A segurança pública e o crescimento urbano desordenado e clandestino – por Ramon Soares

0 0
Read Time:3 Minute, 1 Second

A segurança pública tem sido, historicamente, discutida sob a ótica da atuação policial por governantes de todos os níveis — prefeitos, governadores e presidentes. O foco mais comum entre os políticos gira em torno do tráfico de drogas, do crime organizado e da ostensiva presença de armas nas mãos de criminosos em comunidades.

A criminalidade, no entanto, costuma ser debatida como se não houvesse uma estrutura complexa por trás de sua atuação. Pouco se considera a logística do crime organizado, o que contribui para a perpetuação da criminalidade, especialmente quando criminosos planejam suas ações e utilizam comunidades como esconderijos.

Essas comunidades, em sua maioria, surgiram de ocupações feitas por pessoas simples, de baixa renda ou em situação de extrema vulnerabilidade frente ao Estado. Por conta dessa ausência do poder público, muitas dessas áreas tornaram-se verdadeiros refúgios para criminosos — especialmente traficantes —, que acabam usando os próprios moradores, pessoas de bem e trabalhadoras, como escudos humanos em confrontos com as forças de segurança.

O Estado, em especial no âmbito municipal, falha ao não atuar preventivamente na criação e ordenação dessas comunidades. Essa omissão está diretamente relacionada à ausência de planejamento urbano — um fator que pode parecer distante da temática da segurança, mas que, na prática, tem profunda conexão com os altos índices de violência. Cidades com maiores níveis de criminalidade, como a capital fluminense, demonstram que, onde o Estado não se faz presente — não apenas por meio da polícia, mas também por meio de infraestrutura, serviços e políticas públicas —, o crime se organiza e se fortalece.

Exemplo disso foi o caso da cidade do Guarujá, em 2023, onde uma operação da Polícia Militar paulista, a Operação Escudo, teve desdobramentos catastróficos, segundo dados da própria Secretaria de Segurança. Essa e outras operações, como a Operação Verão, realizadas até 2024, resultaram em mais de 84 mortes em confrontos, entre civis e policiais. Um número alarmante, que poderia ter sido evitado com fiscalização adequada e planejamento urbano eficaz, especialmente em áreas propensas à ocupação ilegal ou a loteamentos clandestinos.

É fundamental que os municípios possuam planos de urbanização capazes de orientar o crescimento e o desenvolvimento das cidades, estabelecendo diretrizes claras para o uso e ocupação do solo, infraestrutura, serviços públicos e qualidade de vida da população. Esses planos têm ligação direta com a segurança pública, principalmente na prevenção e redução da criminalidade.

A capital do Rio de Janeiro, por exemplo, conta com 813 comunidades, onde vivem cerca de 1,3 milhão de pessoas, tornando-se a cidade com o maior número de favelas do Brasil. Nessas áreas, facções criminosas mantêm um verdadeiro arsenal bélico, comparável ao de forças armadas, o que dificulta ou inibe ações de intervenção policial — não apenas pela resistência armada, mas também pela complexidade geográfica, arquitetônica e social dessas regiões.

A Constituição Federal, em seus artigos 182 e 183, regulamentados pela Lei nº 10.257/2001, estabelece que cabe aos municípios a responsabilidade pela execução da política urbana. Já o artigo 30, inciso VIII, determina que é competência municipal promover o adequado ordenamento territorial, por meio do planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano.

Dessa forma, é imprescindível que os governantes municipais sejam cobrados quanto ao ordenamento urbano, garantindo-se o livre acesso do Estado a todo o território — não apenas pelas forças policiais, mas também por meio dos serviços essenciais de saúde, educação e assistência social.


Ramon Soares é Guarda Municipal em Barueri, bacharel em Direito pela UNIFIEO e vice-presidente da AGM Brasil. Palestrante e instrutor, coautor do projeto “Segurança Pública Básica” e possui certificado internacional em Segurança Escolar, obtido em Indianápolis (EUA).


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Sua marca está onde o seu cliente está? A importância de um perfil profissional nas redes sociais – por Adriana Vasconcellos

1 0
Read Time:2 Minute, 50 Second

Se você ainda trata as redes sociais como algo secundário para o seu negócio, é hora de rever suas prioridades. No Brasil, mais de 80% da população está conectada às redes sociais e o país ocupa o 3º lugar no ranking mundial de uso diário dessas plataformas. Os brasileiros passam, em média, 4 horas por dia nas redes — um número que nenhum empresário pode ignorar.

O comportamento do consumidor mudou. Ele descobre, compara, comenta, compartilha e decide pelo celular — muitas vezes antes mesmo de pisar em uma loja ou acessar o site oficial de uma empresa. Nesse novo cenário, ter um perfil profissional nas redes sociais não é mais uma vantagem. É uma necessidade estratégica.

Instagram: sua vitrine está acesa?

O Instagram, é um bom exemplo. Ele, é hoje uma das plataformas mais relevantes no processo de descoberta e decisão de compra. Mais de 70% dos usuários dizem usar a rede para conhecer novos produtos ou marcas. A plataforma é visual, dinâmica e, acima de tudo, emocional — exatamente como o consumo moderno. Mas atenção: não basta estar presente. É preciso estar com propósito, planejamento e consistência. Um perfil desatualizado, com conteúdo desalinhado e sem estratégia prejudica a imagem da marca e transmite amadorismo. Por outro lado, um perfil bem estruturado se torna uma vitrine digital viva, que comunica, engaja e vende.

Costumo dizer que o Instagram pode ser tanto uma Oscar Freire quanto uma 25 de Março — depende de como sua marca se posiciona e de quem ela deseja atrair. Em segmentos como varejo, gastronomia, saúde, beleza, moda e serviços, a rede social é o primeiro ponto de contato com o público. Ali nasce o interesse, ali se constrói a confiança e, muitas vezes, ali começa a jornada de compra.

Recursos como Reels, Stories, Lives e o Instagram Shopping oferecem às marcas ferramentas concretas para gerar visibilidade, conectar-se com seu público e, principalmente, transformar seguidores em clientes e até em Fandoms (comunidades de fãs apaixonados por uma marca, produto, celebridade ou qualquer tipo de conteúdo que compartilham interesses em comum).

Comunicação é investimento, não despesa

Uma presença estratégica nas redes sociais não se improvisa. Exige identidade visual consistente, conteúdo relevante, linguagem adequada e acompanhamento de métricas. Isso significa que sua empresa precisa profissionalizar essa presença, seja com uma equipe interna ou com apoio de uma agência especializada. Um perfil bem gerenciado pode atrair parcerias, fidelizar clientes, melhorar a percepção da marca e impulsionar vendas. Isso sem falar no ganho reputacional — essencial em tempos em que a reputação digital impacta diretamente no valor percebido do seu negócio.

As redes sociais se consolidaram como espaços de decisão, influência e relacionamento. Estar fora delas — ou presente de forma amadora — significa perder visibilidade, oportunidades e espaço no mercado.

A pergunta que todo empresário deve se fazer hoje é simples: sua marca está sendo vista pelo público certo, do jeito certo, no lugar certo?

Se a resposta for não, talvez esteja na hora de acender a luz da sua vitrine digital.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Especialista em segurança pública, Ramon Soares integra o time de colunistas do Zero Hora Digital

0 0
Read Time:1 Minute, 12 Second

O portal Zero Hora Digital acaba de reforçar seu time de colunistas com a chegada de Ramon Soares, que passa a assinar conteúdos quinzenais sobre segurança pública.

Guarda Municipal de Barueri, Ramon possui ampla experiência na área, tendo atuado também como GCM na capital paulista. Ele é vice-presidente da AGM Brasil (Associação de Guardas Municipais) e coautor do projeto nacional “Segurança Pública Básica”, iniciativa que visa fortalecer a atuação das guardas municipais em todo o país.

Bacharel em Direito pela UNIFIEO, Ramon também atua como palestrante sobre Segurança Pública Municipal, instrutor em cursos de formação de Guardas Municipais, com foco em disciplinas jurídicas, e instrutor de armamento e tiro. Em seu currículo, destaca-se ainda o certificado internacional em Segurança Escolar, conquistado durante conferência realizada em Indianápolis, nos Estados Unidos.

Ao lado de Reinaldo Monteiro, presidente da AGM Brasil e também colunista do portal, Ramon trará análises, artigos e reflexões sobre os desafios e avanços da segurança pública em âmbito municipal, estadual e nacional.

As colunas de Ramon Soares poderão ser acompanhadas no Zero Hora Digital a partir deste mês.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Divulgação

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %
error: