Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC) revelou que menos de 40% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental valorizam seus professores. O levantamento, que ouviu mais de 2 milhões de estudantes de 21 mil escolas públicas em todo o Brasil, foi realizado em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Itaú Social.
Alerta para a qualidade da educação
Os resultados da pesquisa acendem um alerta para gestores e especialistas em educação. O distanciamento entre alunos e professores pode comprometer a qualidade da aprendizagem e a permanência dos estudantes nas escolas. A pesquisa buscou entender a opinião dos alunos sobre diversos aspectos da vida escolar, incluindo a importância dos professores na formação pessoal e acadêmica.
Os dados mostram que a percepção dos alunos sobre a escola varia conforme a série. Estudantes do 8º e 9º anos tendem a ter uma visão menos positiva da escola em comparação aos alunos do 6º e 7º anos. Essa diferença de percepção pode estar relacionada a fatores como a pressão acadêmica e as mudanças na adolescência.
Confiança nas relações escolares
Outro dado relevante da pesquisa indica que 75% dos alunos do 6º e 7º anos confiam em pelo menos um adulto na escola. No entanto, esse número cai para 45% entre os estudantes do 8º e 9º anos. Essa diminuição na confiança pode refletir um ambiente escolar menos acolhedor para os alunos mais velhos, o que pode impactar diretamente sua motivação e engajamento.
A valorização dos professores também apresenta uma queda significativa. Enquanto 39% dos alunos do 6º e 7º anos afirmam respeitar e valorizar seus docentes, apenas 26% dos alunos do 8º e 9º anos compartilham dessa opinião. Essa realidade evidencia os desafios enfrentados na construção de uma relação saudável entre alunos e educadores.
Caminhos para a valorização
Diante desses dados, é essencial que gestores e educadores reflitam sobre estratégias para melhorar a relação entre alunos e professores. A promoção de um ambiente escolar mais inclusivo e a valorização do trabalho docente são fundamentais para reverter esse quadro. Programas de formação continuada para professores e ações que incentivem a participação dos alunos nas decisões escolares podem ser caminhos viáveis.
A pesquisa destaca a importância de ouvir a voz dos estudantes para aprimorar a educação e garantir que todos se sintam valorizados no ambiente escolar. A construção de uma relação de respeito e confiança é crucial para o desenvolvimento educacional e emocional dos alunos.
No retorno dos estudantes às salas de aula é importante que os responsáveis confiram se a carteira de vacinação está em dia. “Toda vez que você tiver um grupo grande de crianças ou de adolescentes convivendo, tem um aumento de risco de transmissão de doenças. Então, é por isso que vacinar significa se proteger daquela doença e também proteger a coletividade”, explica a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Balallai.
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece 16 vacinas para crianças e adolescentes que protegem contra mais de 20 doenças, além das vacinas contra dengue, que é aplicada em regiões do país com maior risco de contágio, contra a influenza, que tem campanha anual, e de alguns imunizantes especiais para públicos específicos. Algumas delas têm esquema de duas ou três doses, outras exigem dose de reforço algum tempo depois do esquema inicial para que a proteção permaneça alta. Ou seja: a proteção efetiva depende de muitas idas ao posto de saúde e não apenas para os bebês.
Para a imunologista e gerente médica de vacinas da farmacêutica GSK, Ana Medina, isso mostra como o calendário vacinal do Brasil é robusto, mas pode confundir os responsáveis. Por isso, momentos de preparação para novos ciclos, como a volta às aulas, são uma boa oportunidade de conferir a carteira de vacinação.
“A gente fica num período de férias, naquele ambiente mais familiar, com possibilidade menor de contágio e depois passa para aquele ambiente escolar que, por mais seguro que seja, tem aglomeração, muitas vezes é uma sala fechada, com ar condicionado e tudo isso favorece transmissão de doenças infecciosas de uma forma geral. E a gente tem ainda o compartilhamento de objetos: a criança pequena pega o brinquedo, coloca na boca, outra criança pega e coloca na boca também, um adolescente empresta um batom, um copo. E eles voltam com aquela saudade né? Então querem abraçar, beijar”, alerta a especialista.
A diretora da SBIm, Isabella Ballalai, destaca algumas doenças infeciosas que podem ter desfechos graves em crianças, mas são preveníveis por vacinas: “30% dos infectados por meningite pneumocócica morrem e 20% dos que tem meningite meningocócica morrem. E dos que sobrevivem, um em cada cinco vai ter sequela grave como amputação dos membros, entre outras, para o resto da vida”. Essas doenças são causadas por bactérias do tipo pneumococo e meningococo, mas o SUS oferece as vacinas Pneumo-10, Meningo C e Meningo ACWY que protegem contra os sorotipos mais prevalentes.
Ela também cita a coqueluche, infecção respiratória causada por bactéria, que atinge principalmente os bebês e têm causado surtos em diversos locais. Em 2024, o Brasil registrou mais de 6.700 casos da doença, 31 vezes mais do que em 2023, e 28 mortes. A vacina Penta, aplicada nas crianças, protege contra a coqueluche e também contra difteria, tétano, hepatite B e infecções por Haemophilus influenzae B, mas é essencial que as mulheres grávidas recebam o imunizante dTpa em todas as gestações, para que o bebê já nasça com anticorpos.
Isabela lembra a covid-19: “A pandemia está numa situação muitíssimo melhor, mas a gente ainda tem muitos casos e muitas mortes. E o segundo grupo que mais morre de covid-19 no Brasil é de crianças menores de 1 ano que não estão vacinadas”. Desde o ano passado, a vacina contra a covid-19 faz parte do calendário básico do SUS e todas as crianças de 6 meses a menos de 5 anos devem receber duas ou três doses, dependendo do imunizante. Mas, de acordo com o painel de cobertura vacinal do Ministério da Saúde, só 32,4% do público-alvo de até 4 anos tomaram pelo menos duas doses.
A diretora da SBIm também ressalta que a vacinação de crianças e adolescentes ajuda a prevenir o adoecimento da população em geral, porque eles são grandes vetores de agentes infecciosos: “A literatura mostra que a primeira onda de casos de influenza na sazonalidade ocorre entre as crianças. Então, no ambiente coletivo como a escola, os surtos são mais do que comuns: essas crianças se infectam, adoecem e transmitem a influenza“. É também por essa razão que as crianças de seis meses até menores de 6 anos devem ser imunizadas nas campanhas anuais. Crianças e adolescente também são os maiores transmissores de pneumococos e meningococos.
Para que essa cadeia de transmissão seja interrompida, ela recomenda que estudantes com sintomas como febre, tosse e coriza fiquem em casa enquanto estiverem doentes e pelo menos mais 24 horas, depois que os sintomas cessarem. Outra medida essencial é a vacinação dos profissionais das escolas, para que eles não se contaminem e não transmitam doenças aos alunos.
A imunologista Ana Medina complementa que as escolas precisam ser aliadas da vacinação, promovendo educação em saúde, mas ressalta: “Tem que buscar fontes corretas de informação. A gente tem o site do Ministério da Saúde, com uma série de informações adequadas sobre atualização de carteira de vacinação, tem o site da Sociedade Brasileira de Imunizações, que inclusive tem uma parte voltada para o público leigo falando sobre as diferentes doenças. Educação com fontes confiáveis: esse é o primeiro ponto.”
Ela também reforça que os responsáveis não devem ter medo de vacinar seus filhos, porque todos os imunizantes autorizados para uso na rede pública ou privada passam por rigorosos testes de segurança: “E os estudos de segurança nunca param. Depois que a vacina é lançada no mercado, a gente tem o que chama de estudo de fase 4, que são os estudos de farmacovigilância. Essa segurança é acompanhada ao longo da utilização da vacina. E quando você olha todos os estudos, as principais reações adversas geralmente são locais, aquela dor no local da aplicação, um inchaço, um avermelhamento. Isso é esperado de boa parte das vacinas, mas são reações aceitáveis, especialmente quando a gente compara com a gravidade das doenças que elas previnem.”
Uma pesquisa realizada pela AtlasIntel, divulgada neste sábado (28) no GPS CNN, revelou que 58,6% dos brasileiros são a favor da proibição do uso de celulares nas escolas. Já 37,7% dos entrevistados se posicionaram contra a medida, enquanto 3,7% não souberam responder.
O Ministério da Educação (MEC) está em fase final de elaboração de um projeto de lei que prevê a proibição do uso de celulares em instituições de ensino públicas e privadas em todo o país. A informação foi trazida pela analista de Política da CNN, Julliana Lopes.
No início deste ano, a rede pública municipal do Rio de Janeiro já havia implementado a proibição de celulares e outros dispositivos tecnológicos em suas escolas.
A pesquisa também investigou a opinião dos brasileiros sobre a idade ideal para uma pessoa ter o primeiro celular:
Entre 6 e 10 anos: 10,5%
Entre 11 e 15 anos: 66,3%
Entre 16 e 20 anos: 23,2%
Após 21 anos: 0%
Metodologia
O levantamento foi realizado com 1.608 entrevistados entre 24 e 26 de setembro de 2024. A amostra incluiu 55,4% de homens e 44,6% de mulheres. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. A metodologia utilizada foi o Recrutamento Digital Aleatório (Atlas RDR).
Os alunos do projeto de iniciação esportiva da APESP – Atividades Paralímpicas Escolares de Santana de Parnaíba, conquistaram 24 medalhas nas disputas de atletismo durante a Regional de São Paulo das Paralímpiadas Escolares. O evento organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) desde 2006, com exceção de 2008 e 2020, foi realizado nos dias 7 e 8 de setembro, no Centro de Treinamento Paralímpico, na capital paulista.
Das 24 medalhas conquistadas, os parnaibanos e as parnaibanas garantiram 11 ouros, oito pratas e seis bronzes. Entre as provas, a de Pelota. “ A pelota é disputada com uma bolinha, como se fosse de beisebol, que marca o início do atleta no arremesso de peso e lançamento de dardo”, explica o prof. Renato Pereira, responsável da APESP juntamente com a profa. Bruna Ribeiro.
A terceira etapa da maior competição esportiva do mundo, para crianças e jovens com deficiência, contou com 700 atletas de seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os três primeiros colocados nas Regionais se classificam para a etapa final programada para o período de 28 de novembro a 2 de dezembro.
Conforme dados do CPB, já passaram pelas Paralimpíadas Escolares talentos do paradesporto brasileiro como Petrúcio Ferreira, recordista mundial nos 100m (classe T47), bicampeão paralímpico e tri mundial; o jogador de goalball Leomon Moreno, prata nos Jogos de Londres 2012, bronze no Rio 2016 e ouro em Tóquio 2020; a mesatenista Bruna Alexandre, bronze nos Jogos do Rio 2016 e prata nos Jogos de Tóquio 2020, entre outros.
Representantes parnaibanos na terceira etapa; idades e conquistas
Anna Beatriz, 11, ouro nas provas de 60m, pelota e peso
Cauã Davi, 16, bronze nos 100m
Eduardo Soares, 12, ouro nos 60m, 150m, e prata na pelota
Guilherme Ferreira, 15, ouro nos 1.000m, 250m, e prata no peso
Kemilly Eduarda, 16, prata nos 1.500m
Larissa Sallum, 14, ouro no peso, prata nos 75m, e bronze no dardo
Nicole Ribeiro, 12, prata nos 150m e distância
Oliver da Silva, 15, ouro no dardo, prata nos 50m e bronze no peso
Railane Cesar, 16, ouro nos 400m e no peso, prata nos 100m
Todos os anos alunos do município de Santana de Parnaíba participam dos Jogos Escolares do Estado de São Paulo na modalidade Atletismo e têm bons resultados, neste ano não foi diferente, durante as competições 27 atletas conquistaram diversas medalhas; sendo 16 de ouro, uma de prata e 10 de bronze.
Durante a competição, alguns alunos se destacaram ao ganhar mais de uma medalha em modalidades diferentes, exemplo da aluna Samira Victoria de Araujo que conquistou seis medalhas, sendo cinco de ouro e uma de prata nas modalidades salto em altura e 100 metros rasos.
Vale lembrar que nos últimos anos, a prefeitura tem investido fortemente em esporte, com a entrega de novos equipamentos, sendo cerca de 30 unidades esportivas com estruturas amplas e modernas.
A Polícia Civil cumpre mandados de internação provisória contra 10 pessoas menores de idade, assim como buscas e quebras de sigilo. Movimentação se dá em meio a uma operação que combate eventuais ataques em escolas.
As ordens de internação são cumpridas em 11 cidades de cinco estados diferentes. São elas: Barra Mansa (RJ), Blumenau (SC), Curitiba (PR), Duque de caxias (RJ), Guaíra (PR), Itapira (SP), Recife (PE), Salto (SP), São Gonçalo (RJ), São José dos Campos (SP) e São Paulo (SP).
As investigações tiveram início após o ataque na creche Cantinho Bom Pastor. Na ocasião, um terrorista matou quatro crianças e feriu outras quatro com uma machadinha.
Na última terça-feira (18), Flávio Dino (PSB) divulgou o mais recente balanço da Operação Escola Segura. Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, 756 perfis que estimulavam ataques em escolas foram retirados de diferentes redes sociais nos últimos 10 dias.
Ainda de acordo com o ex-governador do Maranhão, em 100 casos, houve o pedido para que as plataformas preservassem o conteúdo desses perfis para abastecer as investigações. Depois do atentado à creche no Vale do Itajaí, já houve a prisão e/ou apreensão de 225 pessoas. Também foram registrados 1.595 boletins de ocorrência.
De acordo com a lei municipal 4.147/22, ficou instituída a Semana da Saúde na Escola, onde os colégios de Santana de Parnaíba devem desenvolver atividades para a promoção do bem-estar dos estudantes.
Os alunos participaram de atividades como palestras sobre saúde bucal, escovação, prevenção à dengue, cuidados contra animais peçonhentos, antropometria (peso e altura).
Com base nas atividades e triagem, os alunos que obtiverem sinal de alteração, são encaminhados para as áreas responsáveis do município para outra avaliação e realização de tratamento.
Durante a semana, também aconteceu a certificação dos colégios que tiveram os melhores resultados no preenchimento dos formulários dos marcadores de consumo. Esse indicador é importante para nortear políticas públicas, como a primeira infância, e auxilia no acompanhamento dos alunos identificados com alteração na antropometria. Foram mais de 6550 marcadores preenchidos de 67 colégios municipais.
O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) bloqueou o uso de redes sociais e streamings nas escolas estaduais de São Paulo. A restrição ocorre no momento em que as disciplinas preveem exatamente o uso dessas tecnologias em sala de aula com os alunos.
As cerca de 5.500 escolas estaduais receberam um comunicado que suspende desde o dia 13 os acessos pelo wifi ou internet conectada para aplicativos como Tik-Tok, Facebook, Twitter e Instagram, além de streamings como Globo Play, Netflix e Prime Video.
Segundo o comunicado, a restrição foi feita para “melhor usabilidade e monitoramento” da internet fornecida nas escolas. O bloqueio só foi comunicado após o início das aulas na rede estadual e depois que os professores já tinham feito o planejamento das atividades pedagógicas que desenvolveriam ao longo do ano letivo.
Para os professores, a restrição, imposta pelo secretário de Educação Renato Feder, prejudica o trabalho em sala de aula já que o próprio currículo paulista (documento que orienta o que deve ser ensinado nas escolas) prevê, em diversas disciplinas, a discussão e atividades com o uso de redes sociais que fazem parte do cotidiano dos estudantes.
Em nota, a Secretaria de Educação disse que a restrição de acesso tem como objetivo “garantir um ambiente adequado para o aprendizado e evitar usos considerados inapropriados e/ou excessivos de redes, que podem prejudicar a qualidade da conexão e interferir no andamento das atividades pedagógicas”.
Além de ir na contramão do que orienta o currículo paulista, a medida também difere do que é feito em escolas particulares, onde o uso de redes sociais se tornou parte de atividades pedagógicas para buscar atrair a atenção dos alunos.
Desde 2017, o uso de celulares dentro das salas de aula deixou de ser proibido nas escolas de São Paulo. O entendimento, já naquela época, era de que a proibição era contraproducente e seria mais efetivo estimular os alunos a usarem o aparelho e as redes sociais para fins pedagógicos.
Segundo a Secretaria de Educação, todas as escolas estaduais de São Paulo tem internet disponível para uso em sala de aula. A conexão, inclusive, pode ser usada pelos alunos para atividades pedagógicas. Na prática, no entanto, a velocidade e o alcance da internet na maioria das escolas não permite o uso em sala.
Os professores contam que usam as redes sociais para trazer situações e exemplos do cotidiano dos alunos e, assim, fazer com que se interessem mais pelos conteúdos disciplinares.
Uma professora de português, que pediu para não ser identificada, contou que, em uma das atividades de sala de aula, pede aos alunos para comparar posts de Instagram de contas de jornais com os de perfis de fofoca. A proposta tem como objetivo fazer com que eles se atentem à diferença da linguagem utilizada ou a referência que fazem sobre as fontes de informação.
Segundo ela, a atividade faz parte da discussão sobre fake news e cuidados necessários ao se informar em redes sociais.
Um professor de sociologia também contou que uma das atividades que mais deixou seus alunos animados no último ano foi pedir para que produzissem vídeos no Tik-Tok sobre os conteúdos trabalhados em sua disciplina.
Para eles, a restrição não vai impedir que os alunos utilizem as redes sociais em sala de aula, mas prejudicar o uso pedagógico delas já que não poderão mais ser acessadas pela internet da escola. Como os professores não podem garantir que todos têm acesso à conexão, não podem mais propor atividades nesse formato.
As propostas desses dois professores estão em consonância com o que prevê o currículo paulista. Um documento que orienta o que deve ser ensinado, por exemplo, na disciplina de Tecnologia e Inovação prevê que os alunos de 6º ano devem desenvolver a habilidade de “compreender o funcionamento das redes sociais no que diz respeito às formas de publicidade nos meios digitais, aos mecanismos de disseminação de fake news, à busca frequente de aumento do capital social e suas consequências, dentre outros, para usar as redes sociais de forma mais crítica.”
Para Ana Paula Corti, professora do IFSP (Instituto Federal de São Paulo) e pesquisadora da Repu (Rede Escola Pública e Universidade), a medida tem um caráter antidemocrático e está descolada das principais práticas recomendadas para um ensino mais atraente aos jovens.
“É muito antidemocrático a secretaria decidir o que deve ou não ser acessado nas escolas. É desrespeitoso e fere a autonomia dos professores que têm o direito de decidir com quais ferramentas vão trabalhar seu conteúdo ou qual é o formato que mais atrai seus alunos”, diz a pesquisadora.
Para ela, a medida também desconsidera e descontínua o trabalho feito nas escolas, já que muitas unidades possuem perfis nas redes sociais para se comunicar com os alunos. “Foi pelas redes sociais que muitas escolas conseguiram manter o vínculo com seus alunos na pandemia, engajá-los para atividades. Essa descontinuidade é muito ruim para o processo pedagógico.”
Em nota, a Secretaria de Educação disse que apoia o uso de tecnologias e aplicativos na rede estadual e que, inclusive, está adotando novos recursos digitais para as escolas. Segundo a pasta, apesar da restrição, existem diversas ferramentas que poderão continuar sendo utilizadas, como o Centro de Mídias e aplicativos do Google, como o Google Classroom e Google Docs.
“A Seduc-SP entende que existem outras formas de tornar a escola mais atrativa, como investir em tecnologia educacional de qualidade e em estratégias pedagógicas que engajem os alunos, além de promover atividades extracurriculares e culturais que estimulem o interesse dos jovens pela escola, sempre priorizando a segurança e o bem-estar de toda a comunidade escolar”, informou a pasta.
Com mais quatro escolas municipais reformadas pela Prefeitura de Barueri, alunos voltam as aulas no próximo dia 6 de fevereiro.
As unidades de ensino passaram por reformas, ampliação dos espaços, tornando-os mais arejados. Esses prédios compõem a rede de 116 escolas de ensino municipal, que voltarão a atender 67.500 alunos no retorno ao ano letivo.
A Prefeitura tem realizado reformas e reconstruções em toda a rede de ensino. De 2020 a 2022, já foram entregues 62 unidades escolares, das quais sete completamente novas, oito reconstruídas e 47 reformadas.
A secretaria de Educação Municipal, até o momento, não divulgou a data que serão distribuídos para os estudantes da rede os kits com material escolar.
O novo secretário de Educação de São Paulo, Renato Feder, assume a maior rede pública de ensino do país com planos de mudar as principais políticas em vigor na área. Ele quer ter metade das matrículas do ensino médio no modelo profissionalizante até o fim de sua gestão e planeja mudar o sistema de bonificação por resultados.
Escolhido por Tarcísio de Freitas (Republicanos) por ter tido uma gestão considerada bem-sucedida à frente da Educação do Paraná, Feder disse à reportagem que quer importar para São Paulo o que avalia ter dado certo nas escolas paranaenses.
Com experiência como empresário da área de tecnologia, ele quer pôr uma série de aplicativos e ferramentas digitais nas escolas estaduais paulistas tanto para auxiliar os professores em sala de aula como para monitorar a frequência escolar dos alunos, tal como fez no Paraná.
Para o novo secretário, garantir uma alta taxa de frequência escolar, ou seja, manter os alunos na escola, é uma forma de garantir melhorias de aprendizado.
Na contramão da política priorizada na gestão Rodrigo Garcia/João Doria (PSDB), ele diz que vai desacelerar a expansão de escolas em tempo integral para melhorar a execução da política. “Quero garantir a qualidade do ensino nas que já estão com o modelo para depois continuar a ampliação”, disse.
Ele planeja apostar na ampliação de outra modalidade de ensino, o profissionalizante para alunos do ensino médio. Os dados mais recentes mostram que a rede estadual paulista tem cerca de 10,6% dos alunos (cerca de 143,8 mil de uma rede com mais de 1,35 milhão nessa etapa) em cursos técnicos.
Também disse estudar mudanças no pagamento de bônus aos professores, bandeira dos tucanos na gestão da educação paulista. A política, em vigor desde 2008, tem sido mantida apesar de estudos do próprio governo indicarem sua ineficácia.
Feder defende o pagamento de bônus por desempenho e avalia que o erro da política atual é a falta de planejamento adequado.
Veja a entrevista completa com o Secretário de Educação de SP
PERGUNTA – O sr. assume o comando da maior rede de ensino do país. Apesar de se tratar do estado mais rico do país, as escolas paulistas ainda enfrentam muitos desafios e estagnação de resultados. Qual será sua prioridade?
RENATO FEDER – Minha prioridade é entregar uma educação de resultados. Isso é o principal. E, para isso, vou usar duas métricas: a aprendizagem e a frequência escolar, esta indica se o aluno quer ir para escola. Acompanhar e melhorar essas duas métricas será prioridade.
Outras ações prioritárias serão a inclusão de novas disciplinas na grade curricular, como educação financeira e programação de computador. Além da ampliação das matrículas no ensino profissionalizante.
P – Para quanto pretende ampliar as vagas no ensino profissionalizante?
RF – Hoje, 10% dos jovens da educação pública estão no ensino profissionalizante. Esse percentual é muito maior na Europa. Neste ano, eu não consigo ampliar essa oferta, mas quero chegar ao fim da gestão com 40% a 50% das matrículas nessa modalidade.
P – Como o sr. pretende fazer essa ampliação? Quando era secretário do Paraná, o sr. fez essa ampliação com o uso de aulas pela televisão, o que não foi bem-sucedido. Pretende adotar o mesmo formato?
RF – Vamos transformar as escolas regulares para fazer uma educação profissionalizante inteiramente presencial. Nada vai ser a distância. Vamos transformar as escolas públicas para que possam ofertar alguns cursos técnicos [concomitante ao ensino médio]. Isso não é feito hoje, fica tudo concentrado no Centro Paula Souza.
Já conversei com o governador Tarcísio e com o secretário de Desenvolvimento Econômico [o economista Jorge Luiz Lima] e estamos trabalhando para ter essa oferta nas escolas regulares em 2024. Neste ano, a gente faz a contratação dos professores e inicia a oferta no próximo.
Vamos selecionar os cursos que vamos oferecer e montamos as disciplinas práticas, que serão ministradas por profissionais que atuam na área. Por exemplo, vamos contratar graduados em administração para dar aula no curso profissionalizante de administração.
P – Um dos principais problemas enfrentados pelas escolas em 20 foi a falta de professores. Esse problema foi solucionado?
RF – Focamos muito essa questão durante a transição de governo. Nossa preocupação era ter professores alocados para todas as aulas e a gente conseguiu. Esse problema não deve se repetir, estamos com quase 100% das aulas atribuídas.
P – O sr. pretende fazer alguma mudança na atual política de bônus? Documentos da própria secretaria indicam que a política não resultou na melhora dos indicadores educacionais.
RF – O que eu acompanhei de longe sobre o bônus de São Paulo é que é algo feito com pouco planejamento. Se paga igual para todos independentemente do resultado, então, não é de fato um bônus por desempenho.
A gente pretende combinar algumas metas com as escolas para pagar o bônus. O principal vai ser o aumento da frequência escolar dos alunos e a melhoria da aprendizagem, estabelecendo índices separadamente para cada um deles [atualmente, o estado usa como parâmetro o Ideb que combina esses dois indicadores]. Além disso, queremos melhorar a remuneração dos professores.
P – O que pretendem fazer para melhorar os salários?
RF – Um desejo que eu e o governador partilhamos é o de que os professores possam progredir na carreira e ser melhor remunerados. A gente quer redesenhar uma nova carreira para que isso seja possível.
Atualmente, há uma lei que prevê 15 níveis de progressão para os professores. Queremos incluir alguns critérios para que possam receber aumentos. Por exemplo, premiando docentes que ajudam na formação de outros docentes, que atuam como tutores dos colegas.
P – Há mais de duas décadas, São Paulo usa recursos educacionais para pagar aposentados, prática que já foi considera inconstitucional. O sr. pretende mudar isso?
RF – Eu preciso estudar. Se for possível atender essa demanda, a gente vai.
P – O TCE decidiu investigar o contrato da Secretaria de Educação com a Multilaser, empresa da qual o sr. foi fundador e era ligado até 30 de novembro. O sr. pretende rever esse contrato para evitar conflitos de interesse?
RF – Eu acho excelente o TCE investigar e eu me sinto muito confortável de saber que o tribunal está olhando para isso. Todo o processo foi feito de maneira legal e igualitária. O meu compromisso é que a Multilaser não vai vender nem oferecer nenhum novo equipamento para São Paulo durante a minha gestão.
P – Nos últimos quatro anos, houve uma ampliação acelerada das escolas de tempo integral, o que acarretou uma série de problemas para as unidades. O sr. pretende continuar a ampliação?
RF – São Paulo fez uma expansão que foi importante, mas agora precisamos cuidar da execução. O foco do meu trabalho vai ser garantir que haja uma boa execução do que já foi feito.
Na minha gestão a expansão vai ser mais moderada. Até porque não tenho nem estrutura física para fazer uma expansão maior. E eu também não acredito que seja esse o caminho. Eu quero garantir a qualidade das que estão em funcionamento para depois pensar na universalização.
P – O que o sr. pretende deixar como marca ao fim dos quatro anos?
RF – Eu quero que os alunos saiam da escola pública sabendo matemática e língua portuguesa. Hoje, o estado de São Paulo não entrega isso para os jovens.
Quero que o diretor da escola seja visto como líder de seus professores e não um líder de processos administrativos como ocorre hoje. Quero que a secretaria estruture melhor os processos burocráticos da escola para que os diretores não gastem tempo com isso e possam se dedicar mais à parte pedagógica.
P – O sr. usou esse argumento de liberar os diretores das burocracias escolares para defender a privatização de escolas no Paraná. O sr. também pretende entregar a gestão das escolas estaduais paulistas para o setor privado?
RF – A princípio não. Tem muitas coisas para fazer aqui antes disso. Não é uma ideia a ser descartada, mas também não é nossa prioridade. Temos muito para avançar antes disso.
RAIO-X
RENATO FEDER, 44
É formado em administração pela FGV e mestre em economia pela USP. Herdeiro do grupo Elgin, conhecido pela fabricação de eletrodomésticos, destacou-se no mercado com a empresa Multilaser, de tecnologia. Atuou na Secretaria de Educação de São Paulo de 2017 a 2018 como assessor especial. Em 2019, assumiu o cargo de secretário de Educação do Paraná, no governo Ratinho Júnior (PSD), no qual ficou até o fim de 2022.