Lula e Flávio discutem pobreza, dívidas e saúde em debate

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Candidatos discutiram políticas sociais, endividamento das famílias e SUS; senador pediu desculpas após comentário sobre o dedo perdido pelo presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações durante o debate eleitoral exibido pela TV Globo. O confronto passou por políticas sociais, endividamento das famílias e financiamento da saúde pública, além de um embate pessoal após uma fala do senador sobre o acidente de trabalho que levou Lula a perder o dedo mínimo da mão esquerda.

A discussão começou quando Flávio afirmou que o presidente “dá com uma mão e tira com nove dedos”. Lula reagiu, dizendo que não aceitaria ser chamado dessa forma e cobrando um pedido de desculpas.

“Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos, não vou permitir! Você vai ter que pedir desculpa”, afirmou o presidente, que também relacionou o episódio aos acidentes de trabalho e às condições enfrentadas pelos trabalhadores.

Na sequência, Flávio pediu desculpas. “Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender”, declarou.

O senador, porém, voltou a criticar o governo e questionou Lula sobre o aumento da população em situação de rua. Também repudiou o fato de o presidente tê-lo chamado de miliciano.

População em situação de rua

Durante o embate, Flávio afirmou que a população em situação de rua havia dobrado durante o governo Lula. O material citado na reportagem aponta que 365,8 mil pessoas estavam nessa condição em dezembro de 2025, um aumento de 55% em relação a 2022, segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua.

Pesquisadores ressaltam que parte da variação pode estar relacionada a diferenças nos métodos de contagem, à busca ativa e à inclusão de pessoas vulneráveis nas políticas sociais. Portanto, o crescimento registrado não significa necessariamente que todo o aumento corresponda a pessoas que passaram recentemente a viver nas ruas.

Bolsa Família e licença-maternidade

Lula também questionou Flávio sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. O senador reconheceu o voto e afirmou que mudou de posição.

“Eu votei acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego, eu estava errado”, declarou Flávio, acrescentando que, após se casar e ter duas filhas, passou a reconhecer a importância da mãe permanecer mais tempo com o filho.

O presidente criticou a justificativa e afirmou que o adversário não respondeu objetivamente à pergunta. Lula também mencionou publicações antigas de Flávio nas quais o senador teria chamado o Bolsa Família de “bolsa-farelo”, classificando a expressão como falta de respeito com a população de baixa renda.

Em resposta, Flávio afirmou que pretende manter e ampliar os benefícios sociais, incluindo o Bolsa Família.

Dívidas das famílias e contas públicas

Outro tema do debate foi o endividamento das famílias brasileiras. Flávio atribuiu ao governo federal parte da responsabilidade pelas dificuldades financeiras da população e questionou o presidente sobre o crescimento da dívida pública.

O senador afirmou que pretende utilizar a Caixa Econômica Federal para comprar dívidas de consumidores junto aos bancos e refinanciá-las, caso seja eleito.

Lula respondeu que uma iniciativa de renegociação já havia sido encaminhada por seu governo ao Senado. O presidente também mencionou medidas anteriores de renegociação e perdão de dívidas, citando uma operação de R$ 15 bilhões que, segundo ele, envolveu 4,5 milhões de pessoas.

Durante a discussão, Flávio citou uma dívida de R$ 11 trilhões, fazendo referência à Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), indicador calculado pelo Banco Central.

Candidatos divergem sobre o SUS

A saúde pública também esteve entre os temas discutidos. Lula questionou Flávio sobre declarações atribuídas a um integrante da equipe econômica do senador a respeito dos investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS). O presidente ainda criticou a gestão da pandemia de Covid-19 durante o governo de Jair Bolsonaro.

Lula atribuiu ao SUS um papel importante na resposta à pandemia e criticou declarações do ex-presidente sobre vacinação e a condução das medidas sanitárias.

Flávio afirmou que pretende manter e ampliar os investimentos no sistema, mas criticou a gestão atual, as filas de atendimento e o financiamento da saúde pública.

O senador declarou que pretende combater a corrupção e a burocracia, reduzir impostos e aumentar a tabela de procedimentos do SUS. Também mencionou as dificuldades financeiras enfrentadas pelas Santas Casas.

O debate reuniu, assim, confrontos pessoais e divergências sobre políticas sociais, economia e saúde, com os dois candidatos defendendo suas propostas e criticando a atuação do adversário.

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Foto: Fernando Frazão/ABR

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Bets chegam cada vez mais cedo à vida dos jovens

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Relatos de grupos de apoio incluem adolescentes de 14 anos; pesquisas apontam início precoce das apostas e impactos sobre endividamento e educação.

As apostas online estão chegando cada vez mais cedo à vida dos jovens e já levam adolescentes a procurar ajuda para tentar interromper o comportamento compulsivo. Segundo Luiz Carlos, integrante da irmandade Jogadores Anônimos, há relatos de pessoas de 14 anos que chegaram ao grupo acompanhadas por profissionais de saúde.

“Hoje quem chega à irmandade é muito jovem. Já chegou até de 14 anos acompanhado pelo psiquiatra. Mas chegam jovens de 15, 16, 19, 20 anos, até 30, 35 anos”, relata.

O avanço das apostas pelo celular facilita o acesso às plataformas e amplia a exposição de crianças e adolescentes. Dados citados pela Agência Brasil apontam que uma em cada cinco pessoas no mundo começa a apostar online até os 11 anos. A partir dos 12 anos, o percentual chega a 78%, segundo dados do Unicef de 2021.

No Brasil, uma pesquisa divulgada neste ano pela Frente Parlamentar Mista de Educação, com 1.912 estudantes dos ensinos fundamental e médio, indicou que 9,5% fizeram a primeira aposta aos 11 anos. Entre os alunos do terceiro ano do ensino médio entrevistados, quase metade afirmou já ter feito apostas.

Quando a aposta passa a controlar a rotina

A história de Gustavo Pereira mostra como o problema pode evoluir. Aos 24 anos, ele conta que começou a apostar online aos 18 e, ao longo de seis anos, perdeu cerca de R$ 500 mil.

Segundo Gustavo, houve momentos em que conseguiu transformar R$ 10 mil em centenas de milhares de reais, mas também perdeu os valores acumulados. Com o tempo, afirma que passou a perder a dimensão do dinheiro e a pensar cada vez mais nas apostas.

“Eu dormia pensando em apostar e acordava pensando em apostar”, relata.

Atualmente, Gustavo diz estar há cerca de dois meses sem apostar e tenta reconstruir a vida trabalhando com a venda de café nas ruas de Lages, em Santa Catarina. Ele também mantém um perfil nas redes sociais no qual compartilha a rotina de trabalho e a tentativa de evitar recaídas.

A psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, explica que adolescentes são mais vulneráveis a estímulos relacionados à recompensa porque as estruturas cerebrais responsáveis pelo controle dos impulsos e pela avaliação de riscos ainda estão em desenvolvimento.

“O adolescente sente intensamente o prazer de ganhar uma aposta, mas ele, em contrapartida, ainda não dispõe do aparato para frear o impulso da aposta seguinte”, afirma.

O cassino dentro do celular

Para quem acompanha o problema há décadas, a principal mudança está na facilidade de acesso.

Luiz Carlos, de 71 anos, conta que começou a jogar na década de 1980, quando frequentava estabelecimentos com máquinas de videopôquer. Segundo ele, era necessário sair de casa para jogar.

Hoje, afirma, o cenário é diferente: “Você carrega um cassino dentro do seu bolso”.

A avaliação é compartilhada por outros frequentadores dos Jogadores Anônimos. Carla Xavier, Rogério e Rodrigo relatam períodos de afastamento das apostas, mas também descrevem as consequências financeiras provocadas pela compulsão.

Carla afirma que o grupo tem recebido pessoas já profundamente endividadas e em situações de grande sofrimento. Segundo ela, o acesso permanente às plataformas fez esse tipo de situação crescer.

Apostas também afetam orçamento e estudos

O impacto das bets não aparece apenas nos relatos de dependência. Um relatório do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) citado no levantamento aponta que pelo menos 24 milhões de brasileiros apostaram em bets em 2024, e quase metade ficou endividada.

Para o diretor do IBICT, Tiago Braga, a aposta online não deve ser tratada como investimento, mas como gasto. Segundo ele, quanto mais recursos são destinados às apostas, menor é a disponibilidade de dinheiro para despesas e projetos pessoais.

Os reflexos também chegam à educação. Pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) apontou que 34% dos entrevistados disseram que precisariam deixar de gastar com apostas para conseguir iniciar uma graduação em 2026.

Entre estudantes que já estavam no ensino superior, 14% afirmaram ter atrasado mensalidades ou trancado o curso por causa dos gastos com bets. Outros 34% disseram ter deixado de investir em cursos, idiomas ou outras formas de aprendizado.

O diretor-geral da ABMES, Paulo Chanan, afirma que os dados não permitem generalizar o comportamento dos jovens, mas mostram que, para uma parcela dos entrevistados, o dinheiro destinado às apostas interfere em decisões relacionadas à educação.

Menores de 18 anos não podem apostar

O ambiente digital também passou a ter novas regras de proteção para crianças e adolescentes. O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecido como ECA Digital, entrou em vigor em março de 2026 e estabeleceu novas medidas para ampliar a proteção de menores no ambiente virtual.

Entre as regras está a proibição de apostas online para menores de 18 anos. O texto também prevê mecanismos de verificação de idade e amplia as responsabilidades relacionadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

O advogado especialista em direito digital Felipe Moreira destaca que a mudança busca superar o modelo anterior, no qual a confirmação da idade podia depender apenas da informação digitada pelo próprio usuário.

A psicóloga Mariana Kehl também chama atenção para a publicidade feita por influenciadores. Segundo ela, quando uma aposta é apresentada por uma pessoa acompanhada diariamente pelo jovem, a mensagem pode ser percebida mais como recomendação do que como publicidade tradicional.

O desafio, portanto, envolve mais do que impedir o acesso de menores às plataformas. Os relatos e pesquisas citados apontam para uma questão que envolve educação financeira, saúde, comportamento, regulação e prevenção.

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Foto: Joédson Alves/ABR

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Lula lança novo Desenrola Brasil com descontos de até 90% nas dívidas

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina nesta segunda-feira (4) a medida provisória que cria o novo Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas voltado a pessoas que ganham até cinco salários mínimos, atualmente R$ 8.105.

A iniciativa permite renegociar débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, com o objetivo de aliviar o orçamento das famílias, especialmente aquelas com dívidas de alto custo.

O programa terá duração inicial de 90 dias, e os interessados deverão procurar diretamente os canais oficiais de bancos e operadoras de crédito para aderir.

Entre os principais pontos, estão descontos que podem variar de 30% a 90% sobre o valor das dívidas. Também será possível utilizar até R$ 1 mil ou 20% do saldo do FGTS para quitar os débitos.

O novo modelo prevê ainda a concessão de crédito para pagamento das dívidas, com taxa de juros de até 1,99% ao mês e prazo de até 48 meses. O limite por pessoa será de até R$ 15 mil por instituição financeira, com garantia do Fundo Garantidor de Operações.

Poderão ser incluídas dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos.

O programa também contempla renegociação de débitos do Fies, além de dívidas de micro e pequenas empresas e de agricultores familiares.

Uma das regras previstas é o bloqueio, por um ano, do acesso a plataformas de apostas online para quem aderir ao programa.

O lançamento e os detalhes da medida foram apresentados em coletiva no Palácio do Planalto.

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Foto: Ricardo Stucker/PR

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Bancos alertam para golpes no Programa Desenrola Brasil

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A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgou alerta para golpes envolvendo o Programa Desenrola Brasil, que entrou em vigor no último dia 17, que tem como principal objetivo reintroduzir pessoas com restrição de crédito na economia, permitindo melhores condições de renegociação de dívidas bancárias.

Segundo a entidade, criminosos podem aproveitar o programa para aplicar golpes por meio de links falsos e da engenharia social, que usa técnicas para enganar o usuário para que ele forneça dados confidenciais, além de realizar transações financeiras para o golpista.

Nessa primeira fase do programa, as instituições financeiras limpam o nome das pessoas com débitos de até R$ 100. A dívida não é perdoada. Apenas o devedor deixa de ficar com o nome sujo e pode contrair novos empréstimos e fazer operações como fechar contratos de aluguel. Há ainda a possibilidade de renegociação de débitos com bancos por devedores com renda de até R$ 20 mil. O Desenrola só abrange dívidas contraídas até 31 de dezembro do ano passado.

“É muito importante que o cliente não clique em links recebidos por aplicativos de mensagens, de redes sociais e patrocinados em sites de busca. Faça você mesmo o contato com o seu banco. Fique atento para que não sejam aceitas propostas de envio de valores com a finalidade de garantir melhores condições de renegociação das dívidas. Reforçamos que somente é possível renegociar as dívidas nos canais oficiais dos bancos”, disse, em nota, Adriano Volpini, diretor do Comitê de Prevenção a Fraudes da Febraban.

A Febraban orienta que as pessoas interessadas em renegociar as dívidas dentro do Desenrola Brasil busquem informações apenas dentro dos canais oficiais dos bancos que aderiram ao programa, como nas agências, no internet banking ou em seus aplicativos bancários. Se for negociar no internet banking, a entidade orienta que, para o acesso, o próprio usuário digite o endereço da instituição financeira.

Se o cliente desconfiar de alguma proposta ou do valor, ele deve em contato com o banco nos seus canais oficiais. Além disso, somente após a formalização de um contrato de renegociação é que o usuário pode ter os valores debitados da conta, nas datas acordadas. Outro alerta é, em caso de boletos, checar na hora do pagamento se está sendo feito realmente para a instituição financeira com a qual o cliente tem a pendência.

A Febraban acrescenta que não envia comunicado para renegociar dívidas no Desenrola. Caso receba qualquer mensagem com o logotipo da entidade ou de bancos, o cliente deve descartá-la e entrar em contato com os canais oficiais da instituição financeira, como agência, internet banking e aplicativo bancário.

Leia também: Governo de SP sanciona aumento salarial de 6% para o funcionalismo do Estado

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Dívidas de até R$ 5 mil poderão ser parceladas em 60 meses

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O governo federal publicou no Diário Oficial da União desta terça-feira (6) medida provisória que lança o Programa Emergencial de Renegociação de Dívidas de Pessoas Físicas Inadimplentes, o chamado Desenrola Brasil.

Primeira das três etapas de execução do programa, a publicação da MP nº 1.176 produz efeitos jurídicos imediatos. A sua plena efetivação, no entanto, dependerá de aprovação do Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados e o Senado têm até 120 dias para apreciar o texto e votar a admissibilidade da conversão da MP em lei.

A expectativa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é que a iniciativa esteja em vigor em julho, permitindo a adesão de credores e devedores e a renegociação de dívidas. “Tem uma série de providências burocráticas a serem tomadas até abertura do sistema dos credores”, disse o ministro nessa segunda-feira (5).

Segundo o Ministério da Fazenda, o objetivo da medida é combater a inadimplência no país e ajudar os brasileiros endividados a pagar suas dívidas. A mais recente pesquisa sobre o endividamento – realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (Cndl) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) -aponta que, em abril deste ano, 66,08 milhões de brasileiros tinham deixado de pagar alguma conta. Além disso, quatro em cada dez brasileiros estavam negativados, ou seja, tiveram seus nomes incluídos na lista de inadimplentes elaboradas por um dos órgãos de proteção ao crédito, como o SPC e a Serasa.

Renegociação

O texto da MP – editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva – estabelece que o Desenrola Brasil busca “incentivar a renegociação de dívidas de natureza privada de pessoas físicas inscritas em cadastros de inadimplentes para reduzir seu endividamento e facilitar a retomada do acesso ao mercado de crédito”.

Os credores interessados em participar do programa deverão renegociar as condições de pagamento de dívidas, oferecendo descontos aos devedores e se comprometendo a excluir dos cadastros de inadimplentes os créditos de pequeno valor a que têm direito, bem como as dívidas renegociadas no âmbito do programa.

Já os interessados em saldar uma dívida poderão aderir ao programa e contratar uma nova operação de crédito com um agente financeiro previamente habilitado a participar do Desenrola Brasil.

Os agentes deverão financiar as dívidas incluídas no programa com seus próprios recursos financeiros, mas poderão cobrar tarifa pelos serviços prestados aos credores, respeitando os limites estabelecidos pelo Ministério da Fazenda.

“Vamos refinanciar para o devedor, mas o credor não vai ter que ficar esperando o pagamento. Ele vai ter a certeza do recebimento. Queremos melhorar as condições de descontos dos credores e facilitar a vida dos devedores”, afirmou o ministro Fernando Haddad, em nota.

A expectativa do governo federal é que, como quem tem dívidas poderá escolher a instituição habilitada com a qual prefere financiar seu passivo, os agentes financeiros concorram entre si, oferecendo maiores descontos e taxas de juros mais baixas.

Faixas

O programa contempla duas faixas de benefícios. A primeira beneficia pessoas que recebem até dois salários mínimos ou que estão inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).

Nestes casos, serão renegociadas dívidas negativadas até 31 de dezembro de 2022. Além disso, os agentes financeiros habilitados poderão exigir garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO), a fim de financiar a quitação de dívidas bancárias e não bancárias que não ultrapassem R$ 5 mil por devedor.

Ao oferecer garantia para os novos financiamentos, o governo federal garante maiores descontos nas dívidas e taxas de juros mais baixas. Caso o devedor deixe de pagar as parcelas da dívida renegociada, o banco iniciará o processo de cobrança, e poderá fazer nova negativação.

A dívida repactuada poderá ser paga à vista ou por financiamento bancário em até 60 meses, sem entrada, com 1,99% de juros ao mês e primeira parcela após 30 dias. No caso de parcelamento, o pagamento pode ser realizado em débito em conta, boleto bancário e pix. O pagamento à vista será feito via Plataforma e o valor será repassado ao credor.

Já a Faixa II será destinada somente a pessoas físicas com dívidas com bancos que poderão oferecer a seus clientes a possibilidade de renegociação de forma direta. Essas operações não terão a garantia do FGO. Nesse caso, o governo federal oferecerá às instituições financeiras – em troca de descontos nas dívidas – um incentivo regulatório para que aumentem a oferta de crédito.

Nas duas faixas, caberá ao Banco Central fiscalizar o cumprimento dos critérios do programa Desenrola Brasil, acompanhando, avaliando e divulgando mensalmente os resultados alcançados.

Leia também: Municípios do interior de SP ganham observatório de turismo


Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil – Foto: José Cruz/Ag. Brasil

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Quatro a cada 10 brasileiros adultos estavam inadimplentes em março de 2023

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Dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que quatro a cada 10 brasileiro adultos estavam inadimplentes em março de 2023.

O aumento de 8% com relação ao mesmo mês em 2022 faz com que a inadimplência atinja um patamar recorde no país.

A inadimplência atinge 48,94% dos homens e 51,06% das mulheres em todo o país. Em média, as dívidas chegam a quase R$ 4 mil por pessoa.

No topo da lista de serviços para os quais os inadimplentes devem, estão os bancos (32,08%). Na sequência, aparecem concessionárias de água e energia (15,79%).

Entre os brasileiros de 30 a 39 anos, parcela mais atingida pelo endividamento, há aproximadamente 16 milhões de inadimplentes, ainda de acordo com o SPC e com a CNDL.

Leia também: Governo e Prefeitura de SP reativam ações para proteger população de rua das baixas temperaturas


Fonte: TV Cultura – Foto: Arquivo/Ag. Brasil

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Mutirão para renegociar dívidas bancárias irá até o dia 31 de março

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A partir desta quarta-feira (1º), consumidores poderão renegociar dívidas bancárias no Mutirão de Negociação e Orientação Financeira. A campanha irá até o dia 31 de março.

No mutirão, serão ofertados descontos e prazos diferenciados para pagamento das dívidas no cartão de crédito, cheque especial, crédito consignado e demais dívidas em atraso com bancos e financeiras. Não estão na lista dívidas com bens em garantia, como carros, motos e imóveis. 

A campanha é uma iniciativa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) com apoio da Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A negociação pode ser feita diretamente pelos canais de atendimento dos bancos e financeiras, pelo portal Consumidor.gov.br e nos Procons, presencialmente.

Passo a Passo

Veja algumas dicas da Senacon e da Febraban para a negociação:

1 – Consulte a plataforma Registrato, do Banco Central, para saber empréstimos e financiamentos existentes em seu nome e o valor atual da dívida

2 – Estipule um valor para pagar todo mês e que caiba no seu bolso. Para isso, veja as entradas e saídas de dinheiro, incluindo as despesas mensais fixas, como aluguel, prestações, financiamentos; e as variáveis (contas de água, luz, gás, supermercado, transporte e outras). Some os gastos e veja quanto sobre para pagar a dívida.

3 – Na hora de negociar, pergunte quais as condições oferecidas para quitar a dívida. Se concordar, um acordo de negociação será assinado. Caso não concorde, o consumidor pode fazer contrapropostas para chegar a um acordo.

4 – Se tiver condições, tente pagar as dívidas de uma única vez para conseguir maiores descontos e prazos.

Imagem mutirão dívidas

No caso dos superendividados, pessoas que não têm condições de pagar a dívida sem comprometer o pagamento de despesas essenciais, a recomendação é procurar os órgãos de defesa do consumidor para que tenham acesso à Lei do Superendividamento, que prevê um tratamento especial aos que se enquadram no perfil. 

Leia também: Mais de 70 milhões de brasileiros estão inadimplentes, aponta Serasa


Por Agência Brasil – Foto: Arquivo/Ag. Brasil

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Mais de 70 milhões de brasileiros estão inadimplentes, aponta Serasa

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Em cinco anos, o número de brasileiros inadimplentes passou de 59,3 milhões, em janeiro de 2018, para 70,1 milhões, em janeiro de 2023, um recorde na série histórica. É o que mostra estudo inédito da Serasa Experian, divulgado nesta segunda-feira (27) em Brasília.

Não só a inadimplência cresceu, como o valor das dívidas também. Em média, cada inadimplente deve R$ 4.612,30. Em janeiro de 2018, era R$ 3.926,40. Houve um crescimento de 19% no período.

Em relação à faixa etária, os idosos com 60 anos ou mais estão entre os mais impactados. Os endividados aumentou 17%, em comparação a outras faixas etárias, com alta de 12%.

As mulheres estão com mais dívidas a pagar em relação aos homens. Entre elas, a alta foi de 18% no valor das dívidas; e entre eles, 16%. As dívidas que mais subiram foram as financeiras, com elevação de 71%.

De acordo com a Serasa, a inflação e os juros altos são os fatores que impulsionaram o aumento da inadimplência no país no período analisado.  

Os dados foram divulgados no anúncio de uma edição extraordinária do Feirão Limpa Nome, que teve início hoje. Geralmente, o feirão ocorre em novembro. Na ação, os consumidores podem renegociar dívidas com bancos, financeiras, telefônicas e outras empresas. Em alguns casos, é possível quitar a dívida com 99% de desconto ou por até R$ 100, segundo a Serasa.

A negociação pode ser feita pelo site www.serasa.com.br, app Serasa no Google Play e App Store, 0800 591 1222 (ligação gratuita) ou WhatsApp 11 99575–2096. Haverá atendimento presencial nas mais de 11 mil agências dos Correios distribuídas, com pagamento de uma taxa de R$3,60.

O governo federal anunciou que vai criar um programa para atender as pessoas endividadas, entre elas as que contraíram empréstimo consignado oferecido pelo Auxílio Brasil em 2022, modalidade implantada para permitir a inclusão de pessoas inadimplentes de volta à economia.

Leia também: Covid-19: Departamento dos EUA avalia que pandemia surgiu de vazamento em laboratório


 Por Agência Brasil – Foto: Arquivo/Ag. Brasil

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Americanas diz que entrará em recuperação judicial nos próximos dias ou horas

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A Americanas disse que, embora ainda não tenha sido decidido, a administração está trabalhando com a possibilidade de, nos próximos dias ou potencialmente nas próximas horas, aprovar o ajuizamento, em caráter de urgência, de pedido de recuperação judicial.

Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a varejista disse que sua posição de caixa disponível alcançou o valor de R$ 800 milhões, “sendo que parcela significativa deste valor estava injustificadamente indisponível para movimentação pela companhia na data de ontem (quarta-feira).

Após a vitória do BTG, a varejista disse que vai recorrer da decisão, no Tribunal de Justiça (TJ). Para a companhia, a decisão “fere seu esforço na busca por uma solução de curto prazo com os seus credores”. Somente com o BTG, há R$ 1,2 bilhão que deixam de voltar ao caixa da Americanas.

Além do BTG, o Bradesco entrou com uma petição na quarta-feira (18) no TJ pedindo que toda e qualquer solicitação para levantamento de valores depositados junto ao Bradesco e outras instituições financeiras seja precedida de autorização judicial após “devidamente comprovada a sua necessidade e finalidade”. O Goldman Sachs também entrou com recurso pedindo antecipação de suas dívidas.

  • Leia também:

Fonte: O Globo

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Brasil fechou 2022 com 65 milhões de inadimplentes, aponta levantamento

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O Brasil tinha cerca de 65 milhões de inadimplentes no final do ano passado, segundo um levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Cada um dos brasileiros endividados precisa pagar, em média, R$ 3.812,61. A pesquisa ainda indica que 87% do rombo nas finanças pessoais está concentrado nos bancos.

Os devedores têm, em média, apenas duas empresas credoras, ainda de acordo com o estudo. Pouco mais de 30% dos consumidores tinham dívidas de valor de até R$ 500. Quando são englobadas dívidas de até R$ 1 mil, a parcela chega a quase metade dos entrevistados.

Leia também:


Fonte: TV Cultura – Foto: Arquivo/USP Imagens

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