Na História da Civilização Ocidental, povos e culturas bem antigas tinham o costume de celebrar a chegada da primavera no hemisfério norte. Eram rituais ligados à fertilidade, ao retorno da luz e ao renascimento da natureza após o inverno. Essas tradições atravessaram milênios, transformando-se de tempos em tempos, porém sem perder sua essência: a ideia de uma renovação da vida, de um ressurgimento.
A Páscoa Cristã, tem sua origem no Pessach, a celebração judaica que recorda a libertação dos hebreus da escravidão no Egito. Segundo relato bíblico, livro do Êxodo, Moises conduziu o povo hebreu por 40 anos, atravessando o deserto até chegarem à Terra Prometida, Canaã. O termo Pessach em hebraico, significa “passagem”. A passagem da escravidão para a liberdade e o início de uma nova vida na Terra prometida. A celebração do Pessach, continua sendo festejada na religião judaica até hoje, mantendo todo o seu simbolismo tendo seu ponto alto no jantar familiar (Seder) repleto de significados históricos, religiosos e espirituais.
A Páscoa como hoje conhecemos, começa a ser celebrada no século I, quando as primeiras comunidades cristãs, seguidoras do Evangelho de Jesus Cristo, reinterpretam o Pessach à luz dos acontecimentos de Sua paixão, morte e ressurreição. Para o cristianismo, a Semana Santa é a principal semana do ano litúrgico. Começa com a celebração do Domingo de Ramos, quando Jesus entra em Jerusalém aclamado pela multidão, segue com o Tríduo Pascal (Quinta-feira, Jesus institui o sacramento do amor: o lava-pés e a Eucaristia; Sexta-feira da Paixão, Cristo é o verdadeiro Cordeiro Pascal; Sábado Santo, a Vigília Pascal) culminando com o Domingo de Páscoa que celebra a Ressurreição de Jesus, três dias após sua crucificação. Segundo a fé cristã, a Ressurreição de Cristo dá início a uma nova criação, ao novo êxodo. É a principal festa cristã! Celebra a vitória da vida sobre a morte e a promessa de renovação espiritual. A ressurreição, após a morte, é para todos aqueles que assim creem. A Igreja Católica definiu a data da Páscoa como o domingo da primeira semana de lua cheia, depois do início da primavera no hemisfério norte, isso explica por que a data varia de ano para ano.
A Páscoa da Ressurreição, celebrada pelos cristãos em todo o mundo, é mais do que uma data religiosa no calendário. Ela funciona como um lembrete poderoso de que a vida é capaz de renascer mesmo depois dos períodos mais sombrios. Em um tempo marcado por incertezas, tensões sociais, guerras e desafios coletivos, esta mensagem é claramente atual. Como vimos, no coração da celebração está a crença na ressurreição de Jesus Cristo, evento que simboliza a vitória da vida sobre a morte, da luz sobre a escuridão e da esperança sobre o desânimo. Mas, para além da dimensão espiritual, a Páscoa provoca uma reflexão sobre o que significa renascer no cotidiano: reconstruir relações, recuperar a confiança, recomeçar projetos, reencontrar sentido na vida.
Talvez o maior desafio da Páscoa da Ressurreição seja transformar seu simbolismo em atitude concreta. Em tempos de polarização e radicalização, a proposta de renascer pode soar abstrata. Mas ela se manifesta em gestos simples: perdoar, escutar, acolher, reconstruir relações, procurar e encontrar. É nesse terreno do cotidiano que a mensagem pascal demonstra sua força mais transformadora e libertadora.
A celebração da Páscoa não promete, aqui na Terra, um mundo perfeito, mas lembra que a renovação é possível, pessoal e coletivamente. E, ao final, talvez seja isso que todos buscamos: a chance de recomeçar, de acreditar novamente, de enxergar luz onde parecia haver apenas trevas.
Que esta Páscoa da Ressurreição inspire caminhos de paz, esperança e humanidade. Tenha uma Feliz e Santa Páscoa.

Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.
*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo
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