Início do Ano Escolar e Agenda Infantil – por Dra. Vera Resende

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O início do ano escolar é um momento oportuno para refletir sobre o que está acontecendo com a infância e sobre a forma como temos conduzido a vida das crianças. Até alguns anos atrás esse questionamento seria improvável. A infância era marcada pela despreocupação e pelas brincadeiras. Hoje muitas crianças quase não têm tempo para brincar. Suas rotinas estão preenchidas por uma agenda extensa de atividades e quando conseguem um intervalo as brincadeiras se limitam aos jogos de computador, muitas vezes de modo solitário. Surge então a dúvida. Essa nova tendência realmente favorece o desenvolvimento infantil?

Vivemos em uma sociedade que parece não reservar espaço para a criança. Muitas permanecem confinadas em casas pequenas e são mantidas em excesso de compromissos na tentativa de protegê-las da violência das ruas. Em outros casos a intenção é acelerar a preparação para o futuro. Um dos reflexos mais negativos desse modelo é o prejuízo para a sociabilidade. As relações humanas hoje estão marcadas pelo medo e pela desconfiança. A tolerância, a compaixão e a solidariedade aparecem com menos frequência e isso dificulta o enfrentamento de situações que exigem diálogo e negociação.

Uma agenda programada integralmente pelos adultos compromete o desenvolvimento do senso de responsabilidade. A criança não aprende a administrar o próprio tempo porque nunca teve a oportunidade de organizá-lo. Isso gera dificuldades quando ela precisa lidar com tarefas e compromissos assumidos por iniciativa própria. A infância precisa de tempo ocioso. É nesse espaço que a imaginação se desenvolve, que surgem as brincadeiras e que a convivência entre pares se fortalece.

Além da falta de uma rede de amigos criada pelas próprias crianças, muitas têm poucos irmãos ou nenhum e poucos primos. Com isso convivem menos com outras crianças da mesma idade. Essa convivência faria diferença na troca de experiências e ajudaria no distanciamento natural dos assuntos do mundo adulto. É importante observar o contexto que sustenta esse modelo educativo e reconhecer seus efeitos no desenvolvimento da sociabilidade. Em muitas famílias as crianças se tornam depositárias das expectativas dos pais. Muitos adultos projetam nos filhos seus ideais de autorrealização e sucesso. A sociedade atual é competitiva e cria a impressão de que todos precisam demonstrar felicidade e êxito. Esse ambiente não protege as crianças. Ele se torna fonte de ansiedade e interfere no seu bem-estar.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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A violência de todo dia – por Dra. Vera Resende

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A sociedade está abalada com o aumento dos casos de feminicídio, que se tornam mais frequentes e mais visíveis a cada ano. O que nem sempre percebemos é que convivemos diariamente com outras formas de violência que passam despercebidas. A repetição desses comportamentos acaba por naturalizar gestos, palavras e atitudes agressivas no ambiente familiar, profissional e social, tornando difícil identificar quando a violência se instala.

No campo da cultura, a exposição constante a cenas de agressão também influencia nossa percepção. Filmes exibidos na televisão, mesmo os considerados leves, apresentam tramas marcadas por assassinatos e conflitos físicos. Jogos eletrônicos estimulam disputas baseadas na eliminação do oponente. A convivência com esse cenário contribui para a banalização da violência na vida cotidiana. O mesmo ocorre com agressões verbais, insultos e atitudes de humilhação, que surgem com a mesma frequência da violência física. Sempre há alguém tentando se impor sobre o outro por meio da força.

O problema se agrava quando essa normalização é transportada para a vida concreta. As brigas em bares, boates e ambientes esportivos são exemplos evidentes desse comportamento descontrolado. Infelizmente, a violência também chegou às escolas. Em muitos contextos, parece que perdemos a noção dos limites entre o aceitável e o intolerável.

Na prática clínica, encontro com frequência mulheres que sofrem violência e não reconhecem a gravidade da situação. Algumas mascaram o problema ao justificar a agressividade do parceiro com o uso de álcool ou drogas. Outras acreditam que a violência faz parte do destino, pois cresceram observando mães e avós vivendo relacionamentos marcados por desrespeito e dor. Esse padrão repetido por gerações cria um ciclo de conformismo difícil de quebrar.

A passividade diante de situações agressivas se torna um terreno fértil para o agravamento da violência. Relatos de empurrões, insultos, ameaças e destruição de objetos aparecem com naturalidade, como se fossem episódios passageiros. No entanto, a violência raramente diminui com o tempo. Ao contrário, tende a crescer à medida que a vítima perde a capacidade de reconhecer seus direitos e sua individualidade.

É fundamental prestar atenção ao que se apresenta como normal apenas porque é frequente. A violência psicológica costuma ser o primeiro passo. Ela aparece na desqualificação da vítima, no desprezo por suas ideias, na culpabilização constante e na tentativa de controlar suas escolhas. Quando a mulher deixa de se reconhecer como sujeito com voz e autonomia, o caminho para a agressão física se abre. Um objeto arremessado na parede hoje pode se voltar contra o próprio corpo amanhã. Um ataque verbal que parece pontual pode evoluir para espancamentos. E, em muitos casos, pode tirar a vida.

Romper esse ciclo requer consciência, apoio emocional e acesso a redes de proteção. A mulher não deve acreditar que suporta agressões em nome dos filhos, porque esse comportamento oferece às crianças um modelo de relacionamento marcado pela violência e pela submissão. Reconhecer a situação e buscar ajuda não é motivo de vergonha. É um ato de preservação da vida e da saúde emocional.

A violência cotidiana não começa de forma explícita. Ela nasce no silêncio, na naturalização do desrespeito e na repetição de padrões que precisam ser interrompidos. Falar sobre isso é essencial para quebrar um ciclo histórico e criar espaços mais seguros para todas as mulheres. Se a vida se organiza pelo respeito e pelo cuidado, é nesse caminho que precisamos insistir.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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Saúde mental feminina e sobrecarga emocional de mulheres – por Dra. Vera Resende

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Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que mais da metade dos brasileiros considera a saúde mental o principal problema de saúde do país. Entre as mulheres, esse número é ainda maior. Esses índices convidam a refletir sobre os fatores que contribuem para tamanha vulnerabilidade emocional.

A saúde mental feminina é atravessada por múltiplos elementos. Há uma articulação complexa entre aspectos biológicos, papéis sociais e experiências de vida. Mesmo com transformações significativas na sociedade, a mulher permanece submetida à chamada tripla jornada. A rotina envolve responsabilidades profissionais, cuidados com os filhos, gestão da casa e, muitas vezes, a função de apoio emocional da família. Essa sobrecarga não é apenas física. É psíquica.

Além disso, é frequente que essas exigências venham acompanhadas de situações de violência de gênero em suas diversas formas, como críticas recorrentes, desqualificação, desrespeito e pressões que fragilizam sua autoestima. A expectativa social de que a mulher consiga manter o controle de tudo, de maneira impecável, apenas intensifica seu sofrimento.

Cuidar da saúde mental das mulheres exige reconhecer suas especificidades e promover ações que favoreçam acolhimento, acesso a serviços qualificados e políticas públicas que sustentem essa demanda. Também é necessário desconstruir a ideia de que a mulher precisa corresponder a padrões irreais de desempenho, estabilidade emocional e disponibilidade constante.

A construção de um ambiente mais saudável passa pela mudança cultural e pela consciência coletiva de que nenhuma mulher deve carregar sozinha aquilo que pertence a toda a sociedade.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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Uma homenagem aos Professores – por Dra. Vera Resende

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Quem é o professor na vida de cada um de nós? E na vida dos seus filhos?

Ao compararmos as experiências escolares de diferentes gerações, percebemos uma imensa lacuna entre o período anterior às redes sociais e o atual.

As histórias que ouvíamos sobre a escola nos faziam sonhar com ela. Hoje, infelizmente, escola e professores tornaram-se, muitas vezes, alvos de críticas e desconfiança, reflexos das mesmas fragilidades que afetam toda a sociedade.

Sem a intenção de atribuir à tecnologia a culpa exclusiva pelo enfraquecimento das relações entre professor e aluno, é possível reconhecer que o uso inadequado das redes sociais tem alterado a maneira como a sociedade enxerga o papel da escola e de seus educadores.

Perdeu-se, em parte, o sentido profundo da relação professor/aluno, que antes era tecida por sonhos, expectativas, medos e descobertas levadas nas mochilas no primeiro dia de aula. A escola era percebida como um organismo vivo, um espaço que acolhia a diversidade de habilidades, limites, possibilidades e histórias de vida. Seu propósito ia além do aprendizado teórico: era um ambiente de convivência humana, respeito, pertencimento e inclusão.

A imagem da escola como espaço de crescimento e de relações saudáveis precisa ser resgatada. Como pais e como alunos, precisamos enxergá-la novamente como um lugar vivo, que pulsa e transforma. Só assim poderemos nos reconectar com o melhor de nós, despertando o desejo genuíno de viver em sociedade.

Enquanto adultos, quando levamos nossos filhos à escola, levamos também uma parte de nós mesmos: o sonho de crescer, aprender, descobrir e evoluir. Carregamos conosco a esperança de que nossas aspirações individuais possam contribuir para uma sociedade mais justa e consciente.

Que possamos, portanto, retomar o diálogo, as trocas saudáveis e o respeito mútuo. Que a tecnologia seja usada para aproximar, enriquecer o aprendizado e fortalecer a construção de um mundo mais humano, seguro e tolerante.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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Às voltas com a adolescência – por Dra. Vera Resende

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A adolescência é apenas uma das fases do desenvolvimento humano. No entanto, família, escola e sociedade tendem a colocá-la no centro das discussões sempre que problemas sérios envolvem jovens. Em vez de olharem para o indivíduo que rompeu alguma norma, regra ou entrou em conflito com a lei, fazem referências a uma geração inteira, como se todos os adolescentes agissem da mesma forma. Isso não acontece com os adultos. Se o infrator estiver na faixa dos 30 ou 40 anos, não se atribui rebeldia, irresponsabilidade ou agressividade à sua geração.

Há inúmeras hipóteses para explicar esse tipo de atitude. Não pretendo explorá-las em detalhe neste espaço, mas convido o leitor a refletir sobre o universo de pessoas que ainda percebem a adolescência como um símbolo de liberdade. Muitos suspiram de saudade ao lembrar da própria juventude; entretanto, no papel de pais ou educadores, mostram-se ansiosos e até hostis diante da inquietação e dos questionamentos característicos dessa fase.

A expressão “aborrecente”, a meu ver, é agressiva. Ela traduz o descompasso entre as necessidades emocionais do jovem e a predisposição do adulto para acolhê-las, tornando a convivência mais difícil. Além disso, denuncia a dificuldade de muitos pais em assumir seu papel. Mas afinal, qual seria esse papel?

Enquanto etapa do desenvolvimento psicoafetivo, a adolescência exige o acolhimento de um luto: a perda do lugar na infância, do corpo infantil que rapidamente se transforma, da referência dos pais que oscilam entre manter a costumeira proteção e cobrar responsabilidades. A insegurança aumenta porque nada é oferecido em troca: a tão sonhada liberdade de escolha ainda não é plenamente concedida.

Diante disso, o adolescente se sente incompleto, inadequado e, por vezes, incapaz. Sem encontrar seu lugar, pode reagir de forma ruidosa e quase histérica ou, em outras situações, de modo depressivo e silencioso.

Que tal começarmos a ouvir, de fato, nossos adolescentes?


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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Autoridade e Limites – “O desafio de pais e educadores na atualidade” – por Vera Resende

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É comum ouvir queixas de famílias sobre dificuldades em conter e orientar crianças e adolescentes. Muitos acreditam que o problema seja exclusivo da nossa época, resultado das tecnologias e das transformações sociais. No entanto, se resgatarmos nossas próprias experiências na juventude e as compararmos às vividas por nossos pais e avós, veremos que tais desafios sempre existiram. O confronto sempre fez parte das estratégias de algumas famílias.

Tudo se tornaria mais simples se os adultos compreendessem que crianças e adolescentes não apenas acatam, mas questionam normas e regras. Isso não ocorre por desrespeito, mas pelo desejo de compreender o mundo em que vivem e as relações que o regem. As crises surgem porque eles percebem os sentimentos dos adultos e os utilizam para sustentar suas posições. Se os pais não encararem cada episódio como uma batalha, mas mantiverem o controle emocional, será possível contornar as dificuldades sem grandes dramas.

É essencial considerar tanto os sentimentos quanto as circunstâncias. Há emoções que podem trair os pais e comprometer sua autoridade, sendo a culpa a mais perigosa delas. Quando não passam o tempo que acreditam ser ideal com os filhos, muitos tendem a compensar essa ausência com concessões. Se essa atitude se repete ao longo da convivência, os jovens aprendem a se beneficiar dessa fragilidade. O mesmo ocorre em situações de guarda compartilhada, quando o adulto evita impor limites ou exigir responsabilidades para “não estragar” o tempo junto. Nesse cenário, abre-se um vácuo de autoridade que os filhos rapidamente preenchem.

Outro fator que fragiliza a autoridade parental é a insegurança em relação aos próprios valores. Pais que não estão firmes em suas convicções terão mais dificuldade para transmiti-las e para organizar rotinas familiares.

Regras são indispensáveis. Sem elas, não há coordenação possível entre os membros de uma sociedade. Deixar crianças sem regras significa arriscar que se tornem adultos egocêntricos, incapazes de dialogar e cooperar. Os limites não devem ser vistos apenas como proibições ultrapassadas. Pelo contrário, devem ser entendidos como referências positivas: situam a criança, dão consciência de seu lugar na família, na escola e na sociedade.

Atitudes coerentes reduzem resistências. Isso acontece quando o adulto é capaz de refletir sobre as normas que deseja estabelecer: ele próprio as cumpre? Considera-as justas? Elas se baseiam em princípios ou apenas expressam intolerância e preconceito?

A verdadeira autoridade se estabelece no amor e no respeito.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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