Megaoperação no RJ responda quem puder – por Tom Moisés

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Uma pessoa perguntou a minha opinião sobre essa tragédia ocorrida no Rio de Janeiro. Achei legal alguém querer saber o que estou pensando a respeito; mas, triste e perplexo fiquei inibido em fazer qualquer comentário, pois na verdade eu ainda não tenho uma opinião formada, apenas tristeza. Pensei em escrever alguma coisa. Mas, para que fazê-lo? Já não existe opinião demais circulando por aí? Você tem alguma opinião formada sobre tudo isso? Quem somos nós na fila do pão para opinar? Em que a nossa opinião pode contribuir? Temos direito de expressar nossas opiniões e até sentimentos? Peço que me ajudem a refletir e responda quem puder:

1-Quando começou essa história de morar nos morros e constituir as favelas?
2-Quando as atividades criminosas passaram a dominar essas comunidades?
3-Está certo a Polícia subir o morro para prender armas e bandidos?
4-O que deve fazer a Polícia ao ser recebida com tiros?
5-Está certo a Polícia matar as pessoas, não devia protegê-las?
6-Existiam trabalhadores e pessoas do bem andando ali naquela mata?
7-O que aconteceu foi uma operação policial ou foi um massacre?
8-De onde vem tantas armas pesadas e soldados do crime organizado?
9-Se o poder público realmente quiser, consegue acabar com o crime organizado?
10-Quem ter que emitir uma opinião e posicionamento a respeito desses fatos e quem tem que ficar em silêncio?
11-Por que as pessoas vinculam tudo à política, à esquerda e à direita?
12-As pessoas que moram nas comunidades são reféns do crime organizado ou são coniventes?
13-Para salvar vidas o poder público deve se omitir ou deve ampliar e endurecer o combate ao crime organizado?
14-Como fica o emocional de um policial e de sua família ao participar de uma operação como essa?
15- Vale a pena ser policial no Brasil?
16- Como fica o coração de uma mãe ao chorar a morte do seu filho, mesmo se ele for um criminoso?
17-O crime compensa?
18-Se todos deixarem o crime haverá emprego para todo mundo?
19-O que deve fazer os pais para impedir que seus filhos caiam no mundo da criminalidade?
20-O Brasil tem solução?

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Foto: Reprodução

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Governo do RJ atualiza para 119 mortos; moradores retiram corpos da mata

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A Operação Contenção, deflagrada na última terça-feira (28) pelas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, resultou em 119 mortos, sendo 115 civis e quatro policiais, segundo atualização divulgada nesta quarta-feira (29) pelo secretário de Polícia Civil, Felipe Curi. O número pode aumentar conforme as investigações avançam.

Curi afirmou que todas as pessoas mortas reagiram com violência e que “quem se entregou foi preso”. No total, 113 prisões foram efetuadas, incluindo 33 pessoas de outros estados que atuavam no Rio, além de dez adolescentes encaminhados a unidades socioeducativas.

Questionado sobre o alto número de mortos, o secretário declarou que a polícia “não entra atirando, entra recebendo tiro” e negou que a ação tenha sido uma chacina. “Chacina é a morte ilegal. O que fizemos foi uma ação legítima do Estado para cumprimento de mandados de apreensão e prisão. O resultado quem escolheu não foi a polícia, foram eles”, afirmou.

A operação, que mobilizou 2,5 mil agentes, é considerada a maior realizada no estado nos últimos 15 anos. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o objetivo era desarticular organizações criminosas responsáveis por ataques a forças policiais e pela expansão de facções em diferentes regiões.

Durante os confrontos, moradores relataram pânico generalizado com tiroteios, bloqueios de vias, suspensão de aulas, fechamento de comércios e interrupção de serviços de saúde.

A ação foi amplamente criticada por especialistas, organizações de direitos humanos e movimentos sociais, que classificaram o episódio como um “massacre”. Entidades nacionais e internacionais apontaram violações e alertaram para o risco à população civil.

Curi, por sua vez, afirmou que os mortos estão sendo oficialmente tratados como autores de tentativa de homicídio contra policiais.

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Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil

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Omissão do Estado e o preço pago pelas favelas – por Ramon Soares

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A operação policial iniciada no Rio de Janeiro em 28/10 escancara o quanto o Estado brasileiro é omisso em relação à segurança pública. Pelo menos para as classes mais baixas, as favelas e áreas periféricas. Sim, favelas. Não adianta usar um termo politicamente correto se continuamos com uma política de segurança politicamente incorreta.

Enquanto nas áreas nobres há policiamento, nas favelas há operações, muitas vezes com nomes pomposos, como a “Operação Escudo”, em São Paulo, que resultou em mais de 80 mortes.

Em apenas um dia de operação no Rio de Janeiro, até o início da noite, contabilizaram-se 64 mortes, quatro delas de policiais.

Mais do que a falência do Estado do Rio de Janeiro, o que se evidencia é a falência do próprio Estado brasileiro. E, em meio a isso, assistimos a políticos trocando acusações em público, eximindo-se de responsabilidade, como crianças brigando em um parquinho, enquanto inocentes são encurralados em suas casas, policiais são lançados à “cova dos leões” e o crime se organiza em escala industrial.

É claro que políticas públicas de saúde, educação, saneamento básico, cultura, segurança pública e, sobretudo, urbanismo social, devem estar presentes em todo o território municipal. Sim, municipal, pois é no município que a vida acontece. Fala-se muito do papel dos estados, mas pouco da responsabilidade municipal.

Com as Polícias Militar e Civil em operação, o foco recai sobre o governo estadual, mas vejamos:

O Complexo do Alemão, por exemplo, nasceu de forma desordenada e clandestina, a partir de lotes vendidos há mais de 30 anos por um proprietário apelidado de “Alemão”. O município nunca interveio, e hoje colhe os frutos dessa omissão.

Especialistas poderão afirmar que não cabe ao município cuidar da segurança pública, especialmente em tragédias como essa e tantas outras pelo país. No entanto, a ausência do poder público municipal na formação de bairros, comunidades, vilarejos e distritos gera consequências graves, ainda que tardias, mas inevitáveis.

Se, à época da venda clandestina dos lotes que deram origem ao Complexo do Alemão, a Prefeitura do Rio de Janeiro tivesse agido com rigor fiscalizando, impedindo as vendas irregulares e planejando o bairro a realidade seria diferente. Bastava um projeto simples, desenhado por um arquiteto ou engenheiro do Departamento de Habitação, com ruas retas, calçadas, áreas verdes, creches, escolas, unidades de saúde, quadras, teatros, bases comunitárias da polícia e saneamento básico.

Isso é Urbanismo Social.

Um projeto assim incluiria também iluminação pública, acompanhamento das construções e autorização regular para cada edificação, evitando a proliferação de construções ilegais e a expansão desordenada dos morros e periferias.

Haverá sempre os “especialistas de sofá” aqueles que nunca entraram numa favela, nunca andaram numa viatura e desconhecem a realidade dos subúrbios, prontos para emitir opiniões. Mas seria interessante que discutissem, de fato, o papel constitucional do município em organizar e prestar serviços públicos de interesse local.

O município não pode permitir que um bairro se desenvolva sem ruas, apenas com vielas e escadões. Não há dignidade para o cidadão que precisa acessar sua casa por becos estreitos onde o carteiro não entra, muitas vezes por falta até de um CEP.
Um bairro, por definição, deve ter ruas e, segundo o Novo Dicionário Aurélio, rua é uma “via pública urbana ladeada por casas, prédios ou muros, utilizada para circulação de veículos e pedestres”.

Já passou da hora de o poder público iniciar um verdadeiro planejamento urbano nas comunidades, bairros e aglomerados, com a construção de vias e a organização dos espaços em quarteirões. Só assim o Estado poderá, de fato, chegar não apenas com operações policiais desastrosas que ceifam vidas de agentes públicos e inocentes aprisionam famílias e fortalecem o crime.

Não estamos em guerra, porque não temos um inimigo. Estamos à mercê do descaso com os menos favorecidos.


Ramon Soares é Guarda Municipal em Barueri, bacharel em Direito pela UNIFIEO e vice-presidente da AGM Brasil. Palestrante e instrutor, coautor do projeto “Segurança Pública Básica” e possui certificado internacional em Segurança Escolar, obtido em Indianápolis (EUA).


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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