De vítima de violência doméstica a voz do 190: a história da cabo Kátia na PM de SP

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Quase três décadas após sofrer agressões dentro de casa, a cabo da Polícia Militar Kátia Cilene se tornou uma das vozes responsáveis por atender pedidos de socorro no telefone de emergência 190 em São Paulo. A policial só reconheceu oficialmente que também havia sido vítima de violência doméstica ao participar, em 2023, do curso da Cabine Lilás, programa voltado ao atendimento especializado de mulheres em situação de violência.

A trajetória começou ainda na juventude. Aos 19 anos, grávida do primeiro filho, Kátia deixou Recife (PE) e se mudou para a capital paulista com o então marido. Impedida de trabalhar, passou a viver sob controle e violência psicológica dentro de casa.

“Eu achava normal, achava que precisava melhorar e que a culpa era sempre minha”, relembrou.

Determinada a mudar de vida, ela saiu escondida de casa em busca de emprego. Como a porta ficava trancada, precisou pular pela janela. No caminho até o centro da cidade, encontrou duas jovens que carregavam um jornal de classificados e disseram que fariam inscrição para a chamada “Polícia Feminina”, denominação usada na época para o ingresso de mulheres na corporação.

Com o dinheiro que tinha apenas para a passagem, Kátia decidiu se inscrever no processo seletivo e passou a se preparar em segredo para o concurso, temendo que o marido a impedisse de continuar.

Quando foi aprovada para ingressar na Polícia Militar, as agressões se intensificaram. Durante o curso de formação, que durou oito meses, ela conciliou os estudos com a rotina dos filhos e enfrentou restrições financeiras impostas pelo companheiro.

Nesse período, contou com a ajuda de familiares e também com o apoio de colegas da corporação. Uma companheira de turma costumava repetir um conselho que se tornou símbolo de resistência: deixar os problemas no armário, vestir o uniforme e seguir em frente.

Kátia concluiu a formação como a quarta colocada da turma e iniciou a carreira no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). Ao longo de 28 anos, tornou-se uma das vozes responsáveis por atender chamadas de emergência feitas ao 190.

Apesar de atuar diretamente no atendimento de vítimas, a policial levou décadas para reconhecer que também havia vivido o ciclo de violência doméstica. A compreensão veio apenas em 2023, durante o curso da Cabine Lilás, quando ouviu especialistas explicarem os padrões de abuso enfrentados por muitas mulheres.

“Eu me identifiquei e percebi que sofri tudo aquilo por anos”, contou.

A experiência pessoal passou a influenciar a forma como conduzia os atendimentos. Ao conversar com mulheres que relatavam situações de agressão, ela costumava fazer uma pergunta direta: “Você falou do seu marido, dos seus filhos, mas e você?”

Após quase 30 anos de carreira na Polícia Militar, Kátia hoje atua na formação de novos policiais. Ela ministra aulas de Tecnologia, Informação e Comunicação na Escola Superior de Soldados e também ensina Direitos Humanos no Comando de Policiamento de Choque.

Segundo a policial, o atendimento a emergências exige preparo técnico, mas também sensibilidade. “Quem liga para o 190 está em um momento de desespero. Às vezes é a única chance que aquela pessoa tem”, afirmou.

Ao relembrar a própria trajetória, Kátia evita romantizar a experiência, mas reconhece o caminho percorrido. “É uma ferida que fica. Mas, com todas as dificuldades, eu venci.”

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Foto: Divulgação/SSP-SP

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Osasco dá passo firme contra a violência e veta agressores de mulheres no serviço público

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Diante do aumento dos casos de feminicídio e de violência contra mulheres, a Câmara Municipal de Osasco deu um passo importante no combate a esse tipo de crime. Durante a 72ª Sessão Ordinária, realizada na última terça-feira (9), os vereadores aprovaram, em primeiro turno, o Projeto de Lei 171/2025, que proíbe a nomeação de pessoas condenadas pela Lei Maria da Penha para cargos ou empregos públicos no município.

A proposta recebeu 18 votos favoráveis e estabelece que indivíduos com condenação criminal transitada em julgado, fundamentada na legislação de proteção às mulheres, ficam impedidos de exercer funções na administração pública municipal. A medida vale para todos os órgãos da administração direta, incluindo a Prefeitura, a Câmara Municipal e demais estruturas do poder público local.

Autor do projeto, o vereador Gabriel Saúde destacou que a iniciativa tem caráter educativo e simbólico, ao reforçar que Osasco não compactua com a violência de gênero. “O município não pode ser conivente com quem violenta, humilha e destrói vidas de mulheres. Essa luta é de todos nós. Quando uma mulher é agredida, toda a sociedade é ferida”, afirmou o parlamentar durante discurso na Tribuna.

Ao defender o projeto, Gabriel Saúde também recordou casos que marcaram a cidade e o país, como o feminicídio da jovem Amanda Caroline de Almeida, assassinada pelo ex-marido e jogada no Rio Tietê, além de outros episódios de violência extrema registrados no Brasil.

De acordo com o texto, a proibição de nomeação permanece válida até o cumprimento integral da pena ou até que ocorra alguma forma legal de extinção da punibilidade, conforme previsto na legislação penal.

Antes de seguir para sanção ou veto do prefeito Gerson Pessoa (Podemos), o projeto ainda precisa ser aprovado em segundo turno. A nova votação está prevista para a sessão da próxima quinta-feira (11).

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Foto: Marcello Casal Jr/Ag. Brasil

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