O apresentador José Luiz Datena anunciou nesta segunda-feira (8) o encerramento do contrato com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), decisão que abre caminho para uma nova disputa eleitoral em 2026.
Datena apresenta o programa “Na Mesa com Datena”, exibido pela TV Brasil, e permanecerá na emissora até o próximo dia 30 de junho. Segundo a estatal, a saída ocorreu por decisão do próprio jornalista.
A mudança ocorre em meio às articulações do PSB para lançar o apresentador como candidato a deputado federal nas eleições deste ano. O partido tem apostado na popularidade de Datena e em sua identificação com pautas ligadas à segurança pública.
Em nota, a EBC agradeceu pelos serviços prestados pelo comunicador nos programas “Na Mesa com Datena”, da TV Brasil, e “Alô Alô Brasil”, da Rádio Nacional.
Na semana passada, o apresentador afirmou que sua candidatura estava “quase certa” e que faltavam apenas alguns detalhes para a confirmação. A articulação conta com apoio de lideranças do PSB, entre elas o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ex-ministro Márcio França.
Esta é a segunda vez em menos de dois anos que Datena deixa um veículo de comunicação para ingressar na política. Em 2024, ele se desligou da Band para disputar a Prefeitura de São Paulo pelo PSDB, terminando a eleição em quinto lugar.
A campanha ficou marcada pelo episódio em que o então candidato agrediu Pablo Marçal com uma cadeira durante um debate eleitoral. Posteriormente, Datena se reaproximou do PSB, partido pelo qual chegou a iniciar as articulações para a disputa municipal.
Com a saída da EBC, o apresentador fica apto a cumprir as exigências da legislação eleitoral, que proíbe a participação de pré-candidatos em programas de rádio e televisão a partir do período estabelecido pela Justiça Eleitoral.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) informou, no final da tarde desta segunda-feira (16), que não recebeu nenhuma representação sobre a agressão física do candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Luiz Datena (PSDB), ao candidato do PRTB, Pablo Marçal, durante debate promovido na noite de domingo (15) pela TV Cultura.
Em nota, o TRE-SP disse que atua apenas quando é provocado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), por partidos políticos, coligações, federações, candidatas ou candidatos. “A atuação da Justiça Eleitoral acontece quando é provocada, cabendo aos legitimados no processo eleitoral a iniciativa de representações, reclamações e pedidos de direito de resposta, salvo exceções previstas em lei. Até o momento, não foi recebida nenhuma representação referente ao debate ocorrido no domingo (15) na TV Cultura.”
O tribunal repudiou qualquer tipo de violência ou ofensas entre os candidatos e entre eleitores. “O TRE-SP defende um debate de ideias civilizado, respeitoso e pacífico, a fim de que o eleitorado obtenha as informações necessárias para realizar a escolha de seus candidatos e candidatas de forma consciente e responsável, contribuindo, dessa forma, para a consolidação da nossa democracia”, diz o comunicado.
O Ministério Público Eleitoral de São Paulo informou que “tomará as medidas cabíveis” para garantir a lisura da eleição municipal, “reprimindo comportamentos que colocam em xeque a democracia, valor tão prezado pelo conjunto dos brasileiros”.
O MPE ressaltou que reprova veementemente as cenas ocorridas no debate, “quando a falta de urbanidade e lhaneza [franqueza] demonstrada por candidatos que pleiteiam o cargo de prefeito da maior cidade do país culminou em agressão física”.
Polícia
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou, em nota, que a Polícia Civil abriu inquérito sobre a agressão e confirmou que Pablo Marçal já prestou depoimento e fez queixa criminal contra Datena. “O caso é investigado por meio de inquérito policial instaurado pelo 15º DP (Itaim Bibi), área dos fatos. A vítima prestou depoimento nesta segunda-feira e ofereceu representação criminal. Imagens são analisadas, e a autoridade policial requisitou exame de corpo de delito ao candidato. Demais diligências prosseguem para o esclarecimento dos fatos”, diz o texto.
Durante o debate na noite de ontem na TV Cultura, após uma série de acusações feitas por Marçal contra a reputação de Datena, o candidato do PSDB jogou uma cadeira no candidato do PRTB.
Marçal foi ao Hospital Sírio-Libanês após o ocorrido. “O paciente Pablo Henrique Marçal foi admitido no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo ontem, 15, após traumatismo na região do tórax à direita e em punho direito, sem maiores complicações associadas. Foi avaliado pelas equipes de clínica médica e de ortopedia e está de alta hospitalar”, disse o hospital, em nota.
Na noite deste domingo (15), o debate realizado pela TV Cultura foi marcado por um incidente violento envolvendo o apresentador Datena e o candidato Pablo Marçal. A confusão começou após Marçal chamar Datena de “arregão” e afirmar que ele “não é homem para fazer as coisas”. Em resposta, Datena perdeu a compostura e agrediu Marçal com uma cadeira do estúdio.
A atitude causou grande surpresa entre os participantes e repercutiu nas redes sociais, levantando discussões sobre o nível dos debates políticos no país. Após o incidente, Datena foi expulso do debate, enquanto Pablo Marçal se retirou e precisou buscar atendimento médico em um hospital.
O debate, que deveria ser um espaço de confronto de ideias, acabou reacendendo a discussão sobre a necessidade de respeito e civilidade nas disputas eleitorais.
Nova pesquisa da série Genial/Quaest sobre a eleição à prefeitura de São Paulo mostra variações sutis na disputa eleitoral na cidade, mas com sinalizações que favorecem o apresentador José Luiz Datena (PSDB). O tucano oscilou para cima e viu os dois nomes que até o mês passado apareciam numericamente à sua frente — o candidato à reeleição, Ricardo Nunes (MDB), e o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) — variarem no sentido oposto. Os três estão tecnicamente empatados na liderança da disputa.
O atual prefeito tinha 22% das menções no fim de junho e agora aparece com 20%. Já Boulos tem 19%, dois pontos a menos que os 21% que ele marcava há um mês. Datena, por sua vez, aparecia com 17% e agora tem 19%. Considerando a margem de erro, estimada em 3,1 pontos para mais ou menos, nenhuma dessas variações pode ser efetivamente considerada queda ou alta — embora importem para os ânimos e estratégias das campanhas.
Infográfico mostra resultados da pesquisa Genial/Quaest — Foto: Divulgação/Quaest
No cenário completo, com a presença de todos os nomes que já se apresentaram como pré-candidatos, o empresário Pablo Marçal (PRTB) é o próximo da lista, com 12% das intenções de voto — eram 10% em junho. A deputada federal Tabata Amaral (PSB) oscilou de 6% para 5%, enquanto Kim Kataguiri (União) e Marina Helena (Novo) têm 3% cada um. Kim, apesar de ainda se apresentar como pré-candidato, não deve ter o apoio de sua legenda.
Os candidatos Altino (PSTU) e Ricardo Senese (UP) alcançaram 1% das menções cada um, enquanto Fernando Fantauzzi (DC) e João Pimenta (PCO) não conseguiram sair do zero. Indecisos somam 8% na pesquisa estimulada, e brancos e nulos são 9%.
Infográfico mostra resultados da pesquisa Genial/Quaest — Foto: Divulgação/Quaest
Os resultados da Quaest mostram que Datena se destaca no voto daqueles de renda mais baixa (tem 28% das intenções de voto entre quem ganha até dois salários mínimos por mês) e os que estudaram só até o ensino fundamental (tem hoje o apoio de 36% desse eleitorado), enquanto Boulos se dá melhor entre os que chegaram a cursar o ensino superior (com 27% das menções no grupo). Já Nunes aparece na frente no grupo que parou os estudos no ensino médio (25%).
Apresentador de TV há mais de três décadas, Datena é conhecido por 90% dos eleitores entrevistados — 42% afirmam que votariam nele, contra 48% que se recusam a apoiá-lo. Os adversários do tucano têm citado a alta taxa de conhecimento de Datena para argumentar que ele tem “teto baixo”, o que significa que há poucos eleitores que ainda não o conhecem e podem vir a apoiá-lo.
Outro ponto de atenção para o candidato do PSDB é o nível de convicção de seu eleitorado. Enquanto no geral 42% dizem que suas escolhas são definitivas, e 56% admitem poder mudar de ideia “caso algo aconteça”, essa taxa de indefinição é de 70% dentre os que declaram a intenção de votar em Datena (só 29% dizem que a escolha é definitiva). Boulos tem 52% de seus eleitores dizendo-se convictos, taxa que é de 48% dentre os apoiadores de Nunes.
Infográfico mostra resultados da pesquisa Genial/Quaest — Foto: Divulgação/Quaest
Cenários para o segundo turno
A Quaest testou quatro cenários distintos para a disputa em segundo turno. Nas três configurações que envolvem o nome de Nunes, o atual prefeito supera seu adversário.
Contra Boulos, Nunes marca hoje 45% num eventual segundo turno, contra 32% do deputado federal — os percentuais eram de 46% e 34%, respectivamente, há um mês. Já contra Marçal, o emedebista soma 46%, enquanto o empresário alcança 22%. Na disputa com Tabata, o prefeito vai a 47%, contra 26% da deputada.
No único cenário testado sem o candidato à reeleição, Boulos e Marçal aparecem em situação de empate técnico, com o deputado numericamente à frente. O candidato do PSOL marca nesse chaveamento 37% das intenções de voto, ante 33% do nome do PRTB na disputa. O instituto não simulou cenários de segundo turno envolvendo Datena.
Contratada pela Genial Investimentos, a Quaest entrevistou presencialmente 1.002 eleitores na cidade de São Paulo, no período entre 25 e 28 de julho. Na Justiça Eleitoral, o levantamento está registrado sob o número SP-06142/2024.
O Diretório Municipal do PSDB em São Paulooficializou nesta quinta-feira (13) a pré-candidatura do jornalista José Luiz Datena à prefeitura da capital paulista. O anúncio foi feito no Jaraguá Novotel e o evento contou com lideranças da sigla.
No início da corrida eleitoral, Datena foi cotado como vice de Tabata Amaral. Na época, ele ainda estava filiado ao PSB.
O jornalista é a aposta do PSDB para voltar a governar o município. A legenda venceu a última eleição com Bruno Covas, mas com sua morte por câncer em 2021, Ricardo Nunes, do MDB, assumiu a cadeira.
O apresentador de TV José Luiz Datena vai se filiar ao PSDB nesta quinta-feira (4). Será o 11º partido na trajetória de Datena, que já passou por PT (de 1992 a 2015), PP, PRP, DEM, MDB, PSL, PSD, União Brasil e PSC.
Atualmente vinculado ao PSB, ele poderá ser vice de Tabata Amaral (PSB) ou mesmo candidato a prefeito na disputa pela Prefeitura de São Paulo, como defendem alguns tucanos.
Ele participará de evento com o presidente do PSDB, Marconi Perillo, Paulo Serra, presidente estadual do partido, Duarte Nogueira, presidente da federação PSDB-Cidadania no estado, e José Aníbal, presidente do diretório municipal do PSDB.
Tabata também participará do evento de filiação nesta quinta-feira, com a expectativa de que o apresentador confirme que será vice em sua chapa.
“A migração do Datena foi uma construção conjunta da campanha da Tabata e do PSDB. Com a filiação, a Tabata conseguiu juntar os dois principais ativos que estavam na mesa: o Datena como vice e o apoio do PSDB, que ganhou as duas últimas eleições na capital”, afirma Orlando Faria, coordenador político da campanha da parlamentar.
O PSB marcou para o próximo dia 18 o ato de filiação ao partido do apresentador José Luiz Datena após ele pedir a desfiliação do PDT, dizem fontes do partido.
A sigla pretende jogar peso no evento e colocar no palanque seus principais quadros, como o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro Márcio França e até o prefeito de Recife, João Campos.
Pré-candidata à prefeita da capital, a deputada Tabata Amaral (SP) convidou o jornalista para ser vice na chapa depois de também abrir diálogo com o PSDB.
Essa será a 5° vez que Datena entra na arena eleitoral. Nas quatro vezes anteriores ele desistiu na reta final.
O apresentador, que foi filiado ao PT e eleitor de Lula nos anos 90, ventilou que disputaria a prefeitura pelo PP em 2016, o senado pelo DEM em 2018 e depois pelo PSDB em 2022. Em 2020 ventilou a possibilidade de ser vice na chapa de Bruno Covas (PSDB) para a prefeitura.