CNJ manda cancelar R$ 4,7 bilhões em precatórios do Master

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Corregedoria Nacional determinou o cancelamento de 16 títulos emitidos pelo TRF1 e a devolução dos valores à União; créditos envolvem empresas do setor sucroalcooleiro.

A Corregedoria Nacional de Justiça determinou nesta quarta-feira (23) o cancelamento de 16 precatórios que somam cerca de R$ 4,7 bilhões, emitidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). A decisão também determina a devolução dos valores depositados em contas judiciais para a Conta Única do Tesouro Nacional.

A decisão foi assinada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, em resposta a uma medida apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU).

Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os precatórios foram expedidos antes do trânsito em julgado da fase de execução dos processos que reconheceram as dívidas da União. Para a Corregedoria, não há previsão legal para a manutenção desses títulos na condição de “precatórios bloqueados”.

Os valores permaneciam bloqueados em contas judiciais desde dezembro de 2023. Pela determinação, a Presidência do TRF1 e a Coordenadoria de Execução Judicial terão cinco dias para cancelar os precatórios, devolver os recursos à União, incluindo os rendimentos, e comprovar o cumprimento da decisão.

Os créditos envolvem as empresas Companhia Açucareira Usina Capricho, Una Agroindustrial S/A e Companhia Açucareira Vale do Ceará Mirim, todas relacionadas ao setor sucroalcooleiro.

Relação com o Banco Master

O caso ganhou repercussão porque os créditos foram negociados com o Banco Master. A operação passou a ser investigada no contexto das apurações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Reportagens também revelaram a existência de um contrato de R$ 427 milhões entre o banco e um escritório de advocacia que atua em processos relacionados aos precatórios do setor sucroalcooleiro. O documento foi localizado pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, conforme as informações divulgadas sobre a investigação.

O escritório Queiroga, Vieira, Queiroz e Ramos confirmou a existência de contrato com o Master para atuar nos processos, mas afirmou que não recebeu valores a título de pró-labore ou de êxito. Segundo a banca, havia previsão de remuneração de 5% em caso de êxito.

As informações sobre o contrato e as relações mencionadas nas investigações não significam, por si só, que tenha havido irregularidade por parte dos envolvidos. As circunstâncias são objeto de apurações e devem ser tratadas conforme as conclusões das autoridades responsáveis.

Decisão do CNJ

A decisão desta quarta-feira não trata de eventual irregularidade na negociação dos créditos com o Banco Master. O fundamento apresentado pelo CNJ está relacionado à expedição dos precatórios antes do trânsito em julgado da fase de execução e à manutenção dos valores em contas judiciais.

O CNJ informou que o entendimento segue decisões anteriores do próprio Conselho sobre precatórios expedidos sem o trânsito em julgado e menciona a necessidade de preservar a autoridade das decisões administrativas e evitar risco de prejuízo ao erário.

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Foto: Rovena Rosa/ABR

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Moraes e Mendonça trocam acusações durante sessão do STF

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Moraes disse que o colega teria pedido sua inclusão em eventual delação de Daniel Vorcaro; Mendonça negou e chamou a acusação de “mentira”.

Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram uma discussão nesta terça-feira (15), durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes.

Durante a sessão, Moraes acusou Mendonça de ter pedido a investigadores da Operação Compliance Zero que seu nome fosse incluído em uma eventual delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e investigado por suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras.

“Quem tem medo da Polícia Federal?”, questionou Moraes durante o debate. O ministro afirmou ainda ter testemunhas, entre advogados e policiais, que teriam presenciado Mendonça pedir a inclusão de seu nome em uma colaboração de Vorcaro.

Moraes também acusou o colega de agir por motivação político-eleitoral e afirmou que Mendonça estaria ligado a um grupo político que, segundo ele, tentou promover um golpe de Estado no país. Mendonça foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mendonça negou as acusações e afirmou, em plenário, que não direcionou o caso Master nem pediu a inclusão de Moraes em uma eventual delação de Vorcaro.

“Isso é mentira!”, reagiu Mendonça. O ministro também afirmou que, caso as supostas testemunhas fossem chamadas para depor, “vão todas mentir”.

Após o confronto entre os dois ministros, Gilmar Mendes, decano do STF, também acusou Mendonça de ter motivações político-partidárias ao retirar o sigilo de um relatório da Operação Compliance Zero que relaciona Moraes a Vorcaro.

Gilmar propôs que o julgamento fosse adiado para 23 de setembro. A data coincide com a sessão já marcada para analisar um pedido de Moraes para a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade na condução do caso Master.

O presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu a sessão para o almoço. A previsão de retomada era para as 15h desta terça-feira.

Relatório e mensagens

O relatório que trouxe as menções a Moraes foi divulgado em 1º de setembro, após Mendonça retirar o sigilo do documento. O material reúne 52 mensagens que os investigadores afirmam terem sido enviadas por Daniel Vorcaro a Moraes entre 2023 e novembro de 2025.

Segundo o relatório, as mensagens indicariam uma relação de proximidade entre Vorcaro e o ministro. Em uma delas, o ex-banqueiro aparenta mencionar um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Outro trecho sugere que Vorcaro teria buscado informações junto a Moraes sobre uma operação que poderia resultar em sua prisão. O ex-banqueiro foi preso preventivamente em 17 de novembro de 2025.

Moraes nega ter cometido irregularidades e classificou o relatório como inconstitucional e ilegal.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também pediu a Fachin a anulação do relatório parcial. O órgão argumenta que a investigação avançou sobre um ministro do Supremo sem comunicação prévia ao presidente da Corte ou ao plenário.

Acusações cruzadas

Em 2 de setembro, Moraes encaminhou a Fachin um documento que apresentou como relatório de inteligência da Polícia Federal. O material levantava a hipótese de que Mendonça teria direcionado a investigação da Operação Compliance Zero para atingir adversários políticos.

O documento, porém, não é assinado e não apresenta o timbre da Polícia Federal. Na própria capa, há a indicação de que o conteúdo foi produzido como conjectura e não possui valor probatório.

Com base nesse material, Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Fachin marcou a análise do pedido para 23 de setembro.

O julgamento desta terça-feira reúne os ministros do STF. Moraes e Mendonça participam da sessão lado a lado.

Mais cedo, Nunes Marques se declarou impedido e Dias Toffoli se declarou suspeito para participar da análise do caso.

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Foto: Victor Piemonte/STF

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Gilmar acusa Mendonça de viés eleitoral no caso Master

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O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou nesta terça-feira (15) o ministro André Mendonça de conduzir o caso Master com um suposto viés político-eleitoral. A declaração ocorreu durante sessão extraordinária da Corte.

Gilmar afirmou que Mendonça teria escolhido deliberadamente a data de uma etapa do processo para coincidir com manifestações populares de 7 de setembro.

“Com todas as vênias e toda sinceridade presidente, é evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido”, afirmou Gilmar, dirigindo-se ao presidente do STF, Edson Fachin.

O ministro acrescentou que esse tipo de conduta não deveria ocorrer. Em resposta, Mendonça acusou Gilmar de ser “leviano” ao levantar a suspeita.

“Não aponte o dedo para mim”, respondeu Mendonça.

A discussão ocorreu durante o julgamento, pelo plenário do STF, de uma questão envolvendo uma investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes relacionada ao caso Master.

Gilmar pede adiamento do julgamento

Após a manifestação, Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem para pedir que o Supremo adiasse o julgamento para 23 de setembro.

A data coincide com outro julgamento já marcado por Fachin, que analisará um pedido de Moraes para que Mendonça seja investigado por suposto abuso de autoridade na condução do caso Master.

A sessão foi suspensa para o intervalo de almoço e deveria ser retomada às 14h.

Fachin informou ainda que a transmissão pela TV Justiça seria interrompida durante o horário eleitoral gratuito.

Caso Master provocou crise no STF

O conflito entre os ministros ocorre em meio à crise desencadeada pela divulgação de um relatório da Polícia Federal relacionado à Operação Compliance Zero.

O documento, cujo sigilo foi levantado por Mendonça em 1º de setembro, reúne mensagens atribuídas pela investigação ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, e que mencionam Alexandre de Moraes.

Segundo o material apresentado no processo, as mensagens indicariam uma relação de proximidade entre Vorcaro e Moraes. Em um dos trechos, o ex-banqueiro teria mencionado um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Em outro trecho, Vorcaro teria buscado informações sobre uma operação policial que poderia resultar em sua prisão.

Moraes negou ter cometido irregularidades e classificou o relatório como inconstitucional e ilegal.

Ministros também são alvo de pedidos de investigação

A divulgação do material provocou reações dentro do próprio Supremo.

Em 2 de setembro, Moraes encaminhou a Fachin um documento que, segundo ele, seria um relatório de inteligência da Polícia Federal e que apontaria possível direcionamento da Operação Compliance Zero por Mendonça para atingir adversários políticos.

O documento, entretanto, não possui assinatura nem timbre da Polícia Federal e traz a indicação de que o conteúdo seria uma conjectura, sem valor probatório.

Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Fachin marcou a análise do pedido para 23 de setembro.

A Procuradoria-Geral da República também pediu a Fachin a anulação do relatório parcial relacionado às mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro. Segundo a PGR, Mendonça teria permitido o avanço da investigação sobre um ministro do Supremo sem comunicar previamente o presidente da Corte ou o plenário.

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Mendonça barra acesso a dados de Vorcaro antes de julgamento

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça decidiu não liberar, neste momento, aos demais integrantes da Corte a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo Mendonça, o compartilhamento do material poderia tumultuar o julgamento previsto para terça-feira (15) e colocar em risco o andamento das investigações.

Na terça-feira, o plenário do STF fará uma sessão extraordinária para analisar a abertura de uma possível investigação sobre supostas relações entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro.

Em despacho publicado neste domingo (13), Mendonça afirmou que os ministros já têm acesso ao material utilizado para o julgamento. Para ele, a inclusão de novos elementos nos autos, especialmente a íntegra das informações encontradas no telefone do ex-banqueiro, não seria adequada neste momento.

Segundo o ministro, a medida poderia provocar questionamentos e desviar o julgamento de seu objetivo original, além de comprometer o andamento e o resultado das investigações.

O posicionamento ocorreu após ministros manifestarem interesse em ter acesso ao conteúdo integral do aparelho. Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin já haviam solicitado acesso aos dados.

Crise entre ministros

Parte do conteúdo extraído do celular de Vorcaro já foi tornada pública, incluindo conversas atribuídas ao ex-banqueiro com Moraes. Mendonça também retirou o sigilo de conversas de Vorcaro com aliados nas quais aparecem referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A divulgação das mensagens envolvendo Vorcaro e Moraes ampliou a crise interna no STF e provocou novos movimentos entre os ministros.

Em meio ao conflito, Moraes encaminhou ao ministro Edson Fachin um pedido de investigação contra Mendonça no âmbito do inquérito das Fake News. O documento aponta, em tese, possíveis condutas relacionadas a improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a grupos políticos.

Fachin posteriormente retirou de Moraes a relatoria do inquérito das Fake News.

Além da sessão marcada para terça-feira, o STF tem outra data prevista para analisar o caso envolvendo Mendonça. Em 23 de setembro, está programado o julgamento do pedido de investigação contra o ministro.

Segundo Fachin, porém, o procedimento ainda está em fase de instrução e não reúne, até o momento, todos os elementos necessários para ser submetido ao plenário.

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Foto: Carlos Moura/STF

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Relações perigosas. Para quem? – por Celso Tracco

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Para a população brasileira. Mesmo acostumada a ver contínuos escândalos financeiros de todos os tipos, fraudes e descaminhos com o dinheiro público, muitas vezes fruto de relações perigosas entre agentes públicos e entidades privadas, a população pagadora de impostos não para de se surpreender. O caso do Banco Master, que segue ganhando projeção nacional, mantém a lógica de tornar privado o que deveria ser público. Este caso vem batendo todos os recordes nessa prática de relações promiscuas entre agentes públicos e o banco privado. O monstruoso escândalo tem potencial, desde que devidamente investigado, de abalar as estruturas da República Brasileira. Já sabemos quem pagará a conta, mas o que poderia ser feito para, pelo menos, tentar evitar novos escândalos?

Primeiro, devemos nos perguntar, por que um banco privado teria tanto interesse em ter laços tão estreitos com autoridades e servidores públicos? Claro que aqui estamos falando de servidores que desempenham altos cargos na administração pública. Até agora, pelo que já saiu na imprensa, sabemos que o dono e principais dirigentes do Banco Master, mantinham estreitas ligações com membros e/ou com parentes do Poder Judiciário, do Poder Legislativo, do Poder Executivo, tanto em âmbito federal, como estadual e municipal, além de autarquias federais, como o Banco Central. Ou seja, a rede de influência dos administradores do Master era imensa. Será que ela se desfez após a liquidação do banco, e a prisão de seu principal acionista?

Devemos sempre ter em conta a máxima de que todos são inocentes até prova em contrário. Acusar alguém antes do já conhecido “trânsito e julgado” seria uma leviandade. O que tento expor neste artigo é a precariedade de controles das instituições públicas brasileiras. Não é de hoje, e sem distinções de governos, que entidades privadas se apropriam do bem público em benefício próprio e em detrimento do interesse coletivo. Esta prática, no mínimo, drena recursos para as reais necessidades da população mais carente da sociedade brasileira. O que transparece na percepção popular é que um banco com forte atuação em setores como crédito consignado, fundos de aposentadoria de servidores púbicos, agressiva venda de produtos financeiros como CDBs, qualquer proximidade com os gestores públicos, pode gerar conflitos de interesse. Cabe aqui a famosa frase atribuída a Júlio César em 62 a.C. quando exercia o cargo Pretor (magistrado e supremo juiz em Roma) “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. A frase continua sendo válida, após 2.000 anos, para qualquer cidadão ou cidadã que exerce cargo público.

Um ponto desastroso desta relação perigosa, é a falta de confiança nas instituições e em especial no sistema financeiro que perpassa para a população em geral. O mínimo que se espera é que haja transparência total em todas as transações envolvendo o sistema financeiro e órgãos públicos. A falta de transparência, como proteger sigilo bancário de investigados pode influenciar, negativamente, a opinião pública, o que seria desastroso. O uso do dinheiro dos impostos pelos órgãos públicos, deveria ser totalmente auditável, por empresas independentes e sem relações com poderes constituídos. Os resultados das auditorias deveriam ser conhecidos da população, e quem sabe, deste modo, se dificultaria que decisões políticas fossem manipuladas por decisões particulares e privadas.

A população não pode nem deve demonizar o sistema financeiro, evidentemente a economia do país não prospera sem ele, mas o que se espera é que os agentes públicos tenham real cuidado com o dinheiro público, afinal eles foram eleitos para serem servidores públicos e não para se servirem do dinheiro público. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Aldo Rebelo diz que foi trocado por Joaquim Barbosa sem aviso no DC

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O ex-ministro Aldo Rebelo afirmou nesta quarta-feira (20) que não foi comunicado previamente sobre a decisão do Democracia Cristã de substituir seu nome pelo do ex-presidente do STF Joaquim Barbosa na disputa pela Presidência da República.

Em entrevista ao SBT News, Rebelo criticou duramente a condução interna do partido e acusou o presidente nacional da legenda, João Caldas, de agir motivado por preocupações relacionadas a investigações envolvendo o Banco Master.

Segundo o ex-ministro, o anúncio da possível pré-candidatura de Joaquim Barbosa ocorreu sem qualquer comunicação à direção partidária ou à sua equipe política.

“Ninguém no partido foi avisado de que haveria esse anúncio”, declarou Rebelo durante a entrevista.

O ex-ministro também afirmou que, nos bastidores políticos, circula a avaliação de que a aproximação do DC com Joaquim Barbosa estaria ligada ao fato de o ex-magistrado ter integrado o Supremo Tribunal Federal.

Durante a entrevista, Rebelo citou suspeitas envolvendo recursos do fundo de previdência dos servidores municipais de Maceió destinados ao Banco Master e afirmou que o tema teria provocado preocupação dentro da legenda.

As declarações ampliaram a crise interna no Democracia Cristã, poucos meses após o partido lançar oficialmente a pré-candidatura de Aldo Rebelo ao Palácio do Planalto.

Apesar das críticas ao comando da legenda, o ex-ministro afirmou que seguirá defendendo seu nome para disputar a Presidência da República e declarou acreditar que Joaquim Barbosa não deverá levar adiante uma eventual candidatura.

“Eu aposto o que precisar que o ex-ministro Joaquim Barbosa não vai levar essa candidatura adiante”, afirmou.

A polêmica começou após João Caldas confirmar, na segunda-feira (18), que o partido passou a considerar o nome de Joaquim Barbosa como alternativa eleitoral para 2026.

Segundo Caldas, pesquisas internas apontaram baixa competitividade eleitoral de Aldo Rebelo, que vinha realizando agendas e palestras como pré-candidato há vários meses.

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Foto: Pedro França/Ag. Senado

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Flávio Bolsonaro negociou R$ 134 milhoes com Daniel Vorcaro para filme sobre Bolsonaro

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Mensagens, áudios e documentos obtidos pelo portal Intercept Brasil apontam que o senador Flávio Bolsonaro teria negociado um investimento de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões — para financiar um filme inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a reportagem divulgada nesta quarta-feira (13), os recursos teriam sido tratados diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O projeto audiovisual, intitulado “Dark Horse”, é dirigido pelo cineasta Cyrus Nowrasteh e tem o ator Jim Caviezel no papel principal.

De acordo com os documentos citados pela publicação, ao menos US$ 10,6 milhões — aproximadamente R$ 61 milhões — já teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em operações relacionadas à produção do longa.

Em um dos áudios divulgados pelo Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro demonstra preocupação com a continuidade do projeto e cobra uma definição sobre novos repasses financeiros.

Na gravação, o senador afirma que atrasos poderiam comprometer a permanência de atores, diretores e integrantes da equipe internacional do filme.

“Agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar”, afirmou Flávio em trecho divulgado pela reportagem.

As mensagens reveladas também mostram proximidade entre o parlamentar e Daniel Vorcaro. Em uma das conversas reproduzidas pelo portal, Flávio escreve: “Estou e estarei contigo sempre”.

A reportagem afirma ainda que Daniel Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos enquanto tentava embarcar para Dubai. Dias depois, o Banco Master acabou liquidado pelo Banco Central.

Outro ponto revelado envolve Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pela Polícia Federal como operador financeiro ligado ao empresário.

Segundo documentos mencionados pela publicação, Zettel teria investido ao menos R$ 13,5 milhões em empresas ligadas ao financiamento do filme.

O Intercept afirma que parte dos recursos passou por empresas associadas à Entre Investimentos e Participações, apontada como responsável por intermediar operações financeiras destinadas ao projeto audiovisual.

Documentos também indicariam transferências para uma empresa ligada ao deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O filme “Dark Horse” tem estreia prevista para setembro e retrata a ascensão política de Jair Bolsonaro.

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Copo meio cheio, meio vazio? – por Celso Tracco

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Uma recente pesquisa de opinião pública, perguntou aos entrevistados qual era percepção deles sobre a situação econômica do Brasil. Para 48% entrevistados a economia piorou, para 24% a economia melhorou e para 26% ficou igual. Considerando que o instituto de pesquisa é sério e confiável, a sensação da maioria da população é que a economia não vai bem. Quando a pergunta se refere ao futuro, as respostas também mostram um certo desalento. Não se discute os números da pesquisa, o que podemos fazer é tentar interpretá-los. Paradoxalmente, o Brasil vem apresentando alguns dados macroeconômicos e sociais que são positivos, por exemplo:

– O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu acima de 3% ao ano, de 2021 a 2024. Em 2025 cresceu 2,3%. Deve-se ressaltar que essas taxas de crescimento foram acima das que o mercado financeiro estimou.

– O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil no mesmo período subiu 5 posições. Certo que ainda não é o ideal, mas melhoramos.

– A expectativa de vida, atingiu em 2025 o maior patamar da série histórica, praticamente 80 anos para mulheres e 74 anos para homens. O índice de mortalidade infantil também, está em decréscimo atingindo 12,3 óbitos até o primeiro ano de vida, por 1.000 nascimentos. O índice está em queda contínua e abaixo da média mundial.

– A inflação está controlada e em baixa. Certo que o custo disso é uma alta taxa de juros que traz um aumento muito alto para empréstimos bancários, mas ainda assim a economia cresceu.

– A taxa de desemprego está no menor nível desde quando começou a ser contabilizada em 2012. O rendimento médio dos empregados também apresentou alta. Milhões de pessoas não estão mais vivendo abaixo da linha da pobreza.

Olhando o “copo meio cheio” podemos afirmar que todos os pontos listados acima são positivos para a economia brasileira e consequentemente para a população. Olhando o “copo meio vazio” podemos pensar que o país, através de seus governantes não fazem nada mais do que sua obrigação. Eles estão lá para isso mesmo. Também posso pensar que apesar das elites governantes não colaborarem, mesmo assim temos progredido. O fato é que para o cidadão e cidadã comum, a percepção da situação geral do Brasil é preocupante, e seu olhar para o futuro próximo, pessimista.   Os bons resultados que o Brasil obteve nos últimos anos estão sendo ofuscados pelos pontos que a população considera negativos.

Não há dúvida alguma que temos muitos pontos a melhorar. Pontos que impactam negativamente o nosso dia a dia. A (in)segurança pública é o maior deles. Em qualquer pesquisa ela aparece como um destaque negativo, ainda mais com a atuação do crime organizado, em vários setores da sociedade. O transporte público sempre apresenta problemas, principalmente nas grandes cidades. Basta chover para o que era péssimo, ficar caótico. Nossa educação básica, também não vai bem no geral. Além desses, digamos, problemas cotidianos, ainda enfrentamos uma crise de confiança em nossas instituições republicanas que a radicalização política eleitoreira, não ajuda em nada. E, atualmente, temos que lidar com um mundo em guerra que, certamente, trará reflexos negativos para toda a economia mundial.   Enfim problemas existem, e são muitos, mas será que não estamos tão estressados, que não conseguimos ver nada de bom? Podemos ser mais esperançosos com o futuro próximo? O que você acha? Hora de São Paulo, gostaria de ouvir sua opinião. Deixe seu comentário abaixo e aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Imagem Destaque: C0rey/iStock

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STF tem maioria para manter prisão preventiva de Daniel Vorcaro

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Os ministros do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques formaram maioria nesta sexta-feira (13) para manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central por falta de dinheiro em caixa para honrar seus compromissos. 

A partir das 11h desta sexta, a Segunda Turma do Supremo começou a votar se mantém a prisão de Vorcaro, em sessão virtual. Resta apenas o voto do ministro Gilmar Mendes, que têm até a próxima sexta (20) para votar. 

Preso na terceira fase da Operação Compliance Zero em 4 de março, Vorcaro foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília.  

Mendonça, atual relator do caso no Supremo, autorizou a medida após receber da Polícia Federal indícios de que Vorcaro mantinha uma estrutura particular para monitoramento e intimidação de pessoas que via como inimigas de seus interesses. 

O ministro Dias Toffoli, que também integra a Segunda Turma e foi o primeiro relator do caso no Supremo, declarou-se suspeito para julgar os processos relativos ao banco, por motivo de foro íntimo. 

O movimento de Toffoli se deu em razão de polêmicas oriundas de negócios passados de uma empresa de sua família e um fundo ligado ao Master. Decisões controversas no caso também desgastaram o ministro na condução do processo. 

A PF chegou a produzir um relatório sobre os pontos de contato entre Toffoli e Vorcaro, mas o documento acabou sendo descartado pelo Supremo, que viu nele um movimento ilegal de investigação de um ministro do Supremo sem autorização judicial. 

Voto

Em seu voto, Mendonça não se ateve apenas a reproduzir a liminar em que autorizou a prisão de Vorcaro, mas também buscou rebater argumento apresentados pela defesa do banqueiro após a medida. 

O relator afastou, por exemplo, o argumento de que um grupo no aplicativo de mensagens WhatsApp de Vorcaro, chamado A Turma, fosse apenas um “mero grupo” do qual o banqueiro fazia parte. 

“Trata-se, sim, de organização composta por conjunto de indivíduos coordenados pelos investigados Phillipe Mourão (agora falecido) e Marilson Roseno, sob a liderança e comando inequívoco de Daniel Bueno Vorcaro, responsável por dar ordens diretas ao grupo”, escreveu o ministro. 

Mendonça destacou ainda a “natureza violenta” dos integrantes do grupo, apontando para indícios colhidos pela PF de ameaças concretas a indivíduos. 

O ministro classificou os integrantes de A Turma como “milicianos” e deu como exemplo uma ameaça de morte feita a um ex-funcionário de Vorcaro.

Na mesma decisão em que mandou prender Vorcaro, Mendonça também determinou a prisão de Phillipe Mourão, conhecido como Sicário, e Marilson Roseno, apontados como coordenadores da milícia pessoal do banqueiro. 

Mourão atentou contra a própria vida pouco após ser preso. Ele foi atendido e levado para um hospital, mas não resistiu. 

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Fonte: Ag. Brasil | Foto: Divulgação/Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo

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FGC antecipa até R$ 1 mil para cerca de 6 milhões de clientes do Will Bank após liquidação

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O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) anunciou que vai antecipar o pagamento de até R$ 1 mil para credores do Will Bank. A medida pode beneficiar cerca de 6 milhões de clientes e será realizada diretamente pelo aplicativo da instituição financeira.

De acordo com o FGC, a antecipação envolve aproximadamente R$ 200 milhões e tem como foco correntistas de menor renda, público majoritário do Will Bank. Além disso, outros R$ 25 milhões referentes a saldos mantidos em contas de pagamento também serão liberados pelo aplicativo.

O Will Bank, que integrava o conglomerado do Banco Master, teve a liquidação decretada pelo Banco Central em janeiro. Como a consolidação da lista definitiva de credores ainda não foi concluída, o Fundo Garantidor de Créditos decidiu antecipar os valores para clientes com até R$ 1 mil elegíveis à cobertura da garantia.

Clientes com valores acima desse limite ou que realizaram investimentos por meio de plataformas deverão aguardar a finalização do processo e solicitar o ressarcimento pelo aplicativo do próprio FGC, após a divulgação da lista completa de credores.

Em balanço divulgado, o fundo informou que já foram pagos R$ 37 bilhões em garantias relacionadas às liquidações do Banco Master, da Master Investimento e do Letsbank. O montante corresponde a 91% do total previsto. Cerca de 9% dos investidores ainda não iniciaram o pedido de ressarcimento.

O Will Bank não operava como um banco tradicional com conta corrente. A instituição atuava como financeira e instituição de pagamento, oferecendo contas de pagamento nas quais os recursos dos clientes permanecem depositados em contas específicas no Banco Central. Nessa modalidade, o dinheiro não pode ser utilizado para concessão de crédito ou outras operações típicas de bancos comerciais.

Parte dos recursos dos clientes era direcionada automaticamente para Certificados de Depósito Bancário (CDB), que contam com cobertura do FGC até o limite legal de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Segundo o Banco Central, os valores das contas de pagamento ficam separados do patrimônio da instituição, o que assegura o ressarcimento aos clientes.

Têm direito à antecipação os clientes diretos do Will Bank com valores elegíveis à garantia do FGC, limitados a R$ 1 mil nesta fase. O limite geral de cobertura do fundo permanece em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.

Para solicitar o ressarcimento, o cliente deve acessar o aplicativo do Will Bank, confirmar os dados cadastrais, verificar o valor disponível para antecipação, aceitar digitalmente os termos e, após a liberação, transferir o montante para uma conta de mesma titularidade.

O FGC e o Will Bank alertam para tentativas de golpe. As instituições informam que não entram em contato por telefone, mensagens ou redes sociais para solicitar senhas, códigos ou dados pessoais, e que não existem intermediários autorizados para antecipar pagamentos. Em caso de dúvida, a orientação é buscar apenas os canais oficiais.

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Foto: Divulgação

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