou desconhecimento.

A violência psicológica ocorre quando a criança é exposta a rejeição intensa, ameaças, humilhações e relações hostis. Esse ambiente produz efeitos emocionais profundos e duradouros, que comprometem sua formação e sua segurança interna.

A gravidade desses casos exige atenção, responsabilidade e compromisso social. Nenhuma forma de violência pode ser normalizada, ignorada ou relativizada. Crianças têm direito à proteção integral e à preservação da infância.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Foto: Tomaz Silva/Ag. Brasil

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Onda de calor: Veja dicas de como cuidar e proteger as crianças

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Uma onda de calor atinge o Brasil desde a última semana. As cinco regiões do país e todas as capitais vêm registrando altas temperaturas, e em algumas delas, até recordes.

Temperaturas elevadas podem ser muito prejudiciais à saúde, se os adultos sofrem com o fenômeno, as crianças sentem ainda mais. O gerente médico do Pronto- Socorro e Centro de Excelência do Sabará Hospital Infantil, Dr. Thales Araújo citou dicas de como proteger os mais pequenos de todo esse calor.

“Um dos principais problemas do calor excessivo é a insolação, que pode ser percebida pela alta temperatura corporal (maior que 39 graus), dores de cabeça, náusea, tontura e confusão mental”, afirmou o médico.

Veja as dicas:

  • – mantenha a criança sempre bem hidratada: incentive o consumo de água com frequência e sempre forneça uma garrafa sempre disponível para quando o pequeno for sair.
  • – uso de roupas leves: vista as crianças com roupas claras, leves e limitadas a uma camada de material absorvente que maximize a evaporação do suor.
  • – banhos frequentes: um bom banho fresco é uma ótima alternativa para aliviar o calor. E especialmente nestes dias, mais banhos são muito bem-vindos. Uma ótima alternativa são as brincadeiras com água, sempre sob a supervisão de um adulto.
  • – saídas ao ar livre: se possível, evite levar as crianças para brincar em parquinhos entre 10h e 15h30. Mesmo que as atividades sejam feitas na sombra, há risco para a saúde dos pequenos.
  • – Protetor solar- reforce o uso, caso haja necessidade de se expor em lugares ao ar livre.
  • – não deixe as crianças dentro do carro: o interior de um carro pode ficar perigosamente quente em pouco tempo, mesmo com as janelas abertas.

A alta temperatura em pleno inverno pode ser explicada por conta de um bloqueio atmosférico que impede a chegada de frentes frias, além disso, também inibe a entrada de ar frio e a da chuva.

Segundo os meteorologistas, o pico de todo esse calor está previsto mesmo para os dias 23 e 24 de setembro, este final de semana, com destaque para as capitais Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, quando novos recordes de calor podem ser estabelecidos, segundo a Climatempo. Em algumas localidades, são previstas marcas na casa dos 43°C.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aumentou o nível de alerta e colocou mais estados sob aviso de “grande perigo” devido às temperaturas acima da média que devem ser registradas até o fim de semana.

O alerta mais recente corresponde a categoria “vermelho”, que significa “grande perigo”. Antes, estava em vigor um aviso meteorológico de nível laranja (que significa perigo). Ele estava válido para sete estados: TO, SP, PR, MT, MS, MG e GO.

Ao todo, nove estados estão dentro do novo aviso:

  • Minas Gerais (MG);
  • Paraná (PR);
  • Rio de Janeiro (RJ);
  • São Paulo (SP);
  • Mato Grosso (MT);
  • Pará (PA);
  • Goiás (GO);
  • Mato Grosso do Sul (MS);
  • Tocantins (TO).

Segundo o Inmet, de modo geral, um alerta vermelho é emitido quando é esperado um fenômeno meteorológico de “intensidade excepcional, com grande probabilidade de ocorrência de grandes danos e acidentes, com riscos para a integridade física ou mesmo à vida humana”.

Leia também: Servidora parnaibana tem artigo publicado em revista sobre tecnologia e informação


Fonte: TV Cultura – Foto: Unsplash

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