Trotes geram prejuízo de R$ 28 milhões por mês em São Paulo, aponta tecnologia

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Sistema em testes na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros utiliza vídeo ao vivo e geolocalização para validar ocorrências antes do envio de equipes

Os trotes e os chamados improdutivos às centrais de emergência continuam representando um dos maiores desafios para as forças de segurança pública. Apenas na cidade de São Paulo, cerca de 100 mil falsos avisos são registrados por mês, gerando um custo estimado de R$ 28 milhões mensais com deslocamentos e mobilização desnecessária de equipes.

Segundo estimativas baseadas em dados operacionais do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), o impacto financeiro pode chegar a R$ 102 milhões por mês em todo o Estado de São Paulo, considerando a ampliação desse cenário para outras regiões.

Tecnologia busca reduzir falsos chamados

Para enfrentar esse problema, uma tecnologia chamada VIU está sendo testada por corporações de segurança pública no Brasil.

O sistema permite que o atendente da central envie um link ao cidadão durante a ligação. A partir desse acesso, o operador passa a visualizar imagens em tempo real, áudio e a localização do solicitante, possibilitando verificar a ocorrência antes do deslocamento das equipes.

A plataforma já é utilizada em cidades como Bogotá, na Colômbia, e Cidade do México. | Imagem: Divulgação

Segundo a empresa responsável pela plataforma, o objetivo é reduzir o número de falsos acionamentos, melhorar a triagem das chamadas e tornar o atendimento mais eficiente.

Testes já ocorreram em São Paulo

A empresa informa que a tecnologia já passou por provas de conceito no Copom da Polícia Militar e também no Corpo de Bombeiros de São Paulo. Novas fases de testes deverão ser realizadas em outras corporações nas próximas semanas.

Além do Brasil, a plataforma já é utilizada em cidades como Bogotá, na Colômbia, e Cidade do México, onde auxilia no atendimento de ocorrências em grandes centros urbanos.

Ganho operacional

Além de reduzir o impacto dos trotes, a expectativa é que a ferramenta contribua para diminuir deslocamentos desnecessários, otimizar o uso das viaturas e agilizar o atendimento de ocorrências reais.

A adoção de tecnologias de validação em tempo real também pode representar economia de recursos públicos e maior disponibilidade das equipes para situações de emergência.

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Foto: Reprodução/SSP-SP

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De vítima de violência doméstica a voz do 190: a história da cabo Kátia na PM de SP

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Quase três décadas após sofrer agressões dentro de casa, a cabo da Polícia Militar Kátia Cilene se tornou uma das vozes responsáveis por atender pedidos de socorro no telefone de emergência 190 em São Paulo. A policial só reconheceu oficialmente que também havia sido vítima de violência doméstica ao participar, em 2023, do curso da Cabine Lilás, programa voltado ao atendimento especializado de mulheres em situação de violência.

A trajetória começou ainda na juventude. Aos 19 anos, grávida do primeiro filho, Kátia deixou Recife (PE) e se mudou para a capital paulista com o então marido. Impedida de trabalhar, passou a viver sob controle e violência psicológica dentro de casa.

“Eu achava normal, achava que precisava melhorar e que a culpa era sempre minha”, relembrou.

Determinada a mudar de vida, ela saiu escondida de casa em busca de emprego. Como a porta ficava trancada, precisou pular pela janela. No caminho até o centro da cidade, encontrou duas jovens que carregavam um jornal de classificados e disseram que fariam inscrição para a chamada “Polícia Feminina”, denominação usada na época para o ingresso de mulheres na corporação.

Com o dinheiro que tinha apenas para a passagem, Kátia decidiu se inscrever no processo seletivo e passou a se preparar em segredo para o concurso, temendo que o marido a impedisse de continuar.

Quando foi aprovada para ingressar na Polícia Militar, as agressões se intensificaram. Durante o curso de formação, que durou oito meses, ela conciliou os estudos com a rotina dos filhos e enfrentou restrições financeiras impostas pelo companheiro.

Nesse período, contou com a ajuda de familiares e também com o apoio de colegas da corporação. Uma companheira de turma costumava repetir um conselho que se tornou símbolo de resistência: deixar os problemas no armário, vestir o uniforme e seguir em frente.

Kátia concluiu a formação como a quarta colocada da turma e iniciou a carreira no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). Ao longo de 28 anos, tornou-se uma das vozes responsáveis por atender chamadas de emergência feitas ao 190.

Apesar de atuar diretamente no atendimento de vítimas, a policial levou décadas para reconhecer que também havia vivido o ciclo de violência doméstica. A compreensão veio apenas em 2023, durante o curso da Cabine Lilás, quando ouviu especialistas explicarem os padrões de abuso enfrentados por muitas mulheres.

“Eu me identifiquei e percebi que sofri tudo aquilo por anos”, contou.

A experiência pessoal passou a influenciar a forma como conduzia os atendimentos. Ao conversar com mulheres que relatavam situações de agressão, ela costumava fazer uma pergunta direta: “Você falou do seu marido, dos seus filhos, mas e você?”

Após quase 30 anos de carreira na Polícia Militar, Kátia hoje atua na formação de novos policiais. Ela ministra aulas de Tecnologia, Informação e Comunicação na Escola Superior de Soldados e também ensina Direitos Humanos no Comando de Policiamento de Choque.

Segundo a policial, o atendimento a emergências exige preparo técnico, mas também sensibilidade. “Quem liga para o 190 está em um momento de desespero. Às vezes é a única chance que aquela pessoa tem”, afirmou.

Ao relembrar a própria trajetória, Kátia evita romantizar a experiência, mas reconhece o caminho percorrido. “É uma ferida que fica. Mas, com todas as dificuldades, eu venci.”

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Foto: Divulgação/SSP-SP

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