Após 53 anos, um voo tripulado volta a orbitar a Lua. A missão Artemis II foi concluída com um inequívoco sucesso. Depois de 10 dias no espaço a cápsula Orion amerissou no Oceano Pacífico próximo à costa da California. Os quatro tripulantes: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, emocionados celebraram o feito, junto às autoridades competentes e suas famílias, participando de vários compromissos oficiais. O mundo acompanhou o voo, do lançamento ao retorno à Terra, com destaque para lindas fotos feitas pelos astronautas. A escolha da tripulação foi bastante significativa: pela primeira vez na história, uma mulher, um afro-americano, um estrangeiro (canadense) além do comandante, compunham a tripulação de um voo espacial, superimportante, dos Estados Unidos. A Artemis viajou mais de 1,1 milhão de quilômetros, chegando a um ponto tão distante da Terra onde nenhum humano jamais esteve. Passou pelo lado oculto da Lua, igualmente um fato marcante, ficando 40 minutos sem nenhuma comunicação com o centro de controle. E a reentrada na atmosfera terrestre, segundo especialistas o momento mais importante e mais desafiador de uma viagem espacial, ocorreu sem qualquer incidente. O sucesso da missão abre espaço para a Artemis III que possivelmente fará um pouso na superfície lunar, para iniciar uma ocupação contínua do satélite pelos seres humanos.
Simbolicamente, podemos pensar no “lado escuro” do projeto. Entre 2012 e 2025 foram investidos perto de US$ 100 bilhões, no projeto Artemis. Creio ser razoável pensar, que esse montante, poderia ser investido em outras áreas como: saúde, educação, moradias. Até mesmo o país mais rico da Terra tem déficits em suas áreas sociais. Claro que cada um gasta seu dinheiro onde quer, mas os possíveis benefícios e riquezas da exploração econômica da Lua, se um dia chegar a acontecer, será igualmente utilizada por toda a população americana? Ou apenas irá levar ao espaço a enorme desigualdade que já temos na Terra? Igualmente, a escolha da tripulação, sugere uma atenção sobre a representatividade e inclusão da espécie humana. Deveras positivo a participação de um afro-americano, uma mulher e um estrangeiro, entre os quatro tripulantes de uma inédita missão espacial americana. Infelizmente, muito distante da realidade que vivemos aqui na Terra, pois ainda precisamos de uma ampla política pública sobre diversidade e inclusão que realmente respeite todos os seres humanos, independentemente de gênero, cor, etnia ou credo. A humanidade há milênios convive com movimentos migratórios, mas o que estamos vendo em muitos países, Estados Unidos entre eles, é uma xenofobia declarada por muitos agentes públicos, não respeitando os mínimos direitos humanos básicos dos estrangeiros. Enquanto estamos debatendo sobre a ocupação da Lua e talvez de Marte, a Terra segue enfrentando eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. Não está na hora de pelo menos, tentar minimizar os desastres ambientais, investindo em tecnologia, priorizando a solução dos problemas climáticos atuais do que investir no espaço?
Uma nova corrida espacial pode envolver disputas em vez de cooperação entre as grandes potências. A Artemis II mostrou que a humanidade é capaz de grandes feitos. A Lua, como a Terra não tem luz própria, apenas recebem e refletem a luz do Sol. Como disseram os astronautas, a Terra vista na escuridão do espaço, é como uma espaçonave, tripulada pela totalidade de seus habitantes, e ela só alcançará seu pleno potencial, quando a diversidade de sua tripulação, a exemplo da Artemis, estiver lutando pelas mesmas necessidades, mesmos princípios e mesmos objetivos, todos juntos para o bem de toda a humanidade. Aproveite seu dia.

Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.
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Foto destaque: Nasa/Unsplash

