Copo meio cheio, meio vazio? – por Celso Tracco

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Uma recente pesquisa de opinião pública, perguntou aos entrevistados qual era percepção deles sobre a situação econômica do Brasil. Para 48% entrevistados a economia piorou, para 24% a economia melhorou e para 26% ficou igual. Considerando que o instituto de pesquisa é sério e confiável, a sensação da maioria da população é que a economia não vai bem. Quando a pergunta se refere ao futuro, as respostas também mostram um certo desalento. Não se discute os números da pesquisa, o que podemos fazer é tentar interpretá-los. Paradoxalmente, o Brasil vem apresentando alguns dados macroeconômicos e sociais que são positivos, por exemplo:

– O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu acima de 3% ao ano, de 2021 a 2024. Em 2025 cresceu 2,3%. Deve-se ressaltar que essas taxas de crescimento foram acima das que o mercado financeiro estimou.

– O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil no mesmo período subiu 5 posições. Certo que ainda não é o ideal, mas melhoramos.

– A expectativa de vida, atingiu em 2025 o maior patamar da série histórica, praticamente 80 anos para mulheres e 74 anos para homens. O índice de mortalidade infantil também, está em decréscimo atingindo 12,3 óbitos até o primeiro ano de vida, por 1.000 nascimentos. O índice está em queda contínua e abaixo da média mundial.

– A inflação está controlada e em baixa. Certo que o custo disso é uma alta taxa de juros que traz um aumento muito alto para empréstimos bancários, mas ainda assim a economia cresceu.

– A taxa de desemprego está no menor nível desde quando começou a ser contabilizada em 2012. O rendimento médio dos empregados também apresentou alta. Milhões de pessoas não estão mais vivendo abaixo da linha da pobreza.

Olhando o “copo meio cheio” podemos afirmar que todos os pontos listados acima são positivos para a economia brasileira e consequentemente para a população. Olhando o “copo meio vazio” podemos pensar que o país, através de seus governantes não fazem nada mais do que sua obrigação. Eles estão lá para isso mesmo. Também posso pensar que apesar das elites governantes não colaborarem, mesmo assim temos progredido. O fato é que para o cidadão e cidadã comum, a percepção da situação geral do Brasil é preocupante, e seu olhar para o futuro próximo, pessimista.   Os bons resultados que o Brasil obteve nos últimos anos estão sendo ofuscados pelos pontos que a população considera negativos.

Não há dúvida alguma que temos muitos pontos a melhorar. Pontos que impactam negativamente o nosso dia a dia. A (in)segurança pública é o maior deles. Em qualquer pesquisa ela aparece como um destaque negativo, ainda mais com a atuação do crime organizado, em vários setores da sociedade. O transporte público sempre apresenta problemas, principalmente nas grandes cidades. Basta chover para o que era péssimo, ficar caótico. Nossa educação básica, também não vai bem no geral. Além desses, digamos, problemas cotidianos, ainda enfrentamos uma crise de confiança em nossas instituições republicanas que a radicalização política eleitoreira, não ajuda em nada. E, atualmente, temos que lidar com um mundo em guerra que, certamente, trará reflexos negativos para toda a economia mundial.   Enfim problemas existem, e são muitos, mas será que não estamos tão estressados, que não conseguimos ver nada de bom? Podemos ser mais esperançosos com o futuro próximo? O que você acha? Hora de São Paulo, gostaria de ouvir sua opinião. Deixe seu comentário abaixo e aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Imagem Destaque: C0rey/iStock

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Taxa de mortalidade neonatal em Barueri é a menor da região

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A cidade de Barueri obteve o menor índice de mortalidade neonatal em dez anos. É o que demonstra o relatório do Sistema Estadual de Análise de Dados (Fundação Seade), divulgado recentemente pelo Governo do Estado de São Paulo.

Nele, o índice, que anteriormente era de 6,9, abaixou para 6,5 em 2022. Em 2020, era de 7,10. É um verdadeiro recorde histórico para o município. Ao todo, foram 5.228 nascidos vivos contra 34 óbitos infantis no período.

Comparativamente, a taxa de mortalidade de Barueri é a menor da Região Metropolitana Oeste, incluindo o número do Estado de São Paulo, que neste atual relatório ficou em 11,13. Dentre os municípios componentes da Rota dos Bandeirantes, Carapicuíba obteve 16,62, Itapevi 13,43, Jandira 14,77, Osasco 13,43, Santana de Parnaíba 9,6 e Pirapora do Bom Jesus 8,10. Importante ressaltar que a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) é diminuir para menos de dois dígitos esse índice no mundo até 2030, fato que Barueri já conseguiu.

A mortalidade neonatal é um tema de extrema importância e relevância, tanto nacional como internacionalmente. Nesse âmbito, a Secretária da Saúde de Barueri tem trabalhado arduamente na atenção primária à saúde, que configura como espaço estratégico para um pré-natal de qualidade com o objetivo de assegurar o desenvolvimento saudável da gestação, permitindo um parto com menores riscos para a mãe e para o bebê.

De acordo com a médica obstetra Marcia Zugaiar Buchala, diretora da Maternidade Municipal Nair Fonseca Arantes, “durante o acompanhamento pré-natal, é possível identificar patologias é tratá-las precocemente, evitando assim intercorrências indesejáveis para o binômio materno-fetal. A atenção durante o parto é fundamental para um desfecho bem-sucedido, contribuindo para essa baixa porcentagem de mortalidade neonatal no nosso município. Barueri busca o índice de mortalidade neonatal cada vez mais baixo, uma meta que é obtida com todo o trabalho exercido em conjunto com a atenção básica, através do acompanhamento do pré-natal de excelência, juntamente com a assistência adequada prestada nas maternidades”, declara.

A médica acrescenta que a Maternidade Municipal se empenha constantemente para baixa desse índice através de investimento em capacitação profissional, aquisições de novos materiais, empatia e proatividade na assistência multidisciplinar. Barueri também contempla uma maternidade de alto risco no Hospital Dr. Francisco Mouran (HMB), que é devidamente equipado e preparado para dar assistência às gestantes que apresentam comorbidades associadas à gestação, dando com isso sua contribuição para o baixo índice de mortalidade na cidade.

Programa de sucesso

A cidade contempla um programa de atendimento de pré-natal exitoso realizado diariamente por profissionais capacitados e de alta qualidade de diferentes áreas e especialidades.

De acordo com Vera Freire Gonçalves, médica pediatra e diretora técnica da Saúde da Criança, da Coordenadoria de Ações Básicas em Saúde (Cabs), “Barueri conta com o Comitê de Mortalidade Materno e Infantil, que visa a promoção da vigilância e da análise crítica do óbito materno e infantil, implantando medidas e estratégias necessárias para prevenção de óbitos evitáveis. Sinalizando aos pontos da Rede de Atenção à Saúde as necessidades de adequação de atendimento para a prevenção desses óbitos”.

A atenção básica fortalecida propicia aos baruerienses o acesso ao atendimento em saúde da mulher, do homem, da gestante e da criança, com ações de:

  • Planejamento reprodutivo, com equipe multiprofissional, nas unidades básicas de saúde;
  • Pré-natal habitual / baixo risco: em todas as unidades básicas de saúde, pela equipe de enfermagem e médico ginecologista;
  • Pré-natal de alto risco: UBS Armando Gonçalves de Freitas, UBS Hermelino Filho, UBS Pedro Izzo, UBS Edini Consoli;
  • Atendimento ginecológico em todas as unidades básicas de saúde com consultas de enfermagem e da equipe de médico ginecologista;
  • Grupo de aleitamento materno: todas as crianças nascidas na maternidade municipal recebem alta com agendamento na UBS mais próxima de sua residência. A equipe é multiprofissional e avaliação clínica é individualizada pelo pediatra. As crianças munícipes nascidas em outras maternidades são agendadas nos grupos de aleitamento na UBS mais próxima de sua residência;
  • Atenção à saúde do prematuro e alto risco: atendimento em três polos, localizados na UBS Hermelino Filho, e dois polos na UBS Katia Kohler. Os prematuros nascidos no Hospital Municipal de Barueri Dr. Francisco Moran recebem alta com agendamento em um desses polos. Os munícipes prematuros nascidos em outras maternidades também podem ser agendados nestes locais.

Além da atenção básica, os outros pontos da Rede atendem ao parto e ao recém-nascido com:

  • Atenção à saúde do prematuro e alto risco. Além do acompanhamento na unidade básica de saúde, os recém-nascidos são acompanhados no Centro Especializado em Reabilitação (CER), para estimulação precoce, com médicos especialistas (Neurologia, Oftalmologia, Cardiologia, entre outros), conforme a necessidade de seguimento e ou diagnóstico;
  • Atenção ao parto de baixa complexidade na Maternidade Municipal Nair Fonseca Arantes;
  • Atenção ao parto de pré-natal de alto risco, na maternidade do Hospital Municipal Dr. Francisco Moran;
  • Atenção ao Recém-nascido prematuro e de alto risco: Hospital Municipal Dr. Francisco Moran, com leitos de neonatologia, UTI e semi-intensiva.

Leia também: Queniana no feminino e Brasileiro no masculino vencem 47ª Corrida São Silveira


Fonte: SECOM-Barueri

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Novembro Roxo: prematuridade é principal causa da mortalidade infantil

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O parto prematuro é a principal causa global da mortalidade infantil antes dos 5 anos de idade e o Brasil é o 10º colocado no ranking mundial dos países com mais nascimentos prematuros. O bebê é considerado prematuro quando nasce antes da 37ª semana de gravidez – uma gestação completa varia entre 37 e 42 semanas. 

Por isso, a campanha Novembro Roxo – que tem 17 de novembro como o Dia Mundial da Prematuridade – leva um alerta às famílias e à sociedade sobre o crescente número de partos prematuros, suas causas e consequências. De acordo com o Ministério da Saúde, todo ano são registrados em torno de 340 mil nascimentos prematuros no Brasil, o equivalente a seis casos a cada dez minutos. 

Levantamento feito pela ONG Prematuridade.com, única organização sem fins lucrativos nacional dedicada à causa da prematuridade, mostrou que, para 95,4% dos brasileiros, as políticas públicas relacionadas à prematuridade devem ter alta prioridade, sendo 74,1% afirmando que essa priorização deve ser muito alta e 21,3%, alta. A Pesquisa de Opinião sobre a Prematuridade foi realizada de forma online, entre os dias 3 de agosto e 20 de setembro, e registrou 1.433 participações de pessoas de todo o Brasil.

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“Nosso objetivo, com esse levantamento, foi avaliar a percepção e o grau de conhecimento das pessoas sobre o tema, já que estamos falando de um dos problemas sociais mais graves do país, que ainda é desconhecido por muitos”, afirmou  a diretora executiva da ONG Prematuridade.com, Denise Suguitani.

Denise disse ainda que a pesquisa evidenciou que a grande maioria dos brasileiros acredita que a prematuridade é um problema de saúde pública. “E deve ser olhado com mais atenção pelo governo, pelas políticas públicas e por quem toma as decisões”.

Desconhecimento

Problema de saúde pública, a prematuridade ainda é cercada por desinformação. O levantamento da ONG Prematuridade.com mostra que 30% das mães e pais de bebês prematuros desconheciam totalmente o tema antes de eles mesmos passarem por essa experiência; 30% conheciam muito pouco e 28% possuíam praticamente nenhum conhecimento sobre o assunto. 

“Aqueles pais de prematuros que responderam a pesquisa e que passaram pela experiência, disseram que antes de ter um prematuro tinham pouquíssimas informações a respeito disso. Então, quer dizer que a gente precisa falar mais durante o pré-natal, informar as mulheres em idade fértil, trazer o tema à tona para toda sociedade para que, caso venha a acontecer um parto prematuro, os riscos sejam menores, tanto para mãe quanto para o bebê”, destacou Denise.

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Ela acrescentou que a importância de incluir o tema da prematuridade na formação e na capacitação contínua de profissionais de saúde que atuam na fase anterior ao parto, “Como os profissionais da Atenção Básica, para que possam informar as famílias, de maneira adequada e acolhedora, que muitas vezes um parto prematuro pode acontecer, mesmo sem sinais prévios”, afirma Denise.

A pesquisa também mostrou que a maior parte dos participantes (55,6%) desconhecia o fato de que o parto prematuro é hoje a principal causa global da mortalidade infantil antes dos 5 anos de idade. Já sobre o Brasil ser o 10º colocado no ranking mundial de partos prematuros, 64,6% desconhecem essa realidade, contra 35,4% que informaram ter ciência a respeito.

Impactos da prematuridade

Uma situação preocupante envolve os bebês chamados “termo precoce”, nascidos entre a 37ª e a 38ª semanas gestacionais, muitos deles de cesáreas eletivas, ou seja, quando não há indicação técnica para esse tipo de parto. Pesquisas na área apontam que os nascidos nesse perfil podem apresentar resultados de saúde mais semelhantes aos nascidos prematuros do que aos nascidos no período “a termo”, com mais de 39 semanas de gestação.

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Outro levantamento feito pela ONG Prematuridade.com, em 2019, com mais de 4 mil famílias, identificou que o tempo médio de permanência do bebê prematuro na UTI neonatal, após o nascimento, é de 51 dias.

“É uma situação que impacta diretamente a saúde pública e afeta, muitas vezes de forma irreversível, os pais e os bebês, tanto física quanto emocionalmente”, destaca Denise. “Por isso, é cada vez mais evidente a necessidade de grandes campanhas de conscientização sobre o assunto, além de políticas públicas que visem a redução do número de partos prematuros, fortalecendo programas de educação sexual na adolescência, planejamento familiar e acompanhamento pré-natal de qualidade”.

Novembro Roxo

Ao longo do mês de novembro, a ONG Prematuridade.com fará uma série de atividades, online e presenciais, em alusão à campanha mundial.

“A campanha do Novembro Roxo deste ano tem como slogan o “Garanta o contato pele a pele com os pais do bebê prematuro desde o momento do nascimento”. Sabemos que cada caso deve ser avaliado separadamente, mas que muitas vezes é possível, por mais que seja um bebê bem prematuro, é possível esse contato imediato de mãe com bebê, o pele a pele, o cheiro, o toque, a voz, o batimento cardíaco e o quanto isso impacta na saúde integral, tanto física quanto emocional desse bebê e isso tem impacto a longo prazo. O método canguru traz muitos benefícios”, afirmou Denise. 

A campanha pretende sensibilizar a população em geral, os parlamentares, os gestores públicos e as empresas. “Todo mundo é tocado pela prematuridade de alguma forma, mesmo que não tenha entre os amigos ou a família um bebê prematuro, todos nós somos afetados porque é a principal causa de mortalidade infantil, o Brasil é o 10º país no ranking de prematuridade e e tem um impacto gigante nos cofres públicos, por isso a gente acredita que conseguiremos unir forças nesse novembro para mostrar que é importante, e que a gente pode e deve fazer coisas para mudar esse cenário aqui no país”, finalizou a diretora da Ong Prematuridade.com.

Programação: 

  • 5 de novembro: Ciclo de palestras para as famílias – YouTube e Facebook 
  • 12 e 13 de novembro: Virada Cultural Online da Prematuridade – (YouTube)
  • 17 de novembro – Maratona de lives do Dia Mundial da Prematuridade Instagram, , YouTube , Facebook  e LinkedIn 
  • 18 e 19 de novembro: Evento online da Liga Interdisciplinar ONG Prematuridade.com YouTube e Facebook 
  • 19 de novembro: Caminhada no Parque dos Coqueiros, em Florianópolis (SC), às 9h
  • 20 de novembro: Caminhada no Parque da Redenção, em Porto Alegre (RS), às 10h, Encontro da Prematuridade no Eixão Sul em Brasília – concentração às 8h, caminhada às 9h
  • 27 de novembro: Caminhada da Prematuridade de SP, 10h, em frente ao MASP, na Avenida Paulista

Leia também:


Por Ludmilla Souza – Repórter da Agência Brasil – Foto: Marcello Casal Jr/Ag. Brasil

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