Já na antiguidade, várias civilizações como a babilônica, grega e romana, celebravam festas populares. Por vários motivos: festejar a fertilidade da terra, da colheita abundante, para homenagear seus deuses ou deusas, ou o início da primavera. Uma característica comum, dessas festas, era uma liberalidade dos costumes e das regras de comportamento em tais civilizações. Nessas ocasiões, poderiam festejar senhores e escravizados, homens e mulheres, ricos e pobres, todos em igualdade de condições. Podemos dizer que nesses dias festivos, não havia distinções sociais, ou de poder ou de gênero, todos eram iguais. Até uma razoável liberalização dos costumes era permitida. Extravasar sentimentos e desejos era aceitável. Em geral as festas duravam de 3 a 5 dias, passada a festa tudo voltava ao normal, sob o império da lei e da ordem social estabelecida.
Com o fim do Império Romano, a população europeia ficou, em termos de comportamentos social, sob a leis e normas da Igreja Cristã. Este é o período que a História denomina de Cristandade. Algumas daquelas festas populares continuaram e foram se adequando ao calendário religioso. Uma delas tinha o nome latino de “carnis levale”, ou seja, adeus a carne, pois a partir do fim da festa a população estava obrigada a uma grande abstinência deste alimento. No final do século VI, a Igreja determinou que o “carnis levale” fosse celebrado justo antes do período da quaresma. Cada lugar e região festejava o “carnis levale” a seu modo, geralmente de uma forma propositadamente extravagante, exagerando no consumo de comidas, bebidas e com muita música e animação. O uso de máscaras, fantasias, a valorização do ridículo, eram ingredientes comuns na celebração. Portanto, podemos dizer que o Carnaval (nome aportuguesado de carnis levale) se oficializou como uma festa de origem pagã pelo Cristianismo. A diversão estava liberada antes da quaresma, período de 40 dias religiosamente dedicado à meditação, orações, jejum, silêncio e penitência.
Os colonizadores portugueses trouxeram o carnaval para o Brasil. Essa festa tinha o nome entrudo e basicamente era uma “batalha” popular de se jogar saquinhos de água cheirosa em outras pessoas. Com o passar do tempo, a população, substituiu a água cheirosa por farinha, lama, águas malcheirosas. A “brincadeira” ficou fora de controle. As autoridades proibiram a “festa” do entrudo e a população, educadamente, substituiu por “batalhas” de confete e serpentinas. Esta prática identificada como Carnaval, teve grande popularidade no Rio de Janeiro, a partir da segunda metade do século XIX.
A partir daí o Carnaval se popularizou pelo país inteiro. Incorporou a cultura africana, com suas danças, gingados, sons de batuques e atabaques, tornando o Carnaval cada vez mais popular. Como na antiguidade, no carnaval brasileiro, não há distinções de etnia, cor, gênero, ou condição social. É tudo junto e misturado. O popular Carnaval de rua passou por cordões, corsos de carros de passeio, blocos, e escolas de samba. O Carnaval passou a dominar o Brasil inteiro de Norte a Sul. Claro que o mais famoso segue sendo o do Rio de Janeiro, mas expressões populares acontecem em milhares de cidades brasileiras como, por exemplo, em Santana de Parnaíba, tradicionalíssimo e já centenário. Desde a antiguidade, muita coisa mudou em termos sociais, costumes, comportamentos, mas a essência do Carnaval, segue sendo a mesma: são dias dedicados à alegria, ao exagero, ao esquecimento das agruras do dia a dia, à felicidade ilusória. Divirtam-se, com muita paz, muita festa, animação, até com certa extravagância. Porque terminado o “reinado de Momo”, tudo volta ao normal.

Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.
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