Justiça suspende regras de escolas cívico-militares em SP por possível ilegalidade e discriminação

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A Justiça de São Paulo suspendeu, em decisão liminar, a aplicação das regras do Programa Escola Cívico-Militar do estado, sob o entendimento de que há indícios de violação ao princípio da legalidade, afronta à gestão democrática do ensino e potencial caráter discriminatório. A medida determina que o governo estadual interrompa, em até 48 horas, o uso do documento e de seus anexos nas unidades cívico-militares.

A decisão foi proferida pela juíza Paula Narimatu de Almeida, da 13ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. No despacho, a magistrada determinou a suspensão do “Programa Escola Cívico-Militar do Estado de São Paulo” e dos guias de Conduta e Atitude dos Alunos, Uso do Uniforme e do Projeto Valores Cidadãos.

A liminar atende a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo e pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo. Segundo os autores da ação, as normas conferem aos monitores militares atribuições que extrapolam aquelas previstas em lei.

Na decisão, a juíza aponta que determinadas regras são “particularmente graves” e podem gerar discriminação, especialmente contra estudantes de grupos minoritários. Como exemplo, ela cita a proibição de tranças específicas ou de cortes de cabelo que não sejam considerados “discretos”.

De acordo com a magistrada, normas relacionadas à aparência podem afetar de forma desproporcional estudantes LGBTQIAPN+, cujas expressões de identidade de gênero não necessariamente se enquadram em padrões binários. Para a juíza, isso viola o princípio constitucional da não discriminação.

A decisão também destaca a ausência de consulta a especialistas da área educacional, como pedagogos, psicólogos educacionais e técnicos em desenvolvimento infantil. Segundo a magistrada, essa lacuna contraria dispositivos da Constituição Federal e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

Outro ponto central da decisão envolve a gestão democrática do ensino. A juíza ressaltou que a elaboração do regimento escolar é competência privativa dos Conselhos de Escola, prerrogativa considerada indelegável da comunidade escolar. Para ela, há plausibilidade jurídica na alegação de que o regimento foi elaborado de forma unilateral pela Secretaria da Educação, sem a participação dos conselhos.

Apesar da suspensão das regras, a magistrada esclareceu que a decisão não impede a atuação dos monitores militares em outras iniciativas de apoio, como os programas Conviva, Ronda Escolar, Bombeiro na Escola e o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd).

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo afirmou que todo o conteúdo pedagógico das escolas da rede estadual, inclusive das unidades cívico-militares, é elaborado e aplicado exclusivamente por professores. Segundo a pasta, os monitores militares não exercem funções pedagógicas e a implantação do programa ocorreu por meio de consultas públicas, com participação das comunidades escolares.

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Foto: Marcelo S. Camargo/GESP

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Aulas começam na rede estadual de SP com 100 escolas no modelo cívico-militar

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O ano letivo da rede estadual de São Paulo tem início nesta segunda-feira (2), com a retomada das atividades em todas as unidades de ensino, incluindo 100 escolas que passaram a adotar o modelo do programa Escola Cívico-Militar (ECM). As unidades estão distribuídas pela capital e por 88 municípios da região metropolitana, litoral e interior do estado.

As escolas participantes foram definidas após consulta pública às comunidades escolares. Tiveram direito a voto pais ou responsáveis por alunos menores de 16 anos, estudantes a partir dessa idade — ou familiares, em caso de abstenção — além de professores e demais profissionais das unidades.

Apesar da adoção do novo modelo, as escolas cívico-militares mantêm a carga horária regular, seja em período parcial ou integral, e seguem o Currículo Paulista, além das avaliações e projetos pedagógicos definidos pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP). A principal diferença está na atuação de policiais militares da reserva, que passam a exercer a função de monitores.

Esses profissionais atuam no apoio à segurança, disciplina, acolhimento dos estudantes e na promoção de valores cívicos. A seleção dos monitores foi feita por meio de banca avaliadora, com análise de títulos e documentos que comprovam a aptidão para o desempenho das funções. O trabalho dos militares será avaliado periodicamente por diretores e alunos, além de passar por avaliações semestrais de desempenho para verificar a adaptação ao modelo.

Os monitores também são obrigados a participar de um curso de capacitação com carga mínima de 40 horas, promovido pela Seduc-SP em parceria com a Secretaria Estadual de Segurança Pública. A formação aborda temas como regimento interno, psicologia escolar, desafios contemporâneos do ambiente educacional, cultura de paz e segurança escolar.

Segundo o secretário estadual da Educação, Renato Feder, o programa amplia as opções disponíveis às famílias. “O Escola Cívico-Militar é mais uma alternativa às famílias paulistas. Nossa rede é ampla e buscamos atender diferentes públicos, distribuindo as unidades em todas as regiões do estado, inclusive em municípios com Índice de Desenvolvimento Humano abaixo das médias estadual e nacional”, afirmou.

Para orientar o funcionamento das unidades, foi elaborado um regimento interno específico para as escolas cívico-militares. A gestão escolar continua sob responsabilidade dos diretores nomeados pela Secretaria da Educação. O documento destaca que disciplina e respeito não implicam restrição à liberdade de expressão, mas o uso responsável desse direito em favor do bem coletivo.

“O objetivo é que o aluno compreenda os benefícios de um comportamento ético e respeitoso, essencial para um ambiente escolar saudável, baseado em valores como responsabilidade e respeito ao próximo”, reforçou o secretário.

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Foto/foto: Divulgação/GESP

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Cívico-militar: 70 escolas de SP optam pela adesão ao modelo na 1ª consulta à comunidade

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Na primeira rodada de consulta pública às comunidades escolares, 70 unidades de ensino da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) votaram a favor da adesão ao modelo cívico-militar. Entre 17 e 31 de março, as escolas organizaram eleições com alunos, pais e responsáveis e equipes de 302 escolas que manifestaram o interesse no ano passado para decidir pela implantação ou não do programa. A expectativa é que até 100 unidades do estado adotem o modelo a partir do segundo semestre de 2025.

Da lista de participantes da primeira consulta, cinco unidades reprovaram a adesão. As sete que se abstiveram e as demais que não obtiveram quórum mínimo terão mais duas rodadas de votação nas próximas semanas.

2ª e 3ª rodadas de votação

Até sexta-feira (4), os diretores devem manifestar o interesse pela continuidade do processo de consulta pública. A segunda rodada acontece via Sed (Secretaria Escolar Digital) entre os dias 7 e 9 de abril. Caso haja a necessidade de uma terceira votação, o período previsto no calendário é de 15 a 17 de abril. O resultado final será divulgado em 25 de abril. As etapas do processo e a lista de escolas estão publicadas na edição de 28 de fevereiro do Diário Oficial do Estado.

Caso mais de 100 escolas sejam aprovadas na consulta pública, serão adotados critérios de desempate para a seleção das unidades. Entre eles: distância de até dois quilômetros de outra unidade que não optou pelo programa; número de votos válidos a favor da implantação e escolas que ofertam mais de um nível de ensino (Ensino Fundamental e Médio).

Quem pode votar e como funciona a consulta pública

  • Mãe, pai ou responsável pelos alunos menores de 16 anos de idade;
  • Estudantes a partir de 16 anos de idade, ou seus familiares, em caso de abstenção de alunos dessa faixa etária. Não é possível o voto do estudante mais o voto do responsável nesse caso;;
  • Professores e outros profissionais da equipe escolar;

Como funciona a consulta pública

  • Para se tornar cívico-militar, na votação, a escola tem que alcançar o quórum mínimo (50% + um) e deve ter, pelo menos, 50% + um dos votos válidos;
  • Cada voto poderá ser computado apenas uma vez. Ou seja, as unidades que tiverem 2ª e 3ª rodadas só poderão contar com os votos de quem não votou na rodada anterior.

Currículo e processo seletivo das escolas cívico-militares

As escolas cívico-militares seguirão o Currículo Paulista, definido pela Secretaria da Educação. A Seduc-SP também será responsável pelo processo de seleção dos monitores.

Caberá à Secretaria da Segurança Pública apoiar a Secretaria da Educação no processo seletivo e emitir declarações com informações sobre o comportamento e sobre processos criminais ou administrativos, concluídos ou não, em que os candidatos a atuar como monitores nessas unidades de ensino possam estar envolvidos.

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Fonte/foto: Governo de SP

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Tarcísio de Freitas sanciona lei que cria escolas cívico-militares em São Paulo

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O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) sancionou nesta segunda-feira (27) a lei que cria as escolas cívico-militares no estado. A assinatura aconteceu em evento no Palácio dos Bandeiras.

Freitas fez um discurso sobre o projeto e ressaltou que as escolas cívico-militares são mais uma opção para os pais, e não uma imposição.

“A adesão é voluntária, ninguém vai ser obrigado a estudar na escola cívico-militar, só vai estudar quem quiser. É mais uma ferramenta para atingir qualidade”, disse o governador.

O governo também ressaltou que a mudança não irá afetar na parte pedagógica. De acordo o Freitas, o novo modelo passará aos estudantes valores, como “civismo, dedicação, excelência, honestidade e respeito”.

Pais e professores serão consultados antes de escolas mudarem de categoria. A alteração precisa do consentimento deles e terá que passar por uma consulta pública.

De acordo com a nova lei, ao menos um policial militar da reserva irá atuar na parte disciplinar das escolas. A Secretaria de Segurança Pública será responsável pelo processo seletivo. O salário será pago pela Secretaria de Educação.

O projeto focará em escolas notas baixas e que estão localizadas em regiões vulneráveis.

Projeto foi aprovado por 54 votos a favor e 21 contra na Alesp. Outros 19 parlamentares não votaram.

Leia também: Estado de SP inicia campanha de vacinação contra a paralisia infantil nesta segunda-feira (27)


Fonte: TV Cultura – Foto: Marcelo S. Carmargo/Governo de SP

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