O consumidor aprendeu a ignorar a publicidade. E agora?

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Durante muito tempo, vender era uma disputa por visibilidade. Quanto mais uma marca aparecia, maiores pareciam ser suas chances de conquistar clientes. A lógica era simples e funcionou durante décadas. Comerciais na televisão, anúncios em revistas, outdoors nas ruas e, mais tarde, campanhas nas redes sociais tinham um objetivo em comum, chamar a atenção.

O problema é que o consumidor mudou mais rápido do que boa parte das empresas.

Somos expostos a milhares de estímulos comerciais todos os dias. O resultado desse excesso foi o oposto do esperado. Em vez de ampliar o impacto da publicidade, criou consumidores cada vez mais seletivos. Vídeos são pulados, banners passam despercebidos, pop-ups são fechados antes mesmo de serem lidos e muitas pessoas recorrem a bloqueadores de anúncios para navegar. O ad blocker é apenas a expressão mais evidente de uma mudança de comportamento. O consumidor de hoje desenvolveu uma espécie de filtro automático. Ele dedica atenção ao que considera útil ou relevante e descarta, quase instantaneamente, tudo o que identifica como tentativa de venda.

Muita gente interpreta esse cenário como uma crise da publicidade, não acredito que seja. O que está em crise é um modelo de comunicação baseado quase exclusivamente na interrupção.

As pessoas continuam comprando. O que deixou de existir foi a disposição para acreditar na primeira promessa que aparece na tela. Antes de tomar uma decisão, o consumidor pesquisa, compara, lê avaliações, procura referências, conversa com outras pessoas e busca sinais de que aquela empresa realmente conhece o assunto sobre o qual fala.

Essa mudança alterou profundamente o papel da comunicação nas empresas. Ela deixou de ser apenas um instrumento para divulgar produtos e passou a influenciar diretamente a construção da confiança. A venda não começa quando a oferta aparece. Começa muito antes, quando a empresa consegue demonstrar competência, esclarecer dúvidas e produzir conhecimento relevante para quem está do outro lado.

É justamente por isso que artigos, entrevistas, presença na imprensa, conteúdos educativos e demonstrações reais de experiência ganharam importância. Não porque substituem a publicidade, mas porque respondem a uma necessidade que os anúncios, sozinhos, já não conseguem atender, que é a credibilidade.

Percebo que muitos empresários ainda insistem em uma pergunta que fazia sentido anos atrás. “Como faço para minha empresa aparecer mais?” Talvez a questão mais adequada hoje seja outra. “Por que alguém deveria prestar atenção na minha empresa?” Existe uma diferença enorme entre ser visto e ser considerado uma referência. O primeiro depende, muitas vezes, de investimento e o segundo depende de consistência.

É interessante observar como as decisões de compra acontecem atualmente. Raramente elas seguem um caminho linear. Um consumidor pode conhecer uma empresa por meio de um artigo, assistir a uma entrevista semanas depois, encontrar um comentário positivo nas redes sociais meses mais tarde e somente então perceber que aquela marca é uma opção quando surge uma necessidade real. Quando a compra acontece, ela parece espontânea. Na verdade, foi construída lentamente, por uma sucessão de contatos que fortaleceram a confiança.

Isso ajuda a entender por que tantas campanhas fracassam mesmo quando alcançam milhares de pessoas. Elas interrompem, mas não convencem. Chamam atenção por alguns segundos, mas não deixam motivos para que alguém volte. Enquanto isso, empresas que compartilham conhecimento, explicam processos, mostram bastidores, apresentam casos reais e ajudam o público a compreender melhor determinado tema permanecem presentes mesmo quando não estão anunciando. Elas ocupam um espaço muito mais difícil de conquistar e muito mais difícil de perder, o espaço da lembrança.

Marcas como Red Bull, HubSpot e Patagonia compreenderam essa lógica antes da maioria. Em vez de limitar sua presença ao discurso comercial, investiram na produção contínua de conteúdo capaz de informar, entreter ou inspirar. Os produtos continuam sendo vendidos. A diferença é que a relação com o público deixou de começar pela oferta.

Para pequenos negócios, essa talvez seja uma das mudanças mais relevantes dos últimos anos. Competir já não significa necessariamente investir mais em mídia do que o concorrente. Em muitos mercados, significa construir mais autoridade do que ele.

Essa diferença parece sutil, mas muda completamente a estratégia. Empresas que enxergam a comunicação apenas como divulgação passam boa parte do tempo tentando conquistar atenção. Empresas que entendem a comunicação como um ativo estratégico trabalham para construir reputação. E reputação produz um efeito que nenhum anúncio consegue comprar. Ela reduz a incerteza de quem precisa decidir.

No fim, o consumidor não desenvolveu resistência às marcas. Desenvolveu resistência ao excesso de promessas. Continua disposto a ouvir empresas que tenham algo útil a dizer, mas dificilmente dará atenção àquelas que aparecem apenas quando querem vender.

Talvez essa seja a maior mudança do mercado nos últimos anos. A publicidade perdeu o monopólio da influência. Hoje, quem realmente orienta a decisão de compra é a confiança construída ao longo do tempo.

Empresas que tratam a comunicação apenas como divulgação disputam atenção. Empresas que tratam a comunicação como estratégia conquistam confiança, fortalecem sua autoridade e permanecem na escolha dos clientes.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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O cliente não compra porque é rico ou pobre. Compra porque enxerga valor – por Adriana Vasconcellos Soares

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Existe uma ideia bastante difundida no marketing de que a classe A compra exclusividade enquanto a classe C compra preço. Embora essa lógica contenha parte da realidade, ela simplifica um comportamento muito mais complexo. As pessoas não compram apenas de acordo com sua renda, elas compram de acordo com aquilo que faz sentido para suas necessidades, valores, estilo de vida e percepção de valor.

É verdade que consumidores de maior renda costumam ter mais liberdade para escolher experiências personalizadas, serviços premium e produtos exclusivos. Da mesma forma, consumidores com orçamento mais limitado tendem a comparar preços com maior frequência e avaliar cuidadosamente o custo-benefício, mas essa não é uma regra absoluta.

Há empresários milionários que pesquisam preços antes de qualquer compra e negociam cada detalhe. Também existem consumidores de renda média que fazem sacrifícios financeiros para adquirir uma bolsa de luxo, um celular recém-lançado ou uma viagem internacional porque enxergam nesses bens uma forma de expressar identidade ou conquistar reconhecimento.

A renda explica quanto uma pessoa pode gastar, mas o comportamento explica por que ela decide gastar.

É justamente essa diferença que muitos pequenos empresários ignoram. Ao definir seu público apenas pela classe econômica, acabam construindo uma comunicação baseada em estereótipos. Enquanto isso, empresas que realmente conhecem seus clientes procuram entender perguntas muito mais importantes:

– O que faz essa pessoa confiar em uma marca?

– Ela procura segurança ou inovação?

– Busca praticidade ou exclusividade?

– Valoriza preço ou atendimento?

– Compra pela emoção ou pela lógica?

Essas respostas influenciam muito mais a decisão de compra do que a renda mensal. Consumidores de alta renda costumam avaliar aspectos como exclusividade, acesso antecipado, personalização e escassez. Já consumidores mais sensíveis ao orçamento tendem a priorizar utilidade, comprovação de valor, condições de pagamento e segurança na decisão.

Essas tendências existem, mas continuam sendo tendências, não regras.

Há consumidores de alta renda extremamente pragmáticos, e consumidores de menor renda altamente motivados por status, pertencimento e reconhecimento social. Por isso, a pergunta mais importante não deveria ser “qual classe social meu cliente pertence?”. A pergunta correta é “o que gera valor para ele?”.

Essa mudança de perspectiva transforma completamente a comunicação. Em vez de adaptar o discurso apenas ao poder aquisitivo, a empresa passa a construir mensagens alinhadas às motivações reais de compra. E é exatamente aí que entra o posicionamento. Empresas fortes não tentam agradar todo mundo, elas desenvolvem uma identidade clara, consistente e reconhecível. Sabem quem são, quais valores defendem e como desejam ser percebidas. Essa identidade funciona como um filtro natural e atrai pessoas que compartilham daquela visão e afasta quem procura outra proposta. O resultado é uma comunicação muito mais eficiente.

No fim das contas, pequenos negócios raramente deixam de crescer porque escolheram o nicho errado. Na maioria das vezes, eles deixam de crescer porque não conseguem comunicar claramente o valor que entregam.

Quem compra luxo procura confiança.

Quem compra economia também procura confiança.

Quem compra inovação procura confiança.

Quem compra tradição procura confiança.

O que muda é a forma como cada pessoa percebe esse valor.

Por isso, o sucesso não depende apenas do público escolhido, mas sim da capacidade de construir uma marca coerente, transmitir credibilidade e ocupar um posicionamento que faça sentido para as pessoas que você deseja atender.

No mercado atual, identidade vale mais do que generalizações e empresas que entendem isso deixam de disputar apenas preço ou status para disputar aquilo que realmente influencia qualquer decisão de compra: a percepção de valor.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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O comportamento do consumidor em 2026 – por Adriana Vasconcellos Soares

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O consumidor de 2026 busca facilidade em todos os pontos da jornada. Ele não quer percorrer etapas longas, mudar de ambiente ou lidar com processos que exigem atenção total. Pesquisas da Euromonitor mostram que o público valoriza conforto, simplicidade e experiências que se encaixem no cotidiano, sem esforço extra. A tendência se confirma em estudos do RBC Capital Markets, que apontam maior sensibilidade ao valor e preferência por soluções diretas e funcionais.

Esse cenário desloca a lógica de presença digital. A compra deixa de depender da loja e passa a acontecer no ambiente onde o consumidor já está. Direct, WhatsApp e comentários se tornam locais naturais de conversão. A jornada é fluida e deve acompanhar o usuário de forma integrada. Plataformas como Instagram e TikTok aceleram esse processo ao estimular consumo imediato, o que torna arriscada a dependência de um único canal. Segundo o Jobspace, o comportamento híbrido é padrão e exige múltiplos pontos de contato funcionando de forma coerente.

Outro aspecto relevante é a busca por continuidade. O público não se envolve mais com conteúdos isolados. Ele procura narrativas que avancem, formatos reconhecíveis e entregas frequentes. Essa mudança impulsiona a lógica de canal, em que marcas e criadores trabalham quadros fixos, rotinas editoriais e identidade visual consistente. A Euromonitor aponta que quase metade dos consumidores desejam experiências personalizadas e com sensação de familiaridade. Postagens avulsas geram atenção momentânea. Séries criam hábito.

A tecnologia acelera essa transformação. Processos que antes exigiam grandes equipes agora podem ser estruturados por meio de planejamento e recursos de automação e inteligência artificial. Isso permite escala sem perder qualidade. Estudos da Consumidor Moderno indicam que o público aceita bem o uso de IA, desde que aplicado de forma transparente e realmente útil. O consumidor de 2026 também rejeita barreiras. Caminhos engessados, obrigatoriedade de aplicativos próprios ou etapas desnecessárias geram abandono imediato. Experiências conectadas, e não apenas multicanais, são as que se destacam. O cliente espera que uma conversa iniciada em um canal continue em outro sem perda de contexto. Quando a marca simplifica, a conversão cresce.

Outro movimento importante é a transformação do conteúdo em experiência. Quando marcas estruturam sua presença como um programa, com linguagem própria e entregas recorrentes, a audiência passa a voltar de forma espontânea. Essa dinâmica já aparece em grupos de mídia que adaptam formatos tradicionais para vídeos verticais e narrativas episódicas pensadas para consumo mobile. O conteúdo nasce no digital e para o digital.

Em 2026, presença digital eficiente depende mais de estratégia do que de volume. A construção de séries, estilos definidos e rotinas consistentes fortalece a relação. Marcas que entendem o comportamento atual deixam de disputar atenção e começam a desenvolver vínculo de longo prazo.

As previsões se alinham em diferentes estudos. A Euromonitor destaca o desejo por conforto. O RBC aponta a busca por valor real. A Consumidor Moderno reforça a importância do bem-estar e do uso consciente de tecnologia.

O Jobspace evidencia a preferência por jornadas integradas. Em conjunto, esses dados mostram um consumidor que busca facilidade, continuidade e conexão. Marcas que se adaptam a esse movimento conquistam vantagem competitiva, porque atendem não apenas a um desejo imediato, mas a um padrão de consumo que tende a se fortalecer nos próximos anos.

Por fim, a assessoria de imprensa ganha um papel ainda mais relevante nesse cenário. Com consumidores que valorizam clareza, confiança e experiências contínuas, torna-se essencial construir presença institucional sólida, visibilidade qualificada e reputação bem estruturada. A imprensa atua como ponte entre marca e sociedade, ampliando autoridade, fortalecendo narrativas e garantindo que a empresa seja encontrada, citada e reconhecida nos ambientes onde o público busca informação. Enquanto o conteúdo do dia a dia cria relação, a assessoria sustenta credibilidade, contextualiza a marca no setor e reforça sua relevância no longo prazo. Essa combinação coloca as empresas em posição de vantagem em 2026, unindo conexão imediata e reputação consistente.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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